Espaço do leitor
O que está acontecendo com a saúde pública?

O que está acontecendo com a saúde pública do Brasil? A resposta pode ter vários caminhos. Desde 2016, doenças já erradicadas em nosso país voltaram a circular e a fazer vítimas fatais. É o caso de sarampo, poliomielite, rubéola e difteria.

E outra coisa que chama a atenção é a baixa cobertura vacinal para essas doenças, já que todas podem ser evitadas com a vacina.

Nesta semana foi confirmada a 1ª morte por sarampo no Paraná. A doença estava em circulação principalmente na região norte e nordeste do país. Muitos disseram que ela foi trazida ao Brasil novamente pelos venezuelanos, país que faz fronteira com Roraima e por onde muitos entraram no Brasil fugindo da grave crise financeira.

Pode até ser, mas caso os brasileiros tivessem sido imunizados como prevê o calendário nacional, a doença poderia não ter se alastrado para diversos outros estados.

Acompanhe a trajetória da doença. Inicialmente era apenas no norte, depois se espalhou para o sudeste e agora já chegou ao sul. Apesar da suspeita de que a vítima tenha sido infectada após uma viagem a São Paulo, ela pode ter passado para outros da família. Esperamos, é claro, que isso não tenha acontecido.

Mas pode-se dizer que os responsáveis pela ‘proliferação’ dessas doenças é a população. Pessoas que não se vacinaram, que não vacinam os filhos e assim todos vão ficando expostos ao vírus que espera por uma pequena brecha para entrar no organismo.

Que essa morte no Paraná sirva ao menos de alerta para os antivacinas e procurem um posto de saúde para serem imunizados.

Como está o ar que respiramos?

Sandra Maria Lopes de Souza é professora, mestre em gestão ambiental

 

Dados fornecidos pela ONU Meio Ambiente — a agência ambiental da Organização das Nações Unidas (ONU) — demonstram que 9 em cada 10 pessoas no mundo estão expostas a altos níveis de poluição do ar, excedendo os padrões considerados seguros pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Aproximadamente 7 milhões de pessoas morrem prematuramente ao ano acometidas de doenças ocasionadas pelo mesmo problema. Em grandes cidades, onde o parque industrial e concentração urbana são maiores, as emissões nocivas se mostram mais elevadas, comprometendo a saúde da população e ambiental.

A poluição do ar reflete também na poluição do solo por meio da emissão do gás ozônio. Até 2013, houve uma redução na produção de cultivos básicos em 26%, dados que nos fazem pensar em como podemos contribuir para minimizar esses problemas.

A comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho) é justamente para sensibilizar e conscientizar as pessoas sobre a utilização e preservação dos recursos naturais, garantindo a qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável. Essa data representativa foi criada em 5 de junho de 1972 pela ONU com a abertura da Conferência de Estocolmo, na qual vários países decidiram lutar juntos, a favor da preservação do ecossistema e pelas ações em prol do meio ambiente.

Assim, o uso do solo, da água e a qualidade do ar são temas atuais e polêmicos. A grande indagação que se faz é: até quando esses recursos naturais estarão disponíveis sem comprometer a vida no planeta? Vários são os casos de uso do solo irregular causando desmoronamento e erosão, assim como de corpos hídricos contaminados por substâncias tóxicas. Há necessidade urgente de repensarmos a forma da sua utilização para que não aconteçam desastres ambientais em que não só o ambiente sofre, mas também as pessoas.

A ONU propõe instigar governos, indústrias, comunidades e indivíduos a pensar em alternativas sobre a exploração de energia renovável e tecnologias verdes, conseguindo assim uma melhoria na qualidade do ar, começando pelas cidades e abrangendo o mundo.

Essa é uma chamada ousada, pois o planeta é muito diverso e possui necessidades diferentes, mas ao mesmo tempo similares no que diz respeito às consequências da poluição do ar. Ações antrópicas, aquelas realizadas pelo homem, se mostram mais influentes em relação à poluição do ar.

Que ações podem ser praticadas como forma de minimização desse problema? Algumas dessas ações podem ser viabilizadas, por exemplo, na educação ambiental nas escolas e comunidades sociais, na utilização de bicicletas e patinetes, na redução de geração de resíduos, no uso racional dos recursos naturais, na implantação de modalidades de transportes alternativos, em carros movidos a combustíveis mais limpos e elétricos, entre outras. Esses meios auxiliam na melhoria da mobilidade urbana, na saúde dos seres vivos e do próprio meio ambiente. Assim, haverá redução na queima de combustíveis fósseis e também menos riscos no comprometimento da qualidade do ar, do solo e corpos hídricos.

