Espírita - Manoel Ataides
Prosperidade

Prosperidade na Terra quer dizer fortuna, felicidade.

            Grande parte das criaturas, almejando-lhe a posse, pleiteia relevo, autoridade, domínio...

            Gastam-se largos patrimônios da existência para conquistar-lhe o prestígio e não falta quem surja no prélio estudando as forças ocultas para incorporar-lhe o bafejo.

            Milhões dos homens de hoje vivem à cata de ouro e predominância, com o mesmo empenho com que antigamente, em aprendizados mais simples, se entregavam aos misteres primitivos de caça e pesca.

            É que, na procura desse ou daquele valor da vida, mobilizamos a energia mental, constituída à base de nossas emoções e desejos.    O espelho do coração, constantemente focado no rumo dos objetos e situações que buscamos, traz-nos à rota os elementos que nos ocupam a alma.

            Não esqueçamos, todavia, que, na laboriosa jornada para a Glória Divina, nos confudimos sempre com aquilo que nos possui a atenção, demorando-nos nesse ou naquele setor de luta, conforme a extensão e duração de nossos propósitos.

            Como no filme cinematográfico, em que a história narrada é feita pelos quadros que se sucedem, ininterruptos, a experiência que nos é peculiar, nessa ou naquela fase da vida, constitui-se dos reflexos repetidos de nossos sentimentos, gerando ideias contínuas que acabam plasmando os temas de nossa luta, aos quais se nos associa a mente, identificando-se, de modo quase absoluto, com as criações dela mesma, à maneira da tartaruga que na carapaça, formada por ela própria, se isola e refugia.

            Em razão disso, o conceito de prosperidade no mundo é sempre discutível, porquanto nem todos sabem possuir, elevar-se ou comandar com proveito para os sagrados objetivos da Criação.

            Muita gente, pela reflexão mental incessante em torno dos recursos amoedados, progride em títulos materiais; entretanto, se os não converte em fatores de enriquecimento geral, cava abismos dourados nos quais se submerge, gastando longo tempo para libertar-se do azinhavre da usura. Legiões de pessoas no século ferem o solo da vida, com anseios repetidos de saliência individual, e adquirem vasto renome na ciência e na religião, nas letras e nas artes; contudo, se não movimentam as suas conquistas no amparo e na educação dos companheiros da senda humana, quase sempre, muito embora fulgurem nas galerias da genialidade, sofrem o retorno das ondas mentais de extravagância que emitem.

            Há, por isso, muita prosperidade aparente, mais deplorável que a miséria material em si mesma, porque a mesa vazia e o fogão sem lume podem ser caminhos de louvável reparação, enquanto o banquete opíparo e a bolsa farta, em muitas ocasiões, apenas significam avenidas de licença que correm para o despenhadeiro da culpa, de onde só conseguiremos  sair ao preço de longos estágios na perturbação e na sombra.

            Muitos religiosos perguntam por que motivo protegeria Deus o progresso material dos ímpios. Em verdade, porém, semelhante fortuna não existe, de vez que a prosperidade, ausente da reta conduta, não passa de apropriação indébita e é como roupa brilhante cobrindo chagas ocultas, que exigem a formação de reflexos contrários aos enganos que as originaram, a fim de que a prosperidade legítima, a expressar-se em serviço e cultura, amor e retidão,  confira aos espírito o reflexo dominante da luz.           

Livro: PENSAMENTO E VIDA. Emmanuel. (Espírito). Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Federação Espírita Brasileira. FEB. Rio de Janeiro – RJ. 13ª ed. 2008.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. CEAC Guaraniaçu – PR. [email protected]

Relacionamento com espíritos

Por mais que recuemos no tempo, será sempre complexo determinar o momento em que os habitantes da Erraticidade passaram a manter contato com os encarnados, na Terra. Dessa forma, pode-se dizer, sem erro, que essa interlocução teve começo desde que o primeiro grupo estabeleceu-se sobre o dorso planetário.

A realidade do Espírito se estabelece em dois estágios: um deles, o estágio no soma e outro, fora dele. Contudo, é sempre o Espírito experimentando a densidade da matéria bruta ou dela liberado, em etapas que se revezam, enquanto se enriquece de valores intelectuais e morais,  ao longo das múltiplas jornadas.

O relacionamento dos encarnados com os desencarnados, nos mais variados quadros, através do tempo, esteve sempre assinalado por uma mística, em alguns momentos, mítica em outros, deixando-nos perceber quão pouco os seres humanos, revestidos de matéria orgânica, estranhavam ou desentendiam os irmãos que se achavam em outra dimensão. Daí, as suposições de que os desenfaixados do soma eram deuses, idolatrados, reverenciados, ou santos, com a evolução dos séculos, como se tivessem criação e destinação diferenciada, em função dos seus feitos, das suas realizações pelo mundo.

