Espírita - Manoel Ataides
Inimigos desencarnados

Os inimigos desencarnados constituem fator de desequilíbrio na sociedade terrestre, que deve ser levado em conta pelos estudiosos do comportamento e das diretrizes sociológicas.

                O mundo espiritual é preexistente ao físico, real e fundamental, de onde vêm  as populações humanas e para onde retornam mediante o veículo da desencarnação.

                O objetivo essencial da reencarnação é propiciar o desenvolvimento intelecto-moral do Espírito na sua trajetória evolutiva.

                Possuindo o psiquismo divino embrionário, em cada etapa do processo de crescimento desdobram-se-lhe faculdades e funções adormecidas que se agigantarão através dos evos até que seja alcançada a plenitude.

                Nada obstante, os  atavismos que remanescem como rendências para repetir os gravames e os equivócocos a que se acostumou, exercem maior predominância em a natureza de todos, embora o Deotropismo que os atrai na direção fecunda e original da sua causalidade.

                A escolha de conduta define-lhe o rumo de ascensão ou de queda, a fim  de permanecer no obscurantismo em relação à verdade ou no esforço dignificante da autoiluminação.

                Quanto se esforça pelo bem proceder, prosseguindo na vivência das regras da moral e do bem, libertando-se dos grilhões dos vícios, mais facilmente alcança os níveis elevados de harmonia interior e os planos espírituais de felicadade, onde passa a habitar. Todavia, quando se compromete na ação do mal, é induzido a reescrever as páginas aflitivas que ficaram na retaguarda, resgatando os delitos praticados atravém do sofrimento ou mediante as ações de benemerência que o dignificam.

                Em razão da comodidade moral e da preguiça mental, situa-se, não raro, na incerteza, na indiferença em relação ao engrandecimento, ou comprazendo-se nas sensações nefastas, quando poderia eleger as emoções superiores para auxiliar-se e para socorrer aqueles a quem haja prejudado, reparando os males que foram gerados mediante os contributos de amor educativo.

                Os inimigos  desencarnados, desse modo, vinculam-se aos seres humanos atraídos pelas afinidades morais, pelos sentimentos do mesmo teor, pelas conduras extravagantes que se permitem.

                Nunca desperdices a oportunidade de ser aquele que cede em contendas inúteis quão perniciosas.

                De perder, no campeonato da insensatez, a fim de ganhar em paz interior.

                De servir com devotamento, embora outros sirvam-se, explorando a bondade do seu próximo.

                De oferecer compreensão e compaixão em todas e quaiquer circunstâncias que se te deparem.

                De edifivar o bem onde encontre, na alegria ou na tristeza, na abundância ou na escassez.

                De oferecer esperança, mesmo quando reinem o pessimismo e a crueldade levando ao desânimo e à indiferença.

                De ser aquele que ama, apesar das circunstâncias perversas.

                De silenciar o mal, a fim de referi-te àquilo que contribua em favor da fraternidade.

                De perdoar, mesmo aquilo e aquele que, aparentemente não mereçam perdão.

                De ensinar corretamente, embora predomine a prepotência, e por essa ração mesmo...

                Nunca te canses de confiar em Deus, seja qual for a situação em que te encontres.

                Vestindo a couraça da fé e esgrimindo os equipamento do amor, os teus inimigos desencarnados não encontrarão campo emocional nem vibratório em ti para instalar as suas matrizes obsessivas, permitindo-te seguir em paz, cantando a alegria de viver e iniciando a Era Nova de Felicidade na Terra.

Ângelo (Quem pode doar um brinquedo?)

Constantemente, observei, na casa dos ricos, bonecas abandonadas pelo desagrado das meninas felizes, e disse-me: milhares de ingênuas pequeninas bateriam palmas, se pudessem possuir essas bonecas tão desdenhadas por suas donas.

            Quantos meninos pobres crer-se-iam ditosos com um cavalo coxo... um carrinho quebrado... uma boneca maltrapilha... pobres crianças...! Quanta compaixão me inspiram os que não têm brinquedos!

            Sempre recordarei um pequenino que conheci em Madri, filho do porteiro da minha casa. Chamava-se Ângelo. Era um menino débil e anêmico. Nunca saía da portaria e seus pais o obrigavam que estivesse o dia todo em seu posto, enquanto atendiam a outras ocupações. Mas sucedia que, de repente, Ângelo desaparecia e ia-se... Brincar com os meninos da rua? Quebrar vidros e chamar às portas? Ninguém da vizinhança se queixava dele; mas seu pai o pegava e sua mãe o repreendia duramente por suas escapatórias.

