Espírita - Manoel Ataides
Pensamento e obsessão

O estudo da obsessão, conjugado à mediunidade, se realizado em maior amplitude, abrangeria o exame de quase toda a Humanidade terrestre. Expressamos tal conceito, à face do pensamento que age e reage, carreando para o emissor todas as fecundações felizes ou infelizes que arremessa de si próprio, a determinar para cada criatura os estado psíquicos que variam segundo os tipos de emoção e conduta a que se afeiçoe. Enquanto não se aprimore, é certo que o Espírito padecerá, em seu instrumento de manifestação, a resultante dos próprios erros...

Perturbações morais – Não nos propomos analisar aqui as personalidades psicopáticas, do ponto de vista da Psiquiatria, nem focalizar as chamadas psicoses de involução, ou as demências senis, claramente necessitadas de orientação médica; recordaremos, contudo, que na retaguarda dos desequilíbrios mentais, sejam da ideação ou da afetividade, da atenção e da memória, tanto quanto por trás de enfermidades psíquicas clássicas, como, por exemplo, as esquizofrenias e as parafrenias, as oligofrenias e a paranoia, as psicoses e neuroses de multifária expressão, permanecem as perturbações da individualidade transviada do caminho que as Leis Divinas lhe assinalam à evolução moral...

Torturada por suas próprias ondas desorientadas, a reagirem, incessantes, sobre os centros e mecanismos do corpo espiritual, cai a mente nas desarmonias e fixações consequentes e, porque o veículo de células extra-físicas que a serve, depois da morte, é extremamente influenciável, ambienta nas próprias forças os desequilíbrios que a senhoreiam, consolidando-se-lhe, desse modo, as inibições que, em futura existência, dominar-lhe-ão temporariamente a personalidade, sob a forma de fatores mórbidos, condicionando as disfunções de certos recursos do cérebro físico, por tempo indeterminado...

Zonas purgatoriais – Entendendo-se que todos os delinquentes deitam de si oscilações mentais de terrível caráter, condensando as recordações malignas que albergam no seio, compreenderemos a existência das zonas purgatoriais ou infernais como regiões em que se complementam as temporárias criações do remorso, associando arrependimento e amargura, desespero e rebelião.

Na intimidade dessas províncias de sombra, em que se agrupam multidões de criminosos, segundo a espécie de delito que cometeram, Espíritos culpados, através das ondas mentais com que essencialmente se afinam, se comunicam reciprocamente, gerando, ante os seus olhos, quadros vivos de extremo horror, junto dos quais desvairam, recebendo, de retorno, os estranhos padecimentos que criaram no ânimo alheio.

Claro está que, embora comandados por Inteligências pervertidas ou bestializadas nas trevas da ignorância, esses antros jazem circunscritos no Espaço, fiscalizados por Espíritos sábios e benfazejos que dispõem de meios precisos para observar a transformação individual das consciências em processo de purificação ou regeneração, a fim de conduzi-las a providências compatíveis com a melhoria já alcançada.

Semelhante supervisão, entretanto, não impede que essas vastas cavernas de tormento reeducativo sejam, em si, imensas penitenciárias do Espírito, a que se recolhem as feras conscientes que foram homens. Aí permanecem detidas por guardas especializados, que lhes são afins, o que nos faz definir cada “purgatório particular” como “prisão-manicômio”,  em que as almas embrutecidas no crime sofrem, de volta, o impacto de suas fecundações mentais infelizes.

Tiranos, suicidas, homicidas, carrascos do povo, libertinos, caluniadores, malfeitores, ingratos, traidores do bem e viciados de todas as procedências, reunidos conforme o tipo de falta ou defecção a que se renderam, se examinados pelos cientistas do mundo apresentariam à Medicina os mais extensos quadros para estudo etiológicos das mais obscuras enfermidades. Deduzimos, assim, que todos os redutos de sofrimento, além-túmulo, não passam de largos porões do trabalho evolutivo da alma à feição de grandes hospitais carcerários para tratamento das consciências envilecidas.

Livro: MECANISMO DA MEDIUNIDADE. André Luiz (Espírito). Psicografia Francisco C. Xavier e Waldo Vieira. Federação Espírita Brasileira - FEB. Rio de Janeiro – RJ. 24ª Ed. 2004. Manoel Ataídes Pinheiro de Souza - Sociedade Espírita Amor e Conhecimento, Guaraniaçu – PR.

 

               

A outra face

Na movimentação cotidiana, em meio aos diversificados aprendizados, torna-se importante e necessária uma análise cuidadosa dos ensinos de Jesus, no que diz respeito ao ato de dar a outra face.

