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CATOLICISMO
23/10/2014
Não se pode afirmar que nunca antes na história desse país, a Igreja Católica, ou seus representantes – tenha sido usada para fins eleitorais. Pelo contrário, a participação política da Igreja foi até institucionalizada sob o nome de Liga Eleitoral Católica, com grande atuação na primeira metade do século passado. Candidatos que não rezassem pelo catecismo da LEC, num país tão religioso como o Brasil e com a maior população católica do planeta, estavam praticamente condenados à derrota. Mesmo o ateu e depois agnóstico Getúlio Vargas, que na juventude chegara a escrever um livro sobre os males do cristianismo, teve de se render à força da Igreja para alcançar e se manter no poder. Beijava mãos de Cardeais, Bispos e até curas interioranos para não cair em desgraça. Hoje em dia é importante para os políticos aproximar-se das Igrejas Evangélicas, especialmente das numerosas e poderosas neopentecostais, para conquistar eleitores. Mas a Igreja Católica, embora hoje menos influente e decisiva do que foi no passado, não pode ser esquecida.
Polarização

A polarização sem fim entre PT e PSDB, o desgaste natural da gestão petista após muitos anos no poder e a divulgação de uma série de escândalos e suspeitas de casos de corrupção estão atrapalhando o debate eleitoral. Digo estavam atrapalhando, pois estamos de novo à frente das urnas eletrônicas e, um tanto indecisos. De um lado, os tucanos ressaltavam as denúncias envolvendo a Petrobrás. De outro petistas repetiam a exaustão os problemas da era Fernando Henrique Cardoso, que acabou há quase 12 anos. Seria importante discutir os casos de corrupção, certamente, assim como relembrar de épocas em que o dia a dia dos brasileiros era difícil. Aqui no Paraná, a gestão Jaime Lerner de triste memória, que o digam os professores e o povo mais humilde, onde muitos perderam tudo que possuíam e este colunista está incluído no meio. Lerner pode ter sido um bom arquiteto e urbanista, mas nunca um administrador. Enquanto as conquistas da gestão FHC, especialmente no ambiente macroeconômico, foram fundamentais para o crescimento econômico do Brasil posterior, mas não há como negar que as conquistas sociais só avançaram a partir da gestão Lula. Muitos se lembram do apagão de energia de FHC, mas agora temos um apagão gerencial no setor, com malabarismos que custam bilhões de reais. Mas enfim, as denúncias de corrupção e as lembranças de outras épocas fazem sim, parte do debate eleitoral, mas não deveria ter sido a parte dominante. Seria preciso discutir ao longo da campanha mais questões referentes ao desenvolvimento de nosso país. Como sempre, os políticos são uma raça distinta e os candidatos estão sempre acompanhados de um bando deles por onde andaram. Tanto Dilma como Aécio. Fazem até falar artista contra ou a favor. Mudam de atitude por conveniência. Esse exemplo de Marina Silva contribui para uma degradação da nossa sociedade, no que se refere à ética e ideologia política. Há poucas semanas estavam um falando mal do outro, agora estão se abraçando acompanhado de beijinhos. Não manter sua palavra é tão degradante quanto à corrupção que todos esses políticos praticam em nosso país. Ainda pela briga para ver quem tem mais familiares em cargos políticos, quem errou mais, e quem fez ou não fez o teste da perfeição. Desde quando a vida pessoal dos candidatos irá interferir na decisão eleitoral de cada um?
Reinoldo Back

Reinoldo Back é assinante e colunista do Jornal Correio do Povo

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