            Ângelo se calava e, quanto podia... pé para que te quero! Desaparecia como por encanto.         Uma noite se foi e seu pai o seguiu, para descobrir o segredo de suas frequentes ausências. Ângelo correu com rapidez de um gamo, e cruzou várias ruas, até deter-se diante de uma grande loja de brinquedos, situada fora do alinhamento da rua, o que permitia que, à sua frente, sem estorvar a passagem dos transeuntes, colocassem cavalos de madeira e papelão de todos os tamanhos. Chegou, sentou-se diante de um formoso cavalo cujas brancas crinas se pôs a acariciar com maior cuidado. Assim permaneceu meia hora.

            O pai de Ângelo, embora homem rude, tinha bom coração e era um bom pai.   Comoveu-se profundamente ao ver o filho abraçado ao cavalo na loja, perguntou quanto valia o brinquedo preferido de seu Ângelo.

            - Cinco Duros (25 Pesetas espanholas) – lhe responderam.

            - Então... Meu pobre filho, ficas sem cavalo.

            - Ah! É para esse menino que fica todos os dias à porta: Já faz tempo que nos suplicou, com a mais comovedora insistência que o deixassem ficar entre os cavalinhos. Leve o cavalo, pois seu filho o merece como prêmio da sua constância e da sua persistência. Não passa um dia que não o vejamos chegar suando, embora faça frio; senta-se, acaricia o cavalinho, se levanta, se vai, volta... São uma história suas idas e vindas.

            Quando Ângelo se convenceu de que lhe deram o cavalo, seu prazer não teve limites. Foi tanta sua alegria que adoeceu; seu débil organismo não pode resistir a uma emoção tão forte quanto inesperada e, oito dias depois, morreu abraçado ao seu cavalo.

            Pobre Ângelo! Quanto algumas crianças amam seus brinquedos!

           

Do Livro: PALAVRAS DE ALVORECER. Amalia Domingo Soler. IDE. Araras - SP. 5ª ed. 1987. p. 44

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. Sociedade Espírita Amor e Conhecimento Guaraniaçu – PR.

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Viver com simplicidade

Uma existência trabalhada na simplicidade culmina em plenitude de sentimentos e objetivos espirituais...

            A simplicidade é característica expressiva daquele que encontrou o valioso tesouro da alegria de viver sem impedimentos de qualquer natureza. Isto porque conseguiu vivenciar a renúncia sem os constrangimentos impostos por decisões alheias ou assinaladas em conflitos desesperadores...

            Quando se sugere renúncia na existência terrena, logo se pensa em sacrifícios e austeridades que atormentam.

            A proposta da renúncia,porém, se direciona ao abandono dos excessos de toda natureza, e tudo quanto sendo secundário passa a ter um valor exorbitante,  porque somente possuir o significado que lhe é atribuído e a posse egotista que o retém no painel mental e emocional do seu possuidor.

            Muitos indivíduos atormentam-se e queixam-se por ocorrências desagradáveis, as nonadas do quotidiano, vitalizando as lembranças infelizes que são filhas diletas do ego ferido e dos caprichos do orgulho.

            Acontecimentos passados não existem, senão na memória que os mantêm vivos...

            De igual maneira, não vale a pena a fixação pelo que irá acontecer no futuro, porquanto também isso ainda não existe...

            Não se torna necessária uma existência asceta, decorrente do abandono do mundo, na qual a carência se transforma em desrespeito pelo tesouros de amor com o Pai abençoa os filhos terrestres.

            A adoção da miséria espontânea, em nome da renúncia, faz que o indivíduo se torne inútil na sociedade, transformando-se-lhe num peso a ser carregado.

            O uso dos recursos que se encontram ao alcance representa utilização saudável para auxiliar o progresso individual, assim como o do grupo social.

            A simplicidade que se estrutura na renúncia natural de todo e qualquer sucesso, por ser desnecessário, liberta o Espírito das fixações e temores das perdas.

            A criatura humana pode ser considerada conforme os seus apegos e renúncias.

            Um homem santo, que vivia em total simplicidade, havendo ganhado diversas moedas de ouro, desconsiderando-as deixou-as  no lugar onde se encontrava e seguiu adiante.

            Posteriormente, quando malfeitores se informaram da valiosa doação que fora feita ao modesto andarilho, agrediram-no e ameaçando-lhe a vida, tendo-a poupado, porque lhes explicou que as moedas se encontravam onde estivera fazia pouco...

            Bem-aventurados, disse Jesus, os puros e os simples de coração.

            A simplicidade é etapa evolutiva que se alcançar treinando-se renúncia e abnegação.

