Espírita - Manoel Ataides
Apelo em favor dos animais

Aos que veem luzes nestas letras, que traçam a estrada da Evolução Espiritual, e não se acham mas escravizados pelo “gênio do mundo”, à erva que seduz, às flores que encantam, tenham compaixão dos pobres animais, não os espanquem, não os maltratem, não os repudiem (não os escorracem)!

                Lembrem-se, amigos, que o Pai, em sua infinita misericórdia cerca-nos de carinhos, e, prevendo a deficiência de seus Espíritos infantis, lhes dá fartas colheitas sem a exigência de que semeiem ou plantem: prados cobertos de ervas e flores odorosas, bosques sóbrios, planícies e planaltos, onde não faltam os frutos da vida; rios, lagos e mares, por onde se escoam os raios do Sol, a luz da Lua, o brilho das estrelas!

                Sejam bons para com os seus irmãos inferiores, como desejam que o Pai Celestial lhes cerque de carinho e amor.

                Não encerrem em gaiolas os pássaros que Deus criou para povoarem os ares, nem armem ciladas aos animais que habitam as matas e os campos (o que resta deles).

                Renunciem às caçadas, diversão vil das almas baixas, que se alegram com os estertores das dores alheias, sem pensar que poderão também vir a ter dores angustiosas, e que, nesses momentos, em vez de risos e alegria, precisarão de bálsamo e misericórdia...!

                Homens! Tratem bem os seus animais, limpem-nos, curem-nos, alimentem-nos fartamente, deem-lhes descanso, folga no serviço, porque são eles que os ajudam na vida, são eles que os auxiliam na manutenção de suas famílias, na criação de seus filhos.

                Acariciem seus animais - de estimação – deem-lhes remédio na enfermidade, tratamento, liberdade e repouso na velhice.

                Não sobrecarreguem os animais que os servem como fazem com as pessoas os escribas e fariseus, impondo-lhes pesados fardos que eles “nem com a ponta do dedo os querem tocar.”!

                Lembrem-se que os animais são seres vivos, que sentem, que se cansam, que têm força e inteligência limitadas, e que finalmente pensam, e que em limitada linguagem acusam  a sua impotência, a sua fadiga irreparável aos golpes com são oprimidos.

                A MANIFESTAÇÃO DE UM CÃO

                A imprensa de além-mar – “Morning Post (1938)” nestes últimos anos se tem ocupado muito dos “fenômenos psíquicos”, porque parece serem eles o assunto predileto dos leitores (daquele tempo). Jornais europeus, de grande tiragem, bem como a imprensa americana, que tira mais de um milhão de exemplares, na edição da manhã, e mais ou menos na edição da noite, todos se referem... a esse fenômeno que vem chamar a atenção para a imortalidade da alma.

“Uma senhora ficou muito triste com a morte do seu cão. Na noite seguinte ela vê o cão aproximar-se de seu leito. Na outra noite, o cachorrinho apareceu ainda, mas desta vez acompanhado por um cão d’água*.  Ora esta senhora habita uma casa alugada. E indo visitar seus proprietários, ela conta-lhes esta história; então, eles pedem-lhe que descreva o outro cão que ela vira... satisfeito o pedido, eles dizem: - É justamente o nosso pequeno cão; ele morreu quando habitávamos a casa, e foi enterrado no jardim! A locatária ignorava completamente os detalhes retrospectivos”.

                É outro caso bem interessante de dupla manifestação, com dupla identidade, de dois cães mortos. Se não houve alma no cão, como poderia ele aparecer depois de morto?

 

Livro: GÊNESE DA ALMA. Cairbar Schutel.  Casa Editora o Clarim. Matão - SP. 6ª Ed. 1982.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza - Sociedade Espírita Amor e Conhecimento. Guaraniaçu – PR [email protected]

Educação dos impulsos afetivos

            Lamentavelmente, são imensas as multidões que se precipitam nos pauis de infortúnios, desesperação e dores, a partir dos desassossegos que os impulsos afetivos mal conduzidos lhes impõem...

            É comum um dos parceiros, mais costumeiramente o elemento masculino, quando não devidamente orientado, lançar-se aos exageros e ansiedades pelo prazer que a sexualidade oferece, sem qualquer consideração pelo outro coração.

            Desrespeitando os períodos de enfermidade, ou do ciclo ovulatório da companheira, alegando que carregam necessidades que precisam de inadiável atendimento, e, quando não contam com a anuência do outro ser, ou quando a situação, de fato, não aconselha a expansão do prazer libidinal, partem esses atordoados dos sentidos para experiências comprometedoras fora do clima doméstico, criando dificuldades ou dramas afetivos para sofrê-los durante um tempo imprevisível...

