Reinoldo Back - Reinoldo Back
Investir nos jovens

O Brasil era um país de jovens. Era, não é mais. O controle da natalidade e a opção por um ou dois filhos, quando não a opção por não ter filhos, fez com que a população brasileira mudasse sua característica, diminuindo o número de jovens e, vendo crescer a cada ano o número de idosos, uma consequência do grande número de jovens nos séculos anteriores. Faz já alguns anos, no aeroporto de Lisboa, Portugal, uma atendente, controlando os passageiros, informou que era uma fila única para o embarque porque todos eram idosos. Atualmente, Portugal está recebendo grande número de jovens brasileiros, incentivados a irem para lá porque seus dirigentes sentiram a lacuna existente e a necessidade de preenchê-la para assegurar o futuro do país.

 Cabe a pergunta: o que o Brasil está fazendo para não perder estes jovens e fazer com que a juventude seja preparada para assumir o destino do país? E a infância, como está tendo assegurado o seu desenvolvimento e a garantia de que receberá tudo o que necessita para chegar a idade adulta com plenas condições físicas e morais para desenvolver sua cidadania plena e consciente?

 O americano James Heckmann, que recebeu em 2019 o prêmio Nobel de Economia, declarou, em entrevista concedida a uma revista nacional: “Crianças pequenas respondem rápido aos estímulos de qualidade”. Heckmann acredita que, até oito anos, a criança pode desenvolver suas capacidades que serão alimentadas no futuro de acordo com seus interesses específicos em uma ou outra área de conhecimento. O que o Brasil tem feito por suas crianças? Muitas escolas não respondem às necessidades mínimas das crianças brasileiras. As escolas existentes, especialmente as do interior, com poucas condições de pleno funcionamento, distantes das habitações destes jovens que andam quilômetros a pé, às vezes a cavalo, ou, em precárias condições de veículos automotores. Algumas vezes, sem condições de oferecer uma merenda a seus alunos que não querem continuar a frequentar as aulas. Professores despreparados e, geralmente, mal remunerados, que não estimulam seus alunos e fazem greves, nem sempre necessárias, para reivindicar salários. Terão estes alunos vontade em seguir nesta difícil trajetória? Terão condições de desenvolver suas capacidades inatas? Que futuro aguarda estas crianças brasileiras? Sem perspectivas de um futuro promissor, nossas crianças vão chegar à adolescência e a idade adulta desestimuladas e, muitas vezes, conquistadas pelos traficantes, passam a seguir o caminho da contravenção e do crime. É urgente uma tomada de posição pelo poder público e por toda a sociedade para que o país reaja, corrija a sua trajetória política e passe a se preocupar com a infância e a juventude do nosso país. Eles são o amanhã político e social da nação e definirão se seremos um “País do Futuro”, como previu Stefan Zweig, ou um país que se arrasta e se afoga em seus problemas...

 Quando você perceber...

 Quando você perceber que, para produzir precisa obter a autorização de quem não produz nada;

 Quando perceber que o dinheiro vai para quem negocia não com bens, mas com favores;

 Quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influências, mais que pelo trabalho e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você pelas leis;

 Quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto-sacrifício;

 Então poderá afirmar, sem temer errar, que sua sociedade está codenada.

 

(Ayn Rand, filósofa americana em 1920)

Perdão

“Perdoar os outros, não porque eles merecem perdão... Mas porque você merece paz”.

Perdoar alguém depois de ter ferido ou traído você pode parecer impossível, especialmente quando a ferida é recente. A reação é humana, dependendo muito da índole da pessoa. Mas a verdade é que guardar rancor contra alguém está ferindo apenas uma pessoa – você. Estudos mostram que o perdão pode reduzir o estresse e os efeitos colaterais negativos que vêm junto com ele. O perdão pode ser extremamente difícil, e isso pode levar tempo, mas também é a cura, de muitas maneiras.

 Quando você se prende à raiva, ela está constantemente em seu corpo e mente, em seu coração. Mesmo que você pense que já empurrou a situação para o fundo de sua mente, ela provavelmente ainda está afetando sua vida diária e as decisões que você toma. Você pode nunca esquecer o sentimento de ser ferido ou traído, mas uma vez que você decidir perdoar de coração, vai descobrir que você não estará mais constantemente pensando sobre a ofensa. Você pode ter aprendido uma lição dura que vai permanecer com você, mas a escolha de perdoar irá liberar sua mente e seu coração e a dor não terá mais poder.