            A questão comportaria uma série de considerações, nas quais destacaríamos, indubitavelmente, a grandeza de apresentar o outro lado da própria intimidade, quando o mundo provocar-nos a exaltação do homem velho que, por certo, manifestar-se-á, com probabilidade de causar infelicidade e desdita.

            Para aqueles que nos feriram num dos lados de nossa personalidade, mostramos o outro, o do perdão sem limite, sem demora.

            Quando você esteja espicaçado pelo orgulho, apresente a face da humildade.

            Quando estiver tocado pela presunção, demonstre a grandeza da simplicidade.

            Quando chegar-lhe a atroada da violência, convidando ao amotinamento, será tempo de mostrar a tranquilidade que lhe vibra no íntimo.

            Quando assomar desespero em redor dos seus caminhos, faça brilhar o equilíbrio por expressão de radiosa harmonia.

            Quando defrontar-se com o vício de qualquer natureza, deixe às claras a face da virtude e da madureza interior que já lhe alcança os dias.

            Quando você for conduzido às faixas da tristeza e do desencanto, deixe cantar as notas da alegria e do otimismo, que tudo renovam.

            Quando lhe advenham amargura e solidão, exprima a voz da esperança e do entendimento, por dádiva espiritual melodiosa.

            Quando você se deparar com avalanches de sombras, impondo-lhe descaminhos, deixe passar por sua tecitura espiritual a claridade das luzes que lhe norteiam a vida.

            Quando você sofrer a agrestia da injustiça ou da ingratidão, apresente a fibra da dignidade e da equidade, como valores já conquistados em sua alma.

            Quando for atingido pelo esbordoamento da descrença nos valores do bem, responda com a flama da fé em Deus, que vibra em sua vida.

            Quando você for visitado pelo desânimo, enalteça a grandiosidade do estímulo superior e fraternal que o trabalho consegue nutrir.

            Quando o mundo ferir a sua atividade comum, com o deboche por suas lutas em prol da própria saúde moral, responda perseverando na boa conduta, demandando os campos de júbilo d’alma, júbilo esse que só se amplia com a fidelidade ao dever.

            Quando você sentir-se aturdido pelas forças caóticas da obsidente interferência do mal passageiro, atue com firmeza na dimensão do amor que, no Cristo, torna sua caminhada mais útil e consequentemente mais feliz pelas experiências da Terra.

            A outra face converte-se num símbolo glorioso para a vida do cristão autêntico. À frente de quaisquer dissonâncias que lhe cheguem, perturbadoras, jamais olvidar a sinfonia de amor e luz que poderemos plasmar, sob as bênçãos de Deus...

 

Livro: NOSSAS RIQUEZAS MAIORES. Por Diversos Espíritos. March (Espírito). Psicografia J. Raul Teixeira. Fráter Livros Espíritas.  Niterói - RJ. 2ª Ed. 2013.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza - Sociedade Espírita Amor e Conhecimento, Guaraniaçu – PR

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Mordomos e não donos...

Na região da Galiléia, porém, ante a placidez domar, quebrada somente pelas tormentas periódicas, respirava-se ingenuidade, resignação e alguma fraternidade...

                Foi nesse cenário de gentes simples  e desataviadas, que a sinfonia do Evangelho esplendeu em toda a sua majestade e beleza.

                Entre pescadores que amavam a labuta do mar, vinhateiros que se afadigavam pelo cultivo da videira, curtidores de lá animal afeiçoados à fabricação tosca de tecidos, Ele encontrou o coração do povo que abriu a sua acústica para ouvir a melodia da esperança...

                ... E as parábolas espocavam dos Seus lábios como flores do campo, naturais e formosas.

                Um delas informava que se tratava de um homem rico, que possuía um mordomo, que foi acusado de estar utilizando-se em benefício próprio dos bens que não lhe pertenciam.

                E porque tudo indicasse a realidade infeliz da sua conduta, o amo chamou-o e pediu-lhe que prestasse contas da sua mordomia, porquanto já não tinha condições de merecer fé nem respeito.

                Surpreendido pela atitude severa do amo, o infiel começou a conjecturar  a respeito do futuro que lhe estava reservado, constatando não possuir recursos para o exercício de uma outra função, que lhe exigisse esforço e luta. Então, desonesto como era, convidou um dos devedores do seu patrão e perguntou-lhe: - Quanto deves ao meu senhor?

