Reinoldo Back - Reinoldo Back
O palito é relativo

 

No Pantanal Mato-grossense, onde vivem várias espécies de jacarés, há uma espécie de ave, de penugem azulada, denominado Paliteiro. Essa ave observa os jacarés fazendo suas refeições. Quando os répteis terminam seu manjar, geralmente viram-se para a margem do rio e colocam metade do corpo fora d’água, escancarando ao máximo sua bocarra. E é aí que os Paliteiros aproveitam e entram na boca do grande animal e se alimentam das sobras de alimentos presos nos seus dentes. Assim, lucram ambos: o pássaro se alimenta e o jacaré fica com os dentes limpos. Não somos jacarés, nem temos um paliteiro que faça a limpeza de nossos dentes, mas nem por isso devemos descuidar de nossa saúde bucal.

Com os humanos é diferente, e o palito usado quase em todas as mesas variam com a cultura e com a época. Não existe atualmente no mundo das boas maneiras, vilão maior do que o palito de dentes. Nos últimos anos, os livros de etiquetas ressurgiram no Brasil e, em todos, lá está ele – proscrito e enxovalhado. “Palitos, nem pensar”, dizem as celebridades. Palito só como último recurso, desde que trancado no banheiro com várias chaves.

Mas nem sempre foi assim. No século 19, por exemplo, os ricos brasileiros consideravam a mesa incompleta sem o paliteiro, quase sempre uma peça rebuscada, feita de prata e na forma de pavões, carneiros e outros bichinhos. Até dom Pedro I usava e abusava do hábito de palitar os dentes. Parece que, antes de se generalizar o uso do charuto, era palitando os dentes que se conversava depois do jantar. E, se os exemplos nativos não parecem confiáveis, é bom saber que nos séculos XVI e XVII, na Europa, ter um palito permanente, entalhado em ouro e enfeitado com pedras preciosas, era o auge da elegância.

Mas qual a moral do caso do palito? Antes de mais nada, ele ajuda a lembrar que até mesmo as regras de civilidade mais simples têm história, e não fazem parte de uma tábua de mandamentos eternos e inflexíveis.

O ritual do jantar, um livro escrito pela canadense Margaret Visser, está recheado de episódios interessantes, escritos em estilo espirituoso, a obra faz um inventário dos bons costumes à mesa dos tempos pré-históricos até os dias atuais. Alguns deles são esdrúxulos para o ocidental. Na Melanésia, por exemplo, há culturas que o anfitrião simplesmente está proibido de tocas na comida que oferece. Fazer isso seria desprezar todas as regras de educação. Até os canibais tinham suas regras e suas etiquetas. No cotidiano, os antigos fijianos se alimentavam com as mãos, mas no momento de se banquetear com um inimigo, usavam um elegante garfo de madeira. Se os garfos ganharam aprovação, o mesmo não aconteceu com as facas para peixe. No século XIX, peixes eram comidos com garfo em uma mão e pão na outra.

Na Grécia antiga, mulheres eram desencorajadas a utilizar facas às refeições: o manejo de armas brancas, ainda que para cortar um prosaico bife de carneiro, era vedado ao sexo feminino. Na Idade Média, havia refeições em que a tigela de comida era partilhada pelo casal. Esperava-se galantemente que, só o homem manejasse a faca.

Assim como as toalhas, os guardanapos datam de Roma. Os próprios convidados deviam trazer os seus usando-os no final para embrulhar restos e levar para casa. Cientistas observaram um grupo de macacos japoneses, quando uma das macacas decidiu tirar a lama de uma batata que ia comer, lavando-a na água. A atitude causou impressão em seu bando, logo, outros macacos estavam fazendo o mesmo. Duas gerações depois, não só a lavagem das batatas era “obrigatória”, como se havia descoberto que, feita em água do mar, podia resultar numa refeição de batata salgada para a macacada. Os bichos podem ser, às vezes, incomodantemente parecidos com os humanos...

 

A arte de culpar os outros

A arte de culpar os outros e a tentativa de encontrar um bode expiatório para tudo, é uma prática que acompanha a humanidade há milhares de anos. Os estudiosos dizem que podemos sim nos livrar dela. A tentativa de jogar a culpa por uma situação indesejada de desastres naturais à guerras, de crises econômicas a epidemias – nas costas de um único indivíduo ou grupo quase sempre inocente, é, uma prática tão disseminada que alguns estudiosos a consideram essencial para entender a vida em sociedade. Se observarmos à nossa volta, encontraremos muitos exemplos. Quando um adulto interrompe a briga de duas crianças, uma aponta o dedo inquisidor para a outra: “Foi ela quem começou! ”.

