O Ponto do Conto - João Olivir Camargo
Vingança em alto estilo

Quando procurava algo sobre o exame de próstata que tanto preocupa os homens, achei em Recanto das Letras a publicação do texto a seguir transcrito: “Ela com 19 e eu com 20 anos de idade. Lua-de-mel, viagens, prestações da casa própria e o primeiro bebê, tudo uma beleza. Anos oitenta, a moda na época era ter uma filmadora do Paraguai. Sempre tinha ou tem um vizinho ou mesmo amigo contrabandista disposto a trazer aquela muambinha por um precinho muito bom. Hora do parto, ela tinha muita vergonha, mas eu, teimoso, desejava muito eternizar aquele momento. Invadi a sala de parto com a câmera no ombro e chorei enquanto filmava o parto do meu primeiro filho. Não, amor! Que vergonha! Todo mundo que chegava lá em casa era obrigado a assistir ao filme. Perdi a conta de quantas cópias eu fiz do parto e distribuí entre amigos, parentes e parentes dos amigos. Meu filho e minha esposa eram os meus orgulho e tesouro. Três anos se passaram aí nova gravidez, novo parto, nova filmagem, nova crise de choro, tudo como antes. Como ela "categoricamente" me disse que não queria que eu a filmasse dessa vez, sem ela esperar, invadi a sala de parto e mais uma vez com a câmera ao ombro cumpri o mesmo ritual. As pessoas que me conhecem sabem que em mim havia naquele momento apenas o amor de pai e marido apaixonado nesse ato. O fato de fazer diversas cópias da fita era apenas uma demonstração de meu orgulho. Agora eu com 50 ela com 49. Nada que se comparasse ao fato de ela, nessa semana, num instinto de vingança, invadisse a sala do meu urologista, com a câmera ao ombro, filmando o meu exame de próstata. Eu lá, com as pernas naquelas malditas perneiras, o cara com um dedo (ele jura que era só um!) quase na minha garganta e minha mulher gritando: - Ah! Doutoooor! Que maravilha! Vou fazer duas mil cópias dessa fita! Semana que vem estou enviando uma para o senhor! Meus olhos saindo da órbita fuzilaram aquela cachorra, mas a dor era tanta que não conseguia nem falar. O miserável do médico, pra se exibir, girou o dedão!!! Ah! eu na hora vi o teto a dois centímetros do meu nariz. E a minha mulher continuou a gritar, como se fosse um diretor de cinema: - Isso, doutor! Agora gire de novo, mais devagar dessa vez. Vou dar um close agora... Na hora alcancei um sapato no chão e joguei na maldita. Agora, estou escrevendo este e-mail pedindo aos amigos, parentes e outros mais que se receberem uma cópia do filme, que o enviem de volta para mim. Eu pago a taxa de reembolso”.

 

P.S. Crédito do texto original: Júlio Sérgio, Recife, Pernambuco.
 

MAL DE CHAGAS - Em Brasília a jovem paciente levou o resultado do exame de sangue recomendado pelo médico, e ouviu do doutor:

- Sinto muito, a senhorita foi sugada por um barbeiro.

- Nossa doutor, ele me garantiu que é senador!
 