                Informado que eram cem cados (Palavra Semítica - vaso de barro para medir líquidos, cem cados ou batos: 3.500 lt) de azeite, propôs-lhe que anotasse apenas metade, comprometendo-se a pagá-los. O mesmo fez em relação a outro devedor, que informou serem cem coros (37.000 litros) de trigo, indicando que anotasse apenas oitenta e não deixasse da pagar.

                Com essa atitude, o sagaz agradou aos devedores, que lhe ficaram amigos, mas também poupou o seu senhor de grandes prejuízos, garantindo-lhe o recebimento de parte das dívidas. Em face dessa astúcia, o amo também o estimou, porque essa atitude era compatível com aqueles outros desonestos que se comportavam da mesma maneira, muito diferente dos filhos da luz.

                Após silenciar por um pouco, a fim de que os ouvintes pudessem captar o conteúdo do ensinamento, Ele arrematou, enfático: Granjeai amigos por meio das riquezas da injustiça, para que, se estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos.

                Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito, quem é injusto no pouco, também é injusto no muito.

                Se, pois, nas riquezas injustas não fostes fiéis, quem vos confiará as verdadeiras?

                Ele fez uma grande pausa, perpassando o olhar sobre a massa em meditação, logo prosseguindo: Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.

                Os fariseus, que eram gananciosos, ouviam todas essas coisas e zombavam dele.

                As riquezas da injustiça constituem os recursos que a sagacidade consegue, amealhando para outrem enquanto acumula também para si.

                Impossibilitado de ser honrado no cumprimento dos deveres que lhe dizem respeito, o indivíduo utiliza-se dos bens que pode reunir, compensando a própria astúcia com os valores que supõe pertencer-lhe.

                Esse comportamento reserva-lhe meios de sobrevivência para o futuro, mas não lhe granjeia a paz de consciência, pelo reconhecer da falibilidade moral e defecção espiritual...

                Quem deseja a Vida Eterna, certamente terá que despojar-se da ambição enganosa dos valores transitórios, porque em serviço de autoiluminação, necessita despojar-se de toda sombra interior, enquanto caminha pela senda humana.

                Mordomos, todos o somos dos haveres divinos, que nos cumpre prestar contas com fidelidade, a fim de sermos credores da confiança em relação aos eternos recursos da Paternidade Celeste.

Do Livro: A Mensagem do Amor Imortal. Amélia Rodrigues (Espírito). Psicografia de Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada. – Salvador-BA. 2008.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza, CEAC Guaraniaçu – PR. [email protected]

Meditemos

Revelando avançada paranoia, pela hipertrofia do orgulho ante as conquistas da civilização atual, há quem pretenda banir a ideia de Deus do pensamento humano, encastelando-se na demência disfarçada de grandeza.

            No torvo cometimento, situam-se todos os mentores do ateísmo histórico e prático, notadamente entre os povos-polvos, sequiosos de hegemonia e influência.

            Todavia, quantos se consagram a semelhante monstruosidade do raciocínio esquecem-se de que apenas há quatro há alguns lustros as nações mais cultas do Globo se empenharam em pavorosa carnificina.

            No prélio terrível, salientavam-se os países superalfabetizados do mundo... Bastaram, porém simplesmente alguns meses de luta para que se rebaixassem à condição de feras, fazendo renhir as garras sanguissedentas e fulminando as aquisições do espírito, com o objetivo de aniquilar a soberania da razão.

            Quanto acontece agora, dispunham todos eles de tratados que lhes salvaguardavam as instituições livres...

            Isso, no entanto, não  impediu esquecessem os compromissos internacionais, arrasando cidades abertas e incendiando vilarejos pacíficos.

            Enfileiravam largas bibliotecas de ciências sociais, em louvor da dignidade humana, mas caíram como chacais sobre mulheres e crianças indefesas, cruentando populações inermes.

            Contavam com alevantado progresso da navegação marítima e com elevados princípios a lhes nortearem os movimentos, mas converteram os oceanos em teatros de pirataria e de sangue.

            Possuíam as mais nobres invenções, quais o avião e o rádio, o cinema e a grande imprensa, inclusive o domínio iniciante da energia nuclear; contudo mobilizaram todos esses recursos no assalto a lares e hospitais, escolas e templos.

            Nos campos reservados à concentração de prisioneiros, o envenenamento e o suplício da fome, a bestialidade e o assassínio foram considerados legais.

            Do sinistro balanço constataram milhões de cadáveres, milhões de mutilados, milhões de órfãos, milhões de feridos, milhões de desajustados...

            Não valeram descobertas da indústria, avanços da ciência, alturas filosóficas, ajustes políticos ou exaltações das letras.