As ações implantadas por governantes, pelas indústrias e pela população em geral (mesmo que a princípio sejam consideradas ações de pouco impacto positivo) contribuirão de forma significativa para a qualidade de vida do planeta e dos seres vivos quando somadas e vistas em longo prazo.

Uma breve reflexão sobre as instituições democráticas

Celso Tracco é escritor, palestrante e consultor

Muito se fala, atualmente, sobre as instituições públicas brasileiras. Que elas estão em pleno funcionamento, que asseguram o Estado Democrático de Direito, que estão sólidas e consolidadas. Em primeiro lugar, devemos deixar claro que as instituições públicas (Congresso, Judiciário, Presidência da República, entre outras) são regidas pela Constituição Federal de 1988 e, portanto, cabe a todos nós obedecer nossa lei maior. Assim se faz em uma democracia!

Aquilo que os nossos nobres deputados e senadores ganham de salários e outros privilégios está dentro da lei. É bem verdade que eles mesmos votaram essas leis em seu favor, mas agiram de acordo com a Constituição, portanto, dentro das regras do jogo democrático. Quanto tempo demora a tramitação de uma emenda constitucional? Ninguém sabe, e depende de muitos fatores: o que o Presidente da Câmara pensa a respeito; qual é quantidade de votos que a situação (favorável a essa proposta) tem; a fidelidade partidária dos deputados; a velocidade da tramitação nas diversas Comissões legislativas; etc. Caso uma emenda constitucional, ou um projeto de lei, seja de iniciativa do Executivo, a situação ficará ainda mais nebulosa. Por quê? Porque o Chefe do Executivo, o nosso Presidente da República, tem o poder de um monarca, conferido pela Constituição. Ele pode nomear milhares de assessores, ministros, diretores de Estatais, etc. Ele tem um poder constitucional imenso, mas não tem todo esse poder político, pois a eleição majoritária do Executivo nada tem a ver com a eleição proporcional dos parlamentares. O que acontece? O que vemos todos os dias desde a eleição direta de 1990: as chamadas crises institucionais, independentemente de quem seja o governante.

A necessária negociação do Executivo com o Congresso traz em seu bojo incontáveis interesses pessoais e partidários que podem levar a um aumento de gasto público, a favores aos partidos, a setores da sociedade, a leis específicas para beneficiar este ou aquele e, finalmente, favorecem a corrupção. E onde fica o interesse do povo, da sociedade, do bem comum, do crescimento da economia, dos empregos, da melhor qualidade de vida para todos? Creio que os índices de IDH, do PISA, de Segurança Pública, respondem essa pergunta.

O que devemos fazer? Fechar o Congresso? Obviamente não! Regimes autoritários sempre fracassaram no médio ou no longo prazo. Todos os países que deram certo, que alcançaram uma menor desigualdade social, um maior crescimento e distribuição de renda, uma estabilidade política, foram aqueles que empregaram e empregam uma liberdade econômica em um regime democrático. O que devemos fazer é nos manifestar através do voto! É elegermos parlamentares que efetivamente se identifiquem com a mudança do sistema político brasileiro! É um caminho árduo, difícil, custoso? Sem dúvida! Mas, se chegarmos a esse objetivo, estaremos assegurando uma nação estável, próspera, ordeira e solidária, para as futuras gerações.

Fato inspirador

Coriolano Xavier, membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Professor da ESPM

 

Nesses tempos de marasmo da economia brasileira (e ainda bem que tem o "agro" para contrabalançar positivamente), estamos sempre precisando de notícia boa, principalmente aquelas com potencial de se projetar para o futuro. Na última Agrishow, em Ribeirão Preto/SP, entre tantas boas novas, uma chamou atenção: uma instituição financeira cooperativa (Sicredi) protocolou quase 400 propostas de financiamento, com intenção de crédito de R$ 142 milhões e representando aumento de 25% em relação aos créditos que contratou no evento anterior, em 2018.