            Desconhecem que os Espíritos que renascem em corpos de homens ou de mulheres são os mesmos, caldeando experiências, com vistas à renovação e ao progresso urgentes.

            Dessa forma, esses Espíritos imprimirão em seus circuitos neurológicos, em sua estrutura somática, as descargas de sentimentos, de desejos, de harmonias ou desarmonias que estejam trazendo na bagagem da alma, de tempos remotos ou próximos, de conformidade com as rotas de maior ou menor equilíbrio que tenham vivido...

            O mais importante, na relação do casal, é o nível de ternura, de amizade, de bem-querer, de respeito, de confiança que hajam desenvolvido na vida em comum, tanto que a inter-relação meramente fisiológica pode ser conseguida com qualquer outro ser, mas o complemento nutriente, que com confere saúde, encantamento pela vida e paz, somente se consegue obter quando os corpos que se unem servem a almas que se amam num quadro de dedicações recíprocas...

            Uma educação bem fundamentada nos princípios das leis de Deus, onde cada criatura passa a refletir sobre sua condição de ser perene, de ser eterno, porque de uma realidade atemporal, conduzirá os parceiros da conjunção sexual a reconsiderar sempre as suas relações no mundo, usufruindo as bênçãos da libido bem norteada, sem perder o passo das finalidades desse sublime prazer no mundo, prazer que não deve nem necessita ser conspurcado, adulterado, prostituído, tornando-se, nesse estuário harmonioso, a quota de divindade que há em cada criatura...

            Busca descobrir no outro coração, que partilha as lutas diárias contigo, a alma querida com a qual guarda compromissos formosos, desde passados tempos, ou com quem deverás ressarcir difíceis problemas produzidos nos tempos da loucura ou do descompasso moral...

            Educa-te e ajuda a quem compartilha afetividade contigo, a fim de que ambos se libertem, gradualmente, do império da sensação, fazendo com que as mais felizes emoções superem as tormentas da carne e te façam vitorioso com a alma que te merece terna atenção, confiança, dedicação, em nome do Amor, que é o próprio Deus a respirar por ti.

 

Livro: EDUCAÇÃO E VIVÊNCIAS. Camilo (Espírito), psicografia de José Raul Teixeira. Fráter Livros Espíritas.  Niterói – Rio de Janeiro – RJ. 3ª Ed. 2004. Pág. 81-84

O que Deus quer

As costumeiras expressões populares trazem, muitas vezes, no seu íntimo, contradições, incoerências e outras figuras que não condizem com a correta postura para os seres.

                Dentre as várias expressões, que arrolamos nessa condição, achamos: “Deus me vingará...”; “Confio na ira divina...”; “Devemos temer a Deus”, etc. Mas uma delas servirá para as reflexões pretendidas no momento. É a que a maioria utiliza perante quaisquer realizações ou pretensões de realização: “Se Deus quiser...”.

                Se Deus quiser, viajaremos; se Deus quiser, compraremos; se Deus quiser fulano há de pagar pelo que fez...; hei de ver o seu fim, se Deus quiser...

                Embora a beleza da expressão que dá a entender que o ser humano se dobra perante a sabedoria absoluta do Criador, há incoerências e inconsistências dignas de nota.

                Como admitir que realizaremos alguma coisa sem que nos achemos na pauta do equilíbrio e do bem, e que Deus nos possa chancelar as atitudes?

                Como pensar que o mal se deseje a alguém  que caiu em desgraça em nossa consideração terá o aval do Pai da Vida?

                De que modo o espírito perdulário, ou a ansiedade por comprar desbragadamente ou a ideia de consumo sem limites, pode receber o auxílio do nosso Criador?

                Como entender que as posturas mesquinhas, ditadas por mágoas ou pelo orgulho ferido, possam fazer parte dos interesses do Pai do Céu?

                Essa forma de ver e de pensar, ou seja, quando passamos a crer que tudo o que se faz é porque Deus o quis ou porque Deus o quer, indicará a faixa de imaturidade em que se acham os indivíduos, sem a mínima reflexão a respeito da grandiosidade de Deus sobre as coisas e os seres, no seio do infinito.

                Bom seria se, de fato, o que cada alma realizasse na vida fosse a vontade de Deus, representasse o que Deus deseja de nossas posturas. Bom seria!

                Se Deus quiser, ainda conseguiremos alcançar a madureza intelectual e moral, de modo a valorizarmos a vida terrena, recebendo a vontade do Senhor com harmoniosa resignação. Aí, então, é compreensível que Deus o queira. Deus o quer de fato.

                Se Deus quiser, trabalharemos para plasmar tempos melhores no mundo, aprendendo a dar a César o que é dele e a Deus o que a Ele pertence. Indubitavelmente, Deus o quer.

