Espírita - Manoel Ataides
ESCLARECIMENTO

Quando alinhamos nossas despretensiosas anotações acerca de Nosso Lar, relacionando a nossa alegria diante da Vida Superior, muitos companheiros inquiriram espantados> - “Afinal, o que vem a ser isso? Os desencarnados olvidam assim a paragem de que procedem? Se as almas, em se materializando na Terra, chegam do mundo espiritual, por que as exclamações excessivas de júbilo quando para lá regressam, como se fossem estrangeiros ou filhos adotivos de nova pátria?”.

            O assunto, simples embora, exige reflexão.

            E é necessário raciocinar dentro dele, não em termos de vida exterior, mas de vida íntima.

            Cada criatura atravessa o portal do túmulo ou transpõe o limiar do berço, levando consigo a visão conceptual do Universo que lhe é própria.

            Almas existem que varam dezenas de reencarnações sem a menor notícia da Espiritualidade Superior, em cuja claridade permanecem como hibernadas, na condição de múmias vivas, já que não dispões de recursos mentais para o registro de impressões que não sejam puramente de ordem física.

            Assemelham-se, de algum modo, aos nossos selvagens, que, trazidos aos grandes espetáculos da ópera lírica, suspiram contrafeitos pela volta ao batuque (da tribo).

            E muitos de nós, como tantos outros, em seguida a romagens infelizes ou semicorretas, tornamos do mundo às esferas espirituais compatíveis com a nossa evolução deficiente, e, além desses lugares de purgação e reajuste, habitualmente somo conduzidos por nossos Instrutores e Benfeitores para ensaios de sublimação a círculos mais nobres e mais elevados, nos quais nem sempre nos mantemos com o equilíbrio desejável, já que nos achamos saudosos de contato mais positivo com as experiências terrestres.

            Agimos, então, como alunos inadaptados de Universidade venerável, cuja disciplina nos desagrada, por guardarmos o pensamento na retaguarda distante, ansiosos de comunhão com o ambiente doméstico, em razão do espírito gregário que ainda prevalece em nosso modo de ser.

            Como é fácil observar, raras Inteligências descem, efetivamente, das esperas divinas para se reencarnarem na esfera física.

            Todos alcançamos as estações do berço e do túmulo, condicionando nossas percepções do mundo externo aos valores mentais que já estabelecemos para nós mesmos, porque todos nos ajustamos, bilhões de encarnados e desencarnados, a diferentes faixas vibratórias de matéria, guardando, embora, o Planeta como nosso centro evolutivo, no trabalho comum.

            Desse modo, a mais singela conquista interior corresponde para a nossa alma a horizontes novos, tanto mais amplos e mais belos, quanto mais bela e mais ampla se faça a nossa visão espiritual.

            Construamos, pois, o nosso paraíso por dentro.

            Lembremo-nos, pois, que os grandes culpados que edificaram o inferno, em que debatem, respiram o ambiente da Terra – da Terra que é um santuário do Senhor, evolutindo em pleno Céu.

            Nosso ligeiro apontamento em torno do assunto destina-se, desse modo,  igualmente a reconhecermos, mais uma vez, o acerto e a propriedade da palavra de Nosso Divino Mestre, quando nos afirmou, convincente: - “O Reino de Deus está dentro de nós.”.

 

Do Livro: VOZES DO GRANDE ALÉM. Diversos Espíritos. André Luiz (Espírito). Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Federação Espírita Brasileira. Rio de Janeiro – RJ. 3ª Ed. 1982. Pág. 55

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza, Sociedade Espírita Amor e Conhecimento Guaraniaçu PR. [email protected]

EDUCAÇÃO E VIDA

Sem o seu concurso, o da educação, o ser humano retorna ao primarismo de que se vem libertando no curso dos renascimentos carnais.

                Poderosa alavanca para o progresso espiritual, constitui-se o mais eficiente recurso moral para a edificação do ser humano. Confundida com a instrução, ainda não foi compreendida no sublime objetivo de que se faz mensageira.

Acreditam alguns estudiosos que o ser humano é as suas  heranças ancestrais, que nenhuma educação consegue modificar.

                Outros, menos pessimistas, asseveram que a mente infantil é uma folha de papel em branco, na qual se escreverão os atos, as informações que lhe irão nortear o destino.

