O Ponto do Conto - João Olivir Camargo
Fedentina Insuportável

Recentemente um blog desta cidade publicou a foto histórica da posse de Alcindo Natel de Camargo para o primeiro mandato como prefeito de Laranjeiras do Sul que conforme livro de Atas que pesquisei ocorreu no dia 29 de novembro de 1947, portanto, o registro fotográfico tem nada menos que 72 anos.

Conforme Hércules Folador responsável pelo Blog MeiaHoraNoticias, a fotografia foi-lhe enviada por José Henrique de Mattos Filho, amigo deste colunista de longa data. Lá pelos anos setenta Zé Henrique instalou a Lanchonete Cisne Azul, na XV de Novembro e o local logo se tornou ponto de encontro da turma da época, haja vista que também fornecia refeições e muitos de nós tínhamos penduras de contas no bar do Cisne.

Entre os clientes habituais os professores Eleonor Álvaro Garbin e José Augusto Beck Lima. Zé Henrique e Eleonor se associaram e instalaram uma distribuidora de bebidas que durou alguns anos. Zé tinha como um de seus hábitos pregar peças nos amigos e Eleonor era uma de suas vítimas preferidas. Ele dava aulas noturnas em colégio de Virmond e era comum levar mais duas ou três professoras.

Numa dessas idas sentiram fedentina horrível no interior do Fusca, mas como haviam saído em cima da hora, não havia tempo para verificar. Apenas fizeram o trajeto de uns vinte quilômetros com os vidros abertos, que amenizou o fedor, mas comprometeu os penteados das jovens professoras. Em Virmond, elas arrumaram-se como foi possível e foram lecionar enquanto o professor Eleonor Garbin resolveu verificar o interior do carro. Sob o assento do carona encontrou um pacote plástico com dezenas de furinhos e no interior uma tripeira de galinha em estado de putrefação que foi jogada no capinzal sobre um barranco. Depois das aulas iniciaram a viagem de volta a Laranjeiras e como o fedor continuava, novamente viajaram com os vidros abertos.

Enquanto as professoras foram para casa, ansiosas por um banho para livrá-las da fedentina impregnada na pele e nas roupas, Eleonor procedeu nova verificação encontrando sob o assento do motorista outro pacote com igual conteúdo putrefato responsável pela fedentina. Zé Henrique havia preparado com antecedência os dois pacotes e enquanto o professor jantava no Cisne Azul foi até o carro e “plantou” as duas fedentinas debaixo dos assentos.

Estas brincadeiras, digamos, pesadas, terminavam em gostosas gargalhadas e jamais macularam a amizade entre Zé Henrique e suas vítimas. Chamávamos o Zé de guarda campo pelo fato de seu pai Sr. José Henrique de Mattos ser o responsável pelo pequeno campo de aviação que tínhamos nesta cidade e ser conhecido pela mesma alcunha.

- Diz o nono mandamento: “Não desejar a mulher do próximo”. Um malandro disse que o correto seria: “Não cobiçar a mulher do PRÓXIMO, principalmente se o PRÓXIMO estiver próximo”.

Suprema ceia!

