Em qualquer canal que se ligue na TV, jornais, revistas, internet, rádios,
a notícia é uma só: o caso da ex-namorada, ou ex-amante, como preferirem,
do goleiro Bruno, Eliza Samúdio, provavelmente espancada até a morte
brutalmente por amigos de um homem que não a queria viva.
Mas esta é apenas uma entre milhões de mulheres que diariamente sofrem nas
mãos de seus parceiros. É um caso que teve repercussão, porque envolve
pessoas famosas. Mas quantos ficam esquecidos porque não envolvem pessoas
famosas? Em Laranjeiras do Sul, em junho do ano passado, situação
semelhante pode ter sido vivida por Adriana da Luz da Cruz, a Drica, de 30
anos. Até agora, não há notícias sobre seu paradeiro, ou mesmo o seu corpo.
O que tem sido feito até o momento? A polícia se cala e a história entra no
esquecimento.
Entre 1997 e 2007, 41.532 mulheres morreram vítimas de homicídio – índice
de 4,2 assassinadas por 100 mil habitantes. Segundo estudo intitulado Mapa
da Violência no Brasil 2010, realizado pelo Instituto Sangari, com base no
banco de dados do Sistema Único de Saúde (DataSUS), em dez anos, dez
mulheres foram assassinadas por dia no Brasil, média que fica acima do
padrão internacional. A motivação geralmente é passional.
Na maioria dos casos que envolvem violência contra mulheres, muita
tragédia poderia ter sido evitada se fosse colocada em prática a Lei Maria
da Penha. Conforme crítica da ministra da Secretaria de Políticas para as
Mulheres, Nilcéa Freire, não é bastante termos mais delegacias e juizados
se as pessoas que lá trabalham não estiverem capacitadas. Muitos crimes têm
acontecido porque os agentes públicos que atendem as mulheres subestimam
aquilo que elas falam, acham que é apenas mais uma “briga de marido e
mulher, onde ninguém mete a colher”, e desqualificam a vítima.
Enquanto não se faz justiça, mulheres são violentadas e subjugadas
cotidianamente pela desigualdade. Eliza Samudio, a vítima da vez, morreu
porque contrariou um homem que achou que lhe deveria impor um castigo. Ela
morreu como morrem tantas outras quando rompem relacionamentos violentos.