                Nada obstante a valiosa contribuição de educadores notáveis do passado, a iniciar-se por João Comenius, prosseguindo pelo eminente Rousseau e adquirindo relevância em Pestalozzi, foi Allan Kardec aquele que, sintetizando as sábias lições desses predecessores, demonstrou, através da reencarnação, a excelência do labor educativo...

                Educadores vinculados a programas políticos, no entanto, preocupam-se mais com as estatísticas a respeito da alfabetização, descuidando as bases morais da educação, que exige espírito de abnegação e cuidados especiais. Apresentam dados falsos de pessoas alfabetizadas, que mal conseguem ler e escrever, dando uma imagem que não corresponde à realidade de uma sociedade educada...

                A violência, a agressividade que irrompem em perversidade cruel por toda parte, atestam a falência da educação nos institutos onde parece funcional, e especialmente no lar, no qual se formam a cidadania e a dignidade do ser humano.

                Em seu lugar, o descaso dos pais irresponsáveis em conviver com os filhos, relegando a tarefa que lhes cabe a servidores remunerados, a fim de disporem de tempo para mais prazeres, para a aquisição de recursos que oferecem aos filhos, em mecanismos de fuga psicológica para não se darem eles mesmos...

                Como consequência, o imediatismo das sensações, repercutindo na promiscuidade sexual, na drogadição, nos estertores dos transtornos psicológicos, domina crianças e jovens, assim como incontáveis adultos, em lamentável desestruturação que se reflete numa sociedade indiferente pelo sofrimento do próximo, que vive medrosa e inquieta.

                A solução do grave problema repousa na aplicação dos tesouros ainda desconhecidos da educação moral pelo exemplo, através da autoeducação, das lições vivas na conduta edificante.

                Enquanto permanece a preocupação com a instrução, com os métodos tecnológicos de preparação do indivíduo para o triunfo social, para ganhar dinheiro, e não para a autorealização, os desastres sociais caracterizarão a cultura que se estiola numa civilização competitiva, egoísta e cínica, rica de coisas e pobre de sentimentos elevados. Para tal cultura, o ser humano vale pelo que possui e acumula exteriormente, não pelos valores de enobrecimento e dignidade pessoal, desse modo limitando a vida ao breve espaço berço-túmulo...

                Como afirma Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, parte 3ª, Capítulo X, item 872: Cabe à educação combater as más tendências. Fá-lo-á utilmente, quando se basear no estudo aprofundado da natureza moral do homem. Pelo conhecimento das leis que regem essa natureza moral, chegar-se-á a modificá-la, como se modifica a inteligência pela instrução e o temperamento pela higiene.

                Não foi por outra razão que Jesus permitiu-se o título de Mestre, em reação de ser o educador sublime, que lecionou o amor como essencial à vida e o dever como diretriz de segurança para o progresso, assim como fator de equilíbrio para a aquisição da felicidade...

 

Livro: LIBERTAÇÃO DO SOFRIMENTO. Joanna de Ângelis (Espírito), psicografia de Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada Editora. Salvador. BA. 2008.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. Sociedade Espírita Amor e Conhecimento, Guaraniaçu – PR.

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O EVANGELHO E O FUTURO

Um moderno escorço da História faz entrever os laços eternos que ligam todas as gerações  nos surtos evolutivos do planeta.

            Muita vez, o palco das civilizações foi modificado, sofrendo profundas renovações nos seus cenários, mas os atores são os mesmos, caminhando, nas lutas purificadoras, para a perfeição daquele que é a luz do principio.

            Nos primórdios da humanidade, o homem terrestre foi naturalmente conduzido às atividades exteriores, desbravando o caminho da natureza para a solução do problema vital, mas houve um tempo em que a sua maioridade espiritual foi proclamada pela sabedoria da Grécia e pelas organizações romanas.

            Nessa época, a vinda do Cristo ao planeta assinalaria o maior acontecimento para o mundo, uma vez que o Evangelho seria a eterna mensagem do Céu, ligando a Terra ao reino luminoso de Jesus, na hipótese da assimilação do homem espiritual, com respeito aos ensinamentos divinos. Mas a pureza do Cristianismo não conseguiu manter-se intacta, tão logo regressaram ao plano invisível os auxiliares do Senhor, reencarnados no globo terrestre para a glorificação dos tempos apostólicos.

            O assédio das trevas avassalou o coração das criaturas.