            Tudo desceu às trevas da carnagem.

            É que, quando a ambição se desregra entre os homens, cresce a força da injustiça, e, quando a injustiça se erige como poder supremos na face da terra, habitualmente aparece o esquecimento de Deus, no âmago das elites. E, com o esquecimento do Criador, desentendem-se as criaturas, gerando conflito de destruição.

            Entregue ao livre-arbítrio, nos recessos da própria alma, pode o homem olvidar a Paternidade Divina e escarnecer a ideia religiosa que lhe traça roteiro moral, mas tomba nos arrastamentos da irresponsabilidade e da delinquência; pode, com ingratidão e crueldade, pregar à vida o desrespeito a Deus, mas a vida lhe responde com as trevas do caos.

 

Livro: RELIGIÃO DOS ESPÍRITOS. Emmanuel. (Espírito). Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Federação Espírita Brasileira. FEB. Rio de Janeiro – RJ. 10ª ed. 1995.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. Sociedade Espírita Amor e Conhecimento, Guaraniaçu – PR.

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Mecanismos de fuga do ego

Habituado ao não enfrentamento com o self, o ego camufla a sua resistência à aceitação da realidade profunda elaborando mecanismos escapistas, de forma a preservar o seu domínio na pessoa.

                Desse modo, podemos enumerar alguns desses instrumentos do ego, para acultar-lhe a realidade, facultando-lhe a fuga do enfrentamento com o eu profundo, tais como: compensação, deslocamento, projeção, instrospecção, e racionalização.

                Foi o admirável pai da Psicanálise individual, Alfred Adler, quem, percebendo que o órgão deficitário é substituído pelo seu par – um pulmão enfermo ou um rim doente -, estabeleceu que ocorre  uma compensação correspondente na área psicológica.

                Grandes ases da cultura física tornaram-se atletas, porque buscaram compensar a fragilidade orgânica, ou algum limite, entregando-se a extenuantes exercícios que lhes facultaram alcançar as metas estabelecidas. O mesmo ocorre nas artes, na ciência, com muitos dos seus paladinos. Essa compensação se enraíza nos fulcros de algum conflito e nos leva a exagerar determinada tendência como fenômeno inconsciente que nos demonstra o contrário.

                O excesso de devotamento a uma causa ou ideia é a compensação ao medo inconsciente de sustentá-lo. O fanatismo resulta da insegurança interior, não consciente, pela legitimidade daquilo em que se pensa acreditar, desse modo compensando-se.

                Há sempre um exagero, um superdesenvolvimento compensador, quando , de forma inconsciente se estabelece um conflito, por adoção de uma crença em algo sem convicção. O excesso de pudor, a exigência de pureza provavelmente são compensações por exorbitantes desejos sexuais reprimidos e anelos de gozos promíscuos, vigentes no ser profundo.

                Sem dúvida, não se aplica à generalidade das pessoas corretas e pudicas, mas àquelas que se caracterizam pelo excesso, pela ênfase predominante que dão a essas manifestações naturais.

                Na compensação ocorre a formação de reação, que responde pela necessidade de um efeito psicológico contrário. Desse modo, as atitudes exageradas em qualquer área camuflam desejos inconscientes opostos.

                Nessa compensação psicológica, o ego exacerbado está sempre correto e, sem piedade pela fragilidade humana, exprime-se dominador, superior aos demais, que não raro persegue com inclemência.

                Na distorcida visão egóica, a sua é sempre a postura certa, por isso exagera para sentir-se aliviado da tensão decorrente da incoerência entre o ego presunçoso e o eu debilitado.

                A compensação substituta – uma deficiência orgânica propele o indivíduo a destacar-se noutra área da saúde – também transfere-se para o campo emocional, e o conflito de ordem psicológica cede lugar ao desenvolvimento de uma outra faculdade ou expressão que se pode destacar, anulando, ou melhor dizendo, escamoteando o ocasional fenômeno perturbador.

                Graças à compensação substituta o ego se plenifica, embora tentando ignorar o desequilíbrio que fica sob compressão, reprimido. Todavia, todo conflito não liberado retorna e, se recalcado, termina por aflorar com força, gerando distúrbios mais graves. A compensação egóica é, sem dúvida, um engodo que deve ser elucidado e vencido.

                Cada criatura é o que consegue e, como tal, cumpre apresentar-se, aceitar-se, ser aceito, trabalhando pelo crescimento interior mediante catarse, consciente dos conflitos degenerativos.