Garçom e ministros do STF em jantar oficial da casa. O garçom, servindo a autoridade à francesa, a interpela gentilmente: - Garçom: Posso servi-lo, senhor ministro? Ministro: Sim, por favor traga um Sauvignon Blanc para começar… Garçom vai até uma mesa de apoio, apanha a garrafa e antes desarrolhá-la exibe-a ao ministro. Garçom: Eis aqui: a colheita foi feita a mão e o vinho já foi premiado internacionalmente, conforme pede o item seis do Objeto no Edital de Licitação do STF. Ministro: E a taça, é de cristal? Garçom: É sim, ministro. Ministro (pegando uma colher e batendo no vidro); Não, garçom, isto não é cristal em absoluto. É som de vidro comum. Garçom (constrangido): É que… Ministro: Data vênia, o item 13, do Objeto, é muito claro: “a contratada deverá fornecer os copos e as taças de CRISTAL, bem como gelo de água francesa Badoit. Isto tem jurisprudência para todos os tipos de refeição institucional, desde um coquetel até um jantar formal.” Garçom: Peço a devida vênia ao ministro para buscar uma opinião mais abalizada. Trarei o maître até sua mesa. Posso manter sua entrada como sendo o lagostim trufado e vol-au-vent de amoras silvestres alsacianas? Ministro: Seria uma substituição dos medalhões de lagosta ao molho de manteiga da Prússia, presente no Edital, que os senhores hoje não tem? Garçom: Exatamente! Ministro: Deferido. O garçom sai fazendo reverências. Na sequência entra o maître e curva-se diante da autoridade. Maître: Senhor ministro, peço-lhe escusas por esse desagradável episódio. Trago aqui uma taça especial, em cristal da Boêmia, para apreciação… Ministro (batendo novamente com a colher no vidro): Sentiu a diferença do som? Agora sim, esta aqui é de cristal. O garçom, que deixara o local, traz a entrada e a coloca na frente do ministro. Ministro (fazendo careta de insatisfação): Ab uno disce omnes! Maître e garçom se entreolham, assustados. Ministro (irônico) Pelas qualidades desse lagostim, pode-se dizer que ele é da família dos camarões sete-barbas. E, ainda por cima, daqueles bem miudinhos. Maître: Mas, ministro, nós… Ministro (interrompendo-o): Citando o jurista Bandeira de Mello: “Violar um princípio é muito mais grave que transgredir uma norma qualquer. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório mas a todo o sistema de comandos.” Maître e garçom (tremendo): Sim, sim… Ministro: O que vejo diante de mim é uma transgressão ao princípio de que um lagostim é um lagostim, não um camarão de adicionar em receita de acarajé. In dubio pro locustam marinam, diriam os magistrados mais apressados. Porém, não vou aceitar um logro. Não existe crime sem culpa – exijo o prato que pedi. Agora! Os dois servidores saem correndo rumo à cozinha. Um outro ministro, sentado na mesa ao lado, dirige-se ao colega de Supremo. Outro Ministro (sorrindo): Botou os serviçais para correr, hein, colega? Ministro (orgulhoso de si): É, a gente tem a obrigação de moralizar o país, não é mesmo? Outro Ministro (amistoso): Sim! Venha aqui tomar um tacinha de Veuve Clicquot comigo. Os dois sentam-se juntos. Batem as taças de cristal da Boêmia e dizem: Outro Ministro: À decência! Ministro: Ao recato!

Obs. Baseado em crônica do Jornalista Carlos Castelo.

O matão dos pain

Acredito ter lido neste mesmo jornal o desabafo dum colunista que foi visitar a terra natal depois de muitos anos e voltou cabisbaixo, pois tudo havia mudado, os amigos de infância e juventude também se mudaram e alguns haviam morrido. Há alguns anos, de tanto ouvir um compadre que está prestes a completar noventa janeiros, eu e a Joana resolvemos levá-lo juntamente com minha mãe, dona Nahir e a irmã Marília, ambas im-memoriam ao lugar que não fica muito longe, mas que não visitávamos há décadas. Levamos voltas de linguiça para assar no fogo de chão, pães, pó de café, cuia e erva-mate para o chimarrão. O objetivo era parar à sombra duma árvore, fazer fogo, coar café, tomar chimarrão e comer linguiça assada. Deixamos à estrada que liga as cidades de Mangueirinha e Palmas e entramos noutra que passa pelo antigo distrito palmense de Retiro, hoje sede do município de Coronel Domingos Soares. Vários quilômetros depois, a certa altura, meu compadre inquieto dizia: Depois daquela subida vamos dar com o Matão dos Pain. Ele recordava a família Pain que possuía fazenda na região e era muito amigo dos irmãos Aurélio e Juarêz. Subimos e quando alcançamos terreno mais plano vi a decepção em seus olhos. Onde um dia houve o tal Matão dos Pain, vimos um grande terreno aplainado, galpões e vários tambores de defensivos agrícolas. Logo ouvimos o motor de um avião agrícola pulverizando o grande milharal a perder de vista. Seguimos mais alguns quilômetros até onde havia uma escola na qual dona Nahir lecionou e uma capela onde rezavam missa todos os meses. Nenhuma das construções existia mais, apenas um capoeirão com árvores de pequeno porte conhecidas como fumo-brabo. Fomos até o rio Iratim, na divisa com o município de Bituruna e voltamos rumo a Palmas onde visitamos conhecidos e pernoitamos. Na barranca do rio Iratim, conseguimos água de vertente, a nosso ver livre de agrotóxicos e então fizemos chimarrão, café e assamos linguiça, ouvindo ainda o ronco do motor do avião pulverizando a enorme lavoura de milho não muito longe de onde estávamos. Foi bom, revimos lugares que não víamos há tanto tempo e nunca mais ouvimos o compadre João Gutoski falar das caçadas no Matão dos Pain que havia virado local de pouso e decolagem de avião agrícola.