Não obstante, esteve a Terra, sempre pontilhada por indivíduos isolados ou formandos  em escolas iniciáticas, que aprenderam a ver nos Espíritos os irmãos desencarnados da Humanidade, ora merecendo justo respeito, ora admissível admiração, ora o socorro e a orientação, ora a admoestação, em razão dos caracteres que vinha apresentar aos que com eles contatavam.

 Nos variados tempos, essas Entidades invisíveis para a maioria dos mortais, foram encaradas como protetoras, guardiães, padroeiras...

 Por pouco enfoque, deveriam tratar das plantações e das colheitas, das guerras e dos armistícios, da orgia ou da paz, de conformidade com as inclinações psicológicas do grupo social que as considerava.

Nos tempos atuais, tudo mostra que não houve tantos progressos conceptuais para a alma das coletividades.

Ainda são procurados os desencarnados, para atenderem questões mais rudimentares, que dizem respeito aos encarnados.

São requisitados os habitantes do Invisível, para que solucionem, milagrosamente, as pendências humanas, que o orgulho, a vaidade, a má vontade não deixaram solucionar, normalmente.

Os desencarnados, hoje, são inculcados como responsáveis por proteger as pessoas, por oferecer soluções fáceis a problemas humanos, por curar a saúde física e por resguardar as vivendas, do mesmo modo que nos idos dias do pretérito terreno...

Urge modificar-se tal quadro de relacionamento doentio, interesseiro ou fanático, por meio de acurado processo educacional, com o qual se possa orientar as consciências, desde as horas infantis, a manter contato equilibrado e lúcido com os desencarnados, aprendendo a viver em consonância com o bem, sem coisa alguma oferecer-lhes, a não ser a nossa vibração carinhosa e bem ajustada ao equilíbrio, quando se nos apresentem inferiores, ou a nossa vibração de fidelidade ao trabalho renovador, quando se mostrem vitoriosos companheiros iluminados, certos de que aquilo de que necessitarmos para nossa trilha no mundo, eles, sob o comando de Jesus, nos atenderão, sem que deles façamos estafetas dos nossos desejos ou escravos das nossas paixões...

Livro: EDUCAÇÃO E VIVÊNCIAS. Camilo (Espírito), psicografia de José Raul Teixeira. Fráter Livros Espíritoas.  Niteroi – Rio de Janeiro – RJ. 3ª Ed. 2004.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza - Sociedade Espírita Amor e Conhecimento, Guaraniaçu – PR [email protected]

Deus e a morte

Em todas as regiões do mundo, entre todos os filhos racionais da Divindade, emerge das mentes uma pergunta de profundo conteúdo filosófico, dirigida aos ouvidos do Universo: Por que se tem que morrer?

                Mesmo no seio de comunidades ateístas ou materialistas, com reconhecidas exceções, advém a mesma pergunta: Por que a morte?

Quando nos pomos a meditar acerca do que é a morte, não tardamos a encontrar o seu sentido na própria existência da vida.

                O fenômeno morte-vida representa frente e verso de uma mesma questão. Logo, se filosofarmos um pouco, podemos chamar a vida de morte ou a morte de vida.

Cada indivíduo que viaja da Terra para o Mundo dos Espíritos,  ou seja,  cada pessoa que desencarna, em verdade, prossegue vivendo em dimensão invisível à maioria dos olhares, quedando inativo, alterado, esgotado ou morto, tão somente o corpo biológico no qual se agitou até bem pouco tempo.

                Morto, assim, fica o corpo físico, enquanto o ser pensante, intelectual, continua existindo e prossegue vivendo. Cada indivíduo sai do corpo sem que saia da vida.

                Se continuarmos refletindo, observaremos que tudo o que é matéria densa no mundo acaba por se alterar, modificar-se, envelhecer e morrer.

                Teremos, pois, a morte como transformação no rastro da evolução, já que evolui o ser espiritual como também evolui a matéria específica que compõe o corpo biológico, como parte da matéria imutável do mundo.

                É aí que passamos a compreender a razão pela qual Deus legislou estabelecendo a existência da morte.

                Uma vez que cada um de nós se acha no mundo terrestre com o objetivo de rumar para a perfeição, a desencarnação tem que estar a serviço dessa evolução, desse aperfeiçoamento.