 Se alguém próximo a você foi a causa de sua dor, é hora de reavaliar o seu relacionamento. A pessoa pode merecer uma segunda chance. De qualquer maneira, encontrar espaço em seu coração para perdoar, irá permitir que você crie um novo começo. O perdão não é um sinal de fraqueza. Ele não significa que você é capaz de ceder. O perdão é um sinal de força. Significa que você decidiu estar acima de uma situação difícil, e escolheu a felicidade sobre a dor. O perdão pode permitir-lhe colocar o passado para trás e ter um novo começo. Dor, raiva e amargura só pesam para baixo e só machucam você. Apesar de ter esses sentimentos, inicialmente, parece difícil de controlar ou superar, você eventualmente terá que fazer a escolha de perdoar a fim de curar. Depois de se livrar de todas as coisas negativas que está sentindo, você vai se abrir para a felicidade. O perdão irá permitir que você finalmente encontre a paz. Quando alguém lhe machuca ou trai, essa pessoa está tentando roubar algo de você: sua felicidade. Em vez de guardar rancor, e permitir que outra pessoa controle a sua felicidade, tome a decisão de perdoar. Escolha ser positivo. Seguir em frente com a sua vida pode ser difícil, mas vale a pena. Cada segundo que você gasta com estar zangado, amargo ou querendo vingança é um desperdício de tempo. Seguir em frente com sua vida, curando e encontrando a paz através do perdão é uma escolha que você deve fazer, é uma grande escolha. O perdão é a decisão de deixar sua dor ir embora, e encontrar sua felicidade novamente. Ouvindo a voz do Mestre, tomar a cama de dor e da dependência e ir para casa, ir viver a vida. Somente os artistas do perdão são testemunhas do Deus Feliz.

 (P. Attílio Ignácio Hartmann SJ)

 Opinião sobre o que P. Attílio escreveu: “Quando alguém te magoa muito você tem duas opções: Se vingar e ser feliz por alguns minutos, ou perdoar e ser feliz a vida inteira”.

Diferença de rendimentos

Número interessante é o que se refere aos rendimentos de brasileiros de acordo com sexo e cor da pele. Os brancos ganham mais que os negros e, até aí, não há nenhuma novidade. Ocorre que a diferença de salários entre brancos e negros é menor em Curitiba, uma cidade colonizada por imigrantes europeus, do que em Salvador, a capital de maior população negra. O rendimento médio de um homem branco em Curitiba é uma vez e meia superior ao de um negro. Em Salvador, a proporção é de três por um, em favor do trabalhador branco. A explicação é reveladora a respeito das oportunidades e do grau de tratamento oferecidos pela sociedade brasileira aos seus diferentes grupos. Proporcionalmente, Salvador tem muito menos brancos que Curitiba. Mas são eles que ocupam os melhores empregos com os melhores salários. A brutal diferença de rendimentos mostra que os negros nunca tiveram as mesmas chances de ascensão social oferecidas aos brancos e essa é uma das formas mais cruéis de preconceito. “No Sul, o grau de escolaridade tanto de negros como de brancos é maior que no Nordeste”, observou o presidente do IBGE.

 A educação é uma das formas mais eficientes de distribuição de oportunidades, e por isso a diferença de rendimentos não é tão grande em Curitiba quanto em Salvador. O salário mínimo brasileiro é um dos mais baixos do mundo e mais de 30 milhões de pessoas recebem até um pouco menos que isso para sobreviver. Mesmo com uma taxa de crescimento populacional de 1,4% ao ano, o país não consegue criar empregos em número suficiente para os 2 milhões de jovens que anualmente entram no mercado de trabalho.