 

A PROVA DA (IN) FIDELIDADE – Dartagnan, jornalista da Tribuna do Paraná escreveu sobre o moço que tinha uma namorada e sempre que iam a motéis cada um furtava um sabonete e levava como recordação. Tudo acabou no dia em que resolveram contar os sabonetes. Ele tinha 22, ela 35.

“Derrapando” na flor do lácio

O idioma português ou a última flor do lácio (como definiu o poeta Olavo Bilac) que garantem ser difícil facilita escorregadas feias, e, muitas vezes a troca ou a falta de uma letra, a acentuação incorreta, ou o completo desconhecimento da ortografia, ou ainda do significado de determinadas palavras resultam nesses deslizes. Contam que o caixeiro viajante muito observador divertia-se lendo as placas que via na cidadezinha pela qual passava todas as semanas a trabalho. Vejamos algumas delas: Em frente ao salão de beleza: Transo e enrolo cabelo.  No mesmo salão: Corto cabelo e pinto e ainda: Bronzeamento artificial totalmente natural. Na lanchonete: Servimos suco natural do pó do guaraná – A flor de zíaco do Amazonas. Na porta fechada do salão de barbeiro: Fui Ao Mossar. No bar: Não vendemos cerveja fiado. Por favor não exista. No mercadinho da esquina: Peido de frango s/pele s/osso – Kg. R$.... No restaurante: Atenção. Não é permitido comer duas pessoas no mesmo prato. A direção. Na barraquinha da praia: Água e doce de cocô.  Na feirinha de produtos orgânicos. Produtos agrícolas cem agrotóxios. Na mesma feirinha: Pé de Aufase 1.50 – Méu – kg 3.00. Na rua em que passava observou a placa: Alfaiataria Aguia de Ouro e, pensou: mesmo faltando o acento agudo no A, vou cumprimentar o proprietário pois é a única placa mais ou menos certa. Entrou, cumprimentou o alfaiate e o parabenizou pela inscrição em frente ao estabelecimento, no entanto sugeriu que se colocasse acento no primeiro A, quando ouviu do homem: Realmente senhor, vou mandar pintar o acento mas no U, pois o nome deste local não é Águia de Ouro e sim Alfaiataria Agúia de Ouro.

 

PENSAMENTOS:

 

- O navegador pessimista reclama do vento, o otimista espera que ele mude, o realista ajusta as velas. (sabedoria popular)

- Daria tudo o que sei pela metade do que ignoro (René Descartes)

- Chega-te aos bons, serás um deles, chega-te aos maus e será pior do que eles.

- Escuta e serás sábio. O começo da sabedoria é o silêncio (Pitágoras)

- Você pode torcer o pescoço do galo para que ele não cante de madrugada, mas isto não impedirá o nascer de um novo dia. (Sabedoria chinesa).    

