de 2016
Manchetes
Os filhos do Stédile e do Seriguelli
03/11/2015
Na última semana tivemos acesso a alguns dados sobre o número de mulheres gestantes nos acampamentos de trabalhadores sem-terra, ligados ao MST. No Herdeiros da Terra, em Rio Bonito do Iguaçu, estão cadastradas 70 gestantes e no Dom Tomás Balduíno, de Quedas do Iguaçu, já são 90. No caso de Quedas do Iguaçu, são gestantações, na sua maioria, de meninas adolescentes, alguns casos de jovens com 14 anos de idade. Denúncias apontam que em alguns casos, meninas foram obrigadas a manterem relações sexuais forçadas e até casos de estrupo de vulneráveis.
A cidade de Rio Bonito não possui um sistema de saúde com hospital e conta com a carência de médicos, Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul terão que absorver toda a demanda. O problema é que nenhuma das cidades possui atualmente uma estrutura com capacidade de atender todo este grupo de gestantes. Faltam pediatras, ginecologistas, anestesistas, UTI's, equipamentos e demais profissionais.
Comentando estes números com alguns líderes do movimento, eles avaliam ser ridícula a abordagem deste assunto e querem evitar debatê-lo. Ora, senhores leitores, é normal, então num período de 4 a 5 meses termos 160 meninas e mulheres grávidas, em dois bolsões de população itinerantes? As entidades, gestores públicos, Conselho Tutelar, os governos do Estado e Federal, Ministério Público e o Juizado da Infância e Adolescência precisam urgentemente debater o assunto e buscar as medidas necessárias de apoio a essas mulheres, ou vamos esperar o último suspiro da criança no ventre da sua mãe, para aí procurarmos socorro, batendo nas portas de unidades de atendimentos, implorando que alguém salva aquela vida.
Já vi isso no passado, foram inúmeras reportagens, presenciando vidas que foram ceifadas, meninas e mulheres complexadas pelo resto de suas vidas. Pais desesperados nas portas de hospitais jurando médicos de morte, processos judiciais de omissão de socorro.
De quem é culpa? O que está em debate aqui não é a reforma agrária, não é a questão se a terra é privada ou da união. A violência infantil começa no ventre, é invisível e silenciosa, não importa a idade da criança, dentro ou fora do ventre, toda violência contra ela é crime! “Prefiro ser um homem de paradoxos que um homem de preconceitos”, Jean Jacques Rousseau.


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