                O ser humano, enquanto no mundo, muitas vezes se prende apenas aos dados que os sentidos físicos lhe concedem. Então, vive todo o tempo empreendendo esforços para tentar perpetuar as posses, os gozos e os prazeres, o poder, sem deter-se um pouco que seja para se indagar sobre o significado dessas posições, ou das coisas que acabam por repletar nossas vidas.

                Deus permite a existência da morte, ou desencarnação, afim de que cada um dos seus filhos, por meio de ingentes esforços, de lutas intensas, logre conquistar as bênçãos de progresso e de alegria, que suplantam o presente e se lançam para o grande futuro.

                Ao refletir, cada pessoa se dará conta de que ninguém está renascido no planeta por mero passeio, por diletantismo, ou como um prazeroso lazer sem fim.

                O retorno às dimensões do mundo invisível, por parte de cada um de nós, permite avaliações excelentes do aproveitamento do tempo e das oportunidades no mundo da matéria grosseira. A estada no além, por algum tempo, deixa o desencarnado revisar toda a sua conduta no planeta, na vivência consigo mesmo e na convivência com os demais.

                Esse balanço que cada um realiza, logo que chega aos campos invisíveis, permite que os Guias Nobres ou os Anjos Guardiães possam avaliar o fazer recomendações a seus tutelados relativamente ao porvir.

                Ninguém morre por acaso nos planos de Deus, ressalvados os casos dolorosos de suicídio que costumam causar maiores agonias, mais intensos tormentos sobre quem desejava liberar-se das carências, das torturas íntimas, dos conflitos e dos remorsos, tendo conseguido, então, em função da atitude infeliz, maiores problemas para resolver no futuro.

 

Livro: EM NOME DE DEUS. José Lopes Neto (Espírito), psicografia de José Raul Teixeira. Fráter Livros Espíritoas.  Niteroi – Rio de Janeiro – RJ. 1ª Ed. 2007.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza - Sociedade Espírita Amor e Conhecimento, Guaraniaçu – PR [email protected]

 

Tempos narcisistas

Desde há trezentos anos mais ou menos, com o surgimento das doutrinas liberais, do iluminismo, do cientificismo, do modernismo, a sociedade humana lentamente vem abandonando a fraternidade decantada na Revolução Francesa de 1789, para assumir uma identidade egoísta narcisista...

                Nos dias atuais, o distanciamento que se apresenta entre os indivíduos leva-os a situações inquietantes, avançando no rumo de problemas graves de comportamento...

                O narcisismo é prática antissocial, que degenera em corrupção moral e insensibilidade emocional.

                Preocupado somente com a sua imagem, o narcisista opera segundo as manipulações que lhe ofereçam resultados lucrativos, elogios e aplausos ilusórios.

                Dominadas pelo capitalismo perverso, as criaturas são educadas para usufruir ao máximo, trabalhando-se em favor do individualismo que se sobrepõe às mais avançadas técnicas proporcionadoras da vida feliz.

                As empresas, insensíveis aos seus servidores (exceções abençoadas) visam apenas ao lucro, atendendo aos impositivos legais, longe, no entanto, da retribuição verdadeira àqueles que fazem parte do seu organismo social. Seus executivos pensam apenas no crescimento e nas rendas da entidade, sendo vítimas periodicamente, dos conflitos econômicos e das oscilações das ações nas bolsas de valores em ascensão e quedas frequentes.

                O objetivo real da vida é proporcionar ao Espírito o desenvolvimento dos recursos divinos nele ínsitos e adormecidos, que são capazes de guindá-lo à real alegria e á saúde integral.

                Olvidando=se esse sentido existencial, o tempo juvenil é gasto no acumular do poder e no fruir do prazer, alcançando patamares de insatisfação e perda de significado psicológico, que levam às fugas espetaculares para o abismo de si mesmo, desidentificando-se da própria realidade...

                Onde predomina, porém, o egoísmo, desfalece o sentimento de humanidade...

                Necessário reverter-se o quadro infeliz, conforme já vem ocorrendo em alguns setores científicos e culturais, inclusive na medicina que recomenta o amor como a mais saudável terapia preventiva e curadora em relação aos diversos males da sociedade antropocêntrica.

                Lentamente  se torna necessária a volta à consideração das coisas simples e puras da existência, aos acontecimentos ingênuos e belos dos relacionamentos humanos, à contemplação da beleza das paisagens, às considerações em relação à Natureza e à sua preservação...

                Descrentes do significado do amor, porque foi confundido com desejo e sexo, os indivíduos redescobrem a fraternidade, a compaixão, a solidariedade, e ressurgem os sentimentos afetivos vitalizando as débeis forças que se consumiram no tráfico das paixões servis...

