nesta edição, uma interessante reportagem mostra como Guaraniaçu,
localizada na região da Cantuquiriguaçu está descobrindo sua vocação para o
rebanho bovino de corte. É muito importante que um município descubra e
invista na sua vocação.
É o caso da cidade, que com mais de 138 mil cabeças de gado de corte, tem
atualmente o segundo maior rebanho bovino estadual deste gênero, ficando
atrás apenas de Ortigueira, que possui 149.164 cabeças.
O Brasil é um dos principais exportadores de carne do mundo. Dados
divulgados recentemente pelo MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior, mostram que no primeiro semestre deste ano, só para o
Chile, o volume exportado de carne bovina brasileira foi 12 vezes maior que
o embarcado no mesmo período de 2009. O volume total de carne exportado
passou de 912 toneladas.
Mas para garantir as exportações principalmente para a Europa, cada vez
aumentam mais as exigências tanto na questão sanitária quanto na questão
ambiental. Nossos pecuaristas precisam estar preparados para isso. Em todo
o Brasil é preciso de uma vez por todas entender – e colocar em prática – a
ideia de que não é preciso desmatar para produzir e exportar mais carne.
O Brasil tem hoje a melhor tecnologia em agropecuária tropical do mundo, e
em 30 anos nossa produção de carne aumentou 227%, para um aumento de área
de apenas 4%, um salto de produtividade inigualado no mundo.
Conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de
Carnes, a emissão de metano por kg de carne produzida foi reduzida em 29%,
a maior redução entre os países produtores, enquanto na Europa o mesmo
índice aumentou em vez de diminuir.
Quanto à Febre Aftosa, o último foco brasileiro foi em 2005, na fronteira
entre Brasil e Paraguai. Os estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo e
Paraná (uma área equivalente às superfícies de França e Inglaterra
somadas), foram embargados para a exportação à Europa, e resultaram em
severas restrições à exportação brasileira, impostas no fim de 2007.
Surpreendentemente, no mesmo ano de 2007, o Reino Unido teve focos de
febre aftosa, tendo a comercialização de sua carne liberada no espaço de
poucas semanas.
É contra isso que os pecuaristas precisam lutar. Além de produzir mais e
melhor, os órgãos responsáveis por representar o País diante dos
concorrentes precisam também ter competência para derrubar discursos que
atacam a qualidade da carne bovina brasileira, pois apesar do mercado
mundial mudar a cada dia, há, ainda, discursos tão antigos quanto surrados
pelo tempo.