 Aqui tem um grande detalhe: Se a educação é uma das formas mais eficazes de distribuição de oportunidades e criação de empregos como explicar se os professores estão em pé de guerra constantemente por melhores salários? Aqui no Paraná, os professores e seu Sindicato protestam, enfrentam a polícia na frente da Assembléia Legislativa, e o governador diz que este ano não é possível melhorar os salários dos servidores sem aumentar impostos? Isso ninguém quer ouvir. O contribuinte até hoje sempre foi convocado para preencher a lacuna. Cansou. Os governantes estão aí, para resolver os problemas. Enquanto isso, o emprego formal no Brasil, aquele em que o trabalhador tem seus direitos assegurados pelas leis do país, é ainda privilégio de poucos. Um terço dos empregados não tem carteira assinada e não contribui para a Previdência Social. Isso é ainda a marca do subdesenvolvimento. É sim um sintoma de que a economia brasileira não gera empregos em quantidade e de boa qualidade. Dois milhões de brasileiros subempregados que vivem abaixo da linha de pobreza, muitos não tem o que comer todos os dias. Sobrevivem apenas com cestas básicas, e programas sociais do governo. Isto acontece em um país onde o agronegócio é o carro-chefe da economia. No Brasil, ganha-se mal, mas o custo do trabalho é alto. Os encargos sociais pagos pelas empresas dificultam a geração de emprego. Não vamos nem apontar quantos são os encargos sociais, apenas ouvimos empresários falar que se o empregado recebe um salário, ele custa mais outro de encargos. Isso dificulta a geração de empregos. Uma saída seria reduzir esses encargos, disse alguém que já foi Ministro do Trabalho.

Onde a criança mais trabalha?

No Brasil rico, é onde a criança mais trabalha. Sempre se imaginou que a maioria das crianças que trabalham estivesse nas ruas das grandes cidades ou nas regiões pobres do Nordeste. Uma pesquisa revela que esse contingente é mesmo muito grande, mas não se compara ao número de crianças que ajudam os pais nas pequenas propriedades rurais do Sul do país. Uma em cada três crianças com idade entre 10 e 13 anos da zona rural do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul trabalha todos os dias, numa proporção bem superior a do Nordeste e das cidades. Não se trata aqui de crianças carentes, que moram em favelas, vivem nas ruas e não podem ir à escola. Os pequenos trabalhadores das propriedades familiares do Sul têm família, casa e comida, vão à escola e trabalham muito mais de quarenta horas semanais, segundo outra pesquisa, feita pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul, Emater.

 Por aqui, se vê, que “O melhor remédio contra a miséria é o trabalho”. Não o trabalho demasiadamente pesado para crianças. Embora o trabalho de menores de 14 anos seja proibido pela Constituição federal, quase 2 milhões de crianças com idade entre 10 e 13 anos trabalham no Brasil. Elas representam 14% da população nessa faixa etária e 3% do total da força trabalhadora do país, estimada em 64,5 milhões de pessoas. Nas cidades, ao contrário do que se imaginava, o contingente de crianças no mercado de trabalho é inexpressivo. Em São Paulo, por exemplo, só 47.000 dos 1,5 milhão de adolescentes trabalham – cerca de 3% do total. Na zona rural da Região Sul, essa taxa sobe para 35,2%, contra 29% no Nordeste e 21% no Sudeste.

 Uma boa explicação para esses números está no distrito de Campo do Meio, em Montenegro, município gaúcho situado a 89 quilômetros de Porto Alegre. Ali, numa propriedade de 20 hectares, Geraldo Derlan, de 40 anos, a mulher, Cloreci Maria, de 38, e as duas filhas – Joseana de 12 anos, e Fabiana de 14 – colhem 3.000 caixas de laranjas e tangerinas por ano. Todos trabalham. A mãe cuida da casa, enquanto o pai e as meninas passam o dia no campo. Geraldo colhe vinte caixas por dia. As filhas, doze caixas cada uma. O trabalho das crianças representa, portanto, mais da metade da produção diária da propriedade. Joseana, a mais nova, também dirige o trator da família.