Nos Estados Unidos, o culpado da vez é o 1% mais rico da população, que paga menos impostos do que a classe média. Na América Latina a tradição populista não existiria sem a invenção de inimigos imaginários internos (as oligarquias, os bandos, a imprensa) e extemos (o FMI, os Estados Unidos). A ditadura cubana sustenta-se há cinco décadas sobre a fantasia de que a miséria da sua população se deve ao embargo americano à ilha, e não ao fracasso de seu sistema comunista.

Enquanto vivo, Hugo Chaves chegou a levantar a bizarra hipótese, de que os Estados Unidos haviam provocado câncer nele e em outros quatro presidentes da região diagnosticados com a doença, entre os quais Lula e Dilma Rousseff. Como é possível que explicações irracionais como essas convenças tanta gente, apesar da falta de evidências? Charlie Campbell em seus livros defende a tese de que cada ser humano tende a se considerar melhor do que realmente é, e por isso tem dificuldade de admitir os próprios erros. “Adão culpou Eva, Eva culpou a serpente, e assim continuamos assiduamente desde então”.

Junte-se a isso a necessidade humana de encontrar um sentido, uma ordem no caos do mundo, e têm-se os elementos exatos para aceitarmos a primeira e a mais simples explicações que aparecer para os males a nos afligir. Desde muito cedo, com o surgimento das primeiras crenças religiosas, a humanidade desenvolveu rituais para transferir a culpa para pessoas, animais ou objetos como uma forma de purificação e recomeço.

A expressão “bode expiatório” refere-se a uma passagem do velho testamento que descreve o sacrifício de dois ruminantes no Dia da Expiação hebraico. O primeiro bode era sacrificado imediatamente em tributo a Deus, para pagar pelos pecados da comunidade. O segundo era enxotado ao deserto, carregando consigo, a culpa de todos os moradores.

Os gregos antigos tinham um escravo ou um marginal, que era banido para purificar o grupo, e assim afastar as punições dos deuses – pragas, secas e outros desastres.

A escolha do bode expiatório costuma obedecer a pelo menos um de três requisitos. Primeiro, deve ser alguém capaz de substituir sozinho muitas vítimas potenciais. Foi o que aconteceu com Andrés Escobar zagueiro da seleção colombiana de futebol cujo gol contra na partida contra os Estados Unidos eliminou seu time da Copa do Mundo de 1994. Quando voltou à Colômbia, Escobar foi assassinado a tiros, supostamente por apostadores que haviam perdido dinheiro com a derrota. Por maior que tenha sido o erro do jogador, é óbvio que num time com onze jogadores não se pode só atribuir a um deles toda a culpa por um resultado ruim.

O segundo quesito para um candidato a bode expiatório é ser alvo facilmente identificável. Adolf Hitler, um dos mais cruéis inventores de bodes expiatórios, achava que um verdadeiro líder era aquele que em vez de dividir a atenção de seu povo, tratava de canalizá-la contra um grande inimigo. Após séculos de antissemitismo na Europa, foi fácil para os nazistas transformar os judeus em suas vítimas preferenciais, atribuindo a eles a de serem os causadores e beneficiários da crise econômica que assolava a Alemanha.

A expiação coletiva imposta pelos nazistas resultou na morte de 6 milhões de judeus.

E o terceiro quesito para encontrar um bom culpado é suspeitar de qualquer pessoa que tente defender a inocência de um bode expiatório.

Dá pra acreditar?

Pensar na morte deveria ser natural

Alguém com 70 ou 80 anos, um pouco mais ou um pouco menos, se não pensasse na morte seria um alienado. E não se trata de hipocondria ou pensamento compulsivo obsessivo! Entre a psicopatia e a alienação existe a normalidade.

Penso na morte de uma maneira muito pragmática. Tenho 78 anos. Se, numa projeção, viverei até 90, sobram 12 de minha existência. Se chegar aos 105 – Tomara! – ainda tenho 27. Isso para mim é uma forma de pensamento saudável. Mas também não me preocupo demais porque acredito que Deus existe. Que a eternidade existe. Por que então, contar os anos daqui se tenho uma eternidade pela frente?

“Nunca encontrei um ateu no leito de morte “, afirmou Fernando Lucchese. Acho que não existe verdadeiro ateu quando está para morrer. Mas também não quero acreditar em Deus somente na hora do perigo de morte. Claro que pode bater o medo. Tenho que acreditar com lucidez e raciocínio e não irracionalmente.

