Saúde e Bem Estar
Incontinência urinária feminina

Por Carolina Orsi Vieira Marcolin, Fisioterapeuta Pélvica e Ortopédica; Especialista em Pilates e Treinamento Funcional para Gestantes.

Define-se como incontinência urinária toda perda involuntária de urina, podendo ser classificada como incontinência de esforço (perder urina aos esforços, como tossir, espirrar, pular, rir, correr ou durante a relação sexual), urgência (correr para ir ao banheiro, levantar muitas vezes a noite para urinar, perder urina em momentos de ansiedade, estresse ou ao manipular água) e mista (esforço e urgência).

A perda da continência urinária é uma condição desconfortável, embaraçosa e estressante, que pode afetar até 50% das mulheres em alguma fase de suas vidas. Cerca de 60% das mulheres acima de 60 anos apresentam incontinência urinária.

A paciente tende ao isolamento social, pois tem medo de estar em público e ocorrer perda urinária, desistindo da prática de esportes e exercícios ou de outras atividades que possam revelar seu problema. Suas vidas passam a depender da disponibilidade de banheiros. Têm, então, dificuldades sexuais, alterações do sono e repouso.

Além disso, há o fator envelhecimento, que por ser inevitável faz com que algumas mulheres demorem a procurar por um serviço especializado para realizar o tratamento, por predeterminarem ser normal ou esperado que uma mulher idosa perca urina. Só quando sua autoestima e sua qualidade de vida estão demasiadamente ruins é que elas procuram o serviço médico.

Atualmente, são preocupações constantes a qualidade de vida e a boa forma física, por isso a prática de atividades físicas passaram a fazer parte do cotidiano de muitas mulheres, seja como forma de lazer ou atividade profissional.

Vários estudos afirmam que a incontinência urinária feminina é uma afecção com incidência muito maior que a relatada na literatura e predominantemente superior em mulheres esportistas, quando comparadas com mulheres sedentárias. As prevalências de incontinência urinária de esforço em mulheres atletas jovens e nas que praticam exercícios de forma irregular são, respectivamente, de 40% e 8%.

Cerca de 50% das mulheres sem os clássicos fatores de risco para a incontinência urinária – gestação, idade, obesidade ou uso de medicamento – podem apresentar perda urinária durante atividades simples ou eventuais exercícios provocativos.

Os músculos do assoalho pélvico feminino também são sobrecarregados e muitas vezes lesados durante a gestação, independente da vida de parto, e perdem ainda mais força à medida que os níveis hormonais se reduzem na menopausa. Ao contrário de outros músculos do corpo, esse grupo muscular não move um membro ou uma articulação. Por esse motivo, ele frequentemente é esquecido e nada é feito para manter sua vitalidade, até que ocorram sinais de sua debilidade (incontinências, prolapsos).

O tratamento não cirúrgico da incontinência urinária de esforço vem ganhando realce nos últimos anos em face da melhora e dos poucos efeitos colaterais que provoca.

A integridade neuromuscular desempenha papel fundamental na manutenção da continência e na integridade do assoalho pélvico. Com base nesse fato, surgiram tratamentos dentro da Fisioterapia Pélvica com o intuito de restabelecer a função dos músculos e dos nervos que compõem o assoalho pélvico. A avaliação é o primeiro passo para determinar a conduta adequada, o uso e a escolha de recursos como a eletroestimulação, o biofeedback, os cones vaginais, a cinesioterapia e os exercícios perineais (força, resistência, coordenação, potência muscular).

Perder urina é comum, mas não é normal. Quanto antes iniciado o tratamento, melhores e mais rápidas serão as respostas musculares e a resolução do problema.

 

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Amamentar não é instintivo, precisa ser aprendido!