Alcides Fernando Krun, o Coruja

Muitos causos que narro neste espaço são do tempo em que exerci a função de comunicador de rádio, principalmente na Rádio Educadora, atualmente a FM 103.9. Por vários anos atuei no jornalismo, captando, redigindo notícias, editando entrevistas e como apresentador do principal noticiário da emissora, o jornal do meio dia. Durante o período que foi relativamente longo dividi a apresentação diária com Ademir de Oliveira, Luiz Carlos Pereira, Lincoln Coelho de Souza, Luiz Vianei Pereira, Alcides Fernando Krun e Jaime Spazzini, entre outros, este último ainda apresentando noticiários e sendo o radialista com mais tempo no ar aqui em Laranjeiras do Sul. Corria a década de setenta, quando a Educadora transferiu seus estúdios da Rua XV de Novembro para onde hoje é a Av. Deputado Ivan Ferreira do Amaral Filho. Fazia parte da equipe de comunicadores Alcides Fernando Krun, apelidado de Coruja por apresentar programa noturno numa emissora de Cascavel onde trabalhara antes de vir para Laranjeiras do Sul. Quarentão, alto e magro, ostentava bigodes do tipo mexicano e adorava um copo como poucos. Além do noticiário, Coruja, era o responsável por um programa noturno que começava logo após o término da Voz do Brasil até as 22 horas. O sonoplasta era Euclides que trabalhava numa relojoaria de seu cunhado e fazia um bico noturno na Educadora, como operador de som. Quando Coruja anunciava uma música sempre dizia com seu vozeirão: Toca Euclides! Ele era hóspede de um antigo hotel próximo à rádio e numa manhã, como não se levantou no horário costumeiro, a camareira foi até o quarto que não estava chaveado e o encontrou inconsciente. Correram avisar a mim. Foi levado ao hospital e transferido para outra cidade, mas acabou falecendo de problemas cardíacos. No dia do primeiro mês do falecimento, tive a idéia de matar a saudade dos ouvintes e no sentido de homenagear o falecido postumamente, repetir um de seus programas que ficaram gravados em fita de rolo, com boa qualidade de som. Escolhi o programa, providenciei os discos com as músicas, gravei uma abertura explicativa e orientei Euclides, o sonoplasta que ficava sozinho na rádio. No dia seguinte, vi que acabei pondo os pés pelas mãos, pois Euclides só não abandonou a emissora por muito pouco. Ele me disse que cada vez que ouvia a frase Toca Euclides, ia até a porta para escapar para casa, depois voltava suando frio e tremendo de medo. Expliquei que o objetivo foi uma homenagem póstuma ao falecido Coruja e que nunca mais repetiria algo do gênero.

Eles fazem parte da nossa história

Numa manhã de segunda-feira, anos oitenta, passava em frente a uma livraria quando o proprietário, Renato Cezar Klein (im-memoriam) chamou-me com a finalidade de mostrar-me algo interessante. Havia guardado a edição dominical do jornal Gazeta do Povo que trazia com certa constância textos históricos do lapeano Francisco Brito de Lacerda, e, aquele em especial, era demais interessante tanto para mim como para Renato que era também respeitado professor e gostava de garimpar sobre a nossa história. O texto falava da epopéia que foi o trabalho dos militares que desbravaram o sertão, abriram picadas, fincaram postes de madeira e esticaram a linha do telégrafo de Guarapuava até Foz do Iguaçu. Comandava os militares o engenheiro e militar João Gualberto Gomes de Sá, um dos vultos da história paranaense, morto na Guerra do Contestado que durou de 1912 a 1916. Gualberto e seus comandados permaneceram em nossos sertões de 1904 a 1908, e o escritor Brito de Lacerda citou vários detalhes desse tempo. O comandante fazia-se acompanhar da esposa Leonor, as filhas Júlia e Julieta e o filho João Gualberto Filho. O acampamento montado na mata virgem era mudado quando o trabalho avançava trinta quilômetros e sempre à margem de um rio. Como permaneciam longo tempo no local, plantavam milho, abóbora, feijão, verduras e algum tipo de capim para os animais. No dia 14 de fevereiro de 1904 nasceu Xaguana, assim batizada em homenagem ao rio em cuja margem estava o acampamento militar. No dia 5 de agosto de 1905 nasceu Cecília, em Borman, atual município de Guaraniaçu. Guilherme de Paula Xavier, proprietário rural na região, fornecia aos militares, reses para o abate, queijo, banha de porco e outros gêneros alimentícios. Os militares o tinham como presença constante no acampamento e era considerado bom-garfo. Estabeleceu-se grande amizade entre o fazendeiro e o comandante que resolveu fazer uma brincadeira com o nosso pioneiro. Gualberto teria ido à cozinha do acampamento e feito um prato de omelete, misturando pedaços de rolha aos ovos mexidos. Depois de observar o fazendeiro comer com o apetite de sempre, teria perguntado: Que tal a omelete? Ouviu como resposta: Ótima, como sempre, a linguiça estava um pouco dura! Há alguns anos lendo a Gazeta do Povo, de domingo, Dia das Mães, deparei com uma coluna em homenagem a Dona Xaguana. Segunda-feira, liguei para o jornal e descobri que a autora da coluna era uma jornalista já sessentona, filha de Xaguana e neta de João Gualberto. Quando lhe contei que havia escrito em livro a epopéia de 1904 a 1908, na qual narro os nascimentos de Xaguana e Cecília, ela se manifestou agradecida, pois ninguém da família lembrava o local de nascimento de Tia Cecília que, como escrevi, aconteceu em Borman, hoje Guaraniaçu. Vários descendentes de Guilherme de Paula Xavier residem em Laranjeiras do Sul e uma rua central tem seu nome merecidamente. Em nossa capital, uma praça central é denominada Praça João Gualberto.

