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CRIANÇAS E MÍDIA
26/03/2015
Uma das principais preocupações dos pais e educadores recai sobre a relação das crianças com a mídia. As brasileiras, com boas condições econômicas passam cerca de 5 horas diárias em frente à televisão. E a internet ganha cada vez mais força. Associada a essa preocupação, existe outra: a do consumo infantil. Nos últimos 50 anos, o consumo passou a adquirir uma enorme importância na sociedade, e cada vez mais produtos são oferecidos. Fazer compras tornou-se um dos principais passatempos das pessoas. O crescimento do consumo ocorreu junto com outras transformações sociais.
A partir das décadas de 1950 e 60, movimentos sociais passaram a agitar o mundo com o principal objetivo de buscar espaço para minorias. Antes desconsiderados, esses grupos se fortaleceram e passaram a ser alvo do mercado. Essas transformações acabaram por abalar a família e, como isso, a mídia ganhou força. Numa sociedade capitalista, ganhou força. Numa sociedade capitalista, essas condições são indissociáveis. Um exemplo de público que adquiriu voz e acabou tendo uma forte mídia especialmente em jornalismo é o das mulheres. No final do século XIX elas já começaram a entrar no mercado de trabalho e movimentos feministas pediam mais direitos.
Nos anos de 1960, as mulheres lutaram muito por espaço (ao contrário do que pensam alguns que isto é recente), numa sociedade que exigia conciliação da maternidade com a profissão, e essa nova identidade passou a ser divulgada por revistas femininas. Junto com a imprensa desenvolveram-se, produtos domésticos, vestuários, entre outros, direcionados a elas.
Hoje as mulheres de 40 anos não leem as mesmas revistas do que as de 15.
Se o consumo passou a ter valor social nos últimos 50 anos, foi apenas nas últimas décadas que o mercado começou a se direcionar também para as crianças e com muita intensidade. Depois dos adolescentes, chegou a hora de as crianças serem descobertas como um grupo consumidor, e de peso.
A redução das famílias, com o aumento de renda (embora desigualmente distribuída ) fez com que as crianças passassem a ter voz nas decisões de compras domésticas. Somam-se a essas características a terceirização da criação dos filhos. Todos esses fatores contribuem para que as crianças passem a desempenhar o papel de consumidoras.
As crianças por sinal, constituem um grupo de alto interesse das empresas, pois não só consomem como tem poder de influência no consumo de seus pais. Além disso, são os adultos que consumirão no futuro. No Brasil, pesquisas revelam que até 80% do que é comprado em uma casa passa pelo crivo das crianças. O que acontece é que as crianças de hoje aprendem que consumir é adotar um estilo de vida, é ter “felicidade” e, portanto, poder. Os discursos produzidos na escola, na mídia, e até dentro dos núcleos familiares reforçam esse pensamento. Também a mídia “precisa” das crianças como público alvo.
É a união da fome com a vontade de comer. Pode-se dizer que, nem todas as crianças reajam da mesma forma em relação a esse discurso de comprar, e para saber consumir, a criança precisa se informar.
Muitas crianças são experts em tecnologia e acabam tendo um domínio maior sobre as “máquinas” do que seus pais e seus professores, até porque nasceram numa época em que o mundo virtual e o real se misturam. Isso acaba provocando medo nos adultos. Além disso, com o acesso facilitado aos conteúdos da televisão e da internet, qualquer criança pode entender quase tudo o que os adultos dizem ou sentem. Quase todos os “segredos” do mundo desapareceram. E o adulto que privilegia a internet em relação ao contato pessoal, ou dá muito valor ao consumo, jamais conseguirá convencer uma criança a fazer diferente.
Reinoldo Back

Reinoldo Back é assinante e colunista do Jornal Correio do Povo

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