            A felicidade, na Terra, independe do que se tem, mas se constitui de tudo aquilo que se cultiva interiormente em amor e simplicidade.

 

Livro: ATITUDES RENOVADAS. Joanna de Ângelis (Espírito), psicografia de Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada Editora. 1ª ed. Salvador. BA. 2009.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. Sociedade Espírita Amor e Conhecimento, Guaraniaçu – PR.

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Morte

Sendo a mente o espelho da vida, entenderemos sem dificuldade que, na morte, lhe prevalecem na face as imagens mais profundamente insculpidas por nosso desejo, à custa da reflexão reiterada, de modo intenso. Guardando o pensamento – plasma fluídico – a precisa faculdade de substancializar suas próprias criações, imprimindo-lhes vitalidade e movimento temporários, a maioria das criaturas terrestres, na transição do sepulcro, é naturalmente obcecada pelos quadros da própria imaginação, aprisionada a fenômenos alucinatórios, qual acontece no sono comum, dentro do qual, na maioria das circunstâncias, a individualidade reencarnada, em vez de retirar-se do aparelho físico, descansa em conexão com ele mesmo, sofrendo os reflexos das sensações primárias a que ainda se ajusta.

                Todos os círculos da existência, para se adaptarem aos processos da educação, necessitam do hábito, porque todas as conquistas do espírito se efetuam na base de lições recapituladas.

                As classes são vastos setores de trabalho específico, plasmando, por intermédio de longa repercussão, os objetivos que lhes são peculiares naqueles que as compõem.

                É assim que o jovem destinado a essa ou àquela carreira é submetido, nos bancos escolares, a determinadas disciplinas, incluindo a experiência anterior dos orientadores que lhe precederam os passos na senda profissional escolhida.

                O futuro militar aprenderá, desde cedo, a manejar instrumentos de guerra, cultuando as instruções dos grandes chefes de estratégia, e o médico porvindouro deverá repetir, por anos sucessivos, os ensinos e experimentos dos especialistas, antes do juramento hipocrático.

                Em todas as escolas de formação, vemos professores ajustando a infância, a mocidade e a madureza aos princípios consagrados, nesse ou naquele ramo de estudo, fixando-lhes personalidade particular para determinados fins, sobre o alicerce da reflexão mental sistemática, em forma de lições persistentes e progressivas.

                Um diploma universitário e, no fundo o pergaminho confirmativo do tempo de recapitulações indispensáveis ao domínio do aprendiz em certo campo de conhecimento para efeito de serviço nas linhas da coletividade.

                Segundo o mesmo princípio, a morte nos confere a certidão das experiências repetidas a que nos adaptamos, de vez que cada espírito, mais ou menos, se transforma naquilo que imagina. É deste modo que ela, a morte, extrai a soma de nosso conteúdo mental, compelindo-nos a viver, transitoriamente, dentro dele. Se esse conteúdo é o bem, teremos a nossa parcela de céu, correspondente ao melhor da construção que efetuamos em nós, e se esse conteúdo é o mal estaremos necessariamente detidos na parcela de inferno que corresponda aos males de nossa autoria, até que se extinga o inferno de purgação merecida, criado por nós mesmos na intimidade da consciência.

                Tudo o que foge á lei do amor e do progresso, sem renovação e a sublimação por bases, gera o enquistamento mental, que nada mais é que a produção de nossos reflexos pessoais acumulados e se valor na circulação do bem comum, consubstanciando as ideias fixas em que passamos a respirar depois do túmulo, à feição de loucos autênticos, por nos situarmos distantes da realidade fundamental.

                É por esta razão que morrer significa penetrar mais profundamente no mundo de nós mesmos, consumindo longo tempo em despir a túnica de nossos reflexos menos felizes, metamorfoseados em região alucinatória decorrente do nosso monoideísmo na sombra, ou transferindo-nos simplesmente de plano, melhorando o clima de nossos reflexos ajustados ao bem, avançando em degraus consequentes ara novos horizontes de ascensão e de luz.

               

Livro: PENSAMENTO E VIDA. Emmanuel. (Espírito). Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Federação Espírita Brasileira. FEB. Rio de Janeiro – RJ. 13ª ed. 2008.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. CEAC Guaraniaçu – PR. [email protected]

A vaidade, o evangelho e o discípulo

Em clara manhã de primavera encontraram=se na mesma via, a Vaidade, o Evangelho e o Discípulo.

            Disse a Vaidade: “Tens saúde; aproveita-a jovem.”

            Esclareceu o Evangelho: “Renuncia a ti mesmo, vem e segue o Mestre!”

            O Discípulo ouviu e calou.