O leite materno é o alimento ideal para cada espécie de mamíferos, portanto, o leite que a mãe produz é essencial e possui a composição nutricional adequada ao seu bebê.  Na espécie humana, ao contrário dos demais mamíferos, a amamentação não acontece instintivamente como imaginamos que deveria ser.
Amamentar não se resume em colocar o bebê para sugar e pronto, pois há muitos fatores que podem influenciar, como as vivências anteriores da mãe ou de pessoas próximas, falta de apoio familiar e profissional, alterações orais do bebê, uso de bicos artificiais, fatores emocionais da mãe, entre outros.
Para algumas mães a amamentação acontece facilmente, logo após o parto o bebê busca o peito, faz a pega corretamente e segue sem dificuldades. Entretanto, nem sempre é assim, pelo contrário, muitas enfrentam dificuldades e acabam não conseguindo estabelecer ou dar continuidade ao aleitamento materno.
Durante a gestação, o que mais preocupa a mãe é o parto e a amamentação nem sempre é lembrada, até mesmo pelos profissionais de saúde, dando a impressão de que este será o processo mais fácil. E, quando não acontece como num passe de mágica, a mãe se frustra, entristece, se culpa e desiste. De uma prática muito desejada, sonhada como uma coisa linda e natural (como na maioria das vezes vemos nas propagandas, nas revistas, na internet...) passa a ser um grande desafio.
Na maternidade real a mulher pode ter dificuldades, o bebê mesmo saudável chora, pode ter cólicas, não dorme a noite toda, precisa de contato corporal, do olhar e da fala da mãe. O choro é fonte de angústia para toda a família, mas é a forma de comunicação do bebê e precisa ser interpretada como o aprendizado de uma nova língua.
O que acontece é que sem orientações corretas e sem apoio familiar e profissional, as dificuldades acabam não sendo enfrentadas e o desmame é na maioria das vezes inevitável. 
Dentre as principais dificuldades encontradas na amamentação podemos destacar as fissuras mamilares, o ingurgitamento ou “leite empedrado”, mamilos planos ou invertidos, a “recusa” do peito pelo bebê, bebê com ganho de peso insuficiente, insegurança em relação à produção de leite e a capacidade de suprir as necessidades nutricionais com aleitamento materno exclusivo. Sem apoio adequado a chance de se utilizar produtos inadequados ou introduzir outros leites é muito grande, o que consequentemente eleva o risco de desmame precoce.
Nas próximas colunas abordarei especificamente as dificuldades, mas para evidenciar que a amamentação é um ato que precisa ser aprendido e, que precisa de apoio profissional específico vou abordar algumas:
 As fissuras não resultam da falta de preparo das mamas durante a gravidez e não há mais recomendações para uso de pomadas nos mamilos com esta finalidade. São causadas por ação mecânica, ou seja, pega e/ou posicionamento inadequado durante a mamada, bebê com frênulo lingual alterado (“língua presa”), uso de esgotadeiras, uso de seringas invertidas na tentativa de forma bico na mama, entre outros e, portanto, a avaliação da mãe, do bebê e da mamada é essencial para identificar o fator causador e orientar as medidas para melhora do problema.
O ganho de peso insuficiente do bebê, na grande maioria das vezes não está relacionado à quantidade de leite produzido pela mãe, existem vários pontos que devem ser avaliados na mãe, no bebê, na mamada e na rotina de dupla mãe-bebê para se identificar a causa. Sendo importante ressaltar que não existe “leite fraco”.
    O intuito não é desestimular as mamães e sim trazer à discussão a importância de buscar informações desde o período gestacional, estabelecer sua rede de apoio (incluindo o companheiro nas consultas, conversar com a vovó ou aquela pessoa próxima que estará auxiliando no pós-parto sobre seu desejo de amamentar e sobre as informações recebidas), de ter um profissional de referência para lhe apoiar nas primeiras dificuldades encontradas, avaliando e intervindo de forma correta.
    

Consultoria em Amamentação – orientações no período gestacional,
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Briga de irmãos: o que fazer?