                No entanto, em nenhuma hipótese a expansão da sombra, do erro e do mal obteria o apoio do Senhor para sua implementação. Sempre que alguém o realize, obtendo ou não qualquer êxito, isto significa o respeito da Divina Vontade ao livre-arbítrio humano, mas tudo ficará inscrito na pauta das causas e efeitos. Vemos que nem sempre é Deus que programa as ocorrências, mas é sempre Ele que o permite, acatando os exercícios indispensáveis para que aprendamos a bem utilizar o nosso livre-arbítrio.

                É por esse respeito dos Céus aos pendores humanos, na romagem evolutiva em que se veem os indivíduos, que o Senhor permite que se atirem nas valas da autodestruição, dos homicídios, do alcoolismo, da drogadição. É por meio dessas experiências frustradas que os humanos vão aprendendo, gradualmente, a bem utilizar a sua capacidade de fazer escolhas.

                É assim que Deus acompanha os movimentos trôpegos da calúnia, das traições, da fuga dos deveres, da perturbadora sanha da mentira, mundo afora.

                Nada disso ocorre porque Deus o deseje, mas porque Ele concede a cada um dos Seus filhos o tempo para crescimento, para o amadurecimento, a fim de tudo entender, na gradualidade correspondente à evolução de cada um.

                Deus quer que nos enriqueçamos com valores do intelecto e do coração, de modo a galgarmos os caminhos da plena renovação. Nós todos o conquistaremos, um dia porque Deus o quer.

 

Livro: EM NOME DE DEUS. José Lopes Neto (Espírito), psicografia de José Raul Teixeira. Fráter Livros Espíritoas.  Niteroi – Rio de Janeiro – RJ. 1ª Ed. 2007. Manoel Ataídes Pinheiro de Souza - Sociedade Espírita Amor e Conhecimento, Guaraniaçu – PR [email protected]

OBSERVAÇÕES

Quase todos os que se abeiram das atividades espíritas estimariam o desenvolvimento rápido das faculdades psíquicas de que são portadores e, por vezes, quando não atendidos, padecem nocivo arrefecimento de ideal.

                Esmaece o fervor dos primeiros contatos com a fé, porque o propósito fixo de surpreender o milagre transforma-se neles em aflitiva obsessão.

                Contudo, há singularidade no assunto, que não podemos menosprezar.

                Que seria da ordem e do equilíbrio dos serviços terrestres, se a totalidade das criaturas, instruídas ou não, se pusessem a investigar quanto à vida nos outros mundos?

                Toda colheita exige preparação e sementeira.

                Imaginemos um avião moderno, perfeitamente equipado, sobrevoando pacífico vilarejo do século XIV, sem aviso prévio. Que lucraria a ciência náutica, de imediato, senão espalhar o terror? Que recompensa adviria, em nosso favor, se constrangêssemos uma taba indígena a ouvir um concerto de Paganini, sem oferecer-lhe os rudimentos da educação musical?

                O progresso, como a luz, precisa graduar-se para não ferir os cegar as pupilas que o contemplam.

                Compreendamos, acima de tudo, que a existência não é fenômeno que se articula à revelia dos grandes responsáveis da evolução.

                A liberdade do homem ainda está longe de atingir os princípios cósmicos que nos presidem os destinos.

                A inteligência humana interferirá nos domínios da matéria densa, alterando o que pode ver; todavia, jaz extremamente distante das regiões do espírito puro, onde se guarda o controle das Leis Universais.

                Desdobrando novos painéis da vida, diante da mente sequiosa de conhecimento e renovação, não é o mundo espiritual que deve descer para o homem e sim o homem que precisa elevar-se ao encontro dele.

                E semelhante ascensão não será simples serviço da mediunidade espetacular. É obra de sublimação interior, gradativa e constante, sobre os alicerces do bem, ao alcance de todos.

                As portas do tesouro psíquico estão vigiadas com segurança.

                A direção de uma central elétrica não pode ser confiada às frágeis mãos de um menino.

                Como conferir, de improviso, ao primeiro candidato à prosperidade mediúnica a chave dos interesses fundamentais e particulares de milhões de almas, colocadas nos mais variados planos da escala evolutiva?

                Naturalmente que as grandes responsabilidades não são inacessíveis, mas a criança precisa crescer para integrar-se em serviços complexos; e o colaborador iniciante, em qualquer realização, necessita do tempo e do esforço a fim de converter-se em auxiliar prestimoso.

                Nos problemas de intercâmbio com a esfera superior, desse modo, antes do progresso medianímico, há que considerar o aprimoramento da personalidade para melhor ajustar-se à obra de perfeição geral.