                A compreensão, portanto, da fragilidade orgânica, das mudanças que se operam em todos os sentidos enquanto se encontra o Espírito no corpo físico, faculta uma visão diferenciada do narcisismo e nasce o desejo de repartir, compartir, solidarizar-se.

                Quem elege a solidão, candidata-se ao abandono.

                Quando se escolhe a solidariedade, encontra-se a retribuição.

                Dizem que o sentido do amor desapareceu por falta de correspondência, por traição e infâmia, por falta de vitalidade.

                A alegação é falsa, porque destituída de significado. Mesmo que alguém não retribua o afeto ou o degrade, isso não significa  a fraqueza do seu conteúdo, e sim a debilidade moral do indivíduo.

                O amor é dinâmico e produtivo. Caso alguém o desrespeite ou lhe traia a confiança, ele permanece intocável, à semelhança da luz solar que beija o pântano e a pétala da rosa, mantendo-se integral, inatingível.

                É inevitável que o narcisismo ceda lugar, na cultura do futuro, nesse vir-a-ser que se desenha para o porvir, sendo substituído pela fraternidade que vigerá nas mentes e nos corações como passo inicial para a plenitude do amor que tanta falta faz à civilização hodierna.

 

Livro: ATITUDES RENOVADAS. Joanna de Ângelis (Espírito). Psicografia Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada Editora. 1ª ed. Salvador. BA. 2009.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. CEAC. Guaraniaçu – PR.  [email protected]

Despertamento para a verdade

Ilude-se todo aquele que supõe que o encontro com a Verdade irá impedir-lhe a ocorrência de problemas e de desafios existenciais na jornada de evolução.

                Engana-se quem pretende viver experiências elevadas sem as lutas do quotidiano, em razão da sua vinculação com o Espírito da Verdade.

                Desperdiça o tempo o indivíduo que acredita estar livre do sofrimento, somente porque se voltou para as lições libertadoras da Verdade.

                Equivoca-se a pessoa que, abraçando a Verdade, espera desfrutar de privilégios e prazeres contínuos.

                Defrauda a consciência o pretendente a uma vida de exceção, longe da dor, das provas necessárias, somente porque aderiu à Verdade.

                Mente, para si mesmo, aquele que espera uma existência pacata, rica de experiências espirituais, sem os choques do mundo, agora, quando se encontrou com a Verdade.

                Não existe um exemplo de alguém que haja despertado para a Verdade, que tenha modificada a trajetória da reencarnação, passando a gozar de dádivas especiais que o tornariam um eleito.

                Pelo contrário, a Verdade induz à maturidade espiritual, à libertação da ignorância em torno da vida, demonstrando que se está na Terra, num mundo transitório, momentâneo, programado para o retorno ao Grande Lar, após vencidas as etapas de progresso que lhe são necessárias durante o trajeto físico...

                À medida que o ser se eleva, mais fácil apresenta-se-lhe a faculdade de entender a vida e suas ocorrências, dando-lhe motivações para empreendimentos contínuos de paz e de construção da solidariedade.

                Não espera que o mundo mude, antes muda em relação ao mundo, tornando0se um ponto de referência para outras futuras transformações que ocorrerão em favor da renovação da sociedade.

                Já não mais escraviza-se a  pessoas e coisas, por sabê-las todas efêmeras no curso infinito do progresso. Ama-as, porém, livre de dependência de qualquer espécie, desse modo não se detém na marcha, avançando sempre.

                Compreende que nem todos, no momento, podem seguir-lhe os passos, o que não o aflige, nem o desestimula, porquanto reconhece a existência de níveis variados de consciências, continuando nos propósitos estabelecidos.

                Vitimado por circunstâncias decorrentes dos atos infelizes do pretérito espiritual, enfrenta a situação com coragem, diluindo os efeitos com os métodos ao alcance, evitando novos comprometimentos que o afligirão no porvir.

                Perseguido pela incensatez que campeia a soldo da comodidade em toda parte, sorri e continua, não se detendo a explicar a conduta, nem a debater a respeito da decisão de integrar-se no conceito da Verdade, vivendo-a, desde já, sem alarde, nem imposição de qualquer natureza.

                Honestamente, é fiel a si mesmo e a Deus, que o atrai com a irresistível energia do amor, passando a nutrir-se desse pão de vida, sem a preocupação de justificar-se ou de arrebanhar adeptos para o seu desiderato.

                Muitas vezes a sós, está sempre com Deus, ou Deus está com ele, não se importando com o abandono a que se veja entregue por familiares, amigos ou correligionários...

                Nele fulgura a luz da paz, que o tranquiliza, facultando-lhe entendimento de todos os acontecimentos.