 Na última semana, o fim das férias escolares no Rio Grande do Sul fez a produção dos Derlan cair em um terço. As duas meninas voltaram a estudar e agora só trabalham meio período. Mesmo assim, a família vive bem. Tem um carro e uma moto, máquina de lavar, freeser, geladeira e uma televisão nova. “Aqui, sempre foi assim”, conta Geraldo. “Meu pai trabalhava na roça quando era criança, eu trabalhei e agora as minhas filhas também trabalham. A ajuda delas é fundamental”. Casos como o da família Derlan ajudam a entender melhor as pesquisas do IBGE. O trabalho de menores está longe de ser um produto da crise. Os meninos e as meninas de famílias mais humildes sempre trabalharam. No campo, eles são parte efetiva da força de trabalho familiar, e esse é um hábito que passa de geração em geração, independentemente do que a Constituição Federal diga a respeito do assunto. O que ocorre no Brasil de 1994 é que, depois de uma década de estagnação econômica, o país ficou mais pobre e o que era um traço cultural se tornou um imperativo de sobrevivência. Numa família do Piauí, em que o pai passou os dois últimos anos da seca ganhando meio salário mínimo por mês nas frentes de emergência, o trabalho de uma criança pode representar a existência ou não de um prato de comida sobre a mesa no dia seguinte.

       (Fonte; Veja, Economia e Negócios – edição 1331 de 16/03/1994)

O nome disso é corrupção

1. Aprovar a reforma da previdência e o pacote anticrime é essencial para a sobrevivência do país. Se o Congresso Nacional rejeitar ou descaracterizar esses projetos, o destino do Brasil será o abismo. E não seremos nós as principais vítimas de tamanha irresponsabilidade, mas os nossos filhos e netos. Há outras medidas importantes a implantar com urgência – como o plano nacional de alfabetização – mas o combate à falência do Estado e ao reinado do crime são a fonte de todas as prioridades. O que dirão de nós nossos filhos quando legarmos a eles um país falido, refém e analfabeto?

2. Quando os chefões da velha política – em Brasília ou na mídia – dizem que falta “articulação” ao atual governo, é preciso entender o que está por trás dessa palavrinha. Não faltou articulação, por exemplo, quando Fernando Henrique Cardoso aprovou a emenda da reeleição presidencial e deixou esse belíssimo legado para o nosso país. Não faltou articulação quando José Dirceu e seus companheiros criaram o Mensalão para domesticar partidos da base alugada já no primeiro governo Lula. Não faltou articulação quando, ainda sendo julgados pelo Mensalão, os mesmos personagens conceberam e puseram em funcionamento o Petrolão, possivelmente o maior esquema de corrupção da história da humanidade. É isso mesmo que vocês entenderam: articulação, meus sete amigos, não passa de um nome malandro para corrupção.

3. Ficar velho é interessante porque a gente lembra muita coisa. Eu me lembro, vejam só, que a principal corrente interna do PT – onde militavam Lula, José Dirceu, Palocci e muitos outros – chamava-se Articulação! Depois, passou a ser conhecida como Campo Majoritário. Era o velho e bom centralismo democrático em ação no Brasil. Afinal, faz 29 anos que Lula visitou a Alemanha, depois da queda do Muro de Berlim, e prometeu recuperar na América Latina o que a esquerda havia perdido no Leste Europeu. Por um tempo conseguiu. Só faltou combinar com a Lava Jato.

4. A guerra entre a Nova Era e a Velha Política está em curso. De um lado, o estamento: aqueles que insistem em chafurdar na velha lama de sempre, por serem incapazes de sobreviver em outro ecossistema. De outro lado o movimento: aqueles que conhecem a gravidade da situação e se negam a fazer o mesmo jogo que deu origem à reeleição, ao Mensalão e ao Petrolão. A maioria esmagadora do povo brasileiro escolheu o movimento, não o estamento. E do resultado desse conflito depende o nosso destino como país.

5. Repetirei quantas vezes for necessário: Bolsonaro não foi eleito para entrar no velho jogo. Até quando Brasília vai dar as costas ao Brasil? Até quando a articulação será sinônimo da divisão do butim entre as hienas e abutres do establishment? Até quando essa chantagem monstruosa continuará sendo feita contra o povo brasileiro?

Obs. Texto do jornalista Paulo Briguet publicado na coluna Avenida Paraná – Jornal Folha de Londrina – edição de 26 de março de 2019.

