de 2016
Manchetes
E O GOVERNO NEGA
12/11/2015
O governo nega que esteja eliminando benefícios como o Fies, o Pronatec, e o Bolsa Família. Eles estão tirando sim. As pessoas sentem isso. O salário continua como em janeiro. Alguns setores tiveram reajustes em conseqüência de greves. Nos últimos dois anos tem sempre alguma classe em greve. Algumas greves duram meses. Inflação alta e juros nas alturas, afeta principalmente os assalariados e os mais pobres. O maior pecado de Dilma Rousseff, do ponto de vista dos mais pobres, foi mexer na educação, em vez de cortar um monte de outras coisas. Com isso, ela arruinou o slogan que seu governo criou, o da “Pátria Educadora”. Logo no início do segundo mandato de Dilma vieram os cortes no Fies. Foi então uma facada nas costas de milhões de estudantes e de professores universitários. Bem avaliado, o governo Dilma teria 30% de aprovação porque foi isso que o PT sempre teve. Mas ela Sua Excelência está com apenas 7%. Nunca se viu corroer um patrimônio político em tão pouco tempo. Acho e tenho quase certeza que essa rejeição se deve a essa decepção econômica. Quando dói no bolso. É um componente inédito na nossa história. No impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, 1992, o Brasil já vinha de anos de problemas com a hiperinflação. Mas a crise atual bateu depois de um período de vacas gordas e grande bonança, o que traz um desastre ainda maior. As pessoas se revoltam mais rapidamente principalmente as que possuíam um poder aquisitivo maior. Ainda em 2014, em uma roda de amigos, sempre fazíamos a mesma pergunta: como está sua vida e tudo bem? Os participantes respondiam que estava tudo bem. Como vivíamos uma situação de pleno emprego, era difícil saber por que uma ou outra pessoa não conseguia uma vaga, para nós era certo que conseguiria. Agora com a crise, técnicos e universitários correm o risco de ficar sem emprego. Há uma porção de gente formada até em três faculdades que não consegue emprego nem de secretária. Quando alguém questiona a qualidade da faculdade que fizeram, a vontade que elas têm é de dar um murro em que critica. A qualidade é muito baixa. Mas as pessoas querem valorizar o esforço que fizeram. Só o que pedem é que o governo cumpra a promessa que lhes foi feita. A nova classe média não criou mecanismos para se defender da inflação, e isso aumenta a desaprovação ao governo. A grande massa dos brasileiros não viveu ainda sob a crise e inflação. Um jovem de 17 ou 22 anos não tem a mesma noção dessas crises. Ele não viu as maquininhas remarcando os preços na parte da manhã e a tarde. Isso todos os dias. De manhã se remarcava os preços e à tarde novamente. Um absurdo. Quando se recebia um cheque ou dinheiro com inúmeros zeros, a gente saía correndo aos bancos para aplicar o dinheiro e se defender da hiperinflação. Muitas pessoas vendiam seus bens para aplicar o dinheiro em especulação financeira. Pesquisas recentes mostram as conseqüências de os jovens não ter noção do que acontece hoje. Isso tem dois desdobramentos interessantes. O primeiro é que, como eles não sabem o que é inflação, ficam ainda mais assustados quando escutam a palavra. O segundo é que eles voltavam dos supermercados com pequenos luxos que a filha de 3 anos e o filho de 5 aprenderam a gostar. Agora, pela primeira vez eles levam sempre menos. Não sabem bem que isso é conseqüência da inflação, mas a sentem na pele. Os filhos pedem, mas ninguém que ter uma discussão com eles. Aí, começa o choro. O choro pelo dinheiro e o poder aquisitivo que a crise atual, levou embora. Quero aqui enviar um abraço ao vereador e amigo Alexandre Gurtat Júnior, leitor desta coluna há muito tempo.


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