            Disse a Vaidade: “Tens saúde; aproveita os dias e, enquanto as forças te permitem, desfruta o banquete do prazer.”

            Esclareceu o Evangelho: “Aquele que pega da charrua e olha para trás não é digno do Senhor!”

            O Discípulo entristeceu-se e continuou calado.

            Disse  a Vaidade: “Odeia os que te prejudicam e retribui o amor somente àqueles que te amam e serás feliz no mundo.”

            Esclareceu o Evangelho: “Perdoar, não apenas sete vezes, mas, setenta vezes sete, para ser digno da vida.”

            O Discípulo, entristecido e calado, perturbou-se.

            Disse a Vaidade: “Bebe e vive, repousa e levanta-te para mais gozar. A mocidade é rápida e a morte logo vem. Aproveita!”

            Esclareceu o Evangelho: “Deixai que venham a mim os jovens, pois que deles é o reino dos céus!”

            O Discípulo, atônito, recuou alguns passos e, inquieto, se pôs a chorar.

Disse a Vaidade: “Aproveita o ensejo que passa, reúne dinheiro, armazena para o futuro e usa teus bens na conquista do prazer. É tudo quanto se leva da vida.”

            Esclareceu o Evangelho: “Louco! Ainda esta noite te tomarão a alma. Para que te valem as posses?”

            E o Discípulo, traumatizado, dobrou-se, tombando ao solo em convulsões.

            Disse a Vaidade: “Levanta-te e esmaga o mundo aos teus pés. A vida é dos fortes e ousados;

 Avança, resolutamente e sem receio. O triunfo te aguarda.”

            Esclareceu o Evangelho: “E da forma que medires, julgares e agires, assim também serás medido.

            O Discípulo, tomado pelo palor do conflito íntimo teve um delíquio. Levantando-se, depois, o9lhou e enrubesceu entusiasmado.

            Ao lado, o Evangelho, de lirial brancura, vestia-se com a simplicidade da pureza.

            E o Discípulo atormentado, febril e inquieto, disse à Vaidade: “Seguirei contigo; sofro muito; ainda é tempo; Preciso viver; procurarei servir a Cristo  e amar o mundo.”

            Abraçando-se à Vaidade, partiu precipitadamente.

            É certo que triunfou. Guardou o corpo em tecidos caros, defendeu os pés das asperezas do caminho com calçados resistentes e macios, adereçou os dedos e os braços com joias reluzentes, deixando que algumas migalhas da mesa farta chegassem às esfaimadas bocas dos pobrezinhos.

            Mas, quando veio a velhice, a Vaidade fugiu, temerosa. O Discípulo, atormentado, foi atrás dela, nas vascas de loucura cruel.         E o Evangelho, que nunca o abandonara, seguiu-o, ainda, e a meio caminho convidou-o amorosamente: “Vem a mim, tu que estás cansado e aflito, e eu te aliviarei.”

 

Do Livro: CRESTOMATIA DA IMORTALIDADE. Pe. Natividade (Espírito), psicografia de Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada. 2ª Ed. – Salvador-BA. 1989.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza, CEAC Guaraniaçu – PR. [email protected]  

Liberdade e responsabilidade

A quem nos pergunte se a criatura humana é livre, respondemos afirmativamente.

Acrescentemos, porém, que o homem é livre, mas responsável, e pode realizar o que deseje, mas estará ligado inevitavelmente ao fruto de suas próprias ações.

                Para esclarecer o assunto, tanto quanto possível, examinemos, em resumo, alguns dos setores de sementeira e colheita ou, melhor, de livre-arbítrio e destino em que o espírito encarnado transita no mundo.

                POSSE – O Homem é livre para reter quaisquer posses que as legislações terrestres lhe facultem, de acordo com a sua diligência na ação ou seu direito transitório, e será considerado mordomo respeitável pelas forças superiores da vida se as utiliza a benefício de todos, mas, se abusa delas, criando a penúria dos semelhantes, de modo a favorecer os próprios excessos, encontrará nas consequências disso a fieira de provações com que aprenderá a acender em si mesmo a luz da abnegação.

                NEGÓCIO – O homem é livre para efetuar as transações que lhe apraza e granjeará o título de benfeitor, se procura comerciar com real proveito da clientela que lhe é própria, mas, se arrasa a economia dos outros com o fim de auferir lucros desnecessários, com prejuízo evidente do próximo, encontrará nas consequências disso a fieira de provações  com que aprenderá a acender em si mesmo a luz da retidão.

