Letras em Construção - Claudio Rieke
Ler e refletir

Temos a necessidade de ler mais. Lemos muito pouco e pensamos menos ainda. E o pior, quando lemos não nos preocupamos com a qualidade e sim com a comodidade das letras grandes, figuras fartas e poucas páginas. Lemos o romance que a midia nos indica e desdenhamos os clássicos como coisa “velha” e sem necessidade. Lemos o dispensável!

O filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860) disse no livro A Arte de Escrever (quem já o leu?) que “quando lemos, outra pessoa pensa por nós: apenas repetimos seu processo mental, do mesmo modo que um estudante, ao aprender a escrever, refaz com a pena os traços que seu professor fizera a lápis” http://www.academia.edu/7767309/SCHOPENHAUER_Arthur_A_arte_de_escrever <16/01/2019>. Muitos leem, mas não gostam muito de pensar sobre o que leem. Esse é um dos grandes motivos pelos tantos têm tanta dificuldade em entender um pequeno texto e em escrever corretamente.

Quando fiz o concurso para o Banco do Brasil estudei bastante. Mas, apesar de ter estudado matemática, conhecimentos bancários e outros as leituras e o hábito de escrever diários deram-me uma grande base para responder as questões que me foram propostas. Em compensação, muitos que fizeram cursos preparatórios não foram aprovados por lerem pouco e terem muita dificuldade em interpretação de texto.

A maioria dos erros bárbaros em livros, revistas ou jornais não é de concordância ou sintaxe, mas ortográfico e de pontuação. Troca de letras e frases confusas também está na ordem do dia dos erros. A maioria das pessoas não percebe esses erros pelo fato de assim também escreverem!

O escritor alemão Bertold Brech já dizia que o pior analfabeto não é necessariamente aquele que não sabe ler e escrever, mas sim aquele que não consegue elaborar uma simples reflexão sobre seu cotidiano e entender o mundo a sua volta. Esse produz estragos pessoais e sociais muito maiores por achar que entende algo quando nada entende. É o chamado “imbecil com iniciativa”. Só conseguiremos de fato sermos cidadãos quando conseguirmos influenciar positivamente nas relações humanas, profissionais, econômicas e políticas. Caso em contrário seremos somente coadjuvantes na vida, reclamando que não nos são dadas oportunidades quando, na verdade, não nos preparamos para elas. Pois, as oportunidades são reconhecidas somente por aqueles que estão preparados para elas e as reconhecem como tal.

Somos um país em desenvolvimento! Mas, para tanto, é necessário que o povo como um todo participe de seu desenvolvimento. Políticas públicas na área da educação darão resultados quando as pessoas se engajarem, estudando e refletindo sobre os conhecimentos adquiridos e procurando aprender mais. Há muita filosofia, muita teoria, muita política e muitos interesses em manter as coisas como estão. Porém, se o desenvolvimento não for para todos então algo está errado nesta república brasileira.

 

 

 

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Bacharelando em direito