Letras em Construção - Claudio Rieke
Quis custodiet ipsos custodes?

Somos um povo bipolar em suas atitudes. Queremos liberdade para viver nossas vidas, mas, ao mesmo tempo, queremos uma rede de proteção para o caso dessa liberdade fracassar. Somos a favor da liberdade de mercado e da redução do Estado na economia, mas queremos que o Estado providencie proteção e direitos trabalhistas e sociais extremos, sem a devida sustentação financeira para isso. Afinal somos uma democracia e numa democracia todos são iguais perante a lei, não é mesmo?

Quis custodiet ipsos custodes?  é uma das famosas frases do poeta romano Decimus Iunius Iuvenalis que poderia ser traduzida como “Quem vigia os vigiadores?” “Quem controla os controladores?” “Quem fiscaliza os fiscais?” “Quem governa os governos?” http://imediata.org/?p=2408 <03/01/2019 >

Numa democracia representativa delegamos parte do poder para representante que irão representar os interesses de quem os elegeu, pelo menos essa é a ideia. A questão que Iuvenalis aborda é quem irá vigiar, controlar, fiscalizar ou governar esses representantes de forma eficaz. Somente onde o processo democrático está profundamente estabelecido, e com efetiva participação popular, a democracia irá funcionar de forma satisfatória. Em outros casos, como infelizmente no Brasil, onde temos um povo e um Estado corruptos e onde o “jeitinho” e a “molecagem” acabam sobressaindo, acabamos não acreditando muito que a democracia funcione efetivamente. Historicamente o Brasil sempre viveu sob um Estado paternalista e, com isso, sempre votamos num “salvador da pátria” como presidente.

Vivemos num país em que o executivo governa para si, o legislativo legisla para si e o judiciário julga para si. Parafraseando um ditado popular, traduzido para o politicamente correto, os três poderes parecem se comportar como o “samba do afrodescendente doido” dominando o povo através do panem et circenses. Portanto, necessário se faz um “choque” de ética tanto no governo quanto no povo. Isso implica em mudanças na política, na economia e na sociedade como um todo. Mas, para isso, precisamos de duas coisas sendo a primeira sermos mais ativos na economia, ou seja, pararmos de bradar por “mais direitos” e termos mais iniciativa em nossos trabalhos e, a segunda, acrescentarmos o seguinte complemento a frase Quis custodiet ipsos custodes? que é a palavra populus, ou seja, o povo!

Não podemos como Pilatos, lavar as mãos perante os problemas que estão pedindo uma resposta enérgica. Não podemos abrir mãos de decidir e deixar nas mãos de terceiros as decisões que afetam nossas vidas quaisquer que sejam. Caso em contrário, arcaremos com o resultado de nossas indecisões e acabaremos acatando a decisão de terceiros. Após isso, não adianta reclamar. Portanto decidamos: ou construímos pessoalmente nosso futuro ou o Grande Irmão fará isso por nós.

 

 

 

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Bacharelando em direito