Por países da África

 Enquanto presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (2003/2010) visitou uma porção de países africanos, a maioria sem nenhuma expressão, isto é pobres e comandados por ditadores ricos. Lá ia Lula com uma enorme comitiva fretando o avião apelidado de Aerolula. Em um giro por cinco países, num dia se metia no cerimonioso traje chamado “kenté” em Gana, no outro batucava em um instrumento musical típico na Guiné-Bissau. Estava no seu papel predileto, o de showman. “Na África só tem blábláblá”, irritou-se a certa altura o ministro Luiz Fernando Furlan, ele integrava a comitiva e só pensava em vendas. Já Lula contra-atacou os críticos de sua viagem ensinando que diplomacia é olho nos olhos. “Como diz o povo brasileiro”, e acrescentou, “é no tête a tête”. Ainda bem que recorreu à linguagem típica dos brasileiros. O povo francês costuma dizer “cabeça a cabeça”, o que é muito feio. As viagens de Lula a países africanos quase sempre deram em nada. Nada para trazer na bagagem, somente alguns presentes dos ditadores. Porém, deixaram o ministro frustrado. De volta ao Brasil Lula disse: “Não haverá farra do boi”, e garantiu que seu governo manterá o prumo. As viagens de turismo de Lula e sua corja, como sempre, foram bancadas pelo pagamento de impostos dos brasileiros.

 Mais, sobre as viagens de Lula:

“Estou com cara de rei?”

 Lula, presidente da República ao ser batizado como chefe de tribo em sua visita a Gana na África.

“Política é olho no olho. Como se diz no Brasil, é no tête a tête”. Idem, esbanjando seu francês na África.

 “É como dor de cálculo renal. Não adianta contar, só sentindo”. Idem, sobre a dor que o Brasil sente pela escravidão, ao pedir perdão por ela no Senegal.

“São só blábláblás”. Luiz Fernando Furlan, ministro do Desenvolvimento, sobre seus encontros com autoridades africanas.

“Ele não é um cristão modelo”. Eugênio Salles, ex-arcebispo do Rio de Janeiro, sobre a religiosidade do presidente Lula.

 Nepotismo

 Em tempos passados, nepotismo, a arte de empregar parentes muito usada pelos políticos, começou a ser discutida. Virou polêmica. Vamos ver o que disseram dois personagens da época:

1º. “Essa história de nepotismo é coisa para fracassados e derrotados que não souberam criar seus filhos”. Severino Cavalcanti, presidente da Câmara dos Deputados, aquele do mensalinho, ao defender a nomeação de seu filho José Maurício, para um cargo federal em Pernambuco.

2º. “E as amantes? Vão ficar de fora da proposta?” Jair Bolsonaro, deputado federal (PFL-RJ) que já empregou o filho e a mulher em seu gabinete, vociferando contra as propostas de emendas constitucionais que proíbem a contratação de parentes por titulares de cargos públicos.

Como proceder

 Em abril de 2005, uma reunião entre Lula, Aldo Rabelo e José Dirceu para definir o modus operandi das nomeações da base governista. Pelas contas do Governo o PTB e o PL Já preencheram suas respectivas cotas de nomeações. E o MDB? É todo da base governista. Os outros partidos, alguns não pensam assim... E o eleitor? Fora! 

 

 

 

Um pouco de bom senso, por favor...

Há mais de um ano, numa tarde de sábado, houve um jantar beneficente no pavilhão da Capela Santa Terezinha na Vila das Palmeiras, o bairro mais distante do centro de Laranjeiras do Sul. Antes, porém, o pároco presidiu a celebração de Missa na capela. O ato religioso terminou pelas 20 horas e então todos se dirigiram ao pavilhão, inclusive o padre. A maioria havia adquirido um cartão e alguns números de rifas. Lá estávamos eu e minha esposa Hedwiges e na entrada dois rapazes carimbavam o braço de quem tinha o ingresso. Esse negócio de carimbar a pessoa eu só sabia que era praticado em alguns bailes e discotecas. Também havia um bom fluxo de pessoas, doadores e patrocinadores vindos do centro. Até aqui nada demais. Mas, como o pavilhão foi construído em um lugar escavado e apertado contra um barranco, bem perto da entrada estava estacionada uma caminhoneta MB 608 amarela carroceria alta, daquelas de puxar bovinos para o açougue ou frigorífico. Deve ter transportado gado a semana toda e o dono a estacionou ali sem lavá-la. As pessoas foram entrando uma a uma e sendo carimbadas. No palco, música e animação de conhecidíssimo radialista. O buffet, quando provamos, era gostoso. Parabéns às cozinheiras e aos organizadores, mas o que não se podia ignorar lá dentro, era o cheiro da MB 608, aquela caminhoneta amarela...