                Todo esse mecanismo de evasão da realidade e mascaramento do ego torna a pessoa inautêntica, artificial, desagradável pelo irradiar de energias repelentes que causam mal-estar nas demais.

 

Do Livro: O SER CONSCIENTE. Joanna de Ângelis (Espírito), psicografia de Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada. 6ª Ed. – Salvador-BA. 1997.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza, CEAC Guaraniaçu – PR. [email protected]

O amanhã de Deus

Técnicos respeitáveis, interessados na problemática da saúde, nos complexos programas da educação, nos vários esquemas do serviço social investem o conhecimento e a dedicação, elaborando roteiros e traçando diretrizes para a erradicação da miséria e da ignorância nos vários departamentos humanos da Terra.

            Apoiados nos estatutos e nas experiências que vivenciam, todos credores do melhor respeito, afirmam que o problema é de profundidade e somente em profundidade deve ser atacado.

            Em face disso, outras pessoas argumentam que ante a impossibilidade de poderem solucionar os dramas que tresvariam as criaturas, resolvem-se por nada fazer, a fim de não complicarem a questão.

            No entanto, diante de alguém que padece fome, oferta-lhe a tua dádiva em forma de pão, hoje, e Deus completará o alimento, amanhã.

            Defrontando o enfermo que marcha, inexoravelmente, para o desespero, enseja-lhe o medicamento renovador agora e Deus se encarregará da saúde mais tarde.

            Surpreendido pela criança que tirita de frio e sofre nas malhas da miséria socioeconômica, auxilia-a imediatamente e Deus se encarregará dela depois.

            Encontrando uma região em sombras ameaçadoras, acende a claridade possível de imediato e Deus fará claridade posteriormente.

            Ante o aflito que o busca, divide o teu pouco, seja o que for, no momento da rogativa e Deus completará a ajuda nos dias sucessivos.

            Surpreendido pela ignorância, distribui informações esclarecedoras de pronto e Deus fomentará o conhecimento libertador nos dias seguintes.

            Não te escuses nunca ante o desafio da necessidade.

            Faze a parte que te esteja ao alcance e Deus produzirá, como até aqui, para o futuro.

Ninguém desconsidere o valor da migalha.

O pólen insignificante, o grão pequenino, o átomo invisível são bases sobre as quais se levantam inúmeras expressões da vida.

Enquanto os magnos problemas que aturdem a Humanidade não encontram solução, atende as pequenas dificuldades que te surjam, evitando que se ampliem ou que se avolumem, tornando o fardo dos homens mais pesado e atormentante  do que já se apresenta.

Não cruzes os braços.

Fala sobre o bem e atua no bem; refere-te à luz e acende lâmpadas de esperança; doa a moeda e ensina como adquirir o pão com dignidade; oferta o agasalho e promove o homem necessitado; elucida sobre o valor da cultura e ensina o alfabeto; comenta a excelência da prece e ora sem cessar, agindo e amando, porquanto, se nos cumpre fazer o melhor ao nosso alcance hoje, o amanhã que não podemos perscrutar nem decidir é de Deus.

 

Do Livro: TERAPÊUTICA DE EMERGÊNCIA. Diversos Espíritos. Scheilla (Espírito), psicografia de Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada. 1ª Ed. – Salvador-BA. 1983.

 

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza - CEAC Guaraniaçu – PR. [email protected]

Apelo em favor dos animais

Aos que veem luzes nestas letras, que traçam a estrada da Evolução Espiritual, e não se acham mas escravizados pelo gênio do mundo, à erva que seduz, às flores que encantam, tenham compaixão dos pobres animais, não os espanquem, não os maltratem, não os repudiem (não os escorracem)!

                Lembrem-se, amigos, que o Pai, em sua infinita misericórdia cerca-nos de carinhos, e, prevendo a deficiência de seus Espíritos infantis, lhes dá fartas colheitas sem a exigência de que semeiem ou plantem: prados cobertos de ervas e flores odorosas, bosques sóbrios, planícies e planaltos, onde não faltam os frutos da vida; rios, lagos e mares, por onde se escoam os raios do Sol, a luz da Lua, o brilho das estrelas!

                Sejam bons para com os seus irmãos inferiores, como desejam que o Pai Celestial lhes cerque de carinho e amor.

                Não encerrem em gaiolas os pássaros que Deus criou para povoarem os ares, nem armem ciladas aos animais que habitam as matas e os campos (o que resta deles).

                Renunciem às caçadas, diversão vil das almas baixas, que se alegram com os estertores das dores alheias, sem pensar que poderão também vir a ter dores angustiosas, e que, nesses momentos, em vez de risos e alegria, precisarão de bálsamo e misericórdia...!