Mas há os que, ao receber um diagnóstico de dois ou três meses de vida dizem “agora irei acreditar, agora vou rezar!” Menos mal. Mas não é o que eu quero. Como cristãos, temos o privilégio de melhor administrar essa situação da morte e de estresse. O que talvez seja difícil para um materialista ou quem não acredita em nada.

Temos pensamentos filosóficos, mentais e espirituais. Claro que há a questão de nosso físico: idade e morte desembocam uma na outra. Mas não devemos temer porque temos nosso Deus – embora imaginado e representado segundo nossos parâmetros humanos com seus diferentes modelos de acordo com as diversas cultural e civilizações. A morte – assim como a vida – é algo inexplicável. Por que tudo isso? Porque temos fé e isso ajuda a enfrentar a questão.

Quem nunca teve dúvidas? Santo Agostinho duvidou no século IV. São João da Cruz teve sua noite escura. Mas nunca se desesperaram.

A gente poderia perguntar: como alguém, que não tem fé, lida com a expectativa de sua morte? Como elabora a partida definitiva dos seus entes queridos e dos que conviveram com ele? Se não acredita em vida após a morte, por que conserva imagens, fotografias, mensagens, textos dos que partiram? Ou até fala sozinho, como se estivesse dialogando com quem já foi?

Nesse sentido, lembro do caso de dois ex-colegas já falecidos. Numa viagem de avião de Porto Alegre ao Rio de Janeiro, isso na década de 1960, o avião estava com pane e iria cair. Todos apavorados e afivelados nos assentos. Ao que um dos colegas tirou o cinto de segurança, levantou do assento e provocou o outro colega, que se confessava ateu: “E agora, fulano?! Deus existe ou não existe?” O ateu se manteve firme. Felizmente o avião não caiu. Deve ser muito difícil ser um descrente! Ou não, porque o ateu costuma racionalizar sua existência. Simone de Beauvoir, no livro “Todos os Homens são Mortais”, sustentava que seria muito ruim se tivéssemos que ser imortais.

Iríamos cansar de viver e sofreríamos muito por razões singelas: a vida se tornaria chata. Para ela, a vida deve ter um limite, como um jogo de futebol tem só 90 minutos ou até no máximo prorrogação. Ela também não acreditava que somos criaturas de Deus e sim que Deus seria mera criação humana.

Crer ou não crer é uma opção. Eu creio que a vida continua depois da morte e me dou muito bem….

Juros Bancários

Há um meio século que a gente ouve falar sobre os terríveis juros cobrados pelos bancos. Banco nunca perde porque não empresta se não houver uma boa hipoteca. Não existe nenhuma atividade econômica no país que dê tanto lucro. Sem produzir um alimento, um grão sequer. Talvez seja por isso, que tantos bancos estrangeiros queiram se estabelecer no Brasil. Atrás desse carrossel, surgiram nas últimas décadas, as Cooperativas de Créditos Rural. Rural e qualquer outro crédito, ainda nos moldes das Cooperativas de Crédito trazidas pelos imigrantes no século 19.
Na questão dos altos juros a gente se lembra apenas de um governante que reclamou várias vezes: Trata-se do falecido vice-presidente da República do governo Lula, José de Alencar Gomes da Silva, o Zé Alencar. Ele reclamou a todo momento dos juros escorchantes cobrados pelos bancos. Não era de se admirar: ele foi um grande empresário. Até a ex-presidente Dilma Rousseff tentou por decreto e no grito abaixar os juros bancários. Em vão. Em vez de ficar reclamando dos bancos, o governo deveria começar a fazer a parte que lhe cabe, desonerando a tributação sobre operações financeiras compulsória. Na base do Sistema de Crédito aparece a rolagem da dívida pública, que por não ter risco, é o melhor negócio bancário, dizem os economistas.
O governo leva em tudo. É dono de bancos estatais e possui no mínimo ações em bancos privados. Não seria ótimo se esse presidente Bolsonaro, neste momento estendesse uma guerrinha à redução dos impostos no Brasil? Ele que toda semana está envolvido em polêmicas?
É justo os brasileiros pagarem 35,90% de impostos/taxas em uma conta de energia? Essa arrecadação é imensa, pois todos os brasileiros que tem moradia, pagam. Isto é apenas um exemplo. E o governo fala sempre demais, e age pouco. Também reclamar dos juros bancários mais altos do mundo e não lembrar que o governo é um “sócio oculto” que fica com 22% do “spread” a título de impostos? Cada R$ 100 produzidos na economia brasileira, o governo fica com 36 reais na forma de impostos. Poucos países possuem uma tributação dessa magnitude: As exceções são as ricas economias europeias. Na Noruega, a carga tributária chega a 43% do PIB, mas a renda per capita no país é de U$ 97 mil. Não é esse o caso do Brasil, onde a renda mal ultrapassa U$ 11 mil e os serviços prestados pelo governo à sociedade estão a anos luz do padrão escandinavo. Um estudo expões com nitidez rara, o desperdício de riquezas em decorrência do binômio formado pela carga tributária pesada e pelo gasto público de má qualidade. Essa combinação viciosa faz o país perder o equivalente a um produto interno bruto (PIB) a cada dez anos trata-se de um custo para a sociedade superior ao dos juros elevados do real valorizado, dois fatores frequentemente apontados como causa da perda de competitividade da indústria nacional. O peso dos impostos, os juros cobrados pelos bancos e a ineficiência pública minam a produtividade e corroem o potencial do crescimento. Colocando a equação em números, cada aumento de 1 ponto percentual na carga tributária reduz o crescimento em 0,5 ponto percentual.
O pano de fundo seria estimular a produção nacional partindo de um ganho de eficiência o setor público, em vez de se preocupar apensa com poucos incentivos à demanda. Se o governo deixar de impor uma afixia aos empreendedores, reduzindo os impostos e os juros bancários seguramente o país começara a andar, e os empregos surgirão.
Um controle de gastos por parte da união, a simplificação das cobranças ao contribuinte. E o dinheiro consumido todo ano com os juros das dívidas estaduais e municipais? Se nada for feito, o avanço na renda dos brasileiros sempre será modesto.