                O grande rio, sem leito adequado, ao invés de correr, beneficiando a paisagem, encharca o solo, transformando-o em pântano letal.

                A ponte quebradiça não suporta a passagem das máquinas de grande porte.

                A mediunidade, como recurso de influenciar pra o bem, não se manifesta sem instrumento próprio.

                Só o grande amor pode compreender as necessidades de todos. Só a grande boa vontade pode trabalhar e aprender incessantemente para servir sem distinção.

                Antes de nos mediunizarmos, amemos e eduquemo-nos. Somente assim, receberemos das ordenações de mais alto o verdadeiro poder de ajudar.

 

Livro: ROTEITO. Emmanuel. (Espírito). Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Federação Espírita Brasileira. FEB. Rio de Janeiro – RJ. 13ª ed. 2008.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. Sociedade Espírita Amor e Conhecimento, Guaraniaçu – PR.

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O CASTIGO E O MILAGRE

                “Nessa mesma ocasião vieram alguns dar-lhes notícias dos galileus, cujo sangue Pilatos misturara com o dos sacrifícios que eles ofereciam. Disse-lhes Jesus: Cuidais que esses foram maiores pecadores do que todos os outros galileus, por haverem sofrido essas coisas? Não, eu vo-lo digo; mas se não vos arrependerdes, todos perecereis do mesmo modo. Ou cuidais que aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, foram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não eu vo-lo digo; mas se não vos arrependerdes, todos perecereis semelhantemente.” (Lucas XII, 1-5).

                “Saíram os fariseus e começaram a discutir com ele procurando obter dele um sinal do Céu, para o experimentarem. Ele, dando um profundo suspiro em espírito, disse: Por que pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo que a esta geração nenhum sinal será dado. E deixando-os, tornou a embargar e foi para o outro lado.” (Marcos, VIII, II-13)

               

                O espírito sectário não tem senso íntimo, sua religião é fundada no castigo e no milagre.

                Indivíduos são canonizados porque fazem milagres!

                Indivíduos são excomungados porque um castigo dos Céus vitimou!

                O raio é um instrumento da “vingança divina”, os desastres são promovidos “por Deus” para castigar os herejes. Há santos canonizados pela virtude dos seus dons psíquicos e outros indivíduos excomungados por serem portadores dos mesmos dons.

                Hoje, como ontem, “galileus” que morrem sob torres de Siloé são cheios de pecados, e “galileus” que vivem sobre torres de Siloé são cheios de virtude.

                Têm boa casa, bons carros, ricas joias, bons vestuários, bons manjares; são “escolhidos de Deus” e vivem num paraíso, que lhes foi doado pelos Céus, onde têm influência capaz de movimentar a Terra! Enquanto os modestos, os humildes, os simples que mourejam na vida para cumprir seus deveres são heréticos (infiéis), desprezados pela Divindade, sem noção do bem, do belo, da justiça, da Religião.

                Um filho do povo agita-se e fala, movido pelo espírito: é um louco, embora suas palavras sejam de amor e de justiça; uma pessoa religiosa cai em estado convulsivo com o corpo cheio de estigmas: é uma santa! As notícias voam! (Milagre!).

                Ó Senhor! Onde está o domínio da tua Lei, poder da tua Verdade!

                “Os temos de transformação, e o Espírito aí está, acelerando a ação da Verdade. Breve o mundo se libertará do castigo e do milagre.”

                O senso humano é de tal modo frágil, e tem sofrido, além de tudo, tão dura pressão, que mal entrevê, em meio dos grilhões que ainda o prendem, os influxos da Verdade que nunca abandonaram a Humanidade. Daí as imagens desnaturadas pela miopia dos “videntes” e traduzidas em castigo e milagre!

                O sobrenatural, sob todos os pontos de vista, tem aterrorizado a Humanidade, venha ele em forma de castigos, venha em forma de milagres. E o senso íntimo está tão impregnado de sobrenatural que não pode dispensar castigos, nem excluir milagres!

                Aos dezoito galileus que pereceram não faltou a crença no castigo, que lhes viesse cobrar os pecados que deviam; a Jesus, depois de tantos feitos gloriosos, os judeus pediam milagres, para reforçarem a sua crença esdrúxula e ignorante, sem sanção da razão, sem consentimento do coração, sem o apoio de fatos!

                Fez bem Jesus em não ouvir aquela geração extraviada e endurecida, que insistia em permanecer na larva da ignorância em que vivia.

 

Livro: O ESPÍRITO DO CRISTIANISMO. Cairbar Schutel. Casa Editora O Clarim – Matão SP. 6ª ed. 1980. Pág.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. Sociedade Espírita Amor e Conhecimento, Guaraniaçu – PR.