No alto daquele cume

O idioma de Camões ou a Flor do Lácio como dizem, tem palavras que permitem que se criem situações diversas ou até mesmo hilárias, tanto que acabei lembrando um tempo que ficou muito para trás, ou seja, há mais de meio século. Lá pelos fins dos anos cinquenta, com a mãe e os irmãos morávamos no interior do município de Palmas, entre os rios Estrela e Cadeado, onde tínhamos um pequeno armazém que atendia os fregueses das fazendas e de uma madeireira na qual meu tio Julio Gabardo era o gerente e meu mano mais velho, Farides trabalhava no escritório. Nosso pai já havia falecido. Vieram à mente as noites geladas dos Campos de Palmas quando nos reuníamos ao redor do fogão de lenha e minha mãe e meus tios Julio e Antenor, descendentes de italianos começavam a cantoria acompanhados pelo mano que já dedilhava o violão razoavelmente. Não lembro qual dos tios que animado por uns goles de vinho recitava um poema malando com tremendo duplo sentido. Ao me referir a Camões no início da coluna, a sugestão é para que meus cinco ou seis leitores (sou convencido, não?) dêem uma olhada nos dicionários e procurem a definição da palavra CUME que, basicamente quer dizer: cimo, parte elevada, alta, cume da montanha e tem como sinônimos: alto, cima, cimo, píncaro, topo, ápice, apogeu, auge ou clímax. O que me fez lembrar o tio declamando foi o fato de descobrir a gravação da declamação do tal Gaudério Bicudo e também do cantor nordestino Falcão, aquele que veste roupas espalhafatosas e ostenta um enorme girassol na lapela do paletó. Diz a letra do tal poema: - No alto daquele CUME, plantei uma roseira, o vento no CUME bate, a rosa no CUME cheira. - Quando vem a chuva fina, salpicos no CUME caem, formigas no CUME entram, abelhas do CUME saem. – Quanto cai a chuva grossa, a água no CUME desce, o barro no CUME escorre, o mato no CUME cresce. Então quando cessa a chuva, no CUME volta a alegria, e torna a brilhar de novo, o sol que no CUME ardia.

P.S. Peço perdão a quem se sentir melindrado e gostaria de expressar os parabéns ao Jornal Correio pelo editorial de dias atrás que fala do “politicamente correto” para quem, cantar o Hino Nacional antes das aulas nas escolas é um ato da ditadura, enquanto cantar e dançar funk rebolando o traseiro em sala de aula é expressão artística.  

P.S. Diálogo da secretária com o chefe:

Secretária -Tenho uma má notícia para te dar.

Chefe - Sempre com más notícias, conte pelo menos uma boa.

Secretária - Ok... tenho uma boa, você não é estéril.  

Dava cadeia, na certa!

Corria o início dos anos noventa, a Joana me chamou para mostrar duas plantinhas até então desconhecidas que haviam brotado num canteiro de radici (também conhecido como almeirão) que tínhamos logo na entrada do portão da horta na casa onde residíamos. Mantemos até hoje hábitos antigos e um deles é a horta cultivada com os temperos do dia a dia, verduras e legumes diversos. As plantas que despertaram a curiosidade nasceram de forma espontânea e até então eram desconhecidas dela. Entre os pés de radici, as estranhas plantinhas já mediam aproximadamente meio metro de altura e estavam viçosas e com folhas muito verdes. Quem ficou curioso fui eu, pois logo identifiquei dois pés de cannabis sativa, a popular maconha. Lembramos que alguns dias antes havíamos recebido a visita de um casal jovem que conhecemos numa cidade do Sudoeste do Estado, onde moramos durante cinco anos. Eles haviam chegado numa tarde, jantaram conosco, pernoitaram num quarto de visitas e seguiram viagem rumo a Foz do Iguaçu no dia seguinte. Ao arrumar o quarto, a Joana deparou com algumas sementes estranhas no chão, recolheu-as e jogou no canteiro de radici. Eram redondas e um pouco maiores do que as sementes de mostarda. Duas delas, em contato com a terra que era regada diariamente brotaram e já estavam bem maiores que os pés de verdura. Identificada a origem da situação e passado o susto, principalmente dela, arrancamos as duas plantinhas e tive a idéia de replantá-las nos fundos dum pequeno paiol, junto à parede, debaixo do beiral numa cova de terra muito dura e seca onde não caía chuva alguma. Para nossa surpresa, uma delas secou enquanto a outra pegou e continuou crescendo. Admirávamos o vigor da planta que aparentava um pé de mandioca, com suas folhas estreitas e longas serrilhadas nas extremidades. Com quase dois metros era bonita e até certo ponto ornamental. Não era visível da casa e de quem por ali circulasse, mas o fundo do paiol era a divisa com um pequeno potreiro  frequentado por pessoas que ali mantinham alguns cavalos e vacas leiteiras, além de garotos e adolescentes que vinham caçar passarinhos. Resolvemos eliminar o pé de maconha que foi cortado pela raiz e totalmente queimado numa fogueira, pois no caso de alguém identificar a planta e nos denunciar à polícia, quem iria acreditar na nossa mirabolante história?      