                ESTUDO – O homem é livre de ler e escrever, ensinar ou estudar tudo o que quiser, e conquistará a posição de sábio se mobiliza os recursos culturais em auxílio daqueles que lhe partilham a romagem terrestre; mas, se coloca os valores da inteligência em apoio do mal, deteriorando a existência dos companheiros de humanidade com o objetivo de acentuar o próprio orgulho, encontrará nas consequências disso a fieira de provações com que aprenderá a acender em si mesmo a luz do discernimento.

                TRABALHO – O homem é livre para abraçar as tarefas a que se afeiçoe e será honorificado por seareiro do progresso se contribui na construção da felicidade geral; mas, se malversa o dom de empreender e de agir, esposando atividades perturbadoras e infelizes para gratificar os seus interesses menos dignos, encontrará nas consequências disso a fieira de provações com que aprenderá a acender em si mesmo a luz do serviço aos semelhantes.

                SEXO – O homem é livre para dar às suas energias e impulsos sexuais a direção que prefira e será estimado por veículo de bênçãos quando os emprega na proteção sadia do lar, na formação da família, seja na paternidade ou na maternidade com o dever cumprido, ou, ainda, na sustentação das obras de arte e cultura, benemerência e elevação do espírito; mas, se  para lisonjear os próprios sentidos transforma os recursos genésicos em dor e desequilíbrio, angústia ou desesperação para os semelhantes, pela injúria nos compromissos e ajustes afetivos, depois de havê-los proposto ou aceitado, encontrará nas consequências disso a fieira de provações com que aprenderá a acender em si mesmo a luz do amor puro.

                O homem é livre até mesmo para receber ou recusas a existência, mas recolherá invariavelmente os bens ou os males que decorram de sua atitude, perante as concessões da Bondade Divina.

                Todos somos livres para desejar, escolher, fazer e obter, mas todos somos também constrangidos a entrar nos resultados de nossa próprias obras...

                Cabe à Doutrina Espírita explicar que os princípios da Justiça eterna, em todo o Universo, não funcionam simplesmente à base de paraísos e infernos, castigos e privilégios de ordem exterior, mas, acima de tudo, através do instituto da reencarnação, em nós, conosco, junto de nós e por nós. Foi por isso que Jesus, compreendendo que não existe direito sem obrigação e nem equilíbrio sem consciência tranquila, nos afirmou, claramente: “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos fará livres”.

 

Do Livro: ENCONTRO MARCADO. Emmanuel (Espírito). Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Federação Espírita Brasileira FEB. Brasília. DF. 14ª Ed. 2013.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. CEAC Guaraniaçu PR. [email protected]   

Judiciosa ponderação

Dispúnhamo-nos a escrever uma série de apontamentos acerca de nossas ligeiras excursões ao redor de outros mundos, com a intenção de trazê-los aos amigos terrestres, quando abnegado orientador falou, sensato:

- Vocês não se desenvolveram suficientemente para tratar o assunto com a precisa autoridade.  Para relacionar as múltiplas manifestações da vida noutros planetas, não podemos prescindir da consciência cósmica, que ainda estamos construindo, através de sucessivos estágios na Terra, e, nesse sentido, quaisquer impressões de nossa parte serão fragmentárias e imperfeitas, desnorteando a curiosidade sadia das almas bem intencionadas.

E, ilustrando a judiciosa observação, contou, sorridente: - A Humanidade evolvida de um outro astro que se localiza a “trilhões” de quilômetros da Terra, contemplando-a na feição de minúscula estrela, reuniu alguns dos seus sábios mais eminentes, a fim de estudá-la com as minudências possíveis.

Guardando avançados conhecimentos, no domínio da força gravítica, os competentes pesquisadores mobilizaram o tentame, enviando ao nosso mundo diversas expedições, de tempos a tempos.

A primeira veio até nós, depois de complicadas peripécias no Espaço, condicionando-se, como é lógico, à limitada provisão de recursos que trazia, elementos esses que lhe asseguraram a permanência de três dias sobre a face do nosso globo.

Acontece, porém, que os viajantes alcançaram os céus de Paris e, depois de analisarem a refinada capital da França, por mais de setenta horas, anotando-lhe os patrimônios artísticos e culturais, voltaram ao ponto de origem, anunciando que o nosso mundo era centro de notável civilização, com importantes agrupamentos humanos.

A ideia causou grande alvoroço e, tão logo se fez possível, nova comissão nos foi remetida para a complementação de informes.

Os excursionistas, no entanto, em vez de alcançarem Paris, desceram sobre vasta e inculta região africana e regressaram, alarmados, desmentindo as conclusões existentes, porquanto, para eles, a Terra era um simples formigueiro de criaturas primitivistas, singularmente distanciadas da educação.