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O SUBLIME AMOR DO CRISTO

“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” (Jesus. Lucas, 23:34).

                Por demais comovente foi o cântico derradeiro de Jesus, no topo da montanha, antes de deixar o corpo pregado no madeiro, pedindo perdão a Deus pelos agressores.

                Profundamente grave a constatação do Cristo a respeito da inconsciência imperante nos que O feriam de morte.

                Ainda hoje, vinte séculos transcorridos do drama do Calvário, enormes grupos de almas humanas seguem agindo e reagindo na vida, sem saber, ao certo, o que fazem e por que o fazem.

                Se pensarmos naqueles que estão enriquecendo, materialmente, graças à exploração das drogas, da sexolatria, da criminalidade, em cujo cenário de horror tombam crianças, jovens, homens mulheres, inexperientes uns, desesperados alguns, espertalhões vários, será que sabem o que fazem?

                Será que imaginam que terão o dever de se reestruturar e, juntamente, reerguer do caos moral, dos vícios perniciosos ou da loucura devastadora todos esses que, hoje em dia, lucram, sofrem e se submetem como verdadeiros zumbis inconscientes?

                Não, não imaginam, é bem certo. Se tivessem a mínima percepção da gravidade de sua prática, não o fariam...

                Se pensarmos nestes que se glorificam no mundo, recheando suas contas bancárias com o dinheiro desviado do leite destinado à infância pobre, da saúde do povo necessitado, da moradia dos que vivem ao relento, do remédio das massas enfermas, da escola de tantos analfabetos, do transporte dos que se demoram a pé, do lazer dos que se desgastam trabalhando duro, será que estão sabendo o que fazem?

                Será que sonham sequer, com o tempo de devolver, moeda por moeda, ceitil por ceitil, conforme os textos bíblicos, aquilo que usurparam, cínica e friamente, nos dias do seu meteórico poder?

                Não, não sonham, é fácil convir. Caso tivessem o mínimo vislumbre do mal que espalham com seu espírito tão materialista quanto imediatista, e do bem que terão que plantar, por certo não o fariam.

                Se considerarmos esses que, intelectualmente atilados, se utilizam no nome de Deus e dos ensinos de Jesus Cristo a fim de submeter consciências, de exercer cobarde domínio sobre os que pensam pouco, conseguindo criar terrível exército de fanáticos, capazes de quaisquer violências e barbarismos, em nome Daquele que ensinou e viveu o amor, o perdão e a paz, será que sabem o preço de sua conduta?

                Se evocarmos esses mesmos que fomentam ódios entre diversas ovelhas de Jesus, convertendo-as em lobos terríveis, apregoando falso domínio da verdade absoluta, que só o Criador possui, quando Jesus orientou para que amássemos os próprios inimigos e orássemos pelos perseguidores e caluniadores, será que têm ideia do que estão fazendo?

                Será que em algum momento lhes passa pela mente o mal que fazem a essas almas que, sofrendo tais processos cruéis de lavagem mental, são mantidas em franca fascinação, quando são capazes de querer comprar supostas regalias celestes com as somas em dinheiro, que põem nas mãos de temíveis despachantes da esperteza?

                Será que supõem que terão necessidade de reconstruir a verdadeira confiança em Deus e no Cristo nessas almas que desavisadas, a perderam? Será que cogitam de um reencontro com essas pessoas, após a morte do corpo, principalmente quando elas praticaram suicídio, homicídio ou criaram desnaturados tormentos no íntimo, e que elas lhes cobrarão o céu que não encontrarão, já que o ensinamento de Jesus é o que o reino dos céus não tem aparências externas, mas está dentro de cada um?...

                Como vemos, o eco da voz do Celeste Guia, nascida no alto do Gólgota, encontra sentido ante os ouvidos do Pai Celeste, pois muitos dentre nós, na posição materialista e ateísta de conquistar vitórias materiais definitivas num mundo transitório, ferem, exploram, amedrontam, usurpam, corrompem, mentem, desnaturam, e sorriem, dando-se por triunfantes, exatamente porque não sabem o que fazem...

 

Do Livro: QUEM É O CRISTO? Camilo (Espírito). Psicografia de José Raul Teixeira. Niterói RJ. Fráter Livros Espíritas. 3ª Ed. 2008.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza, Sociedade Espírita Amor e Conhecimento Guaraniaçu PR. [email protected]

 

ESCLARECIMENTO

Quando alinhamos nossas despretensiosas anotações acerca de Nosso Lar, relacionando a nossa alegria diante da Vida Superior, muitos companheiros inquiriram espantados> - “Afinal, o que vem a ser isso? Os desencarnados olvidam assim a paragem de que procedem? Se as almas, em se materializando na Terra, chegam do mundo espiritual, por que as exclamações excessivas de júbilo quando para lá regressam, como se fossem estrangeiros ou filhos adotivos de nova pátria?”.