Fatos da nossa história "I"

Atendo várias pessoas interessadas em saber um pouco mais da história local e regional, principalmente quando se aproxima o concurso público a ser realizado pelo Município de Laranjeiras do Sul. Não tenho mais nenhum exemplar do livro NERJE que tanto buscam, mas é bom informar que nos últimos concursos realizados, raríssimas perguntas se referiam ao Município e que os principais fatos históricos também constam dos livros O Espaço em Construção e Território Federal do Iguaçu, escritos pelo professor Arno Mussói, e ainda deve ter exemplares nas livrarias. Atendendo sugestões, a partir de agora usarei mensalmente este espaço gentilmente franqueado pelos diretores deste jornal para lembrar fatos relacionados à nossa história e o farei de forma cronológica. No dia 09 de março de 1945, há 74 anos, realizou-se a primeira audiência extraordinária do Juízo da Comarca de Laranjeiras do Sul, sob a presidência do juiz Joel Quaresma de Moura, atuando no Ministério Público o promotor Alceu Saldanha Faria; No dia 06 de março de 1946, há 73 anos, o governador do Território Federal do Iguaçu, Frederico Trotta, nomeou Alcindo Natel de Camargo no cargo de prefeito, a mesma função que exerceu no governo anterior de Garcez do Nascimento. No dia 06 de março de 1947 foi nomeado o cidadão Wilson Poletto como o primeiro tabelião da Comarca e, Arival Natel de Camargo assumiu o cargo de oficial do Registro de Imóveis no dia 31 do mesmo mês e ano; Há 66 anos, no dia 24 de março de 1953 foi oficializada a doação do terreno onde se localiza a Igreja Matriz Sant`Ana à Mitra da Prelazia de Foz do Iguaçu, a qual pertencia a nossa paróquia; Há 57 anos, no dia 13 de março de 1962 foi criado o Distrito de Nova Laranjeiras que no passado era conhecido como Rio das Cobras. Nova Laranjeiras foi emancipado como município no dia 16 de maio de 1990 pela Lei Estadual nº 9.249 e instalado oficialmente no dia 1º de janeiro de 1993; à época a cidade de Laranjeiras do Sul não possuía nada no que se refere a pavimentação de ruas, serviço que começou há 59 anos apenas na XV pela empresa Pavimentadora Alpha Ltda; não havia o cargo de vice-prefeito e mudanças nas leis federais criaram a função cabendo as câmaras municipais indicarem um de seus membros para tal. Assim, no dia 22 de março de 1964, pelo voto secreto foi indicado o médico e vereador Carmosino Vieira Branco (in-memoriam) como o primeiro vice-prefeito da nossa história; no dia 31 de março de 1968, entrou no ar em caráter experimental a Rádio Educadora, operando em AM com 250 watts de potência. Pouco tempo depois este colunista passou a fazer parte da equipe tendo atuado em radiodifusão por quase duas décadas. Atualmente a Educadora opera em FM, na frequência 103.9, sendo sintonizada com clareza em mais de 60 municípios. Mês que vem tem mais história neste espaço que ocupo desde março de 2000, há 19 anos.

