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HIPOCRISIA E CARÁTER
16/10/2014
Uma das vantagens mais interessantes da hipocrisia, o vício preferido das campanhas eleitorais, é seu baixo custo. Rigorosamente fazendo a conta na ponta do lápis a hipocrisia não custa nada, quando se soma que o hipócrita não custa nada porque ele jamais pretende cumprir suas promessas, nem se comportar com as virtudes que atribui a si mesmo diante do público. Terminada a disputa eleitoral, volta a ser o que sempre foi, e dá por zeradas todas as dívidas que parecia estar contraindo quando pedia votos aos eleitores. Acirradas disputas pela presidência da República entre Dilma Rousseff e Aécio Neves, é claro, não são a oportunidade mais adequada para o público assistir apresentações de boa conduta. Mesmo assim, a campanha eleitoral de 2014 já para o segundo turno parece superar tudo o que já foi feito neste Brasil, até este momento, em matéria de embuste, talvez só superada pela próxima corrida em 2018.
Nunca há inocentes nesta disputa mesquinha, desonesta e sem o menor vestígio de vida inteligente; desde o primeiro dia de campanha, ainda no primeiro turno, nada que pudesse ser descrito como ótimas idéias. Mas o pior desempenho, de longe, fica com a candidata presidente Dilma Rousseff, porque ela não é só a candidata oficial antes disso, é a presidente do país e esse cargo lhe impõe obrigações formais perante todos os brasileiros. Em primeiro lugar o respeito pela posição que ocupa e pelo juramento que fez ao assumir a Presidência, não tem o direito de tratar os eleitores como um bando de ignorantes que não tenham capacidade de pensar, ouvir argumentos e, desculpas de falhas na sua administração. Faltam para Dilma explicações e raciocínios que façam nexo ou respeitem fatos. Vale tudo aí. Se Dilma não for reeleita, garante sua campanha, a comida vai sumir das mesas. As crianças passarão a receber livros em branco. Os banqueiros vão ordenar demissões em massa, fechar escolas e acabar com o Bolsa Família. Os banqueiros sempre foram os maiores financiadores de campanhas e sempre se deram bem com qualquer regime ou governo.
O resultado prático de toda essa insensatez é que a campanha eleitoral da suprema magistrada do Brasil que deveria ser a mais fiel à verdade, acabou sendo a mais hipócrita de todas. Dilma teve um jogo lindo no primeiro turno esteve sempre à frente nas pesquisas tanto assim que venceu Aécio por ótima margem de votos, mas não evitou o segundo turno. Teve mais tempo na televisão e usou a máquina do governo todos os dias, para caçar votos. Está em jogo um projeto de poder e um interesse material: mais de 20.000 cargos ocupados pelo PT e amigos, a manutenção de um convívio de doze anos com empreiteiras e as oportunidades de negócios junto a empreendedores como o homem atômico da Petrobrás que está preso. Não existe motivo para acreditar nas promessas de limpeza na Petrobrás quando Lula diz que a empresa é vítima de “ataques” de tubarões imaginários e não dos tubarões de carne e osso mantidos lá dentro durante todo o seu governo e o de Dilma.
Por outro lado, o candidato dos tucanos Aécio Neves, não pode ter feito um governo tão brilhante em Minas Gerais, pois lá quem venceu foi o PT, partido de Dilma. Perder em seu estado natal não parece ser uma boa. Aécio tem como um dos principais cabos eleitorais o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso o FHC, que em dia infeliz chamou os aposentados de vagabundos. O governo de oito anos dos tucanos deve ter tapeado casos de corrupção em especial aquele de Eduardo Azeredo de Minas Gerais. A complicação que o Brasil vive hoje vai além da falta de decência, de lucidez e de bons modos de campanha. Campanhas eleitorais são transitórias, mas as pessoas que participam delas são permanentes.
CATOLICISMO
Não se pode afirmar que nunca antes na história desse país, a Igreja Católica, ou seus representantes – tenha sido usada para fins eleitorais. Pelo contrário, a participação política da Igreja foi até institucionalizada sob o nome de Liga Eleitoral Católica, com grande atuação na primeira metade do século passado. Candidatos que não rezassem pelo catecismo da LEC, num país tão religioso como o Brasil e com a maior população católica do planeta estavam praticamente condenados à derrota.
Mesmo o ateu e depois agnóstico Getúlio Vargas, que na juventude chegara a escrever um livro sobre os males do cristianismo, teve de se render à força da Igreja para alcançar e se manter no poder. Beijava mãos de cardeais, bispos, e até de curas interioranas para não cair em desgraça.
Hoje em dia é importante para os políticos aproximar-se das igrejas evangélicas, especialmente das numerosas e poderosas neopentecostais, para conquistar eleitores. Mas a Igreja Católica, embora hoje menos influente e decisiva do que foi no passado, não pode ser esquecida.
Reinoldo Back

Reinoldo Back é assinante e colunista do Jornal Correio do Povo

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