                Homens! Tratem bem os seus animais, limpem-nos, curem-nos, alimentem-nos fartamente, deem-lhes descanso, folga no serviço, porque são eles que os ajudam na vida, são eles que os auxiliam na manutenção de suas famílias, na criação de seus filhos.

                Acariciem seus animais - de estimação – deem-lhes remédio na enfermidade, tratamento, liberdade e repouso na velhice.

                Não sobrecarreguem os animais que os servem como fazem com as pessoas os escribas e fariseus, impondo-lhes pesados fardos que eles nem com a ponta do dedo os querem tocar.!

                Lembrem-se que os animais são seres vivos, que sentem, que se cansam, que têm força e inteligência limitadas, e que finalmente pensam, e que em limitada linguagem acusam  a sua impotência, a sua fadiga irreparável aos golpes com são oprimidos.

                A MANIFESTAÇÃO DE UM CÃO

                A imprensa de além-mar – Morning Post (1938) nestes últimos anos se tem ocupado muito dos fenômenos psíquicos, porque parece serem eles o assunto predileto dos leitores (daquele tempo). Jornais europeus, de grande tiragem, bem como a imprensa americana, que tira mais de um milhão de exemplares, na edição da manhã, e mais ou menos na edição da noite, todos se referem... a esse fenômeno que vem chamar a atenção para a imortalidade da alma.

Uma senhora ficou muito triste com a morte do seu cão. Na noite seguinte ela vê o cão aproximar-se de seu leito. Na outra noite, o cachorrinho apareceu ainda, mas desta vez acompanhado por um cão d’água*.  Ora esta senhora habita uma casa alugada. E indo visitar seus proprietários, ela conta-lhes esta história; então, eles pedem-lhe que descreva o outro cão que ela vira... satisfeito o pedido, eles dizem: - É justamente o nosso pequeno cão; ele morreu quando habitávamos a casa, e foi enterrado no jardim! A locatária ignorava completamente os detalhes retrospectivos.

                É outro caso bem interessante de dupla manifestação, com dupla identidade, de dois cães mortos. Se não houve alma no cão, como poderia ele aparecer depois de morto?

 

Livro: GÊNESE DA ALMA. Cairbar Schutel.  Casa Editora o Clarim. Matão - SP. 6ª Ed. 1982.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza - Sociedade Espírita Amor e Conhecimento. Guaraniaçu – PR [email protected]

Educação dos impulsos afetivos

            Lamentavelmente, são imensas as multidões que se precipitam nos pauis de infortúnios, desesperação e dores, a partir dos desassossegos que os impulsos afetivos mal conduzidos lhes impõem...

            É comum um dos parceiros, mais costumeiramente o elemento masculino, quando não devidamente orientado, lançar-se aos exageros e ansiedades pelo prazer que a sexualidade oferece, sem qualquer consideração pelo outro coração.

            Desrespeitando os períodos de enfermidade, ou do ciclo ovulatório da companheira, alegando que carregam necessidades que precisam de inadiável atendimento, e, quando não contam com a anuência do outro ser, ou quando a situação, de fato, não aconselha a expansão do prazer libidinal, partem esses atordoados dos sentidos para experiências comprometedoras fora do clima doméstico, criando dificuldades ou dramas afetivos para sofrê-los durante um tempo imprevisível...

            Desconhecem que os Espíritos que renascem em corpos de homens ou de mulheres são os mesmos, caldeando experiências, com vistas à renovação e ao progresso urgentes.

            Dessa forma, esses Espíritos imprimirão em seus circuitos neurológicos, em sua estrutura somática, as descargas de sentimentos, de desejos, de harmonias ou desarmonias que estejam trazendo na bagagem da alma, de tempos remotos ou próximos, de conformidade com as rotas de maior ou menor equilíbrio que tenham vivido...

            O mais importante, na relação do casal, é o nível de ternura, de amizade, de bem-querer, de respeito, de confiança que hajam desenvolvido na vida em comum, tanto que a inter-relação meramente fisiológica pode ser conseguida com qualquer outro ser, mas o complemento nutriente, que com confere saúde, encantamento pela vida e paz, somente se consegue obter quando os corpos que se unem servem a almas que se amam num quadro de dedicações recíprocas...