O montante nem é tão importante aqui (embora representativo), mas sim o movimento ascendente e a atitude dos tomadores – entre eles grande fatia de produtores médios e menores -- de investir em tecnologia. E não foi um fato isolado, pois a mesma instituição cooperativa foi o agente financeiro que mais liberou recursos do BNDES pelo Pronaf, em 2018, alcançando perto de 20 mil operações e aumentando seus limites operacionais em 42%, naquele banco de desenvolvimento, na safra 2018/2019.

O ótimo dessa história é que a fatia ponderável desses recursos tem como endereço áreas de atuação de cooperativas, estimulando a geração de renda e o crescimento sustentável de sistemas de produção familiar, irrigando assim o aumento de atividades (e também de tecnologia e bem-estar) em estratos de produtores de médio e menor porte. Agricultura familiar assertiva, reforçando seu estratégico papel na capilaridade da produção e do abastecimento alimentar, por todo o país.

Um caso virtuoso. Nele, outro dado interessante: nos últimos dez anos (2008-2018) a mesma instituição financeira cooperativa aumentou seu número de agências pelo país em 57% e de associados em 185%, chegando a mais de quatro milhões. Números expressivos, que se alinham ao dinamismo do próprio agro, que no mesmo período avançou área plantada na casa dos 30% e produtividade na casa dos 90%. Bem distante do acanhado desempenho de nosso PIB no período, que avançou apenas 0,7% ao ano, em média.

Ainda bem que temos essa energia brotando na agricultura familiar, nos produtores de médio porte e no cooperativismo. Gente que corria o risco de ficar à margem da agricultura de tecnologia exponencial desse século 21 e que agora está olhando o mercado como desafio e oportunidades, tentando construir um caminho singular. Na aparência, o aumento de crédito do Sicredi, durante a Agrishow, foi um fato financeiro simples; mas por trás dele se insinua uma história inspiradora. Tomara que ela se propague ainda mais no campo, e também para outros setores da economia.

Quando a depressão pode ser o início da solução

Everson Araujo Nauroski, filósofo clínico, doutor em sociologia pela UFPR

 

À primeira vista o título soa estranho, no mínimo curioso. Pensar que a depressão, considerada a doença do milênio, possa ser algum tipo de solução na vida de alguém parece algo absurdo. Será mesmo?

O que me levou a escrever essa breve reflexão foi o caso do Miguel (nome fictício). Com 55 anos, ele se sentia infeliz no casamento e no trabalho, dizia que sua vida não tinha mais sentido. Passadas algumas sessões no consultório de minha antiga professora, Miguel foi se dando conta de seus padrões mentais e dos problemas que criou para si mesmo. Aos poucos, começou a enxergar uma luz no fim do túnel.

Depois de anos a fio como único provedor da família, estava cansado e desanimado, sentia-se sem reconhecimento. Sua principal queixa era “me sinto sugado em casa... eu tenho que resolver tudo”. Em decorrência de seu estado de saúde, acabou perdendo um dos empregos. Isso causou mudanças no padrão de vida do qual sua família estava acostumada a usufruir. As queixas e reclamações em casa só aumentavam. De certa forma, Miguel compreendeu que ele próprio havia contribuído para que sua esposa e filhos fossem ficando dependentes, acomodados e egoístas. E agora, diante de uma conjuntura que exigia deles uma mudança de comportamento, eles não estavam nem um pouco dispostos a ajudá-lo. Em vez de todos contribuírem com algum sacrifício, buscar um trabalho e ajudar nas despesas, o pressionavam para que buscasse ajuda e, assim, tudo voltasse a ser como antes....

Sua mulher era graduada em administração, mas nunca havia trabalhado na área. Ainda antes de se formar, eles se casaram. Os dois empregos de Miguel e seu bom rendimento permitiram que sua esposa pudesse ficar em casa e cuidar dos dois filhos do casal.

Após quase 20 anos de casamento, com os filhos crescidos, um fazendo faculdade e outro terminando o ensino médio, a vida deles se resumia a uma agenda de “tocar os estudos aos trancos e barrancos”, sair com os amigos e curtir, sem se preocupar. Mas quando a mesada foi retirada, a revolta foi grande... Miguel se ressentia da atitude mimada de seus filhos e se culpava por isso.

No curso de seu tratamento terapêutico, Miguel foi se dando conta de que parte da solução do problema ele já tinha. Após meses de consultas e ainda se sentindo deprimido, ele se deu conta de que a mudança não poderia partir somente dele, mas deveria envolver a dinâmica das relações de sua família. No entanto, essa não era uma perspectiva compartilhada. As queixas agora se somavam a ameaças da esposa: “se você não melhorar vou morar com minha mãe e levar os meninos junto. Minha família sempre teve boas condições.” Essa “insensibilidade” da esposa decorria de um casamento idealizado, que não existia mais.