Meu encontro com Deus

Um médico fala do seu “encontro com Deus”


Depois de uma semana cansativa de trabalho, que aguçou a saudade de casa, o médico João Carlos Resende se emocionou e comoveu internautas ao relatar a consulta com uma paciente de câncer. Dona Socorro chegava ao Hospital do Câncer de Barretos, em São Paulo, ansiosa por uma boa notícia, mas receberia em seguida um novo diagnóstico da doença. A simplicidade da reação da idosa, mesmo decepcionada, tocou profundamente o coração de Resende. Ele publicou o encontro no hospital com aquela mulher franzina, pobre, simples, um sorriso brincando no seu rosto marcado pela visa. Mas Resende precisava avisá-la de que a doença havia voltado e progredido, e ela precisava retomar a cansativa e nauseante medicação. João Carlos Resende Martins é de Campina Grande, Paraíba, e foi morar no interior de São Paulo em 2017, para fazer sua residência médica em oncologia. Sempre gostou de escrever, movido pela leitura e pelo incentivo da mãe que é revisora ortográfica. Muito ligada aos parentes desde criança, ele convive hoje com a solidão. Mas aposta na missão de ajudar na fragilidade dos pacientes com câncer, em um mundo que “usa a fragilidade das pessoas para o engano, o golpe”. E se apoia em afagos como de Dona Socorro, o que trouxe um sopro de esperança.
Dr. Resende:
Semana curta e cansativa, coração agitado mente num turbilhão. Deus hoje resolver me visitar. Ele tinha um corpo franzino, rosto marcado pelo sol, mãos com sutil aspereza de quem trabalhou pesado a vida toda e um cheiro de lavanda misturado com as cinzas de um fogão de lenha. Ele falava de um jeito bonito e simples, arrastado e vindo lá de Goiás. Vestia a melhor roupa que tinha, colorida, bem cuidada, mas respingada da sopa que lhe serviram antes da consulta. O sapato de algodão listrado não combinava com a blusa florida... Oh, mas com Ele era Deus e podia tudo. Seus olhos fugiam dos meus. Como podia Deus se fazer pequeno assim? Logo lembrei que Ele sabe muito bem fazer isso. Lembrei que Ele foi homem, é pão e será sempre grande, pequeno Deus. Parecia envergonhado, ansioso pela notícia, infelizmente não tão boa. Estava cansado da viagem, da sala de espera lotada e de anos de luta contra o câncer. Diante da grandeza à minha frente, aumentei minha pequenez para que pudesse caber na menor brecha que ousei adentrar naquela vida. A doença mudou, progrediu e voltou a judiar. Aquele remédio que tanto cansava e nauseava aqueles poucos quilos tão frágeis se faria necessário mais uma vez.
- Mas Douto. Não diga isso.
Seu rosto se entristeceu e quanto me doeu ver Deus ser tão gente ali, diante de mim.
- Dona Socorro, não fique triste. O doutor aqui tem coração mole e pode chorar.
Olhou para mim e pude ver o brilho dos olhos sábios dizendo:
- Vou chorar em casa, para o senhor não olhar.
Como pode Deus me visitar assim. Aquilo me engrandecia. Examinei aquele corpo pequeno. Coração forte e barulhento, pulmões que sopraram em mim o sopro da vida e o mais belo sorriso com as cócegas geradas ao palpar seu abdômen. Pensava comigo o quanto eu queria, com minha mão retirar os tumores um a um e ao mesmo tempo para mim era uma visita de Deus. Minha prescrição talvez seria o que menos importava ali, mas assim mesmo a fiz.
- Dona Socorro, vou prescrever aquele remédio chatinho, mas para tentar controlar a doença da senhora.
Humilde ela respondeu:
- É o jeito. O resto pode estar doente e não prestar, mas o meu coração é grande e bom. Doutô.
Já emocionado, pedi um abraço ganhei mais: uma foto, um carinho no rosto e a certeza de que Deus sempre estará comigo e me visitará de diversas formas.
Ironicamente, saiu daquela sala e falou:
- Fica com Deus, Doutô.
- Estive com ele, Dona Socorro, estive com ele!