Ante as controvérsias, novo grupo de investigações veio ao nosso plano terrestre, examinando justamente larga extensão da Sibéria e, por isso, voltou asseverando que o nosso domicílio não passava de um cemitério gelado.

Nova expedição foi levada a efeito. Contudo, dessa vez, os estudiosos planaram sobre a região triste e seca do Saara, sendo levados a crer que a Terra se reduzia a imenso deserto, sob pavorosas tempestades de areia.

Outros pioneiros entraram em lide e, auscultando-nos a residência, esbarraram com as águas do Pacífico, retornando a penates, comunicando a quem de direito que o nosso mundo era puramente líquido, solitário e inabitável.

Diante das informações contraditórias e estranhas, a autoridade superior resolveu sustar as expedições, de vez que os relatórios não concordavam entre si e que não valia ausentar-se da intimidade doméstica para voltar com problemas insolúveis e inquietantes, alusivos a casa alheia.

O orientador fez uma pausa, mergulhou em nós o olhar muito lúcido e rematou:

- Como vemos, não será bom precipitar noticiários e conclusões. Cada viajante pode falar simplesmente daquilo que vê, e o que podemos observar é ainda muito pouco daquilo que, mais tarde, nos será concedido ao conhecimento... “Ir lá” é muito diferente de “lá estar”. Quando pudermos estar nos cimos da evolução, saberemos examinar e compreender, através do justo discernimento. Até lá, estudemos e sirvamos...

 

Livro: CONTOS E APÓLOGOS. Emmanuel. (Espírito). Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Federação Espírita Brasileira. FEB. Rio de Janeiro – RJ. 5ª ed. 1986..

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. CEAC, Guaraniaçu – PR. [email protected]

 

A exuberante vida

Para a maioria, morrer é finar-se, acabar-se, destruir-se no caos...

                Na concepção de tantos, a morte, considerada como tabu, deve ser mantida fora das cogitações costumeiras do quotidiano.

                No entendimento de muitos homens, da morte jamais alguém retornou para dizer como as coisas se passam do outro lado, sé que existe. Poucos são os que, compreendendo o fenômeno, nas suas bases, mantêm-se equilibrados, embora naturalmente sofridos, por terem na morte o processo de renovação da vida, longe da indiferença daqueles que se localizam na faixa da desvalorização da vida.

                A consumpção do veículo corporal, representa importante normativa da existência, considerando-se que coisa alguma no mundo constituída por matéria complexa deixará de alterar-se na dinâmica do transformismo bioquímico. É da natureza que tudo que nasce tem que perecer, exceção feita ao Espírito, entidade imortal pela própria condição das substâncias simples, originais, de que é formado em sua estrutura íntima. No largo caminho do entendimento terreno, um enorme contingente de povos, com seus filósofos e mestres, pensadores religiosos ou científicos, poetas e artistas desdobraram o pensamento sobre a morte, que sempre intrigou a Humanidade.

                Na China, na Índia, entre os gregos e persas, nos conceitos dos caldeus quanto nas reflexões romanas e egípcias, a questão da morte ganha destaque, ensinando que por trás de sua cerosa máscara, desprende-se a excelente mensagem de vida formidável.

                No complexo I King e no sensível Livro dos Mortos, de remotas eras chinesas e egípcias, compreendia-se a morte como simples modo de se convergir para a Vida Cósmica, além da Terra.

                No Velho Testamento dos hebreus, quanto no Testamento Novo, que narra os fatos e feitos do Sempre-Vivo Nazareno, a morte sobressai-se como o virar das páginas do livro da experiência dos Espíritos, permitindo-se ler os escritos da Vida estuante.

                Foi Jesus que demonstrou, à saciedade, a grandiosidade da exuberante vida, nos tempos em que no mundo movimentou-se. Com Ele, dialogaram Elias e Moisés, desaparecidos séculos antes de Sua vinda. Junto a Ele deblateraram e se aturdiram tanto legião nas montanhas das Decápolis gregas, quanto o Espírito inconsequente, que se vale do médium desajustado da Sinagoga de Cafarnaum. Os mortos sempre estiveram ao Seu lado, voltando para narrar seus feitos e demonstrar os defeitos que os atormentavam no Além. Não há morte, pois, no Universo, senão vida eloquente cantando as glórias de Deus nos campos da Eternidade.