Após quase um ano de tratamento, ele continua se sentindo deprimido, mas estranhamente feliz. Sua esposa foi morar com sua sogra e levou os filhos junto. Parte da venda da casa permitiu a Miguel comprar um pequeno apartamento. Com mais tempo, agora com apenas um emprego e se sentindo mais leve, passou a visitar com mais frequência sua mãe e irmãos. Em sua última consulta, disse que queria retomar as amizades deixadas para trás e quem sabe encontrar uma namorada, talvez um namorado, e riu muito das próprias palavras...

Você conhece a Lei Lucas?

Francismery Mocci, advogada com especialização em Direito Processual do Trabalho

Pedro Cabral Lamarca, advogado do setor trabalhista

 

O presente artigo busca colocar em evidência a Lei nº 13.722/2018, conhecida como Lei Lucas, publicada em 04/10/2018 e em vigor desde 03/04/2019, ainda pouco conhecida pelos seus destinatários e a comunidade em geral. A lei surgiu em decorrência de uma fatalidade que acabou por vitimar Lucas Begalli Zamora em 2017, uma criança de 10 anos de idade que morreu após se engasgar durante o lanche em um passeio escolar na cidade de Campinas – SP. A reflexão sobre este fato levou ao entendimento de que a morte poderia ser evitada se algum dos monitores que acompanhava a turma de crianças tivesse o conhecimento ou apenas noções básicas de primeiros socorros enquanto se esperava o socorro médico.

Diante deste cenário, o Projeto de Lei nº 17/2018 tramitou em caráter de urgência durante o ano de 2018 e após sua aprovação pelo Congresso e Senado Federal, foi sancionado pelo Presidente da República à época, Michel Temer, sendo transformado na Lei nº 13.722/2018. A Lei Lucas, obriga os estabelecimentos de ensino público e privado de educação básica e de recreação infantil a capacitar seu quadro de professores e funcionários com noções básicas de primeiros socorros.

Conforme dados extraídos do site da ONG Criança Segura, os acidentes em sentido amplo, são hoje a principal causa de morte de crianças de 1 a 14 anos no Brasil. Todos os anos cerca de 3,7 mil crianças dessa faixa etária morrem e 113 mil são hospitalizadas devido a essas causas, sendo que o sufocamento representa 22,1% destas mortes. Portanto, a Lei Lucas que ainda é timidamente conhecida, merece destaque no meio educacional. Estando em vigência desde 03/04/2019, os estabelecimentos de ensino devem estar adequados às suas exigências. Em caso de desrespeito, a Lei prevê um rol taxativo de penalidades autorizando a autoridade administrativa desde a aplicação de simples notificação pelo seu descumprimento, aplicação de multa que será dobrada em caso de reincidência até a cassação do alvará de funcionamento ou da autorização concedida em caso de nova reincidência.

Para atender a determinação legal de capacitar professores e funcionários com noções básicas de primeiros socorros, as escolas deverão ofertar anualmente a capacitação e reciclagem destes profissionais. A quantidade de profissionais capacitados deve obedecer a proporcionalidade entre o tamanho do corpo docente e o fluxo de atendimento de crianças no estabelecimento. Deverá a escola dispor de kits de primeiros socorros e fixar em local visível os certificados de capacitação contendo os nomes dos profissionais capacitados, além de realizar sua integração com a rede de emergência local, a fim de, em caso de necessidade, estabelecer um fluxo de encaminhamento para a unidade de saúde mais próxima.

Contudo, apesar de estabelecer e exigir o cumprimento destes requisitos, a Lei não esclarece de maneira satisfatória qual é a proporcionalidade de professores e funcionários que devem ser capacitados; o que deve conter o kit de primeiros socorros ou ainda qual o padrão de certificação que deve ser obedecido. Quanto a este último requisito, dispõe que ”os cursos de primeiros socorros serão ministrados por entidades municipais ou estaduais especializadas em práticas de auxílio imediato e emergencial à população, no caso de estabelecimentos públicos, e por profissionais habilitados, no caso dos estabelecimentos privados”, bem como que “o conteúdo dos cursos de primeiros socorros básicos ministrados deverá ser condizente com a natureza e a faixa etária do público atendido no estabelecimento de ensino ou de recreação”. Atribuiu ao Poder Executivo a tarefa de definir em regulamento os critérios para a implementação dos cursos de capacitação, o que não ocorreu até a presente data. Quanto aos kits de primeiros socorros apenas alude que os estabelecimentos de ensino deverão deles dispor, conforme orientação das entidades especializadas em atendimento emergencial à população.

