Duas conquistas importantes foram amplamente divulgados na imprensa esta
semana. A nova lei, que agiliza o divórcio, já publicada no Diário Oficial
do Congresso Nacional brasileiro (veja matéria na página 17) e a lei que
permite o casamento entre homossexuais, na Argentina, mostra que a decisão
sobre temas relevantes para a sociedade, finalmente foram definidos nos
dois principais países da América Latina.
Enquanto na Europa muitos países já permitiram há anos a união entre
pessoas do mesmo sexo, no Brasil este assunto ainda é tabu. Ao sancionar
uma lei que legaliza o casamento homossexual, a Argentina tornou-se, nesta
quinta-feira, o primeiro país da América Latina e o décimo no mundo a
autorizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo em nível nacional. Países
como a Holanda, Bélgica, Espanha, Canadá, África do Sul, Noruega, Suécia,
Portugal e Islândia possuem legislação a respeito.
No Brasil, alguns tribunais já firmaram jurisprudência em conceder a
casais homossexuais direitos em relação à herança (metade do patrimônio
construído em comum pode ficar para o parceiro); plano de saúde (inclusão
do parceiro como dependente); pensão em caso de morte (recebimento se o
parceiro for segurado do INSS); guarda de filho (concessão em caso de um
dos parceiros ser mãe ou pai biológico da criança) e emprego (a opção
sexual não pode ser motivo para demissão).
Desde 1996, o Congresso tem entre seus projetos uma proposta, de autoria
da ex-ministra do Turismo, Marta Suplicy, que autoriza a parceria civil
entre homossexuais no Brasil. Mas em todos esses anos, a proposta sequer
chegou a ser votada. Caso fosse aprovada reconheceria, no papel, a união de
casais do mesmo sexo, o que já existe na prática.
Enquanto isso, os milhares de homossexuais brasileiros têm de recorrer à
Justiça comum para formalizar seus relacionamentos. A decisão fica nas mãos
de juízes que acabam julgando de acordo com seus próprios valores morais.
Enquanto um casal consegue, outro simplesmente tem seu pedido negado.