                Se foste compelido a padecer o guante da Grande abominada, arrebatando-te o ser querido, não te entregues ao desespero ou à rebeldia. Une-te à oração e prossegue disposto e nobre na conquista de felicidade para ti, enviando vibrações de carinho e respeito aos entes desenlaçados do corpo somático. Se experimentares em ti mesmo a lâmina de Dâmocles, retirando-te das sensações grosseira da matéria, reflete com equilíbrio e lembra-te de orar, fazendo ponte para as fontes excelsas dos excelsos Dispensadores.

                Sem as expressões mórbidas, frutos da ignorância, ou da descrença em Deus, repassa os feitos da tua vida e não deixes de lado a certeza de que um dia seguirás, pela estrada da desencarnação, por onde já foram tantos amigos e desafetos, amores de adversários, a fim de te defrontares com os resultados dos teus feitos, felizes ou não.

                Pensando na fulgente vida que te aguarda, mais adiante, renova-te no bem; dispõe-te a servir ao bem; inspira-te no bem sem mácula, sem te perderes na manutenção de distúrbios e conflitos da alma, certo de que, nos passos do amor e do devotamento à Vida sublime, estarás conquistando a palma de luz que o Cristo a ti reserva, após o rol de lutas que vives no mundo.

 

Livro: VOZES DO INFINITO. Camilo (Espírito), por José Raul Teixeira. Fráter Livros Espíritas.  Niterói, Rio de Janeiro – RJ 1991.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza – CEAC - Guaraniaçu – PR - [email protected]

 

Sofrimentos na mediunidade

Identificado com os princípios espirituais, na mediunidade, tens a impressão de que, apuradas as antenas psíquicas, registras angústias, temores e inquietações antes ignoradas.
    Achais isso estranho.
    Não poucas vezes assimilas o pensamento que invade o teu pensamento e deixas-te- desanimar.
    Frequentemente receios infundados vitalizam fantasmas que se corporificam no teu mundo mental, assenhoreando-se em fixação dolorosa e deprimente.
    Sequazes da aflição sitiam teu coração em linhas de soledade e temes.
    É natural que isto ocorra.
    O médico, o enfermeiro, o assistente social, o servente hospitalar, instalados nos serviços de socorro aos enfermos respiram o clima de angústia e dor entre expectações e ansiedade.
    Assim também, no campo da assistência mediúnica aos sofredores, o fenômeno é o mesmo.
    Quem serve participa do suor do serviço.
    Quem ajuda experimenta o esforço do auxílio que oferece.
    Quem ama sintoniza nas faixas do ser amado, haurindo as mesmas vibrações.
    Liberta-te do receio pelo trabalho, faze assepsia mental pelo estudo e abnegação, e prossegue...
    Dizem alguns observadores precipitados, e talvez inconscientes, que as tarefas mediúnicas de socorro aos desencarnados cristalizam psicoses nos médiuns.
    Afirmam vários estudiosos de gabinete que as operações desobsessivas libertam os doentes desencarnados e encarceram em enfermidades perigosas os intermediários.
    Assinalam  diversos aprendizes da Mensagem Espírita que os médiuns operantes no intercâmbio com desencarnados em lamentável estado, conservam desaires e sensíveis desequilíbrios que os fazem exóticos.
    Sabemos, no entanto, que não têm razão os que assim pensam, quem assim procede.
    O médium espiritista tem conhecimento, através da doutrina que professa, dos antídotos e dos medicamentos para manutenção do próprio equilíbrio. Não há dúvida de que médiuns existem, em todos os departamentos humanos, com desalinho mental de alta mostra e, em razão disso, também nas células espiritistas, de socorro eles aparecem, na condição, todavia, de enfermos em tratamentos especiais e demorados. Já vieram em tormentos e se demoram sem qualquer esforço de renovação interior.
    O Espiritismo é antes de tudo lar-escola, hospital-escola-, santuário-escola para aprendizagem, saúde, e elevação espiritual.
    Necessário, portanto, que o sensitivo se habilite para tarefas que lhe cabem, através  de exercícios morais de resultados positivos, estudo metódico e constante, serviços de amor a fim de libertar-se de velhos liames com os espíritos infelizes, que permanecem ligados às suas paisagens mentais em vampirismo insidioso e, naturalmente, embora entre enfermos e necessitados, conduza o tesouro da oportunidade libertadora, na mediunidade socorrista.
    Médium de Deus, Jesus libertou da treva o jovem lunático, atormentado por espíritos imundos, ao descer do Tabor. Concedeu serenidade ao gadareno, ao rumar a Gerseza, ensejando renovação ao espírito infeliz que o obsidiava.
    Sempre que buscado pelos atormentados espirituais da Erraticidade inferior, em momento algum recusou-se ao intercâmbio, falando-lhes e socorrendo-os, na condição de Médico Divino.
    E quando a grande multidão, assediada por obsessores cruéis, em desvario, o arrastou ao testemunho para com a vida, sereno e humilde, orou na noite de vésperas, em dolorosa angústia e vigília de suor e sangue, para galgar os degraus da Vida Perene, doutrinando-os e doutrinando-nos com as palavras do exemplo incorruptível de amor que até hoje permanece com nosso roteiro de segurança.

