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O NINHO DE TICO-TICOS...
16/04/2015
(Por Dalila Ruschel)
Num dia de primavera defrontei-me com um ninho de pássaros em meu jardim. Quatro minúsculos ovinhos ali estavam. Durante dias e dias continuei com o meu interesse preso àquele ninho. De manhã, abria a janela que dava bem em cima do arbusto, fazia-o bem de mansinho para não assustar a mãezinha que estava chocando. Às vezes ela deixava o ninho para ir alimentar-se, mas voltava muito depressa.
Assim se passaram mais de 10 dias, quando, certa manhã, notei algo de anormal. Eram uns pios e piozinhos, um alvoroço, um vai-vem, uma alegria rumorosa ao redor do arbusto. E não era só a femeazinha que estava nessa agitação. Também, outro passarinho rodeava o arbusto, soltando pios estridentes. Era o machinho. Haviam nascido os filhotinhos. Quatro pequeninos e feios bichinhos. Digo, feios, porque em verdade não eram nada bonitos. Não tinham penas. Os olhinhos fechados. Os biquinhos, desmesuradamente grandes com relação aos corpinhos disformes, só se abriam para piar e piar. O paizinho e mãezinha estavam atarefados. Iam e vinham para alimentar os esfomeados filhotes. E coisa curiosa, quando saíam do ninho levavam no bico uma casquinha dos ovos. Assim eles próprios limparam o ninho de todo pedacinho de casca. Às vezes a fêmea mal acabara de trazer algum alimento, já apontava também o macho, com um inseto no bico. Ela então voava para ele, tirava-lhe o alimento do bico e levava-o para os filhotinhos, enquanto o tico-tico lá se ia à procura de outro grãozinho ou inseto.
Li certa vez que um filhote de passarinhos pode comer num dia cerca de 800 insetos daninhos. O casal de tico-ticos trabalhou o dia todo nesse vai-vem, para alimentar seus pupilos. Também no segundo, no terceiro dia e durante toda a semana continuaram nessa lida. À esta altura, os quatro filhotes já estavam um pouco mais bonitos. Uma penugenzinha cobria-lhes o corpinho e as asinhas já se destacavam do conjunto. O s olhinhos tinham-nos agora abertos e o bico já não parecia tão grande com relação ao corpo. Gorduchinhos, pousados no ninho, um encostado no outro, esperavam pela mãe. E quando ela se aproximava, começavam eles com os seus piozinhos e escancaravam os biquinhos. Eu estava curiosa a ver como dariam os primeiros vôos. Porém, uma coisa eu receiava: o gato da vizinha. Todos os dias ele vinha para nosso jardim a espreguiçar-se ao sol. Não vá o danado apanhar os filhotes, ao darem seu vôo inicial – pensei. Mas até parece que adivinhei. Dois dias depois, antes mesmo de os coitadinhos deixarem seu ninho, o gato os liquidou. Eu havia saído naquela tarde e quando voltei, ó que lastima! O arbusto todo estropiado. O galho, onde tinha estado o ninho tão artisticamente construído, estava partido e deitado no chão. O ninho em pedaços. Numa árvore próxima os pais das pobres vítimas piavam-piavam, tristonhos e agoniados.
Dias e dias seguidos aparecia de quando em quando o casalzinho. Pousava no arbusto, procurando o que até há pouco constituía seu maior tesouro. Coitadinhos. Dava mesmo pena vê-los chorarem os seus filhinhos devorados pelo gato.
Essa historiazinha, meus pequenos leitores, faz me lembrar a alma de uma criatura. Nasce um filho para um casal cristão. Que alegria! Com quanto amor carinho e cuidado é cercada essa criança! Nenhum sacrifício é demais para os pais, pois querem o filho como homem ou mulher honesta, bom boa, uma pessoa para a glória de Deus e da Pátria. A criança se faz jovem sempre cercado dos desvelos do pai e da mãe. Mas... eis que lhe aparece um amigo, que em verdade é um perigosíssimo inimigo, e lhe rouba a fé, ou a inocência do coração matando-lhe a alma. E o jovem ou a jovem se torna descrente, dominado provavelmente pelo vício das drogas. E os pobres pais choram a morte da alma dos filhos que tanto amor e tanto sacrifício lhes custou. Por isso muito cuidado, na escolha de vossos amigos! “Dize-me com quem andas e dirte-ei quem és”.
Reinoldo Back

Reinoldo Back é assinante e colunista do Jornal Correio do Povo

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