            O assunto, simples embora, exige reflexão.

            E é necessário raciocinar dentro dele, não em termos de vida exterior, mas de vida íntima.

            Cada criatura atravessa o portal do túmulo ou transpõe o limiar do berço, levando consigo a visão conceptual do Universo que lhe é própria.

            Almas existem que varam dezenas de reencarnações sem a menor notícia da Espiritualidade Superior, em cuja claridade permanecem como hibernadas, na condição de múmias vivas, já que não dispões de recursos mentais para o registro de impressões que não sejam puramente de ordem física.

            Assemelham-se, de algum modo, aos nossos selvagens, que, trazidos aos grandes espetáculos da ópera lírica, suspiram contrafeitos pela volta ao batuque (da tribo).

            E muitos de nós, como tantos outros, em seguida a romagens infelizes ou semicorretas, tornamos do mundo às esferas espirituais compatíveis com a nossa evolução deficiente, e, além desses lugares de purgação e reajuste, habitualmente somo conduzidos por nossos Instrutores e Benfeitores para ensaios de sublimação a círculos mais nobres e mais elevados, nos quais nem sempre nos mantemos com o equilíbrio desejável, já que nos achamos saudosos de contato mais positivo com as experiências terrestres.

            Agimos, então, como alunos inadaptados de Universidade venerável, cuja disciplina nos desagrada, por guardarmos o pensamento na retaguarda distante, ansiosos de comunhão com o ambiente doméstico, em razão do espírito gregário que ainda prevalece em nosso modo de ser.

            Como é fácil observar, raras Inteligências descem, efetivamente, das esperas divinas para se reencarnarem na esfera física.

            Todos alcançamos as estações do berço e do túmulo, condicionando nossas percepções do mundo externo aos valores mentais que já estabelecemos para nós mesmos, porque todos nos ajustamos, bilhões de encarnados e desencarnados, a diferentes faixas vibratórias de matéria, guardando, embora, o Planeta como nosso centro evolutivo, no trabalho comum.

            Desse modo, a mais singela conquista interior corresponde para a nossa alma a horizontes novos, tanto mais amplos e mais belos, quanto mais bela e mais ampla se faça a nossa visão espiritual.

            Construamos, pois, o nosso paraíso por dentro.

            Lembremo-nos, pois, que os grandes culpados que edificaram o inferno, em que debatem, respiram o ambiente da Terra – da Terra que é um santuário do Senhor, evolutindo em pleno Céu.

            Nosso ligeiro apontamento em torno do assunto destina-se, desse modo,  igualmente a reconhecermos, mais uma vez, o acerto e a propriedade da palavra de Nosso Divino Mestre, quando nos afirmou, convincente: - “O Reino de Deus está dentro de nós.”.

 

Do Livro: VOZES DO GRANDE ALÉM. Diversos Espíritos. André Luiz (Espírito). Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Federação Espírita Brasileira. Rio de Janeiro – RJ. 3ª Ed. 1982. Pág. 55

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza, Sociedade Espírita Amor e Conhecimento Guaraniaçu PR. [email protected]

EDUCAÇÃO E VIDA

Sem o seu concurso, o da educação, o ser humano retorna ao primarismo de que se vem libertando no curso dos renascimentos carnais.

                Poderosa alavanca para o progresso espiritual, constitui-se o mais eficiente recurso moral para a edificação do ser humano. Confundida com a instrução, ainda não foi compreendida no sublime objetivo de que se faz mensageira.

Acreditam alguns estudiosos que o ser humano é as suas  heranças ancestrais, que nenhuma educação consegue modificar.

                Outros, menos pessimistas, asseveram que a mente infantil é uma folha de papel em branco, na qual se escreverão os atos, as informações que lhe irão nortear o destino.

                Nada obstante a valiosa contribuição de educadores notáveis do passado, a iniciar-se por João Comenius, prosseguindo pelo eminente Rousseau e adquirindo relevância em Pestalozzi, foi Allan Kardec aquele que, sintetizando as sábias lições desses predecessores, demonstrou, através da reencarnação, a excelência do labor educativo...

                Educadores vinculados a programas políticos, no entanto, preocupam-se mais com as estatísticas a respeito da alfabetização, descuidando as bases morais da educação, que exige espírito de abnegação e cuidados especiais. Apresentam dados falsos de pessoas alfabetizadas, que mal conseguem ler e escrever, dando uma imagem que não corresponde à realidade de uma sociedade educada...

