de 2014
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Acreditar em quem?
20/11/2014
A promessa de Aécio Neves de “fazer uma oposição incansável, inquebrantável e intransigente”, efetuada da tribuna do Senado, acabou atropelada por seu partido antes mesmo de atravessar a rua e chegar ao Palácio do Planalto. Na estreia como líder da oposição, o tucano cobrou “exemplares punições àqueles que protagonizaram o maior escândalo de corrupção da história deste país” e condicionou o diálogo com o governo à investigação implacável do petrolão. Horas mais tarde, porém, em outra sala do Congresso, parlamentares do PSDB fecharam um acordo com colegas petistas para livrar de serem chamados para depor na CPI da Petrobras, alguns dos principais envolvidos no escândalo. Em troca de pouparem da convocação, o empresário Leonardo Meirelles, os tucanos concordaram em desistir de chamar também a Senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Meirelles, um dos laranjas do doleiro Alberto Youssef, havia acusado de envolvimento no esquema o ex-presidente do PSDB, Sergio Guerra, morto no início do ano. A Senadora petista e o tesoureiro Vaccari foram apontados como beneficiários do petrolão pelo doleiro e pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. A proposta do acordo partiu do relator da CPI, o petista gaúcho Marco Maia, e foi aprovada por unanimidade em uma reunião com a presença do deputado tucano Carlos Sampaio. No dia seguinte, explicitada a contradição entre o discurso de Aécio e a prática de sua bancada, Sampaio negou a existência do acordo e disse que a comissão apenas definiu “um roteiro de investigação que priorizou a convocação de empreiteiras e diretores da Petrobras”. Segundo o deputado, os políticos serão chamados em 2015. “Aécio ficou transtornado”, contou um deputado do PSDB. “A última vez que o vi exaltado assim foi quando o Agripino Maia falou que apoiaria Marina Silva no segundo turno”, disse o tucano, referindo-se ao episódio ocorrido quando o ex-candidato à Presidência enfrentou sua pior fase na campanha. A trapalhada no Congresso desencadeou a primeira crise no PSDB pós-eleição. Para evitar a desmoralização de seu discurso, Aécio determinou que o partido divulgasse uma nota desmentindo a existência de acordo com o governo e deu entrevista dizendo que vai propor a criação de uma nova CPI da Petrobras caso a atual termine sem resultados. O tropeço na largada serviu para mostrar que um tucano só não faz verão – e que, para Aécio cumprir a promessa de fazer uma oposição como nunca se viu neste país, terá de combinar antes com seus aliados.
Fonte: Revista Veja.
A lição da caveira
Um príncipe, orgulhoso de usa realeza, foi certo dia caçar em lugar montanhoso e afastado. A certa altura de seu caminho, viu um velho eremita, sentado diante de sua gruta, muito atento a considerar uma caveira que tinha nas mãos. Indignado por não lhe ter o velho dado a menor atenção, nem sequer levantado os olhos para a luzida companhia de caçadores, o príncipe aproximou-se dele e disse-lhe, entre rude e zombeteiro:
- Levanta-te quando por ti passa o teu senhor!
Que podes ver de tão interessante nessa pobre caveira, que chega até abstrair da passagem de um príncipe de tantos poderes fidalgos? O eremita erguendo para ele os olhos mansos, respondeu, em voz singularmente clara e sonora:
- Perdoa, senhor. Eu estava procurando descobrir se esta caveira tinha pertencido a um mendigo ou a um príncipe, mas não consigo distinguir de quem seja. Nesses ossos nada há que me diga se a carne que os revestia repousou em travesseiros de plumas ou nas pedras das estradas. Eu não saberia dizer se devia levantar-me ou conservar-me sentado diante daquele que em vida foi o dono deste crânio anônimo.
(Autor desconhecido).
Reinoldo Back

Reinoldo Back é assinante e colunista do Jornal Correio do Povo

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