Recentemente comemoramos o dia dos irmãos e foram inúmeras as manifestações em redes sociais de irmãos declarando uns aos outros seu amor e gratidão. Chama a atenção que é somente na idade adulta que a maioria dos irmãos reconheça o inestimável valor de uns para com os outros e que as principais lembranças infantis dos irmãos sejam de disputas e brigas em meio a brincadeiras e competições.
Ninguém nega que a convivência entre irmãos tem uma influência extremamente significativa ao longo de todo desenvolvimento de uma pessoa, principalmente no que diz respeito às características emocionais e sociais. E é inegável também, por todos os pais que possuem mais de um filho morando juntos, o quanto é delicada a linha que separa as brincadeiras das brigas, a cooperação da competição, o amor do ciúme. Justamente nesse equilíbrio de forças que se desenham as bases para relacionamentos futuros com amigos, colegas e mesmo cônjuges.
As brigas são pelos mais variados motivos, mas frequentemente envolvem:
Disputas por objetos: na infância por brinquedos, materiais, tablets, televisão e, na adolescência, por roupas e acessórios, entre outros.
Disputa por lugares: seja no carro, na mesa, no sofá, como nos cômodos da casa durante a escolha dos quartos, por exemplo.
Disputas por atenção: dos pais, avós, amigos...
Muitos pais, ansiosos por verem os conflitos encerrados ou sentindo-se culpados por não conseguirem impedir ou resolver as brigas, procuram saná-las comprando mais coisas, para que assim cada filho tenha o seu brinquedo ou computador, por exemplo. Porém, não importa a quantidade ou a qualidade de brinquedos que se tenha disponível, os irmãos sempre acharão pelo que brigar. Afinal, uma das maiores funções dos irmãos é justamente ensinar a cada um que aprenda a se defender, reivindicar, brigar, ceder e perdoar. Cabe aos pais, ensiná-los a gerenciar esses conflitos, para que as situações de disputas não se tornem intensas a ponto de criar situações de tamanha hostilidade que impactem de forma negativa na construção da identidade e autoestima de cada de um.  
Mas então, o que fazer quando os ânimos esquentam entre os filhos e brigas começam? Que pai e mãe nunca ficaram na dúvida entre intervir ou não nos conflitos dos filhos? Deixar que briguem ou separá-los? Tirar de ambos o objeto de disputa ou ouvir sobre o que começou o desentendimento? Obrigar a ceder? Punir? As experiências dos pais como irmãos ou filhos únicos em suas famílias certamente influência nesse momento, podendo ser revividas de modo a fazer como seus pais faziam em suas casas ou ainda, exatamente o contrário, quando sentiam-se injustiçados frente a intervenção dos pais nas brigas fraternas. Quanto aos pais que são filhos únicos, as fantasias de uma relação idealizada entre irmãos podem paralisá-los frente às brigas dos filhos.
A tendência dos pais é procurar ser justo e retirar a fonte de discórdia ou ainda punir todos os envolvidos, mas isso com frequência tende a dificultar a relação entre os irmãos, uma vez que um deles sempre se sentirá injustiçado com tais condutas. Assim, orienta-se aos pais que não intervenham se não houver agressões físicas ou verbais e, que evitem tomar partido de um filho nas brigas. Quando forem solicitados a interferir ou a situação estiver caminhando para a agressão, é importante que os pais procurem atuar promovendo a empatia, que é capacidade de compreender o sentimento ou reação da outra pessoa imaginando-se na situação dela e, estimulando as crianças a encontrarem as próprias soluções. 
A partir dos quatro anos, quando a criança já começa a possuir a habilidade de se colocar no lugar do outro, é útil pedir que cada um conte ao outro sua queixa. Em seguida, deve-se pedir (e ajudar se for necessário) que se coloque no lugar do irmão e diga como acha que ele está se sentindo. Após isso, se espontaneamente os irmãos não entrarem em um acordo, os pais devem estimular que os filhos sugiram soluções que sejam aceitas por todos, para que possam treinar as habilidades de lidar com as emoções e solucionar conflitos. Se os filhos não conseguirem, os pais podem sugerir opções, regras e combinados sentidos como justos e aceitos por todos. 
No início, as crianças podem ter dificuldade em fazer este exercício de colocar-se no lugar do outro, mas aos poucos vão aprimorando esta capacidade e a levarão para vida adulta e para os diferentes contextos nos quais vierem a se relacionar. Mesmo que leve mais tempo e exija mais dos pais, esta tende a ser a melhor maneira de ensinar os filhos a resolver conflitos e promover o bom relacionamento entre os irmãos. Além disso, é importante que os pais evitem ao máximo a comparação entre os irmãos ou manifestações de favoritismo, devendo mostrar que cada filho tem seu lugar na família e que são igualmente amados, tanto por suas diferenças e qualidades únicas quanto por suas semelhanças. 
Não há motivos para preocupações excessivas quando as brigas se alternam com momentos de carinho e cumplicidade entre irmãos. Mas, quando o desafeto é constante e há risco de prejuízo físico ou psicológico, ou mesmo se as disputas estiverem prejudicando o desempenho social ou escolar de uma das crianças, deve-se buscar orientação de um psicólogo, que irá analisar juntamente com a família as possíveis causas e construir com a mesma possibilidade de intervenção e solução.    