Vingança em alto estilo

Quando procurava algo sobre o exame de próstata que tanto preocupa os homens, achei em Recanto das Letras a publicação do texto a seguir transcrito: Ela com 19 e eu com 20 anos de idade. Lua-de-mel, viagens, prestações da casa própria e o primeiro bebê, tudo uma beleza. Anos oitenta, a moda na época era ter uma filmadora do Paraguai. Sempre tinha ou tem um vizinho ou mesmo amigo contrabandista disposto a trazer aquela muambinha por um precinho muito bom. Hora do parto, ela tinha muita vergonha, mas eu, teimoso, desejava muito eternizar aquele momento. Invadi a sala de parto com a câmera no ombro e chorei enquanto filmava o parto do meu primeiro filho. Não, amor! Que vergonha! Todo mundo que chegava lá em casa era obrigado a assistir ao filme. Perdi a conta de quantas cópias eu fiz do parto e distribuí entre amigos, parentes e parentes dos amigos. Meu filho e minha esposa eram os meus orgulho e tesouro. Três anos se passaram aí nova gravidez, novo parto, nova filmagem, nova crise de choro, tudo como antes. Como ela "categoricamente" me disse que não queria que eu a filmasse dessa vez, sem ela esperar, invadi a sala de parto e mais uma vez com a câmera ao ombro cumpri o mesmo ritual. As pessoas que me conhecem sabem que em mim havia naquele momento apenas o amor de pai e marido apaixonado nesse ato. O fato de fazer diversas cópias da fita era apenas uma demonstração de meu orgulho. Agora eu com 50 ela com 49. Nada que se comparasse ao fato de ela, nessa semana, num instinto de vingança, invadisse a sala do meu urologista, com a câmera ao ombro, filmando o meu exame de próstata. Eu lá, com as pernas naquelas malditas perneiras, o cara com um dedo (ele jura que era só um!) quase na minha garganta e minha mulher gritando: - Ah! Doutoooor! Que maravilha! Vou fazer duas mil cópias dessa fita! Semana que vem estou enviando uma para o senhor! Meus olhos saindo da órbita fuzilaram aquela cachorra, mas a dor era tanta que não conseguia nem falar. O miserável do médico, pra se exibir, girou o dedão!!! Ah! eu na hora vi o teto a dois centímetros do meu nariz. E a minha mulher continuou a gritar, como se fosse um diretor de cinema: - Isso, doutor! Agora gire de novo, mais devagar dessa vez. Vou dar um close agora... Na hora alcancei um sapato no chão e joguei na maldita. Agora, estou escrevendo este e-mail pedindo aos amigos, parentes e outros mais que se receberem uma cópia do filme, que o enviem de volta para mim. Eu pago a taxa de reembolso.

 

P.S. Crédito do texto original: Júlio Sérgio, Recife, Pernambuco.
 

MAL DE CHAGAS - Em Brasília a jovem paciente levou o resultado do exame de sangue recomendado pelo médico, e ouviu do doutor:

- Sinto muito, a senhorita foi sugada por um barbeiro.