MICO CAVALAR

Livros de história e dicionários ensinam que o substantivo feminino AMAZONA refere-se às índias guerreiras que teriam sido encontradas por colonizadores da América do Sul que, além de destemidas montavam cavalos com maestria. Vem desta lenda os nomes Amazonas e Amazônia. Feito o preâmbulo lembro que quando adolescente vim de Mandirituba na região metropolitana de Curitiba morar na Fazenda São Pedro, interior de Mangueirinha onde minha mãe era professora numa escola isolada, como se dizia, tendo entre seus alunos filhos e filhas de famílias de duas madeireiras das proximidades e de agregados que prestavam serviço na fazenda. Meninos e meninas vinham a cavalo e deixavam os animais presos na soga onde houvesse água e boa pastagem. Uma destas alunas, a Maria Emiliana, era a verdadeira amazona, montava os animais mais ligeiros e para fazer graça os fazia empinar e as vezes até corcovear. Chamavam a atenção tanto a habilidade da pequena amazona como a beleza de quem já era uma mocinha. Iniciamos um namorico de troca de olhares mais demorados e mais tarde alguns bilhetes melosos. Nós também tínhamos cavalos, entre eles uma égua de pelagem baia extremamente ligeira. Justamente no horário do recreio quando todos estavam em frente à escola fui incumbido de buscar a dita égua que estava na soga há uns duzentos metros da casa. Tive a infeliz idéia de montá-la, tendo o animal apenas o cabresto onde ficava preso à corda ou soga. Tão logo me encarapitei naquele lombo macio a égua iniciou uma tremenda disparada e não consegui contê-la sem o freio na boca, mas apenas o cabresto e pela inexperiência com cavalos. Passamos disparados muito próximo dos alunos e eu berrando “acudam” a plenos pulmões, gritos que, involuntariamente, animavam a égua a correr ainda mais. Em frente ao portão o animal estacou, apeei tremendo como vara verde e envergonhado pelo desastroso mico que paguei diante da pequena amazona que com cara de penalizada se aproximou e segurou a baia pela corda. Ainda ouvi um sermão da mãe que sempre desaconselhou montar aquele animal. Tempos depois virei peão e cavaleiro razoável e meu animal preferido era a égua baia, ligeira, mas dócil e mansinha.

JOÃO BOIADEIRO – Num começo de noite estávamos com o mano José olhando a estradinha em frente a casa quando passava o vizinho João Boiadeiro cavalgando um burro e puxando outro com bruacas. Súbito o muar que era a montaria corcoveou e vimos o João escorregar pelo seu pescoço e ficar em pé segurando-o pelas rédeas. Meu mano gritou: “Caiu do burro Seu João?” E ouvimos a resposta: “Não caí e você viu moço, o burro é que saiu debaixo de mim!”       

O RÁDIO ONTEM E HOJE

Aquelas emissoras de rádio que ouvíamos em AM (Amplitude Modulada) foram modernizadas e a maioria agora opera em FM (Frequência Modulada), com sensível melhora do som e em alguns casos com mais potência e alcance. Falando em rádio, lembro de um passado distante e até histórico voltando no tempo mais de meio século. Nascido em Areia Branca dos Assis, hoje um dos distritos de Mandirituba, onde meu pai João Afonso que faleceu com pouco mais de 40 anos, era uma liderança do lugar e bem situado comerciante, com armazém e posto de combustíveis. Um dos poucos que possuía automóvel, seguidamente levava moradores doentes que precisavam receber tratamento em Curitiba distante 48 quilômetros. Dona Nahir, minha mãe, contava que o primeiro aparelho receptor de rádio do lugar foi comprado por meu pai. Era do tipo “caixão de abelha”, grande, com válvulas e funcionava a bateria, que após alguns dias precisava ser recarregada. Foi instalado numa prateleira do armazém e quase sempre sintonizado em emissoras de São Paulo, que transmitiam notícias e tocavam música sertaneja. Dona Nahir lembrava que vinha gente comprar um litro de querosene para o lampião ou um naco de fumo em corda e ficava horas no armazém para ouvir rádio. Lembrou do velhote João Rita, nosso vizinho, freguês assíduo de nossa casa que um dia pediu ao meu pai: “Joãozinho, ponha na música Saudade de Matão”. Como fosse possível escolher o que queria ouvir no rádio. Algum tempo depois, já morando no interior de Palmas, era surpreendente a quantidade de homens que se reuniam principalmente aos sábados e domingos na cancha de bochas do armazém da família Correia. Eles haviam comprado um rádio e um “Professor Pardal” do lugar conseguiu estender uma antena e o rádio e a bateria eram colocados próximo à cancha. Os Correia compraram duas baterias e sempre tinham uma carregada de reserva. Em compensação, foi o tempo em que mais venderam cerveja que era gelada em refrigerador a querosene (havia isso também), muita cachaça, linguiça e sardinha em lata. Cresci ouvindo rádio e com o mano José Itamir tocávamos com duas sanfonas quase todo o repertório dos Irmãos Bertussi, Teixeirinha e a maioria das sertanejas da época. Quis o destino que virasse comunicador de rádio desde o final da década de 60 e permaneci nessa profissão por quase duas décadas.