Sem dúvida, a ausência de definição e regulamentação da lei coloca as escolas e instituições de ensino em situação de insegurança no tocante à implementação da Leijá vigente. No entanto, os estabelecimentos podem buscar alternativas para o cumprimento das determinações impostas evitando possíveis punições previstas emLei. Como? Diversos municípios em vários estados do país, citando-se, apenas como exemplo, Campinas-SP, Curitiba e Londrina no Estado do Paraná, possuem LeisOrgânicas Municipais que delimitam os requisitos deixados em aberto pelo Poder Legislativo, estabelecendo o número mínimo de profissionais que deverão ser capacitados e delimitando parâmetros para o certificado que deve ser concedido ao final do curso, entre outros. Assim, fazendo uso do que já está disponível, importante que o estabelecimento de ensino faça uma pesquisa a fim de verificar se o município em que está situado possui a respectiva Lei Orgânica, orientando-se por seus parâmetros.

Ao buscar o treinamento especializado em primeiros socorros, as escolas podem encontrar soluções provisórias vendidas por cursos de brigadistas e hospitais que oferecem esse tipo de serviço. Alguns já oferecem curso específico para atender a demanda da Lei nº 13.722/2018, inclusive com certificação após a conclusão e venda do kit primeiros socorros obrigatório, que comumente contém antisséptico, band-aid, gaze, algodão, cotonetes e esparadrapo.

Para obedecer a proporcionalidade citada pela Lei, é prudente observar a natureza da própria Lei, que tenta fornecer proteção aos estudantes através da capacitação dos profissionais que estão próximos a eles. Portanto, as instituições podem observar este aspecto ao implementar a nova política de treinamento dos professores.

De maneira objetiva, deve ser considerado que com a entrada em vigência da Lei Federal discutida, para os municípios que ainda não possuem Lei orgânica sobre o assunto, as escolas devem a ela se adequar, mesmo que de maneira provisória até que sobrevenha regulamentação específica do Poder Executivo. Em relação aos municípios que já a possuem, basta que os estabelecimentos de ensino a estas se adequem.

Em que pese a lei em comento seja destinada a instituições de ensino, a verdade é que a sociedade em geral deve estar preparada para enfrentar situações desta natureza, podendo salvar vidas com utilização das noções básicas de primeiros socorros.

Trânsito profissional: a importância da gestão

Alexander Assumpção, gerente administrativo e comercial da Ouro Verde

 

Os acidentes de trânsito têm importante parcela nas taxas de mortalidade no Brasil. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), ocupamos a quinta posição no ranking dos países com o maior número de fatalidades no trânsito, ficando atrás apenas de Índia, China, Estados Unidos e Rússia.

Resolver este problema contempla tanto ajustes nos componentes técnicos como conscientização e educação da população, além da necessidade de se ter profissionais de excelência atuando na área. A conscientização torna-se cada vez mais importante quando nos deparamos com dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) que indicam que, por mês, nas estradas paranaenses, mais de 25 mil motoristas são notificados por excesso de velocidade.

Campanhas como o Maio Amarelo são realizadas no intuito de promover um pensamento mais racional e responsável a respeito do trânsito. Neste sentido, destaca-se o papel fundamental da gestão profissional de frotas nas empresas brasileiras. Por meio desta expertise é possível trazer maior segurança para os pedestres, motoristas, para os próprios colaboradores de empresas que utilizam meios de transporte em seu dia a dia e a população de um modo geral.

É necessário que o gestor da frota sempre atue em conjunto com especialistas do setor em treinamento de direção defensiva e em sistemas de acompanhamento da manutenção preventiva e corretiva. Além disso, por meio de sistema integrado de telemetria e gestão de multas, aliado à implantação de sistemas de alerta sonoro é possível que os gestores façam acompanhamento do excesso de velocidade dos automóveis, que ainda é uma das principais causas de acidentes.