 Cada qual pode cometer uma gafe. Na fila, um homem com chapéu de abas largas que quando na vez colocou-o entre as pernas, pegou a colher e começou a revirar toda a comida deixando a fila esperando. Provavelmente estava estreando num ambiente como este. O “seu” vigário como dizíamos antigamente do pároco, serviu rapidamente um pequeno prato, não permanecendo muito tempo naquele recinto. Com certeza, motivado a se retirar devido ao mau cheiro que exalava da caminhoneta. Na sequência, durante os intervalos de música o animador/ radialista anunciava os ganhadores de prêmios por números da rifa. Até nós ganhamos um pacote da Erva-Mate a vácuo da Mate Laranjeiras. Por volta da meia noite resolvemos nos recolher, não sem antes conferir se a caminhoneta ainda estava no mesmo lugar. Pasmem, lá estava a dita cuja toda rebocada com o portão da carroceria entreaberto dando condições para verificar o que havia lá dentro: caixas de cerveja. Não se precisava mais perguntar pelo dono do veículo que faturava. Mas, certamente conseguiu estragar o apetite de muitos, privando a confraternização entre amigos(as) e conhecidos. Poderia até ter feito isso, mas antes tivesse lavado a caminhoneta. Entendo que freteiros de gado, toras, leite, lenha, erva-mate in natura e afins, ás vezes pecam pela falta de bom senso. Falam alto, estacionam mal, contam vantagens, reclamam do preço do óleo diesel, acelerando sem necessidade. Também fiz parte deles, transportando toras, carvão vegetal, madeira serrada e beneficiada. Conheço como poucos essa vida dura. Trabalhei desde o fim dos anos 1950 com serraria. Comecei com meu pai cuidando da caldeira, atendendo o moinho e descascador de arroz. Conheci muitos tipos de máquinas para serrar e beneficiar madeira, preparando ferramentas e laminando (afiando) serras. Posso dizer que esta vida de lidar com madeira é mesmo pesada. As máquinas prejudicam entre outras coisas, a audição e o indivíduo passa a falar alto, fica nervoso, também já não ouve muito bem. Mas isso tudo não deve levar a pessoa a perder a educação e o bom senso.

  

Rumo à Estação INSS

  “Karl Marx até acharia normal, afinal, ele viveu por muitos anos dos estipêndios que o amigo Friedrich Engels arrancava da mais valia dos operários das fábricas do pai. Mas Vladimir Lenin ficaria chocado. O líder russo era um idealista, aquele tipo de pessoa que esquece as considerações práticas da vida para se deixar guiar por uma causa. É de imaginar o desgosto de Lenin ao saber que seus discípulos no Brasil inventaram uma forma de revolução segura e com aposentadoria garantida. É exatamente isso que está ocorrendo no Brasil. Lenin, vindo do exílio, desembarcou na Estação Finlândia, em Moscou, para dar início à insurgência bolchevique. No Brasil, os caminhos revolucionários levaram à Estação INSS. Milhares de militantes esquerdistas que queriam derrubar a ditadura militar – e instalar outra ditadura em seu lugar – estão recebendo um pagamento vitalício pelos sacrifícios pessoais que fizeram pela causa. No total, essas indenizações já devem ter chegado a 4 bilhões de reais. Pedir e receber pagamento público vitalício por ter sido comunista é uma ofensa à memória das centenas de militantes que foram mortos em combate ou nos cárceres da ditadura. É também uma conta cara para o povo. Não é difícil saber de onde está saindo o dinheiro: do bolso dos brasileiros. Pessoas que foram torturadas ou perderam seus empregos públicos apenas por discordar das idéias dos ditadores e viram suas carreiras serem cortadas por razões políticas são merecedoras de reparação financeira. Mas essa noção foi amplamente distorcida no Brasil. A comissão federal que decide pela justeza das indenizações havia recebido 43 mil pedidos até o ano de 2004 e eles continuaram chegando. Obviamente, a maioria é de pessoas a quem a ditadura não causou maiores males. Ainda em 2004, veio a público uma história exemplar. O jornalista Carlos Heitor Cony que ao longo das últimas quatro décadas construiu sólida carreira como escritor e colunista do jornal Folha de São Paulo, teve aprovado um pedido de indenização que lhe garantiu uma pensão de 19.000 reais, até sua morte em janeiro de 2018. Provavelmente, algum dos seus descendentes deve continuar recebendo. Para chegar ao cálculo de 19.000 reais, a comissão valeu-se da Lei nº 10559, de 13 de novembro de 2002. Pelo texto há dois tipos de indenização. No primeiro, a pessoa pode receber o correspondente a trinta salários mínimos por ano de suposta perseguição política, até o limite máximo de 100.000 reais. No segundo tipo, o indenizado recebe um valor mensal correspondente ao “posto, cargo, graduação ou emprego” que ocuparia se estivesse em atividade. No caso de Cony, a comissão avaliou que, não fosse por sua militância, ele poderia ter ocupado altos postos de direção no Correio da Manhã, de onde saiu por pressão política. É um espanto. O Correio da Manhã fechou as portas nove anos depois da demissão de Cony. “É justo que o Brasil faça um ajuste de contas com a sua história, mas essas indenizações são um abuso”, diz a cientista política Lúcia Hipólito.