P.S. Para desopilar o fígado: Depois das prisões de Eike Batista, Joesley Batista, Wesley Batista e do terrorista italiano Cesare Batisti, periga o professor Nilton Batista da UNINTER aqui de Laranjeiras do Sul fugir do país. Parece que o cantor Amado Batista já deu no pé!    

RACISTAS, MAS NEM TANTO...

Na rua XV de Novembro, aqui em Laranjeiras do Sul se situa a Banca São José de propriedade do simpático cearense José Alves Martins, onde encontramos gibis antigos, defumadores, incensos, sabonetes para descarrego e um sem fim de cacarecos úteis no dia a dia. É o local de encontro de velhos moradores que conhecem a história antiga da região e são capazes de contá-la em detalhes. Lembramos de famílias de priscas eras que se tornaram inimigas, ocorrendo então várias mortes e vinganças. Muitos dos valentões já partiram desta para a melhor, restando alguns já na chamada terceira idade que hoje vivem pacificamente. Alguém lembrou de uma comunidade do interior colonizada por italianos vindos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina que ali construíram capela e cemitério, mas racistas que eram só permitiam sepultamentos dos de sua raça. Numa serraria, nas proximidades, havia falecido um operário negro que não tinha familiares na região e o gerente conhecido como Seu Joanim, providenciou o feitio do caixão e, com um grupo de operários aboletados sobre um caminhão foram sepultar o finado no dito cemitério. Alguns dos fundadores da comunidade se dirigiram ao local e impediram o sepultamento daquele homem de pele escura. Depois de muita discussão debaixo duma garoa fina já estavam se aprontando para colocar o caixão novamente no caminhão e procurar outro local, quando pela estrada vinha um cavaleiro no passo cadenciado da sua mula. Amigo do gerente da madeireira, apeou e foi até ele se inteirar do assunto. Havia tirado a capa de chuva e da sua guiaca pendiam o 38 de cano longo e a faca carneadeira. Sabendo da proibição entrou calmamente no pequeno cemitério onde os peões já haviam aberto a cova para sepultar o colega, olhou ao redor e ordenou: “Podem abrir mais um buraco!” Alguém argumentou que era um defunto só e perguntou o porquê de um segundo buraco. Com a mesma calma o homem completou: “O outro buraco é para o primeiro que tentar impedir o enterro do pobre peão.” Conhecendo o personagem, não só permitiram o sepultamento como ajudaram a jogar terra sobre o caixão e recitaram breve oração fúnebre. O cavaleiro da história real hoje beira os 80 anos, cumpriu um tempão engaiolado e tem muitos amigos aqui em Laranjeiras do Sul, inclusive este colunista. Encerrando, lembro que meu falecido sogro, filho de poloneses que muito sofreram na Europa detestava alemães, tanto que só se referia ao namorado de uma de suas filhas como “Quinta Coluna”.

P.S. A expressão Quinta Coluna se popularizou internacionalmente com a Segunda Guerra Mundial, quando foi utilizada para se referir aos soldados que defendiam a invasão nazista e de seus aliados a países considerados inimigos e também a espiões e traidores da própria pátria.

VOCÊ ANDA MAIS QUE NOTÍCIA RUIM!