Em suma, o gestor de frota é responsável por tudo que diz respeito ao transporte e aos motoristas e, felizmente, as empresas já estão se conscientizando da importância de se ter um executivo exclusivo para essa função.

Quem contrata uma gestão de frotas profissionalizada tem a possibilidade de reunir todas as ferramentas e informações em uma "One Stop Solution", que organiza dados relacionados a telemetria, cartão combustível, dispositivos de identificação automática em uma plataforma sistêmica que permite ao profissional responsável tomar as melhores decisões, sempre orientado por especialistas com experiência no mercado de frotas.

O mais importante, entretanto, é ter claro que a gestão de frotas é um conjunto de processos e exige trabalho em equipe. Além disso, os responsáveis terão mais rendimentos se trabalharem diretamente com a conscientização e menos com a punição, sempre agindo para prevenir situações de risco e sabendo lidar caso algum imprevisto ocorra. A união de todos esses aspectos reforça o caráter positivo da gestão e da melhoria que a empresa pode esperar a partir da contratação do serviço, dentro e fora do seu estabelecimento.

Outra tendência que tem contribuído para um trânsito mais seguro é a terceirização das frotas empresariais. Juntas, gestão e terceirização de frotas proporcionam inúmeros benefícios, que vão desde a redução de consumo de combustível, a garantia de automóveis impecáveis sempre à disposição até ao mais importante, que é a preservação da vida. Trânsito é assunto sério e exige profissionalismo.

A energia do Paraná

Guto Silva

 

O Sudoeste e o Oeste do Paraná ganharam nesta semana mais uma importante hidrelétrica, com a entrada em operação da Usina Baixo Iguaçu. Construída entre Capanema e Capitão Leônidas Marques por Copel e Neoenergia, a usina tem 350 megawatts de potência instalada, energia suficiente para atender um milhão de pessoas. É mais uma demonstração da pujança do nosso Estado.

Como tem destacado o governador Carlos Massa Ratinho Júnior, num ano de recuperação para a economia brasileira, o Paraná vem mostrando sua força. A entrega de um empreendimento deste porte, com R$ 2,3 bilhões de investimento, é mais uma agenda positiva que o nosso Paraná apresenta ao País. 

Baixo Iguaçu gerou mais de 3 mil empregos no pico da obra. Durante a construção, a Usina realizou convênios com as prefeituras na área do entorno para a promoção de benfeitorias nas áreas de saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, turismo e lazer.

Entre as ações, destacam-se ampliação de escola pública, construção de unidade de polícia, instalação de câmeras de segurança, compra de equipamentos de saúde e capacitação de empreendedores de turismo. São benefícios importantes para Capanema, Capitão Leônidas Marques, Realeza, Planalto e Nova Prata do Iguaçu.

Com geração de energia limpa, Baixo Iguaçu é exemplo de sustentabilidade e também vai ajudar a regular o fluxo das Cataratas do Iguaçu, permitindo uma vazão maior em períodos de seca ou um menor fluxo durante as cheias.

A construção da usina cumpriu rigorosos critérios de preservação ambiental e de desenvolvimento social, gerando um modelo sustentável que deixa um legado de benefícios para a região.

Vale lembrar que a entrega de Baixo Iguaçu acontece quando outra grande usina da região, Salto Caxias, comemora duas décadas de inauguração. Instalada em Capitão Leônidas Marques, a Usina Salto Caxias foi construída também no Rio Iguaçu e entrou em operação em março de 1999.

Vinte anos depois, o Sudoeste e o Oeste do Estado, terra de gente valorosa e trabalhadora, finalizam mais uma grande obra, garantindo energia para o desenvolvimento do Paraná e do Brasil.

 

Guto Silva é chefe da Casa Civil do Governo do Paraná.

SOS Educação

Luiz Carlos Amorim é fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA

Tenho alertado a respeito do abandono da educação brasileira há anos. Nos últimos tempos, intensifiquei o foco, escrevi vários artigos sobre o tema, porque a situação tem se agravado, não só pelo resultado constatado na aprendizagem dos estudantes, mas pelo estado cada vez mais precário das escolas públicas e do descaso para com os professores. Além disso, nos últimos anos foram feitas modificações no sistema de ensino – alfabetização, ensino da matemática, etc., que ao invés de melhorar a educação, prejudicaram ainda mais os estudantes do ensino fundamental, que estão chegando ao terceiro, quarto ano sem saber ler e escrever. E isso reflete nas etapas seguintes, é claro, no ensino médio e também no superior, pois se a base não é boa, todo o resto estará perdido.