- Nossa doutor, ele me garantiu que é senador!
 

No alto daquele cume

O idioma de Camões ou a Flor do Lácio como dizem, tem palavras que permitem que se criem situações diversas ou até mesmo hilárias, tanto que acabei lembrando um tempo que ficou muito para trás, ou seja, há mais de meio século. Lá pelos fins dos anos cinquenta, com a mãe e os irmãos morávamos no interior do município de Palmas, entre os rios Estrela e Cadeado, onde tínhamos um pequeno armazém que atendia os fregueses das fazendas e de uma madeireira na qual meu tio Julio Gabardo era o gerente e meu mano mais velho, Farides trabalhava no escritório. Nosso pai já havia falecido. Vieram à mente as noites geladas dos Campos de Palmas quando nos reuníamos ao redor do fogão de lenha e minha mãe e meus tios Julio e Antenor, descendentes de italianos começavam a cantoria acompanhados pelo mano que já dedilhava o violão razoavelmente. Não lembro qual dos tios que animado por uns goles de vinho recitava um poema malando com tremendo duplo sentido. Ao me referir a Camões no início da coluna, a sugestão é para que meus cinco ou seis leitores (sou convencido, não?) dêem uma olhada nos dicionários e procurem a definição da palavra CUME que, basicamente quer dizer: cimo, parte elevada, alta, cume da montanha e tem como sinônimos: alto, cima, cimo, píncaro, topo, ápice, apogeu, auge ou clímax. O que me fez lembrar o tio declamando foi o fato de descobrir a gravação da declamação do tal Gaudério Bicudo e também do cantor nordestino Falcão, aquele que veste roupas espalhafatosas e ostenta um enorme girassol na lapela do paletó. Diz a letra do tal poema: - No alto daquele CUME, plantei uma roseira, o vento no CUME bate, a rosa no CUME cheira. - Quando vem a chuva fina, salpicos no CUME caem, formigas no CUME entram, abelhas do CUME saem. – Quanto cai a chuva grossa, a água no CUME desce, o barro no CUME escorre, o mato no CUME cresce. Então quando cessa a chuva, no CUME volta a alegria, e torna a brilhar de novo, o sol que no CUME ardia.

P.S. Peço perdão a quem se sentir melindrado e gostaria de expressar os parabéns ao Jornal Correio pelo editorial de dias atrás que fala do politicamente correto para quem, cantar o Hino Nacional antes das aulas nas escolas é um ato da ditadura, enquanto cantar e dançar funk rebolando o traseiro em sala de aula é expressão artística.  

P.S. Diálogo da secretária com o chefe:

Secretária -Tenho uma má notícia para te dar.

Chefe - Sempre com más notícias, conte pelo menos uma boa.

Secretária - Ok... tenho uma boa, você não é estéril.  

Dava cadeia, na certa!

Corria o início dos anos noventa, a Joana me chamou para mostrar duas plantinhas até então desconhecidas que haviam brotado num canteiro de radici (também conhecido como almeirão) que tínhamos logo na entrada do portão da horta na casa onde residíamos. Mantemos até hoje hábitos antigos e um deles é a horta cultivada com os temperos do dia a dia, verduras e legumes diversos. As plantas que despertaram a curiosidade nasceram de forma espontânea e até então eram desconhecidas dela. Entre os pés de radici, as estranhas plantinhas já mediam aproximadamente meio metro de altura e estavam viçosas e com folhas muito verdes. Quem ficou curioso fui eu, pois logo identifiquei dois pés de cannabis sativa, a popular maconha. Lembramos que alguns dias antes havíamos recebido a visita de um casal jovem que conhecemos numa cidade do Sudoeste do Estado, onde moramos durante cinco anos. Eles haviam chegado numa tarde, jantaram conosco, pernoitaram num quarto de visitas e seguiram viagem rumo a Foz do Iguaçu no dia seguinte. Ao arrumar o quarto, a Joana deparou com algumas sementes estranhas no chão, recolheu-as e jogou no canteiro de radici. Eram redondas e um pouco maiores do que as sementes de mostarda. Duas delas, em contato com a terra que era regada diariamente brotaram e já estavam bem maiores que os pés de verdura. Identificada a origem da situação e passado o susto, principalmente dela, arrancamos as duas plantinhas e tive a idéia de replantá-las nos fundos dum pequeno paiol, junto à parede, debaixo do beiral numa cova de terra muito dura e seca onde não caía chuva alguma. Para nossa surpresa, uma delas secou enquanto a outra pegou e continuou crescendo. Admirávamos o vigor da planta que aparentava um pé de mandioca, com suas folhas estreitas e longas serrilhadas nas extremidades. Com quase dois metros era bonita e até certo ponto ornamental. Não era visível da casa e de quem por ali circulasse, mas o fundo do paiol era a divisa com um pequeno potreiro  frequentado por pessoas que ali mantinham alguns cavalos e vacas leiteiras, além de garotos e adolescentes que vinham caçar passarinhos. Resolvemos eliminar o pé de maconha que foi cortado pela raiz e totalmente queimado numa fogueira, pois no caso de alguém identificar a planta e nos denunciar à polícia, quem iria acreditar na nossa mirabolante história?      