Foi a frase que ouvi de manhã há algum tempo atrás quando me dirigia ao trabalho na prefeitura onde completei 22 anos de labuta no serviço público e, devo acrescentar que lá muito aprendi nestas mais de duas décadas. Explico o motivo da saudação inusitada: na véspera, havia ocorrido a posse do governador do Estado, evento transmitido pelos meios de comunicação da Capital e, depois de formar a mesa de honra o mestre de cerimônias agradeceu pela presença de algumas autoridades citando entre outros o nome de JOÃO OLIVIR GABARDO, o xará importante deste colunista. Há 25 anos, ou seja, no dia 14 de outubro de 1994 era inaugurado o CAIC Irmã Dulce aqui em Laranjeiras do Sul, quando Mário Pereira respondia pelo governo estadual, o presidente era Fernando Collor, o prefeito local José Augusto Beck Lima, o ministro da educação Murilo Avelar Hingel e o secretário estadual de educação, João Olivir Gabardo. Neste evento, este colunista oriundo do rádio era o mestre de cerimônias e senti que os presentes estranharam quando chamei ao palco o secretário João Olivir Gabardo, confusão desfeita quando viram o homem um tanto mais velho que o escriba, um pouco mais alto e bem calvo. Em 1999, quando lancei o livro NERJE o deputado Nereu Moura, presente ao ato, diante de centenas de pessoas que lotavam o Iguaçu Tênis Clube fez a saudação aos presentes, especialmente ao autor da obra João Olivir Gabardo. Logo percebeu o engano e consertou a fala da forma elegante como é do seu estilo. Sempre o tive como um terno amigo e leitor fiel desta coluna. Meu xará famoso que é advogado e geógrafo nasceu em União da Vitória no ano de 1931, foi vereador, deputado estadual, deputado federal, senador, professor universitário e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Paraná, além de outros cargos de importância na seara política. Devido a um parentesco com minha avó materna batizada como Regina Gabardo e pelo fato de meu pai que recebeu o nome de João Afonso, deram-me o nome desse parente distante o que gerou certa confusão em alguns atos públicos, pois Gabardo e Camargo soam de forma parecida. Meu amigo ouviu a noite pelo rádio o reprise de trechos do evento na Capital, quando foi citado o nome do meu xará importante. Este foi o motivo do amigo me saudar de manhã desta forma: Bom dia, puxa... Você anda mais do que notícia ruim. Ontem de noite você não estava em Curitiba?

AGIMOS COMO FARISEUS

No último dia 23 de janeiro, como é de costume, logo pela manhã, com a Joana acompanhamos a celebração da Santa Missa sintonizados com um canal católico de televisão. O Evangelho da citada data, escrito pelo apóstolo São Marcos, é o que abaixo segue:

“Naquele tempo, 3 1 entrou Jesus na sinagoga e achava-se ali um homem que tinha a mão seca. 2 Ora, estavam-no observando se o curaria no dia de sábado, para o acusarem. 3 Ele diz ao homem da mão seca: "Vem para o meio." 4 Então lhes pergunta: "É permitido fazer o bem ou o mal no sábado? Salvar uma vida ou matar?”Mas eles se calavam. 5 Então, relanceando um olhar indignado sobre eles, e contristado com a dureza de seus corações, diz ao homem: "Estende tua mão!" Ele estendeu-a e a mão foi curada. 6 Saindo os fariseus dali, deliberaram logo com os herodianos (seguidores de Herodes) como o haviam de prender.”
Tão logo terminou a Missa na televisão a Joana mudou de canal no exato momento em que era noticiado que um padre fora flagrado pelas câmaras de segurança furtando um par de óculos numa loja de Guarapuava. Ora, a mesma notícia já havia sido divulgada na véspera em vários canais de TV, no Rádio, nos jornais e na Internet. Concluímos, com a Joana, que também nós como a mídia agimos tal e qual os Fariseus do Evangelho em nosso cotidiano. Nosso semelhante pode ter inúmeras virtudes, mas basta uma “pisada na bola” para apontarmos o dedo acusador. Pelo que sabemos, a igreja, e não nos referimos apenas à Católica Apostólica Romana a qual somos seguidores, mas as demais denominações, têm levado incontáveis pessoas a seguir o bom caminho, abandonando vícios e costumes transgressores, mas disso, pouca gente ou ninguém fala. Outro exemplo: os prefeitos dos municípios, dentro de suas limitações, realizam várias obras que a população necessita, mas diante da impossibilidade muitas vezes financeira deixam de fazer algumas que também são necessárias e pronto, tornam-se os personagens principais das fofocas e críticas. Já ouvi munícipe que apanha com regularidade cinco ou mais medicamentos nos postos de saúde. De repente, falta um destes e já é motivo para ir até o bar da esquina, pedir um martelinho de cachaça e se sair com esta: “Falei pra moça lá no posto: “Porque não fecham esta bosta?” Voltando aos eleitos pelo voto, é bem verdade que alguns e não são poucos deixam a desejar, mas não podemos generalizar, o que não nos cabe é torcer pelo fracasso deles, que também será o nosso e quando formos apontar o dedo acusador para o vizinho, lembremos dos Fariseus do Evangelho. 

