Terça-feira, 7 de setembro de 2010
Opiniões e Editorial

Drica é a Eliza de Laranjeiras

Em qualquer canal que se ligue na TV, jornais, revistas, internet, rádios, a notícia é uma só: o caso da ex-namorada, ou ex-amante, como preferirem, do goleiro Bruno, Eliza Samúdio, provavelmente espancada até a morte brutalmente por amigos de um homem que não a queria viva.
Mas esta é apenas uma entre milhões de mulheres que diariamente sofrem nas mãos de seus parceiros. É um caso que teve repercussão, porque envolve pessoas famosas. Mas quantos ficam esquecidos porque não envolvem pessoas famosas? Em Laranjeiras do Sul, em junho do ano passado, situação semelhante pode ter sido vivida por Adriana da Luz da Cruz, a Drica, de 30 anos. Até agora, não há notícias sobre seu paradeiro, ou mesmo o seu corpo. O que tem sido feito até o momento? A polícia se cala e a história entra no esquecimento.
Entre 1997 e 2007, 41.532 mulheres morreram vítimas de homicídio – índice de 4,2 assassinadas por 100 mil habitantes. Segundo estudo intitulado Mapa da Violência no Brasil 2010, realizado pelo Instituto Sangari, com base no banco de dados do Sistema Único de Saúde (DataSUS), em dez anos, dez mulheres foram assassinadas por dia no Brasil, média que fica acima do padrão internacional. A motivação geralmente é passional.
Na maioria dos casos que envolvem violência contra mulheres, muita tragédia poderia ter sido evitada se fosse colocada em prática a Lei Maria da Penha. Conforme crítica da ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire, não é bastante termos mais delegacias e juizados se as pessoas que lá trabalham não estiverem capacitadas. Muitos crimes têm acontecido porque os agentes públicos que atendem as mulheres subestimam aquilo que elas falam, acham que é apenas mais uma “briga de marido e mulher, onde ninguém mete a colher”, e desqualificam a vítima.
Enquanto não se faz justiça, mulheres são violentadas e subjugadas cotidianamente pela desigualdade. Eliza Samudio, a vítima da vez, morreu porque contrariou um homem que achou que lhe deveria impor um castigo. Ela morreu como morrem tantas outras quando rompem relacionamentos violentos.


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