 

A inter-relação entre gengivite e diabetes

Diretamente ligada à saúde geral, a saúde bucal influencia de forma significativa na qualidade de vida das pessoas, desde o viés estético e patologias que acarretam diminuição do paladar até o impacto causado por desconforto ou dor. Evidências sugerem, dessa forma, que uma boa higiene bucal é importante não só para manter a saúde oral, mas também para contribuir para a saúde geral equilibrando doenças sistêmicas como, por exemplo, a diabetes.

Diabéticos apresentam até 3 vezes mais risco de desenvolverem doença periodontal (doença dos tecidos que sustentam os dentes, como a gengiva) do que não diabéticos pois são mais suscetíveis às infecções bacterianas e geralmente possuem uma diminuição na capacidade de combater as bactérias que invadem o tecido gengival.

A doença periodontal atua como fator de risco e agrava o diabetes mellitus diminuindo a qualidade de vida do paciente. Uma leve gengivite em um diabético pode levar a uma descompensação sistêmica, como o contrário também ocorre: as doenças gengivais podem se apresentar mais severas em pacientes com essa condição. A relação entre diabetes e doença periodontal é bidirecional. Em pacientes que possuem diabetes, a doença periodontal passa a ter uma progressão mais rápida do que em pacientes não diabéticos. Por outro lado, a doença periodontal pode afetar o controle da diabetes. A presença da periodontite aumenta o risco de piora do controle da glicemia e doenças cardio e cerebrovasculares.

O cirurgião-dentista atua diretamente na orientação da higiene oral ao paciente diabético, iniciando o tratamento periodontal básico (que é específico e com controle antimicrobiano criterioso) adequando a melhor técnica de escovação, incentivando o uso do fio dental e acompanhamento profissional regular, o que causa melhorara no controle metabólico destes pacientes. Vale ressaltar que muitos procedimentos odontológicos exigem terapia antibiótica prévia, portanto, deixar o profissional ciente das condições de saúde com exames atuais e recomendações médicas é muito valioso.

O desenvolvimento de programas específicos e medidas educacionais para a população geral também minimiza os efeitos negativos da doença periodontal na qualidade de vida de indivíduos portadores de diabetes e colabora para identificar as necessidades da população, aprimorando a condição de cada paciente.

Dessa forma, a atuação multidisciplinar é essencial no tratamento e controle da diabetes. O diagnóstico precoce e o correto tratamento das doenças bucais são fundamentais para o bem estar, estando o cirurgião-dentista responsável por essa orientação e manutenção da saúde oral, influenciando, de forma positiva, a saúde geral desses pacientes.


Letícia Ruths Almeida

Cirurgiã-Dentista -  Unioeste Cascavel

Implantodontista - São Leopoldo Mandic

Atendimento: (42) 36353589 – Rua XV de Novembro, nº 2861 (ao lado do laboratório Modelo)

Fisioterapia Pélvica na Gestação

Dia 15 de Agosto é considerado o Dia da Gestante, por isso essa matéria é especial para elas!

O período gestacional é acompanhado de muitas mudanças físicas e emocionais, logo a futura mamãe deve cuidar do corpo e da mente para uma gestação tranquila. Essas alterações podem vir acompanhadas de diversas queixas. Entre as mais comuns estão dores nas costas e região pélvica, perdas de urina e edema (inchaço). Em decorrência disso se faz necessário um acompanhamento especializado.

A fisioterapia pélvica é importantíssima nessa fase. Para as gestantes que desejam realizar o parto normal, a fisioterapia pode preparar o períneo para o momento do parto utilizando diversos recursos para aumentar a elasticidade muscular, protegendo o assoalho pélvico das possíveis lacerações, além de orientar sobre os posicionamentos no leito, nas contrações e prescrever exercícios facilitadores, favorecendo a dilatação para o momento do trabalho de parto.

Porém muitas pessoas acreditam que a fisioterapia pélvica na gestação só beneficiará quem opta e consegue o parto normal.
Se a gestante optar pela cesárea, ou se por algum motivo durante o trabalho de parto acabe por ter indicação de cesárea, será que a fisioterapia pélvica foi em vão?
Não!