            Decorridos três séculos da lição santificante de Jesus, surgiram a falsidade e a má-fé adaptando-se às conveniências dos poderes políticos do mundo, desvirtuando-se-lhe todos os princípios, por favorecer doutrinas de violência oficializada.

            Debalde enviou o divino Mestre seus emissários e discípulos mais queridos ao ambiente das lutas planetárias. Quando não foram trucidados pelas multidões delinquentes ou pelos verdugos das consciências, foram obrigados a capitular diante da ignorância, esperando o juízo longínquo da posteridade...

            É por esse motivo que, ao lado dos aviões poderosos e da radiofonia (internet) que ligam todos os continentes e países da atualidade, indicando os imperativos das leis da solidariedade humana, vemos o conceito de civilização insultado por todas as doutrinas de isolamento, enquanto os povos se preparam para o extermínio e para a destruição. É ainda por isso que, em nome do Evangelho, se perpetram todos os absurdos nos países ditos cristãos... A realidade é que a civilização ocidental não chegou a se cristianizar...

            Mas é chegado o tempo de um reajustamento de todos os valores humanos...

            O Espiritismo, na sua missão de Consolador, é o amparo do mundo neste tempo de declives da sua história; só ele pode, na sua feição de Cristianismo Redivivo, salvar as religiões que se apagam entre choques da força e da ambição, do egoísmo e do domínio, apontando ao homem os seus verdadeiros caminhos. No seu manancial de esclarecimentos, poder-se-á beber a linfa cristalina das verdades consoladoras do Céu, preparando-se as almas para a nova era. São chegados os tempos em que as forças do mal serão compelidas a abandonar as suas derradeiras posições de domínio nos ambientes terrestres, e os seus últimos triunfos são bem o penhor de uma reação temerária e infeliz, apressando a realização dos vaticínios sombrios que pesam sobre o império perecível...

            Ditadores, exércitos, hegemonias econômicas, massas versáteis e inconscientes, guerras inglórias, organizações seculares, passarão como a vertigem de um pesadelo...

 

Livro: A CAMINHO DA LUZ. Emmanuel (Espírito). Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Federação Espírita Brasileira. Rio de Janeiro, RJ. 38ª Ed. 2015.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza, Sociedade Espírita Amor e Conhecimento Guaraniaçu PR.

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DEVER

O dever define a submissão que nos cabe a certos princípios estabelecidos como leis pela Sabedoria Divina, para o desenvolvimento de nossas faculdades.

            Para viver em segurança, ninguém desprezará a disciplina.

            Obedecem as partículas elementares no mundo atômico, obedece a constelação na glória da imensidade. O homem viajará pelo firmamento, a longas distâncias do lar em que se lhe vincula o corpo físico: no entanto, não logrará fazê-lo sem obediência aos princípios que vigem para os movimentos da máquina que o transporta.

            Dessa forma, pode-se simbolizar o dever como sendo a faixa de ação no bem que o Supremo Senhor nos traça à responsabilidade, para a sustentação da ordem e da evolução em Sua Obra Divina, no encalço de nosso aperfeiçoamento.

            Cada consciência bafejada pelo sol da razão será interpretada, assim, à conta de raio na esfera da vida, evolvendo da superfície para o centro, competindo-lhe a obrigação de respeitar e promover, facilitar e nutrir o bem comum, atitude espontânea que lhe valerá o auxílio natural de todos os que lhe recolhem a simpatia e a cooperação. Com semelhante atitude, cada espírito plasma os reflexos de si mesmo, por onde passa, abrindo-se aos reflexos das mentes mais elevadas que o impulsionam à contemplação de mais vastos horizontes do progresso e à adequada assimilação de mais altos valores da vida.

            Desse modo, pela execução do dever – região moral de serviço em que somos constantemente alertados pela consciência -, exteriorizamos a nossa melhor parte, recolhendo a melhor parte dos outros. Acontece, porém, que muitas vezes criamos perturbações na linha das atividades que o Senhor nos confia, e não apenas desconjuntamos a peça de nossa existência, como também colocamos em desordem muitas existências alheias, desajustando outras muitas peças na máquina do destino.

            Surge então para nós o inexorável constrangimento à luta maior, que podemos nomear como sendo o dever-regeneração, pelo qual somos compelidos a produzir reflexos inteiramente renovadores de nossa individualidade, à frente daqueles que se fizeram credores das nossas quotas de sacrifício.