OBS. Adaptado de texto de Marcelo Carneiro, publicado no ano de 2004 em periódico de circulação nacional.

Histórias

João Gabriel de Lima escreveu em 13 de abril de 2005 a reportagem que se intitula “Vietnã na Amazônia”. Vamos aqui trazer a opinião de três leitores que se manifestaram na época:

1º. A história tem tudo para seguir, agora, em seu rumo certo e correto. Só uma pequena contradição precisa ser desfeita, pois é a causa de toda interpretação errada do período: é falsa a idéia de que “a esquerda pegou em armas contra a ditadura”. O recrudescimento da ofensiva militar, desde 31 de março de 1964, é que foi uma reação à tentativa da esquerda de implantar uma ditadura comunista no Brasil. Essa, sim, na verdadeira acepção do termo “ditadura”. Foi realmente uma guerra em que o Exército Brasileiro, unido à população ordeira, cristã e consciente, venceu preservando a democracia. Entretanto, para os vencidos, a guerra ainda não acabou. Posando de vítimas, iludindo as grandes massas sofridas da população, ainda contam suas meias verdades, alimentando a insensatez de ressuscitar o “Projeto Brasil nunca mais!” para transformar o Brasil numa imensa Cuba.

(Alexandre Olyntho Moreira – Campinas – SP).

2º. No dia 14 de setembro de 1972 embarcamos em um avião C-130 (Hércules) no Aeroporto dos Afonsos com destino a Marabá, onde chegamos às 13h45m. Eu era soldado e pertencia a uma companhia da Brigada de Pára-quedistas que fora treinada para caçar subversivos naquela área. Eu levei duas cadernetas, em que ia anotando timtim por timtim tudo o que acontecia, e hoje as guardo como recordação dos momentos que passei no Araguaia. Meu pelotão não chegou a entrar em confronto. A gente fazia patrulhas diárias, mas graças a Deus não encontramos ninguém, e por isso não disparei nenhum tiro.

(José Américo de Moura – Araguaina –TO).

3º. Lendo o texto da reportagem Vietnã na Amazônia fica a impressão de que o Exército Brasileiro travou uma grande batalha para derrotar os “insurretos” do Araguaia. Por mais organizados que os adeptos do PC do B pudessem ser, não dá para acreditar que tenham conseguido formar grupos armados que pudessem ser chamados de “destacamentos”. Esse jargão militar, por si só, denuncia a intenção de engrandecer o “inimigo” a fim de conferir méritos à ação repressora do governo de então. A história brasileira está repleta de exemplos do uso descomunal da força contra grupos civis mobilizada em torno de idéias e ideais malquistos: de Canudos ontem à desocupação de áreas urbanas invadidas por maltrapilhos despossuídos hoje. O pior de tudo é ter de ler na matéria a justificativa do uso descomunal e desproporcional da força militar contra civis como ato típico de países de “Terceiro Mundo”. Nada justifica que, nos idos de 1974 aqueles “revoltosos” do Araguaia pudessem ser caçados pela selva como animais.