Maximiliano Kolbe

Ninguém Tem maior amor do que aquele que dá a vida pelo próximo (João, 15,13).

Maximiliano Maria Kolbe, nascido Rajmund Kolbe, na localidade de Zduńska Wola, Polônia, em 08 de janeiro de 1894, foi um missionário franciscano que morreu como mártir no campo de concentração nazista de Auschwitz, tomando o lugar de outro prisioneiro, Franciszek Gajowniczek. Kolbe foi canonizado pelo seu compatriota, o Papa João Paulo II, em 10 de outubro de 1982. Frei franciscano conventual, Padre Maximiliano estava recolhido a uma das prisões de Auschwitz como outros 320 presos trazidos de Varsóvia em 28 de maio daquele ano de 1941, identificado sob o número de 16670.

Sorteados para morrer de fome e sede, em fins de julho com um dos presos conseguira fugir (foi encontrado mais tarde afogado numa latrina). Em represália, o responsável daquele campo de concentração separou dez presos que deveriam morrer de fome e de sede, trancafiados num porão daquela masmorra. Enfileirados, ele – o chefe – estava tirando o décimo da fila até completar a cota dos sorteados para morrer.

Padre Kolbe não tinha sido um dos sorteados, mas ofereceu-se para o lugar de Franciszek Gajowniczek que desesperado, gritava: minha pobre mulher e meus filhos não vão mais voltar a me ver.

O implacável e sádico subcomandante vendo Kolbe vindo em sua direção prontamente sacou a arma e gritou: alto, o que quer esse polaco sujo? O religioso, magro e pálido, apenas disse: quero morrer em lugar daquele. Warum? (Por que?) Retrucou o chefe, e Kolbe: já sou velho e não sirvo mais para nada. Cada vez mais pasmo, o chefe falou: e por quem você quer morrer? E, indicando Franciszek: por aquele que tem mulher e crianças. E o chefe, agora ainda mais curioso: mas quem é você? Resposta de Kolbe: Sou um padre católico. Injeção letal. Após duas semanas de fome e de sede, apenas quatro dos dez restavam vivos, no escuro e fétido porão, três deles já inconscientes. Kolbe, contudo, continuava lúcido. Finalmente, os que ainda estavam vivos receberam o golpe final da lenta agonia: Uma injeção de ácido fênico para desocupar a cela.

“Frei Kolbe – conta Bruno Borgowiek, um dos auxiliares do médico da prisão – com uma prece nos lábios, ofereceu ele próprio, o braço ao algoz. Eu não pude resistir. Meus olhos não quiseram mais ver. E sob pretexto fugi”. Era 14 de agosto de 1941, os restos mortais do religioso franciscano foram cremados em 15 de agosto, festa da Assunção de Nossa Senhora. Frei Kolbe foi canonizado em 10 de outubro de 1982, na presença de Franscizek, aquele que tinha sido “sorteado” para morrer.