            Uma educação bem fundamentada nos princípios das leis de Deus, onde cada criatura passa a refletir sobre sua condição de ser perene, de ser eterno, porque de uma realidade atemporal, conduzirá os parceiros da conjunção sexual a reconsiderar sempre as suas relações no mundo, usufruindo as bênçãos da libido bem norteada, sem perder o passo das finalidades desse sublime prazer no mundo, prazer que não deve nem necessita ser conspurcado, adulterado, prostituído, tornando-se, nesse estuário harmonioso, a quota de divindade que há em cada criatura...

            Busca descobrir no outro coração, que partilha as lutas diárias contigo, a alma querida com a qual guarda compromissos formosos, desde passados tempos, ou com quem deverás ressarcir difíceis problemas produzidos nos tempos da loucura ou do descompasso moral...

            Educa-te e ajuda a quem compartilha afetividade contigo, a fim de que ambos se libertem, gradualmente, do império da sensação, fazendo com que as mais felizes emoções superem as tormentas da carne e te façam vitorioso com a alma que te merece terna atenção, confiança, dedicação, em nome do Amor, que é o próprio Deus a respirar por ti.

 

Livro: EDUCAÇÃO E VIVÊNCIAS. Camilo (Espírito), psicografia de José Raul Teixeira. Fráter Livros Espíritas.  Niterói – Rio de Janeiro – RJ. 3ª Ed. 2004. Pág. 81-84

O que Deus quer

As costumeiras expressões populares trazem, muitas vezes, no seu íntimo, contradições, incoerências e outras figuras que não condizem com a correta postura para os seres.

                Dentre as várias expressões, que arrolamos nessa condição, achamos: Deus me vingará...; Confio na ira divina...; Devemos temer a Deus, etc. Mas uma delas servirá para as reflexões pretendidas no momento. É a que a maioria utiliza perante quaisquer realizações ou pretensões de realização: Se Deus quiser....

                Se Deus quiser, viajaremos; se Deus quiser, compraremos; se Deus quiser fulano há de pagar pelo que fez...; hei de ver o seu fim, se Deus quiser...

                Embora a beleza da expressão que dá a entender que o ser humano se dobra perante a sabedoria absoluta do Criador, há incoerências e inconsistências dignas de nota.

                Como admitir que realizaremos alguma coisa sem que nos achemos na pauta do equilíbrio e do bem, e que Deus nos possa chancelar as atitudes?

                Como pensar que o mal se deseje a alguém  que caiu em desgraça em nossa consideração terá o aval do Pai da Vida?

                De que modo o espírito perdulário, ou a ansiedade por comprar desbragadamente ou a ideia de consumo sem limites, pode receber o auxílio do nosso Criador?

                Como entender que as posturas mesquinhas, ditadas por mágoas ou pelo orgulho ferido, possam fazer parte dos interesses do Pai do Céu?

                Essa forma de ver e de pensar, ou seja, quando passamos a crer que tudo o que se faz é porque Deus o quis ou porque Deus o quer, indicará a faixa de imaturidade em que se acham os indivíduos, sem a mínima reflexão a respeito da grandiosidade de Deus sobre as coisas e os seres, no seio do infinito.

                Bom seria se, de fato, o que cada alma realizasse na vida fosse a vontade de Deus, representasse o que Deus deseja de nossas posturas. Bom seria!

                Se Deus quiser, ainda conseguiremos alcançar a madureza intelectual e moral, de modo a valorizarmos a vida terrena, recebendo a vontade do Senhor com harmoniosa resignação. Aí, então, é compreensível que Deus o queira. Deus o quer de fato.

                Se Deus quiser, trabalharemos para plasmar tempos melhores no mundo, aprendendo a dar a César o que é dele e a Deus o que a Ele pertence. Indubitavelmente, Deus o quer.

                No entanto, em nenhuma hipótese a expansão da sombra, do erro e do mal obteria o apoio do Senhor para sua implementação. Sempre que alguém o realize, obtendo ou não qualquer êxito, isto significa o respeito da Divina Vontade ao livre-arbítrio humano, mas tudo ficará inscrito na pauta das causas e efeitos. Vemos que nem sempre é Deus que programa as ocorrências, mas é sempre Ele que o permite, acatando os exercícios indispensáveis para que aprendamos a bem utilizar o nosso livre-arbítrio.

                É por esse respeito dos Céus aos pendores humanos, na romagem evolutiva em que se veem os indivíduos, que o Senhor permite que se atirem nas valas da autodestruição, dos homicídios, do alcoolismo, da drogadição. É por meio dessas experiências frustradas que os humanos vão aprendendo, gradualmente, a bem utilizar a sua capacidade de fazer escolhas.