                Se a morte o ameaça, prepara-se para recebê-la jovialmente, porque entende que ela será a sua ponte para alcançar o Outro Lado, onde espera ser feliz...

                Eu sou o Caminho a Verdade e a Vida – afirmou Jesus...

 Toma-O como modelo e guia, seguindo-O alegremente, e a Verdade te embriagará de luz e de paz, concedendo-te vida em abundância.

               

Livro: ILUMINAÇÃO INTERIOR. Joanna de Ângelis (Espírito). Psicografia Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada Editora. 3ª ed. Salvador. BA. 2015.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. CEAC. Guaraniaçu – PR.  [email protected]

 

Os integrados

Uma das imperfeições do caráter humano que merece cuidados especiais e correção adequada é a ingratidão.

            Aqueles que lhe padecem o jugo, devem ser tidos como Espíritos adormecidos no primarismo de que têm dificuldade para conseguir a indispensável libertação...

            Os ingratos conduzem o coração enregelado pelo egoísmo e vivem asfixiados na soberba.

            Ignoram as bênçãos da alegria de retribuir, que constitui excelente conquista do processo da evolução.

            Incapazes, porém, de discernir com claridade mental as ocorrências a sua volta e a respeito de si mesmos, atribuem-se valores que não possuem, acreditando-se  credores de merecimentos que não existem.

            São sagazes e ambiciosos, hábeis na arte de iludir e de conquistar, indiferentes na maneira de repartir.

            Na sua vã cegueira, norteados pela presunção de que se sentem dominados, pensam que as demais pessoas têm o dever de servi-los, mesmo quando reiteradamente ingratos.

            Usam a máscara da simpatia durante a necessidade, e, após atendidos, apresentam a carantonha da má vontade...

            Transformam-se em parasitas sociais, sugando as energias dos operosos no bem como daqueles que se devotam à prática da misericórdia e da compaixão...

            Recebem mil vezes e, se por alguma circunstância não podem ser atendidos na enésima vez, reagem, furibundos e insanos, como se houvessem sido gravemente prejudicados pelo seu próximo.

            Ociosos, não se esforçam por mudar de situação através do trabalho, e, mesmo quando o conseguem, não modificam a estrutura da personalidade mórbida...

            Aqueles que praticam o bem, aguardando, por sua vez, qualquer forma de retribuição, não diferem muito dos ingratos, sendo, igualmente, Espíritos necessitados.

            Incapazes de doar desinteressadamente, negociam sob o disfarce da solidariedade, sempre aguardando a recompensa, que deve ser qualitativamente mais significativa... O Espírito lúcido e consciente do seu dever de humanidade, porém, nunca espera qualquer tipo de retribuição pelo que faz, porquanto experimenta o inefável prazer de ajudar...

            Desse modo, nunca desanimes em razão das atitudes dos ingratos...

            Os ingratos, antes de infelicitarem aos demais, são autoflagelaldores. Servindo-os, resgatas enganos e ações nefastas de ontem...

            Tem, porém, cuidado para que não te faças ingrato nunca, seja qual for a justificativa que se te apresente.

            Valoriza tudo quanto de seja oferecido e procura reconhecer que, talvez, não seja por mérito de tua parte, mas por bondade do teu generoso doador.

            Retribui, então, tudo o que recebas, com um sorriso ou uma palavra gentil, um gesto de ternura ou uma ação de equivalente significado.

            Se não desejares parecer preocupado em retribuir para nada ficares a dever, faze a outrem conforme foi feito em relação a ti.

Livro: ILUMINAÇÃO INTERIOR. Joanna de Ângelis (Espírito). Psicografia Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada Editora. 3ª ed. Salvador. BA. 2015.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. CEAC. Guaraniaçu – PR.  [email protected]

Pensamento e obsessão

O estudo da obsessão, conjugado à mediunidade, se realizado em maior amplitude, abrangeria o exame de quase toda a Humanidade terrestre. Expressamos tal conceito, à face do pensamento que age e reage, carreando para o emissor todas as fecundações felizes ou infelizes que arremessa de si próprio, a determinar para cada criatura os estado psíquicos que variam segundo os tipos de emoção e conduta a que se afeiçoe. Enquanto não se aprimore, é certo que o Espírito padecerá, em seu instrumento de manifestação, a resultante dos próprios erros...