Kolbe é visto como padroeiro especial das famílias em dificuldade, dos que lutam pela vida, da luta contra os vícios, da recuperação da droga e do alcoolismo. E também é padroeiro dos presos. Em julho de 1998, a Igreja Anglicana ergueu uma estátua de Frei Kolbe em frente a Abadia de Westminster, em Londres, como parte de um conjunto monumental dedicado a memória dos dez maiores mártires do Século XX.

E por quem você quer morrer? Por aquele que tem mulher e crianças. Mas quem é você? Sou um padre católico.

Frei Maximiliano Kolbe.

(Matéria do jornalista Hugo Hammes)

O juiz que condenou Cristo

Arqueólogos israelenses encontraram o mausoléu da família de Caifás, o sacerdote que presidiu o julgamento de Jesus e entregou-o aos algozes romanos. As ossadas foram descobertas numa antiga caverna na periferia de Jerusalém. Um dos personagens mais enigmáticos da Bíblia, Caifás é retratado por historiadores como um homem obcecado pelo poder e um grande bajulador do governador sarraceno Pôncio de Pilatos. Como a maioria das descobertas arqueológicas, a do túmulo de Caifás também ocorreu por acaso. Um grupo de operários que trabalharam no alargamento de uma estrada em Jerusalém encontrou a gruta, que continha doze urnas funerárias. “É a descoberta arqueológica mais significativa do período em que Jesus viveu”, afirmou um professor de religião inglês, estudioso da trajetória de Caifás.

Renovar as esperanças ainda em 2019:

...que haja mais amor em cada coração e mais vida e mais esperança em cada corpo humano;

...que haja mais mensagens de otimismo e menos incitação ao ódio circulando pelas redes sociais;

...que haja mais respeito pelo diferente e menos conformismo diante do desrespeito que atinge as pessoas mais fragilizadas da sociedade;

...que haja menos desânimo diante dos fatos que se apresentam como consumados e não são mais que formas de clamar pelas mudanças em nosso país;

...que haja mais empenho por parte da sociedade, religiões e governantes na construção de um mundo mais justo e fraterno e menos gente acomodada na “zona de conforto”;

...que haja mais fé em Deus e nos homens e menos seguimentos aos falsos profetas;

...que haja cada dia, novos sonhos e mais vontade de realizar a utopia de um mundo justo, terno e solidário, sinal de que a esperança ainda não morreu no coração da humanidade;

...que haja ainda esperança para quem se encontra em um leito de hospital, privado de seus familiares e amigos, por uma razão ou outra. A vida é curta demais para se odiar alguém. Faça as pazes com seu passado para não estragar a sua partida.

...que haja nunca ninguém que comanda a sua felicidade, a não ser você. Tenha consciência que a vida é uma escola e que todos os dias você pode aprender uma nova lição. Se ficar doente, os amigos farão o seu trabalho, mantenha se possível contato com eles.

Eu. Você... perante a sociedade:

1° Entre mais em contato com sua família e seus amigos;

2° Dê algo de bom aos outros diariamente;

3° Perdoe a todos que já te ofenderam um dia;

4° Passe quanto tempo puder com pessoas acima de 70 anos e abaixo de 6;

5° Tente fazer sorrir pelo menos três pessoas por dia;

6° O que os outros pensam de você é problema deles, não seu;

7° Você não necessita ganhar todas as discussões; aceite também a discordância;

Com relação a vida:

1° Faça sempre o que é correto, ou pelo menos tente:

2° Desfaça – se do que não é útil, bonito ou alegre;

3° Deus cura quando for pedir;

4° Por muito boa ou má que a sua situação seja, ela mudará;

5° Não interessa como se sente, levante, se arrume e apareça;

6° O melhor ainda está por vir;

7° Quando acordar vivo de manhã, agradeça a Deus pela graça;

8° Mantenha seu coração sempre feliz. Amém... que assim seja.

Investir nos jovens

O Brasil era um país de jovens. Era, não é mais. O controle da natalidade e a opção por um ou dois filhos, quando não a opção por não ter filhos, fez com que a população brasileira mudasse sua característica, diminuindo o número de jovens e, vendo crescer a cada ano o número de idosos, uma consequência do grande número de jovens nos séculos anteriores. Faz já alguns anos, no aeroporto de Lisboa, Portugal, uma atendente, controlando os passageiros, informou que era uma fila única para o embarque porque todos eram idosos. Atualmente, Portugal está recebendo grande número de jovens brasileiros, incentivados a irem para lá porque seus dirigentes sentiram a lacuna existente e a necessidade de preenchê-la para assegurar o futuro do país.