A gravidez diminui a força dos músculos do assoalho pélvico independentemente do tipo de parto, predispondo ao surgimento de disfunções. Doze meses após o parto (seja vaginal ou cesárea) os músculos, morfologicamente, adquirem a mesma deformação quando comparado à 21ª semana de gravidez, ou seja, a gravidez é o fator de risco!

A Fisioterapia Pélvica na gestação vai muito além de preparação para o parto normal, pois traz proteção perineal, além de prevenir incontinência urinária durante e após a gestação. No segundo e terceiro trimestres da gestação, e também nos primeiros três meses de pós-parto, um terço das mulheres experimentam episódios de incontinência urinária. Lembrando que perder xixi não é normal!

Uma revisão sistemática da Biblioteca Cochrane, sobre o treinamento muscular do assoalho pélvico para prevenção e tratamento de incontinências urinária e fecal antes e após o parto, concluiu que a cinesioterapia perineal em mulheres sem incontinência urinária prévia reduz a prevalência de incontinência urinária no período tardio da gestação (a partir de 34 semanas) e no início do período pós-parto (até 12 semanas).

Quanto a eficácia da prática de exercícios em mulheres com persistência de incontinência urinária 3 meses após o parto, os resultados mostraram um risco 20% menor de apresentação dos sintomas 12 meses após o parto nas mulheres que receberam tratamento com exercícios perineais. A incontinência fecal também se mostrou com risco menor (50%) 12 meses após o parto nas mulheres que praticaram os exercícios.

Além das incontinências, a fisioterapia pélvica previne infecção urinária (uma das maiores causas de aborto e parto prematuro), diástase abdominal acima do fisiológico, constipação intestinal e dores na coluna, quadril e púbis. Também visa promover atividade física segura.

O exercício físico na gestação melhora a circulação sanguínea, a capacidade respiratória e incentiva o metabolismo, evitando edemas, algias, trabalhando a manutenção do peso corporal e os cuidados posturais.

Gestantes que se envolvem em atividade física têm 23% menos chance de desenvolver pré-eclampsia e 50% menos chance de desenvolver diabetes gestacional, mas alguns cuidados devem ser tomados. Cada trimestre da gestação possui peculiaridades e deve ser trabalhado de forma diferente, mesmo que a gestante já realize atividade física anteriormente. Portanto é indispensável o acompanhamento com profissional especializado em gestação, parto e pós-parto.

 

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A importância do pai na amamentação

Nos primeiros seis meses de vida do bebê, as necessidades nutricionais são totalmente supridas pelo leite materno, sendo a amamentação uma atividade intensa e constante para a mãe e o bebê. Mas nem por isso o papel do pai é menos importante. O homem não pode amamentar, mas sua participação na nova dinâmica familiar é fundamental.

Do momento que a mulher tem o “positivo” da gravidez, ela começa a receber informações relacionadas ao desenvolvimento da gravidez e do bebê, parto, amamentação...  e o pai?

Estudos mostram que quando o companheiro obtém orientações durante o período da gestação há um impacto positivo no início e manutenção da amamentação. É importante que o pai tenha conhecimento sobre aleitamento materno para ter uma influência significativa. Por isso, precisa estar envolvido, participando das consultas de pré-natal, buscando informações e, também que a mulher deixe-o se sentir parte de todo o processo desde a gravidez até o nascimento e desenvolvimento da criança.

Não é segredo que a chegada de um bebê traz, além de um amor incomparável, um cansaço sem igual e, quando as mulheres se sentem amparadas pelos companheiros têm mais chances de manter a amamentação, mesmo quando se sentem exaustas ou inseguras.

 

O que o pai pode fazer?

É comum termos a visão de que, se a mãe está cansada, a ajuda do pai se resume em oferecer a mamadeira para que a mãe possa dormir mais. Não é isso que a mãe precisa e, vale ressaltar que a recomendação da Organização Mundial de Saúde é que o bebê receba exclusivamente leite materno até os seis meses de vida, não sendo necessário dar água e não recomendado ofertar chás, sucos ou outros alimentos. O uso da fórmula deve ser restrito à prescrição de profissional médico ou nutricionista após avaliação criteriosa e identificação de necessidade real.