Perturbações morais – Não nos propomos analisar aqui as personalidades psicopáticas, do ponto de vista da Psiquiatria, nem focalizar as chamadas psicoses de involução, ou as demências senis, claramente necessitadas de orientação médica; recordaremos, contudo, que na retaguarda dos desequilíbrios mentais, sejam da ideação ou da afetividade, da atenção e da memória, tanto quanto por trás de enfermidades psíquicas clássicas, como, por exemplo, as esquizofrenias e as parafrenias, as oligofrenias e a paranoia, as psicoses e neuroses de multifária expressão, permanecem as perturbações da individualidade transviada do caminho que as Leis Divinas lhe assinalam à evolução moral...

Torturada por suas próprias ondas desorientadas, a reagirem, incessantes, sobre os centros e mecanismos do corpo espiritual, cai a mente nas desarmonias e fixações consequentes e, porque o veículo de células extra-físicas que a serve, depois da morte, é extremamente influenciável, ambienta nas próprias forças os desequilíbrios que a senhoreiam, consolidando-se-lhe, desse modo, as inibições que, em futura existência, dominar-lhe-ão temporariamente a personalidade, sob a forma de fatores mórbidos, condicionando as disfunções de certos recursos do cérebro físico, por tempo indeterminado...

Zonas purgatoriais – Entendendo-se que todos os delinquentes deitam de si oscilações mentais de terrível caráter, condensando as recordações malignas que albergam no seio, compreenderemos a existência das zonas purgatoriais ou infernais como regiões em que se complementam as temporárias criações do remorso, associando arrependimento e amargura, desespero e rebelião.

Na intimidade dessas províncias de sombra, em que se agrupam multidões de criminosos, segundo a espécie de delito que cometeram, Espíritos culpados, através das ondas mentais com que essencialmente se afinam, se comunicam reciprocamente, gerando, ante os seus olhos, quadros vivos de extremo horror, junto dos quais desvairam, recebendo, de retorno, os estranhos padecimentos que criaram no ânimo alheio.

Claro está que, embora comandados por Inteligências pervertidas ou bestializadas nas trevas da ignorância, esses antros jazem circunscritos no Espaço, fiscalizados por Espíritos sábios e benfazejos que dispõem de meios precisos para observar a transformação individual das consciências em processo de purificação ou regeneração, a fim de conduzi-las a providências compatíveis com a melhoria já alcançada.

Semelhante supervisão, entretanto, não impede que essas vastas cavernas de tormento reeducativo sejam, em si, imensas penitenciárias do Espírito, a que se recolhem as feras conscientes que foram homens. Aí permanecem detidas por guardas especializados, que lhes são afins, o que nos faz definir cada “purgatório particular” como “prisão-manicômio”,  em que as almas embrutecidas no crime sofrem, de volta, o impacto de suas fecundações mentais infelizes.

Tiranos, suicidas, homicidas, carrascos do povo, libertinos, caluniadores, malfeitores, ingratos, traidores do bem e viciados de todas as procedências, reunidos conforme o tipo de falta ou defecção a que se renderam, se examinados pelos cientistas do mundo apresentariam à Medicina os mais extensos quadros para estudo etiológicos das mais obscuras enfermidades. Deduzimos, assim, que todos os redutos de sofrimento, além-túmulo, não passam de largos porões do trabalho evolutivo da alma à feição de grandes hospitais carcerários para tratamento das consciências envilecidas.

Livro: MECANISMO DA MEDIUNIDADE. André Luiz (Espírito). Psicografia Francisco C. Xavier e Waldo Vieira. Federação Espírita Brasileira - FEB. Rio de Janeiro – RJ. 24ª Ed. 2004. Manoel Ataídes Pinheiro de Souza - Sociedade Espírita Amor e Conhecimento, Guaraniaçu – PR.

 

               

A outra face

Na movimentação cotidiana, em meio aos diversificados aprendizados, torna-se importante e necessária uma análise cuidadosa dos ensinos de Jesus, no que diz respeito ao ato de dar a outra face.

            A questão comportaria uma série de considerações, nas quais destacaríamos, indubitavelmente, a grandeza de apresentar o outro lado da própria intimidade, quando o mundo provocar-nos a exaltação do homem velho que, por certo, manifestar-se-á, com probabilidade de causar infelicidade e desdita.

            Para aqueles que nos feriram num dos lados de nossa personalidade, mostramos o outro, o do perdão sem limite, sem demora.

            Quando você esteja espicaçado pelo orgulho, apresente a face da humildade.

            Quando estiver tocado pela presunção, demonstre a grandeza da simplicidade.

            Quando chegar-lhe a atroada da violência, convidando ao amotinamento, será tempo de mostrar a tranquilidade que lhe vibra no íntimo.

            Quando assomar desespero em redor dos seus caminhos, faça brilhar o equilíbrio por expressão de radiosa harmonia.