(Ricardo Pereira de Oliveira – Uberlândia – MG)

Judeus no Brasil

 No extremo do Brasil, Rio Grande do Sul, onde vivo, uma saga foi construída por imigrantes judeus, dos quais descendo. Em fins do século XIX, em torno de 1890, emigrou para Bagé, extremo sul do país, onde muito tempo depois meu avô chegou -, um judeu, que lá morreu de uma enfermidade desconhecida. Como havia somente um cemitério (católico), o padre local proibiu o sepultamento nele. A área do cemitério cresceu e hoje a sepultura está bem no meio. Lá ela recebe placas, cartas, velas, pedras e oferendas de agradecimento por graças alcançadas. Também virou santo, o “Santo Judeu”.

(Walter Nagelstein, P. Alegre – RS).

A carta de 1967

Na segunda semana de setembro de 1968, o Brasil já vivia sob a regência da Constituição desenhada pelos militares que depuseram o presidente João Goulart em 1964. Apresentada pelo presidente vindo da caserna, o marechal Humberto de Alencar Castello Branco, a Carta promulgada em 24 de janeiro de 1967 substituía o texto vigente desde 1946 era, na ausência de clareza ao lidar com os direitos fundamentais dos cidadãos, um retrato de seu tempo.

A resistência civil em aceitar as decisões autoritárias do regime militar e a ascensão da chamada “linha dura” dentro do governo culminaram na edição do Ato Institucional nº 5, em 13 de setembro de 1968. O AI-5 fechou o Congresso, suspendeu as garantias de liberdade de expressão e reunião, acelerou a cassação de deputados e impediu a concessão de habeas-corpus para “crimes políticos”.

Nesse ambiente, com o início dos chamados “anos de chumbo” o presidente Arthur da Costa e Silva encomendou a seu vice, o advogado criminalista Pedro Aleixo, mudanças no conteúdo da Carta, em nome da segurança nacional. As emendas de Aleixo, rabiscadas a rigor pelos homens da caserna, foram anunciadas durante o curto período da Junta Militar provisória, que se instalou depois de Costa e Silva ter sofrido um acidente vascular cerebral, em agosto de 1969, e antes da posse de Emílio Garrastazu Médici.

 O Brasil então mergulhou em uma era sombria, e o documento era um arremedo da Constituição. E mais: Os críticos do regime naquele momento afirmaram que o país caminhava para as trevas, da qual sairia apenas em 1985. Diante de tanto cerceamento das liberdades fundamentais, e com a censura prévia a que a imprensa brasileira foi submetida de maio de 1974 a maio de 1976 ela dedicou um espaço mínimo, mas corajoso ao assunto.

Ernesto Geisel foi o presidente militar que liberou aos poucos a imprensa. Os militares sempre apontavam a Câmara Federal como sendo a mais comunista. Tanto assim, que vários deputados federais foram de cara cassados. Mas, o Congresso nunca foi totalmente fechado. No governo também militavam civis, e, em 1967, o Congresso trabalhou dois meses em regime de tempo integral para fazer uma nova Constituição. Trinta dias depois já se pensava em reformá-la. O Brasil vive desde 1945, em permanente regime de reforma constitucional. Pensava-se que tais reformas contribuiriam para a superação de crises.

Naquele momento, como das vezes anteriores, tenta-se o remédio milagroso: uma reforma para tirar o país do impasse e reativar o processo político, com a ajuda de políticos civis. Pedro Aleixo recebeu dos militares a missão de encontrar uma fórmula milagrosa. Com a ajuda de juristas da época, a ordem era criar uma forma que permitia ao governo a possibilidade de manterem as características de um regime democrático sem expor a risco excessivo a segurança revolucionária. Mas, afeito aos problemas jurídicos, o ministro da Justiça julga dispensável o Ato Institucional. Mas, para isso, a Constituição deveria ampliar os poderes da Presidência na decretação do estado de sítio e das intervenções nos estados, no processo legislativo em geral, no comando do trabalho parlamentar, ao mesmo tempo que limitava a interferência do Congresso e a Revolução poderia abrir mão do seu direito de cassar mandatos.

Isso seria feito de acordo com as regras, pelo próprio Parlamento. Mas se ainda persistissem os riscos, poderia o Presidente dissolver o Congresso, recursos copiados dos sistemas parlamentaristas. Não restaram dúvidas: A Revolução de 1964 tentou logo institucionalizar-se, através do Parlamento, e se parecendo menos com uma ditadura.