A União e os Estados – o Ministério da Educação e as Secretarias de Educação – não estão dando a devida atenção à educação, não estão investindo na educação. Aliás, o governo diminuiu a verba para educação neste ano.  Parecem não se dar conta de que um ensino de qualidade é condição sine qua non para que tenhamos, mais adiante, pessoas educadas e qualificadas para trabalhar e ter uma vida digna, para que tenhamos profissionais qualificados e dirigentes preparados, com um mínimo de cultura para desempenharem um bom governo à frente do país, dos estados,dos municípios, das grandes empresas.

O próprio Mec já admitiu, publicamente, o que temos repetido várias vezes: mais de um terço das crianças do inicio do primeiro grau, com oito anos, nove anos, não aprenderam a ler e escrever, o que compromete, como já dissemos, toda a vida escolar.

A verdade é que, com o ensino deficiente, a qualificação para o trabalho e para o ensino superior estará prejudicada, como o próprio ministro da educação  conseguiu enxergar. E como isso é uma bola de neve, a formação de professores, como de outros profissionais, também não terá a qualidade desejada, pois o ensino superior é a última etapa da cadeia educacional Quem puder seguir adiante, com especialização, mestrado, doutorado, também sentirá essa deficiência.

O governo, ou a União, como queiram, sabe o estado deplorável em que se encontra a educação brasileira. E quando digo "educação", friso sempre, lembro que a instrução, o ensino, está contida nela, conforme poderemos ver, se consultarmos o dicionário. O que precisa fazer é responder todas as perguntas sobre os entraves que jogam a qualidade do nosso ensino cada vez mais para baixo e começar a investir para melhorar a qualificação de nossos professores – e de outros profissionais -, na melhoria das instalações das escolas públicas, assim como equipá-las adequadamente e pagar dignamente os professores.

Cuidado com o veículo pode salvar vidas no trânsito

Luiz Sergio Alvarenga é diretor executivo do Sindirepa Nacional

 

É fundamental que todo motorista tenha consciência sobre a necessidade da manutenção preventiva do veículo para a segurança no trânsito. De maneira geral, o brasileiro leva o carro para uma oficina somente quando percebe algum problema, como falha mecânica ou elétrica. Trata-se de prática bastante perigosa porque coloca muitas vidas em risco.

Para ilustrar, uma suspensão em mau estado de conservação pode tirar um veículo da trajetória de curva e gerar um capotamento; um sistema de freios comprometido pode não fazer uma frenagem mais brusca em caso de necessidade e provocar uma colisão; pneus com sulcos abaixo do padrão podem perder aderência em caso de pista molhada.

Enquanto a manutenção corretiva é feita somente depois que um componente quebra, a preventiva, como o nome sugere, previne essa necessidade porque as peças são trocadas antes que se desgastem em demasia. Envolve procedimentos de avaliação e monitoramento, com o objetivo de garantir o bom funcionamento do veículo.

Além de reduzir as chances de envolvimento em acidentes, provocados pelo desgaste natural de componentes do carro, a manutenção preventiva geralmente envolve custos inferiores à corretiva, afinal um componente quebrado afeta o funcionamento de outras peças do veículo, que a princípio, possivelmente, não precisariam ser trocadas.

Por considerar que acidentes são muito improváveis de acontecer com ele, o motorista negligencia medidas de ação preventiva que salvam vidas. Deixar de substituir pneus ‘carecas’ por achar que podem aguentar um pouco mais é exemplo. Essa percepção precisa ser mudada, porque nenhuma impressão de ‘economia’ vale mais que a vida.

Vale destacar ainda que um veículo parado em via pública causa a chamada ‘onda’, isto é, o acúmulo de carros que aumenta enquanto o veículo com pane não for removido da pista, o que resulta em vários problemas, como piora da qualidade do ar, gasto de tempo excessivo no trânsito e atraso na entrega de mercadorias. Toda a sociedade perde.

Diante da ausência de uma legislação específica para a avaliação dos veículos no Brasil, como a Inspeção Técnica Veicular – importante medida para a segurança no trânsito já implantada em mais de 50 países –, cabe ao motorista realizar manutenções periódicas do veículo, conforme recomendações do manual do fabricante, em oficina de confiança.