Terça-feira, 7 de setembro de 2010
30/06/10

Formação para o campo

Participar da colação de grau de um filho é um momento ímpar na vida de um pai e de uma mãe. Um dia para ficar na história da família, ter o sonho realizado, entre lágrimas de emoção e alegrias. E um casal de agricultores, residente na comunidade de Campo Mendes, viveu esta emoção por quatro anos consecutivos quando conseguiu realizar o sonho de assistir a imposição de grau de seus quatro filhos.
Foram oito anos de luta para que cada um concluísse o ensino superior e toda essa história foi contada pela matriarca da família Favaretto, dona Marlene. “Gildo e eu casamos em 77, em São Miguel do Iguaçu. Viemos para  Guaraniaçu com dois filhos: Vanderlei e Valmir. Em Campo Mendes chegamos quase sem nada, mas sempre lutando. Trabalhamos com várias coisas: suinocultura, vacas de leite e na roça. Tivemos nosso último filho aqui, o Vagner, depois  a filha do coração: a Janete”, relembra.
O dia-a-dia para a família não é diferente da rotina de todo sitiante. Enquanto pai e mãe estão na lavoura, os filhos frequentam a escola, pela manhã ou à tarde. Independente do horário, depois dos compromissos com a educação era a vez de ajudar os pais nas tarefas do sítio. “Muitas vezes falam que criança não pode trabalhar, mas na minha família todos trabalhavam, estudavam, iam na catequese”, conclui.
O trabalho em comunidade é outro exemplo dado aos filhos. O pai, Gildo, foi presidente da igreja católica. Dona Marlene também ocupou o cargo e em todos os  momentos contou com a ajuda da família. Emocionada, ela relata os esforços para que o maior sonho deles se realizasse: ver os filhos formados para não sofrer tanto como os pais, que possuem pouco estudo. “Cultivamos feijão, soja e milho. A suinocultura ajudou bastante e a gente sempre manteve as vacas de leite. Disso tudo tirava o dinheiro para pagar a faculdade dos meninos”, menciona.

FORMAÇÃO
Hoje o mais velho, Vanderlei, é formado em Administração pela Faculdade Guarapuava. Valmir também cursou Administração pela Faculdade Campo Real e Vagner fez Agronegócios pela Unicentro. Janete cursou Licenciatura Letras/Português-espanhol pela Campo Real.  
Depois de formados, os filhos continuam no campo, ajudando a família. A filha, também casada, mora em Laranjeiras do Sul. “Criar os filhos no sítio é mais cômodo que na cidade. Consegui formar meus filhos, nenhum tem vícios e são pessoas de bem. O pai levantava meia-noite e ia até o ponto do ônibus todas as vezes que chovia, para buscar. Foi difícil, mas a gente vê que valeu a pena”, relembra.

DE PAI PARA FILHO
Para a família Favaretto, morar no sítio é muito bom. “Aqui o negócio é simples e não falta nada”, destaca Marlene.  “Foi a profissão que meu pai me ensinou. Temos que continuar e repassar aos filhos”, completa ‘sêo’ Gildo. “Não é fácil, mas aqui a gente se manda. Me sinto orgulhoso de formar uma família e continuarmos juntos”, conclui.  
Com um exemplo destes, os filhos também demonstram seu orgulho. Vanderlei, o mais velho, destaca que o maior exemplo é a perseverança dos pais. Sobretudo da mãe, com os estudos. “Às vezes dava vontade de não ir para a escola, mas ela sempre foi enérgica neste assunto”, admite. Depois de formados os três tiveram ótimos convites para trabalhar em outras cidades e exercer as suas profissões. Mas preferiram ficar próximos da família, pois acreditam que respeito, união e família são as armas de cada vitória do “seu” Gildo e da “dona” Marlene.


 

 



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