            Quando defrontar-se com o vício de qualquer natureza, deixe às claras a face da virtude e da madureza interior que já lhe alcança os dias.

            Quando você for conduzido às faixas da tristeza e do desencanto, deixe cantar as notas da alegria e do otimismo, que tudo renovam.

            Quando lhe advenham amargura e solidão, exprima a voz da esperança e do entendimento, por dádiva espiritual melodiosa.

            Quando você se deparar com avalanches de sombras, impondo-lhe descaminhos, deixe passar por sua tecitura espiritual a claridade das luzes que lhe norteiam a vida.

            Quando você sofrer a agrestia da injustiça ou da ingratidão, apresente a fibra da dignidade e da equidade, como valores já conquistados em sua alma.

            Quando for atingido pelo esbordoamento da descrença nos valores do bem, responda com a flama da fé em Deus, que vibra em sua vida.

            Quando você for visitado pelo desânimo, enalteça a grandiosidade do estímulo superior e fraternal que o trabalho consegue nutrir.

            Quando o mundo ferir a sua atividade comum, com o deboche por suas lutas em prol da própria saúde moral, responda perseverando na boa conduta, demandando os campos de júbilo d’alma, júbilo esse que só se amplia com a fidelidade ao dever.

            Quando você sentir-se aturdido pelas forças caóticas da obsidente interferência do mal passageiro, atue com firmeza na dimensão do amor que, no Cristo, torna sua caminhada mais útil e consequentemente mais feliz pelas experiências da Terra.

            A outra face converte-se num símbolo glorioso para a vida do cristão autêntico. À frente de quaisquer dissonâncias que lhe cheguem, perturbadoras, jamais olvidar a sinfonia de amor e luz que poderemos plasmar, sob as bênçãos de Deus...

 

Livro: NOSSAS RIQUEZAS MAIORES. Por Diversos Espíritos. March (Espírito). Psicografia J. Raul Teixeira. Fráter Livros Espíritas.  Niterói - RJ. 2ª Ed. 2013.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza - Sociedade Espírita Amor e Conhecimento, Guaraniaçu – PR

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Mordomos e não donos...

Na região da Galiléia, porém, ante a placidez domar, quebrada somente pelas tormentas periódicas, respirava-se ingenuidade, resignação e alguma fraternidade...

                Foi nesse cenário de gentes simples  e desataviadas, que a sinfonia do Evangelho esplendeu em toda a sua majestade e beleza.

                Entre pescadores que amavam a labuta do mar, vinhateiros que se afadigavam pelo cultivo da videira, curtidores de lá animal afeiçoados à fabricação tosca de tecidos, Ele encontrou o coração do povo que abriu a sua acústica para ouvir a melodia da esperança...

                ... E as parábolas espocavam dos Seus lábios como flores do campo, naturais e formosas.

                Um delas informava que se tratava de um homem rico, que possuía um mordomo, que foi acusado de estar utilizando-se em benefício próprio dos bens que não lhe pertenciam.

                E porque tudo indicasse a realidade infeliz da sua conduta, o amo chamou-o e pediu-lhe que prestasse contas da sua mordomia, porquanto já não tinha condições de merecer fé nem respeito.

                Surpreendido pela atitude severa do amo, o infiel começou a conjecturar  a respeito do futuro que lhe estava reservado, constatando não possuir recursos para o exercício de uma outra função, que lhe exigisse esforço e luta. Então, desonesto como era, convidou um dos devedores do seu patrão e perguntou-lhe: - Quanto deves ao meu senhor?

                Informado que eram cem cados (Palavra Semítica - vaso de barro para medir líquidos, cem cados ou batos: 3.500 lt) de azeite, propôs-lhe que anotasse apenas metade, comprometendo-se a pagá-los. O mesmo fez em relação a outro devedor, que informou serem cem coros (37.000 litros) de trigo, indicando que anotasse apenas oitenta e não deixasse da pagar.

                Com essa atitude, o sagaz agradou aos devedores, que lhe ficaram amigos, mas também poupou o seu senhor de grandes prejuízos, garantindo-lhe o recebimento de parte das dívidas. Em face dessa astúcia, o amo também o estimou, porque essa atitude era compatível com aqueles outros desonestos que se comportavam da mesma maneira, muito diferente dos filhos da luz.

                Após silenciar por um pouco, a fim de que os ouvintes pudessem captar o conteúdo do ensinamento, Ele arrematou, enfático: Granjeai amigos por meio das riquezas da injustiça, para que, se estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos.

                Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito, quem é injusto no pouco, também é injusto no muito.

                Se, pois, nas riquezas injustas não fostes fiéis, quem vos confiará as verdadeiras?