Livro: DIMENSÕES DA VERDADE. Joanna de Ângelis (Espírito). Psicografia Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada Editora. 1ª ed. Salvador. BA. 1977.
Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. CEAC. Guaraniaçu – PR.  [email protected] 

Beleza e Riqueza de Deus

Quando o pólen minúsculo vai conduzido pelo vento ou pelas patinhas dos insetos, vemos o curiosíssimo fenômeno a partir do qual se a fertilização vegetal. Essa integração entre plantas, os insetos e o vento fala-nos da beleza que caracteriza as leis do Criador.
    Mas os luxuriantes campos de floração e os frutos variados, abundantes, que dela decorrem, apresentam-nos a grandiosa riqueza de Deus a saciar o anseio de beleza e a fome da sua criação animal.
    Quando as poeiras celestes se reúnem nos cenários cósmicos e acalantam o nascimento de um astro rodopia numa procura incessante do epicentro em que tudo teve início, conseguimos ver a beleza do Criador a inundar os espaços.
    Porém, ao olharmos a olho nu ou por meio de equipamentos tecnológicos, a formosa teia de astros, as vertiginosas constelações, que tudo repletam e iluminam com seus brilhos e cores, sentimos a riqueza de Deus a falar-nos dos sem-fins de universos inimigináveis.
    Quando alcançamos a movimentação do verme na furna do subsolo, conseguindo transformar a matéria até que surja húmus, a fim de fertilizar o chão que a todos dará a mesa farta; ou quando vemos a ação do unicelular, desde a ameba, avançando nas vias do progresso, temos aí, a beleza que se mostra na obra divina.
    Entretanto, ao atinarmos com a multiplicidade das formas animais, nas famílias e classes, expressas em taxonomias variadas e esplendorosas, aí, então, vemos como tudo isso exprime a riqueza da obra de Deus.
    Quando o mundo da irracionalidade nos abre as janelas para que observemos nas rações animais o impulso do instinto, e o acerto de suas reações, somos levados a penetrar os campos de beleza do Pai-Criador que unifica o vaga-lume e o chimpanzé, a mosca e o dromedário, a formiga e o leão, na vasta cadeia da evolução animal.
    Todavia, ao saborearmos as experiências humanas, que reúnem em si todos os progressos dos seres inferiores à humanidade, apresentando dados de grandiosas sofisticações intelectuais, morais, espirituais, não há como ficarmos indiferentes a e
sas demonstrações da riqueza  de Deus.
    Não há como conceber a Inteligência Suprema do universo sem que seja dessa forma: a beleza e a riqueza plenas e perfeitas a penetrar e envolver os mundos.
    Toda feiura e toda a beleza que vemos sobre o planeta sao devidas às construções infelizes, desastrosas, que somente o ser humano é capaz de fazer. Ele cava para si mesmo abismos de dor e veredas de morte, em razão de dar ouvidos às sombras que remanescem na sua intimidade, ou de rebelar-se contra as indispensáveis disciplinas que engrinaldam e valorizam as obras humanas, preparando todos nós para a integração na beleza e na riqueza do Supremo Senhor, nos tempos porvindouros da vitória da alma imortal sobre o atraso.
    É assim que, ao reconhecer a nossa condição de  filhos do Grande Rei, nos sentimos herdeiros das constelações e donos da vida,uma vez que é o nosso Pai o Dono de tudo, a pairar sobre tudo e sobre todos.
    Por que persistir em conservar as pobrezas da mente e do coração, geratrizes das carências do mundo físico, se, perante a magnitude de Deus tudo é beleza, tudo é riqueza, tudo é campo de vibrante evolução?
    O que devemos buscar é o aprimoramento da alma, o embelezamento íntimo e a riqueza do caráter, a fim de que desenvolvamos em nós o Reino dos Céus, na marcha destemida para a evolução.

Livro: EM NOME DE DEUS. José Lopes Neto (Espírito), psicografia de José Raul Teixeira. Fráter Livros Espíritoas.  Niteroi – Rio de Janeiro – RJ. 1ª Ed. 2007. Pág. 101.
Manoel Ataídes Pinheiro de Souza - Sociedade Espírita Amor e Conhecimento, Guaraniaçu – PR [email protected]