            É dessa maneira que recebemos, por imposição das circunstâncias, a esposa incompreensiva, o esposo atrabiliário, o filho doente, o chefe agressivo, o subalterno infeliz, a moléstia pertinaz ou a tarefa compulsória a benefício dos outros, como gleba espiritual para esforço intensivo na recuperação de nós mesmos.

            É por esse motivo que de nada vale desertar do campo de duras obrigações em que nos vejamos sitiados, por força dos acontecimentos naturais do caminho, de vez que  na intimidade da consciência, ainda mesmo que a apreciação alheia nos liberte desse ou daquele imposto de devotamento e renúncia, ordena a razão estejamos de sentinela na obra de paciência e de tolerância, de humildade e de amor, que fomos chamado intimamente a atender; sem isso, não obstante a aparência legar de nosso afastamento da luta, somos invencivelmente onerados por ocultas sensações de desgosto ante as nossas próprias fraquezas, que, começando por ligeiras irritações e pequeninos desalentos, acabam matriculando-nos o espírito nos institutos da enfermidade ou na vala da frustração.

Do Livro: PENSAMENTO E VIDA. Emmanuel (Espírito). Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Federação Espírita Brasileira - FEB. Rio de Janeiro - RJ. 17ª Ed. 2008.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza, Sociedade Espírita Amor e Conhecimento Guaraniaçu PR.

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ANTE A MENSAGEM ESPÍRITA

Discípulo do Cristo, mediante a limpidez da mensagem espírita, não adies a própria renovação, encastelado nas paredes do convencionalismo ou retido nas algemas das paixões.

            Identificação com Jesus Cristo é avanço sobre a masmorra do eu, utilizando as ferramentas poderosas que se encontram ao alcance da vontade.

            Não postergues, desse modo, o momento da auto-superação.

            Oportunidade transferida, tarefa complicada.

            Examina os resultados do conhecimento espírita e verifica se entraste pura e simplesmente na Doutrina, ou se a Doutrina encontrou porta de acesso para se estabelecer no teu coração.

            Quando se entra na célula espírita, trava-se contato com o fenômeno mediúnico, com o programa de estudos, com as diretrizes da assistência aos necessitados, com as fichas de compromissos para com a Sociedade, mediante uma taxa módica, com pessoas, com opiniões...

            Quando, porém, a mensagem espírita  penetra o coração e se enraíza na mente do discípulo, o panorama é diverso. Possivelmente os companheiros não observam nas fichas de registros quaisquer apontamentos nem anotações. Os painéis mentais, no entanto, e os arraiais da emoção de imediato se transformam, banham-se de sol, e a paz se aninha, vitoriosa, estabelecendo normativas de felicidade.

            O discípulo não se agasta com as ofensas nem se melindra com os incidentes comuns, à espera de ação onde encontra; não se acumplicia com o erro nem se subordina às imposições subalternas; não se entorpece na ideia negativa fixa nem se precipita no entusiasmo apaixonado.

            É comedido e sensato, calmo e confiante, pois que possui os inestimáveis recursos para exame e compreensão dos acontecimentos e das injunções no dia-a-dia da experiência carnal.

            Se já permitiste que a Doutrina Espírita se domicilie em tua vida, acende a lâmpada do Evangelho no caminho e afirma, a princípio no lar, a tua nova condição por meio do inequívoco atestado de humildade e resignação.

            Se possível, clareia o teu domicílio com o estudo da Mensagem espírita e cristã, interessando os familiares na busca da verdade e da paz sem jaça.

            Sê homem novo em todo lugar onde estejas, principalmente quando no trato com servidores humílimos do lar, da oficina de trabalho, da rua, aqueles aos quais mais fácil e impunemente muitos se permitem molestar por impiedade ou desequilíbrio...

            Ajuda indistintamente com palavras, ações ou no recesso do espírito, com pensamentos salutares e orações...

            Lembra-te dos que precederam no retorno à erraticidade e dilata os recursos psíquicos para os ajudar nas tarefas da desobsessão e do passe.

            Compreenderás, por fim, que o discípulo da mensagem espírita, quando chega ao núcleo de tarefas, é somente mais um, na estatística da Casa; quando, porém,  a mensagem espírita penetra em alguém e o transforma, esse aprendiz se faz um festival de bênçãos, esparzindo as concessões excelentes da vida, em nome da Vida Abundante, em favor da Humanidade toda, que ruma para a Vida Excelsa.