POOR NIÁGARA!

 Os noticiários no rádio, televisão e jornais destacaram neste mês prestes a terminar o 80º aniversário do Parque Nacional do Iguaçu, criado efetivamente em 10 de janeiro de 1939, através do Decreto-Lei nº 1.035 do então Presidente da República, Getúlio Vargas. Em 17 de Novembro de 1986, recebeu a distinção, concedida pela UNESCO, de Patrimônio Natural da Humanidade. Para orgulho dos paranaenses esse espetáculo da natureza fica na divisa do nosso Estado com a Argentina e, obviamente, é um dos locais mais visitados por brasileiros e turistas de além mar. Atribui-se a Eleanor Roosevelt então primeira dama norte americana que esteve no Brasil em 1944 a exclamação “Poor Niagara!” (Pobre Niágara!) ao comparar a mais famosa queda d’água dos Estados Unidos na divisa com o Canadá com a grandiosidade e a beleza das Cataratas do Iguaçu. Tive em mãos e devo ter perdido um cartão postal muito antigo que mostra a senhora Eleanora, tendo ao fundo as Cataratas e abaixo grafada a exclamação “Poor Niágara!” que dita de forma espontânea põe no chinelo qualquer propaganda por mais elaborada que seja. Elogios, quando sinceros e inesperados são sempre bem-vindos. Lembro que há alguns anos fomos a um jogo de futsal em Rio Bonito do Iguaçu e com a Joana levamos a mãe de um atleta da rádio na qual eu também trabalhava. A jovem senhora que é nossa sobrinha sentou-se conosco e duas ou três vezes o jogador, seu filho veio até ela falar-lhe algo. Após o jogo, fomos convidados a um jantar quando alguns moços vieram até mim perguntar educadamente: “Aquela moça que estava nas arquibancadas é irmã ou namorada do F?” (declino o nome do atleta). Quando lhes disse que não era nem uma coisa e nem outra, mas a mãe do F ficaram realmente admirados. Penso que qualquer pessoa, especialmente as mulheres, devem se sentir lisonjeadas quando aparentam alguns ou vários anos a menos e até hoje a senhora ainda deve estar lembrada daquela manifestação gratuita e sincera dos jovens de Rio Bonito do Iguaçu que não foi feita diretamente a ela, mas a mim, seu tio que lhe contei.

Falando em idade lembro do Ronald Golias (im-memoriam) que dizia que seu tio tinha tantas rugas que para o boné entrar na cabeça era preciso rosqueá-lo.

Romanini, o filósofo: Estávamos na área externa da emissora quando o veterano e experiente radialista Henrique Romani que olhava o céu e um urubu planando saiu com essa: “Admiro o urubu, ele conhece as correntes aéreas e plana como ninguém; não tem predador; vive mais de cem anos e, pra ele qualquer carniça é um banquete!”