Fatos da nossa história "I"

Atendo várias pessoas interessadas em saber um pouco mais da história local e regional, principalmente quando se aproxima o concurso público a ser realizado pelo Município de Laranjeiras do Sul. Não tenho mais nenhum exemplar do livro NERJE que tanto buscam, mas é bom informar que nos últimos concursos realizados, raríssimas perguntas se referiam ao Município e que os principais fatos históricos também constam dos livros O Espaço em Construção e Território Federal do Iguaçu, escritos pelo professor Arno Mussói, e ainda deve ter exemplares nas livrarias. Atendendo sugestões, a partir de agora usarei mensalmente este espaço gentilmente franqueado pelos diretores deste jornal para lembrar fatos relacionados à nossa história e o farei de forma cronológica. No dia 09 de março de 1945, há 74 anos, realizou-se a primeira audiência extraordinária do Juízo da Comarca de Laranjeiras do Sul, sob a presidência do juiz Joel Quaresma de Moura, atuando no Ministério Público o promotor Alceu Saldanha Faria; No dia 06 de março de 1946, há 73 anos, o governador do Território Federal do Iguaçu, Frederico Trotta, nomeou Alcindo Natel de Camargo no cargo de prefeito, a mesma função que exerceu no governo anterior de Garcez do Nascimento. No dia 06 de março de 1947 foi nomeado o cidadão Wilson Poletto como o primeiro tabelião da Comarca e, Arival Natel de Camargo assumiu o cargo de oficial do Registro de Imóveis no dia 31 do mesmo mês e ano; Há 66 anos, no dia 24 de março de 1953 foi oficializada a doação do terreno onde se localiza a Igreja Matriz Sant`Ana à Mitra da Prelazia de Foz do Iguaçu, a qual pertencia a nossa paróquia; Há 57 anos, no dia 13 de março de 1962 foi criado o Distrito de Nova Laranjeiras que no passado era conhecido como Rio das Cobras. Nova Laranjeiras foi emancipado como município no dia 16 de maio de 1990 pela Lei Estadual nº 9.249 e instalado oficialmente no dia 1º de janeiro de 1993; à época a cidade de Laranjeiras do Sul não possuía nada no que se refere a pavimentação de ruas, serviço que começou há 59 anos apenas na XV pela empresa Pavimentadora Alpha Ltda; não havia o cargo de vice-prefeito e mudanças nas leis federais criaram a função cabendo as câmaras municipais indicarem um de seus membros para tal. Assim, no dia 22 de março de 1964, pelo voto secreto foi indicado o médico e vereador Carmosino Vieira Branco (in-memoriam) como o primeiro vice-prefeito da nossa história; no dia 31 de março de 1968, entrou no ar em caráter experimental a Rádio Educadora, operando em AM com 250 watts de potência. Pouco tempo depois este colunista passou a fazer parte da equipe tendo atuado em radiodifusão por quase duas décadas. Atualmente a Educadora opera em FM, na frequência 103.9, sendo sintonizada com clareza em mais de 60 municípios. Mês que vem tem mais história neste espaço que ocupo desde março de 2000, há 19 anos.