 

Livro: O LAMPADÁRIO ESPÍRITA. Allan Kardec. 6ª ed. Federação Espírita Brasileira. Rio - RJ. 1996. Pág. 17

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. CEAC. Guaraniaçu – PR. [email protected]

 

EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO

Há mais de vinte séculos, Demócrito escreveu na sua teoria atomista a respeito do fluxo das partículas que se alteram na formação de todas as coisas, sem deixarem de ser elas mesmas, assim abrindo perspectivas para o entendimento da corrente do pensamento, em face das ondulações que propiciam , no mundo das ideias... Aristóteles..., aduzia que esse conjunto era animado por uma alma, um sopro – pneuma – um tipo de ar que oferecia vitalidade ao corpo, favorecendo a vida com a capacidade de pensar...

            O pensamento, no entanto, prossegue desafiador, se estudado apenas sob o ponto de vista fisiológico, resultado das conexões neuronais, conforme propostas das modernas neurociências e psicologia acadêmica. Se remontarmos ao primata homini, no qual lampejam as primeiras expressões do pensamento primitivo, como ocorre nos animais inferiores da escala zoológica, mediante os condicionamentos – Pavlov -, podemos afirmar que o desenvolvimento da habilidade de pensar procede do ser, do Espírito, através das suas sucessivas reencarnações.

            Em cada etapa desse inextricável programa de evolução, o Espírito experiencia hábitos e coleta dados que amplia durante o estágio de erraticidade, imprimindo no cérebro, quando por ocasião de novas incursões no corpo somático.

            Quanto mais evoluído, tanto melhor e mais ampla será a sua capacidade de pensar, atravessando as fases diferenciadas do período arcaico, no qual ainda predominam os instintos para avançar no descobrimento de si mesmo...

            Na tradição evangélica, o pensamento procede do coração, o que equivale dizer: do sentimento. A emoção que se liberta dos instintos agressivos e primários, alarga os horizontes do pensamento, no sentir e no analisar, de maneira que alcance o patamar da intuição.

            O pensamento lógico, assinalado pela horizontalidade do raciocínio, no momento em que recebe a vitalização do amor, faz que desabrochem os arquétipos divinos que no Espírito jazem, dando lugar a pessoas nobres e grandiosas.

            Foram os momentos extraordinários de Francisco de Assis e Cristóvão Colombo, em campos diferentes, embora, ampliando os horizontes do mundo.

            Fenômeno equivalente ocorreu com Joana D’Arc e Rembrandt ou Miguel Ângelo, com Pasteur e Florence Nightingale, com Damião de Veuster e Mozart...

            Quando o amor vitaliza o pensamento, o Espírito estua na busca da plenitude, abandonando os períodos egotistas, para vivenciar a solidariedade, o coletivismo dignificante.

            O hábito de pensar com amplitude e de agir com abnegação favorece o desenvolvimento espiritual, rompendo os atavismos com as heranças primárias que teimam em permanecer na natureza animal do ser em prejuízo daquela de origem espiritual.

            Mediante associações de ideias elevadas, o pensamento supera as paisagens lúgubres e as paixões dominantes no sensualismo, na ambição, na violência para extasiar-se na fraternidade, na solidariedade, no companheirismo, no amor vasto e vitalizador.

            Cada criatura, por isso mesmo é o que pensa, encarcerando-se em estruturas mentais sombrias ou libertando-se dos grilhões no rumo das claridades infinitas do Cosmo. Pensa mal, e mesmo que o disfarces, ficarás aprisionado, gozando de falsa liberdade até a queda nos hórridos conflitos...

 

Livro: ILUMINAÇÃO INTERIOR. Joanna de Ângelis (Espírito). Psicografia Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada Editora. 3ª ed. Salvador. BA. 2015. Págs. 125.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. CEAC. Guaraniaçu – PR. [email protected]

A IMPORTÂNCIA DO PENSAMENTO

            Meus amigos – começou a dizer o instrutor (Espírito que falava através da médium, Dona Celina), que nos acompanhava o trabalho a longa distância, - guardemos a paz que Jesus nos legou, a fim de que possamos servi-lo em paz.

            Em matéria de mediunidade, não nos esqueçamos do pensamento. Nossa alma vive onde se lhe situa o coração. Caminharemos, ao influxo de nossas próprias criações, seja onde for.

            A gravitação no campo mental é tão incisiva, quanto na esfera da experiência física.