                A violência, a agressividade que irrompem em perversidade cruel por toda parte, atestam a falência da educação nos institutos onde parece funcional, e especialmente no lar, no qual se formam a cidadania e a dignidade do ser humano.

                Em seu lugar, o descaso dos pais irresponsáveis em conviver com os filhos, relegando a tarefa que lhes cabe a servidores remunerados, a fim de disporem de tempo para mais prazeres, para a aquisição de recursos que oferecem aos filhos, em mecanismos de fuga psicológica para não se darem eles mesmos...

                Como consequência, o imediatismo das sensações, repercutindo na promiscuidade sexual, na drogadição, nos estertores dos transtornos psicológicos, domina crianças e jovens, assim como incontáveis adultos, em lamentável desestruturação que se reflete numa sociedade indiferente pelo sofrimento do próximo, que vive medrosa e inquieta.

                A solução do grave problema repousa na aplicação dos tesouros ainda desconhecidos da educação moral pelo exemplo, através da autoeducação, das lições vivas na conduta edificante.

                Enquanto permanece a preocupação com a instrução, com os métodos tecnológicos de preparação do indivíduo para o triunfo social, para ganhar dinheiro, e não para a autorealização, os desastres sociais caracterizarão a cultura que se estiola numa civilização competitiva, egoísta e cínica, rica de coisas e pobre de sentimentos elevados. Para tal cultura, o ser humano vale pelo que possui e acumula exteriormente, não pelos valores de enobrecimento e dignidade pessoal, desse modo limitando a vida ao breve espaço berço-túmulo...

                Como afirma Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, parte 3ª, Capítulo X, item 872: Cabe à educação combater as más tendências. Fá-lo-á utilmente, quando se basear no estudo aprofundado da natureza moral do homem. Pelo conhecimento das leis que regem essa natureza moral, chegar-se-á a modificá-la, como se modifica a inteligência pela instrução e o temperamento pela higiene.

                Não foi por outra razão que Jesus permitiu-se o título de Mestre, em reação de ser o educador sublime, que lecionou o amor como essencial à vida e o dever como diretriz de segurança para o progresso, assim como fator de equilíbrio para a aquisição da felicidade...

 

Livro: LIBERTAÇÃO DO SOFRIMENTO. Joanna de Ângelis (Espírito), psicografia de Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada Editora. Salvador. BA. 2008.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. Sociedade Espírita Amor e Conhecimento, Guaraniaçu – PR.

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O EVANGELHO E O FUTURO

Um moderno escorço da História faz entrever os laços eternos que ligam todas as gerações  nos surtos evolutivos do planeta.

            Muita vez, o palco das civilizações foi modificado, sofrendo profundas renovações nos seus cenários, mas os atores são os mesmos, caminhando, nas lutas purificadoras, para a perfeição daquele que é a luz do principio.

            Nos primórdios da humanidade, o homem terrestre foi naturalmente conduzido às atividades exteriores, desbravando o caminho da natureza para a solução do problema vital, mas houve um tempo em que a sua maioridade espiritual foi proclamada pela sabedoria da Grécia e pelas organizações romanas.

            Nessa época, a vinda do Cristo ao planeta assinalaria o maior acontecimento para o mundo, uma vez que o Evangelho seria a eterna mensagem do Céu, ligando a Terra ao reino luminoso de Jesus, na hipótese da assimilação do homem espiritual, com respeito aos ensinamentos divinos. Mas a pureza do Cristianismo não conseguiu manter-se intacta, tão logo regressaram ao plano invisível os auxiliares do Senhor, reencarnados no globo terrestre para a glorificação dos tempos apostólicos.

            O assédio das trevas avassalou o coração das criaturas.

            Decorridos três séculos da lição santificante de Jesus, surgiram a falsidade e a má-fé adaptando-se às conveniências dos poderes políticos do mundo, desvirtuando-se-lhe todos os princípios, por favorecer doutrinas de violência oficializada.

            Debalde enviou o divino Mestre seus emissários e discípulos mais queridos ao ambiente das lutas planetárias. Quando não foram trucidados pelas multidões delinquentes ou pelos verdugos das consciências, foram obrigados a capitular diante da ignorância, esperando o juízo longínquo da posteridade...

            É por esse motivo que, ao lado dos aviões poderosos e da radiofonia (internet) que ligam todos os continentes e países da atualidade, indicando os imperativos das leis da solidariedade humana, vemos o conceito de civilização insultado por todas as doutrinas de isolamento, enquanto os povos se preparam para o extermínio e para a destruição. É ainda por isso que, em nome do Evangelho, se perpetram todos os absurdos nos países ditos cristãos... A realidade é que a civilização ocidental não chegou a se cristianizar...

