de 2015
Manchetes
O MATUTO
A Reforma Agrária e a exploração imobiliária
25/08/2015
Um grupo de acadêmicos do curso de economia fez um levantamento técnico da atual realidade de alguns assentamentos da região. O quadro é assustador e preocupante. Para vocês terem uma ideia, nos assentamentos Marcos Freire e Ireno Alves, de Rio Bonito do Iguaçu, 40% das famílias já teriam vendidos seus lotes. Além disso, mais de 50% das lavouras de soja e milho estariam nas mãos de meia dúzia de arrendatários.
No assentamento Celso Furtado, em Quedas do Iguaçu, 30% das famílias teriam vendido seus lotes e lá o sistema de arrendamento nas lavouras de soja e milho chega a 70%. Na região do Rio Pedido, também de Quedas do Iguaçu, das 83 famílias assentadas, apenas três ainda permanecem na área ocupada.
No assentamento Manasa, em Porto Barreiro, das cerca de 60 famílias assentadas, 37 teriam vendido seus lotes e apenas 23 ainda permanecem no local, onde 90% das lavouras de soja e milho estariam nas mãos de dois arrendatários. Numa das comunidades da região do Margarete, em Quedas do Iguaçu, de 20 moradores, 18 já teriam vendidos os lotes.
Nos assentamentos de Goioxim, das 300 famílias assentadas, somente 40 delas ainda permanecem no município. Especialistas do setor denunciam que a maioria das famílias que venderam os lotes nos assentamentos migrou para novas invasões de terras.

Recursos públicos
Outro agravante dentro das áreas de assentamentos é a má aplicação dos recursos públicos dos governos estadual e federal. Denúncias apontam que uma única entidade ligada a um movimento social teria recebido cerca de R$ 3 milhões nos últimos dois anos para extensão rural. Outra entidade que atua no setor habitacional rural teria recebido mais de R$ 12 milhões, para investimentos nos assentamentos. Essas estariam sendo alvo de investigações do Ministério Público Federal (MPF) e órgãos de fiscalização do governo federal.
O Ministério Desenvolvimento Agrário (MDA) divulgou recentemente dados que apontam investimentos do governo federal no Território da Cantuquiriguaçu na ordem de R$ 330 milhões, mas os relatórios não mostram em quais assentamentos ou cidades e onde estão investidos estes valores. Este é o cenário dos assentamentos na região. Que tipo de desenvolvimento este cenário promove? Deixo para que vocês leitores que tirem suas conclusões.
João Muniz

João Muniz é acadêmico de jornalismo e representante do Jornal Correio em Quedas do Iguaçu, São Jorge d' Oeste, Catanduvas, Espigão Alto e Três Barras

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