            Servindo ao progresso geral, move-se a alma na glória do bem. Emparedando-se no egoísmo, arrasta-se, em desequilíbrio, sob as trevas do mal.

            A Lei Divina é o Bem de todos.

            Colaborar na execução de seus propósitos sábios é iluminar a mente e clarear a vida. Opor-lhe entraves, a pretexto de acalentar caprichos perniciosos, é obscurecer o raciocínio e coagular a sombra ao redor de nós mesmos.

            É indispensável ajuizar quanto à direção dos próprios passos, de modo a evitarmos o nevoeiro da perturbação e a dor do arrependimento.

            Nos domínios do espírito não existe a neutralidade. Evoluímos com a luz eterna, segundo os desígnios de Deus, ou estacionamos na treva, conforme a indébita determinação de nosso «eu».

            Não vale encarnar-se ou desencarnar-se simplesmente. Todos os dias, as formas se fazem e se desfazem. Vale a renovação interior com acréscimo de visão, a fim de seguirmos à frente, com a verdadeira noção da eternidade em que nos deslocamos no temp.

            Consciência pesada de propósitos malignos, revestida de remorsos, referta de ambições desvairadas ou denegrida de aflições não pode senão atrair forças semelhantes comuns às trevas.

            Pensamos, e imprimimos existência ao objeto idealizado.

            A resultante visível de nossas cogitações mais íntimas denuncia a condição espiritual que nos é própria, e quantos se afinam com a natureza de nossas inclinações e desejos aproximam-se de nós, pelas amostras de nossos pensamentos.

            Se persistirmos nas esferas mais baixas da experiência humana, os que ainda jornadeiam nas linhas da animalidade nos procuram, atraídos pelo tipo de nossos impulsos mentais que emitimos e projetando sobre nós os elementos de que se fazem portadores.

            Imaginar é criar. E toda criação tem vida e movimento, ainda que ligeiros, impondo responsabilidade à consciência que a manifesta. E como a vida e o movimento se vinculam aos princípios de permuta, é indispensável analisar o que damos, a fim de ajuizar quanto àquilo que devamos receber.

            Quem apenas mentalize angústia e crime, miséria e perturbação, poderá refletir no espelho da própria alma outra imagens que não sejam as da desarmonia e do sofrimento? Um viciado entre santos não lhes reconheceria a pureza, de vez que, em se alimentando das próprias emanações, nada conseguiria enxergar senão as próprias sombras...

            É da forja viva da ideia que saem as asas dos anjos e as algemas dos condenados...

            Nossos pensamentos geram nossos atos e nossos atos geram pensamentos nos outros...

 

Livro: NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE. André Luiz (Espírito), psicografia de Francisco Cândido Xavier. Federação Espírita Brasileira – FEB. 23ª ed. Rio de Janeiro – RJ. 1995. Pág. 117.

VENDA DE ÓRGÃOS HUMANOS

A vida humana é sagrada patrimônio que a Divindade oferece ao Espírito durante o seu necessário desenvolvimento. Rumando para angelitude, o período de humanidade já lhe constitui uma conquista de alto porte, abrindo-lhe ensejo para os voos mais audaciosos que lhe permitem a inteligência e o sentimento...

A beleza, a estética e a harmonia procedem do Espírito, que as exterioriza com função de enobrecimento. A sua utilização indevida para atendimento da sensualidade e do mercantilismo doentio gera  profundas dilacerações no invólucro modelador (o perispírito) que padece as descargas mentais exteriorizada para essa insensata finalidade que se deseja alcançar... Não estão inscritos nas Leis da Vida o sofrimento, a amargura, o desespero e todos esses processos de desestruturação da alegria de viver. Eles decorrem dos comportamentos agressivos que o Espírito se permite, desencadeando recursos haveis para a competente reparação. Tratam-se de metodologias reeducativas que são oferecidas para a conquista saudável dos valores elevados.

Cirurgias transformadoras dos órgãos genitais, implantes de substâncias encarregadas de alterar as formas físicas, trabalhando modelagens concordes com os padrões vigentes de elegância e de atração para o banquete exclusivo do prazer e da vaidade, constituem agressão às matrizes perispirituais que passam a sofrer os novos impositivos que se transferirão para o corpo. Os débitos morais não regularizados transformam-se em diferentes meios para a renovação e reparação dos erros cometidos...