                É assim que Deus acompanha os movimentos trôpegos da calúnia, das traições, da fuga dos deveres, da perturbadora sanha da mentira, mundo afora.

                Nada disso ocorre porque Deus o deseje, mas porque Ele concede a cada um dos Seus filhos o tempo para crescimento, para o amadurecimento, a fim de tudo entender, na gradualidade correspondente à evolução de cada um.

                Deus quer que nos enriqueçamos com valores do intelecto e do coração, de modo a galgarmos os caminhos da plena renovação. Nós todos o conquistaremos, um dia porque Deus o quer.

 

Livro: EM NOME DE DEUS. José Lopes Neto (Espírito), psicografia de José Raul Teixeira. Fráter Livros Espíritoas.  Niteroi – Rio de Janeiro – RJ. 1ª Ed. 2007. Manoel Ataídes Pinheiro de Souza - Sociedade Espírita Amor e Conhecimento, Guaraniaçu – PR [email protected]

OBSERVAÇÕES

Quase todos os que se abeiram das atividades espíritas estimariam o desenvolvimento rápido das faculdades psíquicas de que são portadores e, por vezes, quando não atendidos, padecem nocivo arrefecimento de ideal.

                Esmaece o fervor dos primeiros contatos com a fé, porque o propósito fixo de surpreender o milagre transforma-se neles em aflitiva obsessão.

                Contudo, há singularidade no assunto, que não podemos menosprezar.

                Que seria da ordem e do equilíbrio dos serviços terrestres, se a totalidade das criaturas, instruídas ou não, se pusessem a investigar quanto à vida nos outros mundos?

                Toda colheita exige preparação e sementeira.

                Imaginemos um avião moderno, perfeitamente equipado, sobrevoando pacífico vilarejo do século XIV, sem aviso prévio. Que lucraria a ciência náutica, de imediato, senão espalhar o terror? Que recompensa adviria, em nosso favor, se constrangêssemos uma taba indígena a ouvir um concerto de Paganini, sem oferecer-lhe os rudimentos da educação musical?

                O progresso, como a luz, precisa graduar-se para não ferir os cegar as pupilas que o contemplam.

                Compreendamos, acima de tudo, que a existência não é fenômeno que se articula à revelia dos grandes responsáveis da evolução.

                A liberdade do homem ainda está longe de atingir os princípios cósmicos que nos presidem os destinos.

                A inteligência humana interferirá nos domínios da matéria densa, alterando o que pode ver; todavia, jaz extremamente distante das regiões do espírito puro, onde se guarda o controle das Leis Universais.

                Desdobrando novos painéis da vida, diante da mente sequiosa de conhecimento e renovação, não é o mundo espiritual que deve descer para o homem e sim o homem que precisa elevar-se ao encontro dele.

                E semelhante ascensão não será simples serviço da mediunidade espetacular. É obra de sublimação interior, gradativa e constante, sobre os alicerces do bem, ao alcance de todos.

                As portas do tesouro psíquico estão vigiadas com segurança.

                A direção de uma central elétrica não pode ser confiada às frágeis mãos de um menino.

                Como conferir, de improviso, ao primeiro candidato à prosperidade mediúnica a chave dos interesses fundamentais e particulares de milhões de almas, colocadas nos mais variados planos da escala evolutiva?

                Naturalmente que as grandes responsabilidades não são inacessíveis, mas a criança precisa crescer para integrar-se em serviços complexos; e o colaborador iniciante, em qualquer realização, necessita do tempo e do esforço a fim de converter-se em auxiliar prestimoso.

                Nos problemas de intercâmbio com a esfera superior, desse modo, antes do progresso medianímico, há que considerar o aprimoramento da personalidade para melhor ajustar-se à obra de perfeição geral.

                O grande rio, sem leito adequado, ao invés de correr, beneficiando a paisagem, encharca o solo, transformando-o em pântano letal.

                A ponte quebradiça não suporta a passagem das máquinas de grande porte.

                A mediunidade, como recurso de influenciar pra o bem, não se manifesta sem instrumento próprio.

                Só o grande amor pode compreender as necessidades de todos. Só a grande boa vontade pode trabalhar e aprender incessantemente para servir sem distinção.

                Antes de nos mediunizarmos, amemos e eduquemo-nos. Somente assim, receberemos das ordenações de mais alto o verdadeiro poder de ajudar.

 

Livro: ROTEITO. Emmanuel. (Espírito). Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Federação Espírita Brasileira. FEB. Rio de Janeiro – RJ. 13ª ed. 2008.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. Sociedade Espírita Amor e Conhecimento, Guaraniaçu – PR.

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