            Mas é chegado o tempo de um reajustamento de todos os valores humanos...

            O Espiritismo, na sua missão de Consolador, é o amparo do mundo neste tempo de declives da sua história; só ele pode, na sua feição de Cristianismo Redivivo, salvar as religiões que se apagam entre choques da força e da ambição, do egoísmo e do domínio, apontando ao homem os seus verdadeiros caminhos. No seu manancial de esclarecimentos, poder-se-á beber a linfa cristalina das verdades consoladoras do Céu, preparando-se as almas para a nova era. São chegados os tempos em que as forças do mal serão compelidas a abandonar as suas derradeiras posições de domínio nos ambientes terrestres, e os seus últimos triunfos são bem o penhor de uma reação temerária e infeliz, apressando a realização dos vaticínios sombrios que pesam sobre o império perecível...

            Ditadores, exércitos, hegemonias econômicas, massas versáteis e inconscientes, guerras inglórias, organizações seculares, passarão como a vertigem de um pesadelo...

 

Livro: A CAMINHO DA LUZ. Emmanuel (Espírito). Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Federação Espírita Brasileira. Rio de Janeiro, RJ. 38ª Ed. 2015.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza, Sociedade Espírita Amor e Conhecimento Guaraniaçu PR.

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DEVER

O dever define a submissão que nos cabe a certos princípios estabelecidos como leis pela Sabedoria Divina, para o desenvolvimento de nossas faculdades.

            Para viver em segurança, ninguém desprezará a disciplina.

            Obedecem as partículas elementares no mundo atômico, obedece a constelação na glória da imensidade. O homem viajará pelo firmamento, a longas distâncias do lar em que se lhe vincula o corpo físico: no entanto, não logrará fazê-lo sem obediência aos princípios que vigem para os movimentos da máquina que o transporta.

            Dessa forma, pode-se simbolizar o dever como sendo a faixa de ação no bem que o Supremo Senhor nos traça à responsabilidade, para a sustentação da ordem e da evolução em Sua Obra Divina, no encalço de nosso aperfeiçoamento.

            Cada consciência bafejada pelo sol da razão será interpretada, assim, à conta de raio na esfera da vida, evolvendo da superfície para o centro, competindo-lhe a obrigação de respeitar e promover, facilitar e nutrir o bem comum, atitude espontânea que lhe valerá o auxílio natural de todos os que lhe recolhem a simpatia e a cooperação. Com semelhante atitude, cada espírito plasma os reflexos de si mesmo, por onde passa, abrindo-se aos reflexos das mentes mais elevadas que o impulsionam à contemplação de mais vastos horizontes do progresso e à adequada assimilação de mais altos valores da vida.

            Desse modo, pela execução do dever – região moral de serviço em que somos constantemente alertados pela consciência -, exteriorizamos a nossa melhor parte, recolhendo a melhor parte dos outros. Acontece, porém, que muitas vezes criamos perturbações na linha das atividades que o Senhor nos confia, e não apenas desconjuntamos a peça de nossa existência, como também colocamos em desordem muitas existências alheias, desajustando outras muitas peças na máquina do destino.

            Surge então para nós o inexorável constrangimento à luta maior, que podemos nomear como sendo o dever-regeneração, pelo qual somos compelidos a produzir reflexos inteiramente renovadores de nossa individualidade, à frente daqueles que se fizeram credores das nossas quotas de sacrifício.

            É dessa maneira que recebemos, por imposição das circunstâncias, a esposa incompreensiva, o esposo atrabiliário, o filho doente, o chefe agressivo, o subalterno infeliz, a moléstia pertinaz ou a tarefa compulsória a benefício dos outros, como gleba espiritual para esforço intensivo na recuperação de nós mesmos.

            É por esse motivo que de nada vale desertar do campo de duras obrigações em que nos vejamos sitiados, por força dos acontecimentos naturais do caminho, de vez que  na intimidade da consciência, ainda mesmo que a apreciação alheia nos liberte desse ou daquele imposto de devotamento e renúncia, ordena a razão estejamos de sentinela na obra de paciência e de tolerância, de humildade e de amor, que fomos chamado intimamente a atender; sem isso, não obstante a aparência legar de nosso afastamento da luta, somos invencivelmente onerados por ocultas sensações de desgosto ante as nossas próprias fraquezas, que, começando por ligeiras irritações e pequeninos desalentos, acabam matriculando-nos o espírito nos institutos da enfermidade ou na vala da frustração.

Do Livro: PENSAMENTO E VIDA. Emmanuel (Espírito). Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Federação Espírita Brasileira - FEB. Rio de Janeiro - RJ. 17ª Ed. 2008.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza, Sociedade Espírita Amor e Conhecimento Guaraniaçu PR.

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