 Cabe a pergunta: o que o Brasil está fazendo para não perder estes jovens e fazer com que a juventude seja preparada para assumir o destino do país? E a infância, como está tendo assegurado o seu desenvolvimento e a garantia de que receberá tudo o que necessita para chegar a idade adulta com plenas condições físicas e morais para desenvolver sua cidadania plena e consciente?

 O americano James Heckmann, que recebeu em 2019 o prêmio Nobel de Economia, declarou, em entrevista concedida a uma revista nacional: “Crianças pequenas respondem rápido aos estímulos de qualidade”. Heckmann acredita que, até oito anos, a criança pode desenvolver suas capacidades que serão alimentadas no futuro de acordo com seus interesses específicos em uma ou outra área de conhecimento. O que o Brasil tem feito por suas crianças? Muitas escolas não respondem às necessidades mínimas das crianças brasileiras. As escolas existentes, especialmente as do interior, com poucas condições de pleno funcionamento, distantes das habitações destes jovens que andam quilômetros a pé, às vezes a cavalo, ou, em precárias condições de veículos automotores. Algumas vezes, sem condições de oferecer uma merenda a seus alunos que não querem continuar a frequentar as aulas. Professores despreparados e, geralmente, mal remunerados, que não estimulam seus alunos e fazem greves, nem sempre necessárias, para reivindicar salários. Terão estes alunos vontade em seguir nesta difícil trajetória? Terão condições de desenvolver suas capacidades inatas? Que futuro aguarda estas crianças brasileiras? Sem perspectivas de um futuro promissor, nossas crianças vão chegar à adolescência e a idade adulta desestimuladas e, muitas vezes, conquistadas pelos traficantes, passam a seguir o caminho da contravenção e do crime. É urgente uma tomada de posição pelo poder público e por toda a sociedade para que o país reaja, corrija a sua trajetória política e passe a se preocupar com a infância e a juventude do nosso país. Eles são o amanhã político e social da nação e definirão se seremos um “País do Futuro”, como previu Stefan Zweig, ou um país que se arrasta e se afoga em seus problemas...

 Quando você perceber...

 Quando você perceber que, para produzir precisa obter a autorização de quem não produz nada;

 Quando perceber que o dinheiro vai para quem negocia não com bens, mas com favores;

 Quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influências, mais que pelo trabalho e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você pelas leis;

 Quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto-sacrifício;

 Então poderá afirmar, sem temer errar, que sua sociedade está codenada.

 

(Ayn Rand, filósofa americana em 1920)

Perdão

“Perdoar os outros, não porque eles merecem perdão... Mas porque você merece paz”.

Perdoar alguém depois de ter ferido ou traído você pode parecer impossível, especialmente quando a ferida é recente. A reação é humana, dependendo muito da índole da pessoa. Mas a verdade é que guardar rancor contra alguém está ferindo apenas uma pessoa – você. Estudos mostram que o perdão pode reduzir o estresse e os efeitos colaterais negativos que vêm junto com ele. O perdão pode ser extremamente difícil, e isso pode levar tempo, mas também é a cura, de muitas maneiras.

 Quando você se prende à raiva, ela está constantemente em seu corpo e mente, em seu coração. Mesmo que você pense que já empurrou a situação para o fundo de sua mente, ela provavelmente ainda está afetando sua vida diária e as decisões que você toma. Você pode nunca esquecer o sentimento de ser ferido ou traído, mas uma vez que você decidir perdoar de coração, vai descobrir que você não estará mais constantemente pensando sobre a ofensa. Você pode ter aprendido uma lição dura que vai permanecer com você, mas a escolha de perdoar irá liberar sua mente e seu coração e a dor não terá mais poder.