                Ele fez uma grande pausa, perpassando o olhar sobre a massa em meditação, logo prosseguindo: Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.

                Os fariseus, que eram gananciosos, ouviam todas essas coisas e zombavam dele.

                As riquezas da injustiça constituem os recursos que a sagacidade consegue, amealhando para outrem enquanto acumula também para si.

                Impossibilitado de ser honrado no cumprimento dos deveres que lhe dizem respeito, o indivíduo utiliza-se dos bens que pode reunir, compensando a própria astúcia com os valores que supõe pertencer-lhe.

                Esse comportamento reserva-lhe meios de sobrevivência para o futuro, mas não lhe granjeia a paz de consciência, pelo reconhecer da falibilidade moral e defecção espiritual...

                Quem deseja a Vida Eterna, certamente terá que despojar-se da ambição enganosa dos valores transitórios, porque em serviço de autoiluminação, necessita despojar-se de toda sombra interior, enquanto caminha pela senda humana.

                Mordomos, todos o somos dos haveres divinos, que nos cumpre prestar contas com fidelidade, a fim de sermos credores da confiança em relação aos eternos recursos da Paternidade Celeste.

Do Livro: A Mensagem do Amor Imortal. Amélia Rodrigues (Espírito). Psicografia de Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada. – Salvador-BA. 2008.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza, CEAC Guaraniaçu – PR. [email protected]

Meditemos

Revelando avançada paranoia, pela hipertrofia do orgulho ante as conquistas da civilização atual, há quem pretenda banir a ideia de Deus do pensamento humano, encastelando-se na demência disfarçada de grandeza.

            No torvo cometimento, situam-se todos os mentores do ateísmo histórico e prático, notadamente entre os povos-polvos, sequiosos de hegemonia e influência.

            Todavia, quantos se consagram a semelhante monstruosidade do raciocínio esquecem-se de que apenas há quatro há alguns lustros as nações mais cultas do Globo se empenharam em pavorosa carnificina.

            No prélio terrível, salientavam-se os países superalfabetizados do mundo... Bastaram, porém simplesmente alguns meses de luta para que se rebaixassem à condição de feras, fazendo renhir as garras sanguissedentas e fulminando as aquisições do espírito, com o objetivo de aniquilar a soberania da razão.

            Quanto acontece agora, dispunham todos eles de tratados que lhes salvaguardavam as instituições livres...

            Isso, no entanto, não  impediu esquecessem os compromissos internacionais, arrasando cidades abertas e incendiando vilarejos pacíficos.

            Enfileiravam largas bibliotecas de ciências sociais, em louvor da dignidade humana, mas caíram como chacais sobre mulheres e crianças indefesas, cruentando populações inermes.

            Contavam com alevantado progresso da navegação marítima e com elevados princípios a lhes nortearem os movimentos, mas converteram os oceanos em teatros de pirataria e de sangue.

            Possuíam as mais nobres invenções, quais o avião e o rádio, o cinema e a grande imprensa, inclusive o domínio iniciante da energia nuclear; contudo mobilizaram todos esses recursos no assalto a lares e hospitais, escolas e templos.

            Nos campos reservados à concentração de prisioneiros, o envenenamento e o suplício da fome, a bestialidade e o assassínio foram considerados legais.

            Do sinistro balanço constataram milhões de cadáveres, milhões de mutilados, milhões de órfãos, milhões de feridos, milhões de desajustados...

            Não valeram descobertas da indústria, avanços da ciência, alturas filosóficas, ajustes políticos ou exaltações das letras.

            Tudo desceu às trevas da carnagem.

            É que, quando a ambição se desregra entre os homens, cresce a força da injustiça, e, quando a injustiça se erige como poder supremos na face da terra, habitualmente aparece o esquecimento de Deus, no âmago das elites. E, com o esquecimento do Criador, desentendem-se as criaturas, gerando conflito de destruição.

            Entregue ao livre-arbítrio, nos recessos da própria alma, pode o homem olvidar a Paternidade Divina e escarnecer a ideia religiosa que lhe traça roteiro moral, mas tomba nos arrastamentos da irresponsabilidade e da delinquência; pode, com ingratidão e crueldade, pregar à vida o desrespeito a Deus, mas a vida lhe responde com as trevas do caos.

 

Livro: RELIGIÃO DOS ESPÍRITOS. Emmanuel. (Espírito). Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Federação Espírita Brasileira. FEB. Rio de Janeiro – RJ. 10ª ed. 1995.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. Sociedade Espírita Amor e Conhecimento, Guaraniaçu – PR.

[email protected]