Os procedimentos cirúrgicos alcançam na atualidade extraordinário momento de glória, quando se podem transplantar diversos órgãos saudáveis para facultarem o prosseguimento de reencarnações em perigo de encerramento... Vida quase fanadas umas, assinaladas outras por tormentos incomparáveis sob necessidades contínuas de hemodiálise, diversas em estertores angustiantes por processos leucêmicos, muitas sob os camartelos das disfunções cardíacas, queimaduras dolorosas e deformantes, bem como outros transtornos afligentes vêm recebendo, nos transplantes, esperanças de sobrevida e recuperação mesmo que temporária, minorando provações e modificando expiações sob as dádivas do amor de Deus através dos Seus missionários terrestres.

Não obstante, diante de tão grandiosa conquista, o materialismo e a indiferença pelos destinos dos demais seres humanos, vêm transformando o ministério salvador em mercantilismo vil, no qual verdadeiras máfias constituídas por profissionais médicos e outros exploradores da vida, exigem altas somas pelos órgãos que são retirados dos cadáveres sem a permissão dos seus familiares, ou que não foram concedidos pelos seus possuidores antes da morte, favorecendo apenas  aqueles que podem pagar os altíssimos estipêndios em detrimento de outros necessitados que ficam angustiados aguardando a sua vez em listas intermináveis, nem sempre atendidas conforme a ordem de espera.

Mais hediondos, ainda, são as condutas de criminosos desapiedados que sequestram crianças e jovens para o mercado de órgãos, assassinando-os cruelmente, sem qualquer sentimento de humanidade... Dia  virá, porém, não muito distante, em que os governos das Nações estabelecerão uma bioética severa para que sejam conduzidas as conquistas da ciência médica sempre em favor da humanidade, e as leis constituídas façam-se respeitadas sob graves impositivos...

 

Livro: AUTODESCOBRIMENTO UMA BUSCA INTERIOR. Joanna de Ângelis (Espírito) por Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada Editora. 16ª ed. Salvador. BA. 2008. Pág. 156.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. Sociedade Espírita Amor e Conhecimento, Guaraniaçu – PR.

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CONFLITOS

Em face dos tormentos que te afligem intimamente, e considerando as sucessivas quedas daqueles que supunhas livres das tentações, sentes que pesado fardo te amesquinha ameaçando os teus melhores anseios.

Ante a carreira louca dos que se atiram, vorazes, ao prato dos prazeres condimentados com leviandade, experimentas angústia sem nome, atormentando-te interiormente.

Considerando o aplauso que estruge quando passam aqueles  que dilapidam o patrimônio alheio, recolhes-te a interiorização amargurosa, conjecturando quanto à nulidade dos teus esforços por ater-te à honra. Diante dos que se agigantam no conceito de todos, por meios pouco recomendáveis, sofres o acicate da soledade, que te segue, na prática da retidão...

Em todo lugar encontras desajustes e constatas a benevolência de todos para com os que tombam moralmente e se levantam na balança financeira. Verificas, desalentado, que os teus melhores esforços são recebidos com sarcasmo e, comparando tuas lutas sofridas com as vitórias fáceis dos que seguem na multidão, sem esforço, acumulas no âmago da alma desalento vigoroso que te parece aniquilar.

Conflitos em toda parte.

Conflitos nos painéis do espírito, inquietando-te, zombando das tuas aspirações.

Levanta, porém, os olhos e segue a direção da luz.            Desembaraça os pés do cipoal da dúvida e esbordoa as trevas envolventes, avançando com segurança.

Muitos que te parecem felizes, em verdade não o são. Desconheces-lhes o tributo oculto, em moedas de continuado esforço, para manterem a taça de aparência referta das frivolidades da ilusão.     Alguns escutam os discretos apelos do bem e não se podem desenovelar dos compromissos em que se emaranharam, e sofrem...

Sofrem outros por se conhecerem como são...

O país de cada espírito é região difícil para aventureiros que desejam conquistá-lo.

Cada ser é o que vive intimamente.

Por esse motivo, a desencarnação é viagem inevitável para o tribunal da consciência e a Revelação Espírita, através da mediunidade, apresenta dramas e personagens que parecem emergir das páginas mais ricas da ficção literária...

Não te preocupes, pois, com os que transitam no poder e no triunfo aparente, senão quando chamado a ajudá-los.

Recobra a serenidade e aprende a lição do tempo precioso. Trabalha e serve sem esmorecimento, harmonizando desejos e aspirações à mensagem espírita-cristã, continuando robusto nas linhas do dever que abraças...