 Se alguém próximo a você foi a causa de sua dor, é hora de reavaliar o seu relacionamento. A pessoa pode merecer uma segunda chance. De qualquer maneira, encontrar espaço em seu coração para perdoar, irá permitir que você crie um novo começo. O perdão não é um sinal de fraqueza. Ele não significa que você é capaz de ceder. O perdão é um sinal de força. Significa que você decidiu estar acima de uma situação difícil, e escolheu a felicidade sobre a dor. O perdão pode permitir-lhe colocar o passado para trás e ter um novo começo. Dor, raiva e amargura só pesam para baixo e só machucam você. Apesar de ter esses sentimentos, inicialmente, parece difícil de controlar ou superar, você eventualmente terá que fazer a escolha de perdoar a fim de curar. Depois de se livrar de todas as coisas negativas que está sentindo, você vai se abrir para a felicidade. O perdão irá permitir que você finalmente encontre a paz. Quando alguém lhe machuca ou trai, essa pessoa está tentando roubar algo de você: sua felicidade. Em vez de guardar rancor, e permitir que outra pessoa controle a sua felicidade, tome a decisão de perdoar. Escolha ser positivo. Seguir em frente com a sua vida pode ser difícil, mas vale a pena. Cada segundo que você gasta com estar zangado, amargo ou querendo vingança é um desperdício de tempo. Seguir em frente com sua vida, curando e encontrando a paz através do perdão é uma escolha que você deve fazer, é uma grande escolha. O perdão é a decisão de deixar sua dor ir embora, e encontrar sua felicidade novamente. Ouvindo a voz do Mestre, tomar a cama de dor e da dependência e ir para casa, ir viver a vida. Somente os artistas do perdão são testemunhas do Deus Feliz.

 (P. Attílio Ignácio Hartmann SJ)

 Opinião sobre o que P. Attílio escreveu: “Quando alguém te magoa muito você tem duas opções: Se vingar e ser feliz por alguns minutos, ou perdoar e ser feliz a vida inteira”.

Diferença de rendimentos

Número interessante é o que se refere aos rendimentos de brasileiros de acordo com sexo e cor da pele. Os brancos ganham mais que os negros e, até aí, não há nenhuma novidade. Ocorre que a diferença de salários entre brancos e negros é menor em Curitiba, uma cidade colonizada por imigrantes europeus, do que em Salvador, a capital de maior população negra. O rendimento médio de um homem branco em Curitiba é uma vez e meia superior ao de um negro. Em Salvador, a proporção é de três por um, em favor do trabalhador branco. A explicação é reveladora a respeito das oportunidades e do grau de tratamento oferecidos pela sociedade brasileira aos seus diferentes grupos. Proporcionalmente, Salvador tem muito menos brancos que Curitiba. Mas são eles que ocupam os melhores empregos com os melhores salários. A brutal diferença de rendimentos mostra que os negros nunca tiveram as mesmas chances de ascensão social oferecidas aos brancos e essa é uma das formas mais cruéis de preconceito. “No Sul, o grau de escolaridade tanto de negros como de brancos é maior que no Nordeste”, observou o presidente do IBGE.

 A educação é uma das formas mais eficientes de distribuição de oportunidades, e por isso a diferença de rendimentos não é tão grande em Curitiba quanto em Salvador. O salário mínimo brasileiro é um dos mais baixos do mundo e mais de 30 milhões de pessoas recebem até um pouco menos que isso para sobreviver. Mesmo com uma taxa de crescimento populacional de 1,4% ao ano, o país não consegue criar empregos em número suficiente para os 2 milhões de jovens que anualmente entram no mercado de trabalho.

 Aqui tem um grande detalhe: Se a educação é uma das formas mais eficazes de distribuição de oportunidades e criação de empregos como explicar se os professores estão em pé de guerra constantemente por melhores salários? Aqui no Paraná, os professores e seu Sindicato protestam, enfrentam a polícia na frente da Assembléia Legislativa, e o governador diz que este ano não é possível melhorar os salários dos servidores sem aumentar impostos? Isso ninguém quer ouvir. O contribuinte até hoje sempre foi convocado para preencher a lacuna. Cansou. Os governantes estão aí, para resolver os problemas. Enquanto isso, o emprego formal no Brasil, aquele em que o trabalhador tem seus direitos assegurados pelas leis do país, é ainda privilégio de poucos. Um terço dos empregados não tem carteira assinada e não contribui para a Previdência Social. Isso é ainda a marca do subdesenvolvimento. É sim um sintoma de que a economia brasileira não gera empregos em quantidade e de boa qualidade. Dois milhões de brasileiros subempregados que vivem abaixo da linha de pobreza, muitos não tem o que comer todos os dias. Sobrevivem apenas com cestas básicas, e programas sociais do governo. Isto acontece em um país onde o agronegócio é o carro-chefe da economia. No Brasil, ganha-se mal, mas o custo do trabalho é alto. Os encargos sociais pagos pelas empresas dificultam a geração de emprego. Não vamos nem apontar quantos são os encargos sociais, apenas ouvimos empresários falar que se o empregado recebe um salário, ele custa mais outro de encargos. Isso dificulta a geração de empregos. Uma saída seria reduzir esses encargos, disse alguém que já foi Ministro do Trabalho.