Insignificante partícula de fuligem encerra simetria harmoniosa e perfeita, expressando a sapiência do Criador. Valoriza o bem que possas fazer e faze-o quanto e quando possas fazê-lo.

As criaturas são experiências no laboratório da evolução

Não te detenhas nelas, examinando-as, comparando-as...

Com afabilidade e doçura Jesus atendeu a quantos o buscaram, convivendo entre os humildes e sofredores, sem esquecer os que se detinham na opulência e na fortuna...

Livro: DIMENSÕES DA VERDADE. Joanna de Ângelis (Espírito), psicografia de Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada Editora. 2ª ed. Salvador. BA. 1977. Pág. 174.

 

INIMIGOS DO ESPIRITISMO

(Prefácio da Prece pelo Inimigos do Espiritismo)

Bem-aventurados os famintos de justiça, porque serão saciados.

Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos céus... (São Mateus, 5:6)

De todas as liberdades, a mais inviolável é a de pensar, que abrange a de consciência. Lançar alguém excomunhão sobre  os que não pensam como ele e, reclamar para si essa liberdade e negá-la aos outros, é violar o primeiro mandamento de Jesus: A caridade e o amor do próximo. Perseguir os outros, por motivos de suas crenças, é atentar contra o mais sagrado direito que tem todo o homem, o de crer no que lhe convém e de adorar a Deus como o entenda. Constrangê-los a atos exteriores semelhantes aos nossos é mostrarmos que damos mais importância à forma do que ao fundo, mais às aparências do que à convicção. Nunca a abjuração forçada deu a quem quer que fosse a fé; apenas pode fazer hipócritas. É um abuso da força material, que não prova a verdade. A verdade é senhora de si: convence e não persegue, porque não precisa perseguir.

O Espiritismo é uma opinião, uma crença; fosse até uma religião, por que se não teria a liberdade de se dizer espírita, como se tem a de se dizer católico, protestante, ou judeu, adeptos de tal ou qual doutrina filosófica, de tal ou qual sistema econômico? Essa crença é falsa, ou é verdadeira. Se é falsa, cairá por si mesma, visto que o erro não pode prevalecer contra a verdade, quando se faz luz nas inteligências. Se é verdadeira, não haverá perseguição  que a torne falsa.

A perseguição é o batismo de toda ideia nova, grande e justa e cresce com a magnitude e a importância da ideia. O furor e o desabrimento dos seus inimigos são proporcionais ao temor que ela lhes inspira. Tal a razão por que o Cristianismo foi perseguido outrora e por que o Espiritismo o é hoje, com a diferença, todavia,  de que aquele o foi pelos pagãos, enquanto o Espiritismo o é por cristãos. Passou o tempo das perseguições sangrentas, é exato; contudo, se já não matam o corpo, torturam a alma, atacam-na até nos mais íntimos sentimentos, nas suas mais caras afeições. Lança-se a desunião nas famílias, excita-se a mãe contra a filha, a mulher contra o marido; investe-se mesmo contra o corpo, agravando-se-lhe as necessidades materiais, tirando-lhe o ganha-pão, para reduzir pela fome o crente...

Espíritas, não vos aflijais com os golpes que vos desfiram, pois eles provam que estais com a verdade. Se assim não fosse, deixar-vos-iam tranquilos e não procurariam ferir. Constitui uma prova para a vossa fé, porquanto é pela vossa coragem, pela vossa resignação e pela vossa paciência que Deus vos reconhecerá entre os que seus servidores fiéis, a cuja contagem ele hoje procede, para dar a cada um a parte que lhe toca, segundo suas obras. A exemplo dos primeiros cristãos, carregai com altivez a vossa cruz. Crede na palavra do Cristo, que disse: “Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, que deles é o reino dos céus. Não temais os que matam o corpo, mas que não podem matar a alma”. Ele também disse: “Amai os vossos inimigos, fazer bem aos que vos fazem o mal e orai pelos que vos perseguem”. Mostrai que sois seus verdadeiros discípulos e que a vossa doutrina é boa, fazendo o que ele disse e fez.

A perseguição pouco durará. Aguardai com paciência o romper da aurora, pois que já rutila no horizonte a estrela d’alva.

Do Livro: O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO. Allan Kardec. Federação Espírita Brasileira. Rio – RJ. 11ª Ed. 1989.

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