Há tarefas que qualquer outra pessoa pode assumir e que permitirão à mãe se dedicar a amamentação, mas a conexão emocional é muito mais efetiva quando parte do companheiro. O pai pode pegar o bebê no colo, organizar a casa, fazer compras no supermercado, cuidar dos filhos mais velhos, preparar a comida, colocar a roupa para lavar e, principalmente, estar atento às necessidades da mãe, oferecer um copo de água enquanto amamenta, ficando com o bebê para que possa comer com mais tranquilidade, tomar banho e descansar.

Buscar informações

Quando o pai está incorporado à vivência do período gestacional e recebe orientações sobre a importância, os cuidados e as possíveis dificuldades no aleitamento materno ele se torna consciente disto e poderá apoiar e incentivar a mulher com empoderamento. Além disso, pais bem orientados são os melhores intermediadores entre a mãe e o profissional de saúde, pois quando a mãe estiver com dificuldades ao invés deste ir até a farmácia e comprar a mamadeira e a fórmula, irá buscar apoio profissional.

A amamentação não é um assunto evidenciado corriqueiramente nas consultas de pré-natal, nem pelos profissionais nem muito solicitado pelos pais, pois se tem a ideia de que é um ato instintivo e que acontecerá naturalmente. Entretanto, na grande maioria dos casos para que o aleitamento materno aconteça de forma efetiva e tranquila, precisa ser aprendido e apoiado por profissionais da saúde que tenham domínio na área.

As dificuldades iniciais como fissuras, dor para amamentar, ingurgitamento ou “leite empedrado”, bebê com pouco ganho de peso, insegurança em relação à composição e produção do leite materno, são comuns e, sem o empoderamento da mãe e do pai, há grandes chances de serem realizadas ações que podem interferir favorecendo o desmame precoce como a oferta de chupetas, mamadeiras, chás, outros leites ou fórmulas infantis sem prescrição.

Ser o meio de campo

Na amamentação o que não falta são palpites e conselhos, todo mundo conhece ou viveu uma experiência e, por mais empoderada que a mãe esteja, nem todos são convenientes. Quando estes vêm da família da mulher, ela tem mais intimidade para conseguir alinhar com as orientações recebidas dos profissionais de saúde, entretanto, quando vêm da família do companheiro ou de outras pessoas é que o pai assume o importante papel de ser o meio de campo, impondo limites.

Favorecendo a participação do pai

É importante que a mãe, os avós e os profissionais de saúde também favoreçam essa participação do pai em todo o processo, pois muitas vezes, este se sente excluído tanto pela mãe que tenta dar conta de tudo sozinha, quanto pelos profissionais de saúde que estão com os olhares voltados à mãe e o bebê.

 

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O puerpério do pai

De membro da família excluído das consultas e das salas de parto, os homens passaram a ser não apenas presença constante no acompanhamento do pré-natal e parto, como convidados a uma participação cada vez mais ativa durante todo o processo de gravidez, parto e puerpério, que é o período que compreende os meses seguintes após o parto. Se antes cabia apenas a outras mulheres da família os cuidados para com mãe e bebê após nascimento, hoje, em muitas casas são os pais que assumem não só algumas trocas de fraldas, como a troca de curativos da esposa, auxílio para que a mesma consiga se levantar e caminhar, ajuda na ordenha do leite, no colo durante as cólicas, entre outras tarefas.

Para muitos homens esse envolvimento na volta ao lar com o bebê não acarreta uma mudança muito significativa na rotina, mas outros podem precisar de um período de adaptação até que possam se sentir confortáveis no desempenho desse novo papel. O nascimento de um filho pode ser um desafio emocional para muitos pais e podem surgir sentimentos de insegurança e incerteza com as funções que eles desejam assumir ou sentem que a família e a sociedade esperam que adotem. Sentimentos de exclusão e ciúme do vínculo intenso entre a mãe e a criança nos primeiros meses também são comuns em virtude da atenção que o bebê despende da esposa; bem como da diminuição do tempo de atenção e carinho que os cônjuges dispunham um para com o outro e diminuição do contato físico, uma vez que a mulher necessita abster-se de relações sexuais até a recuperação do parto e a libido comumente diminuir com a amamentação e o cansaço de cuidar do bebê.

Aproximadamente 70% das mulheres sofrem com o baby blues ou tristeza materna, que está relacionada com as mudanças hormonais após o parto e caracteriza um período de alterações de humor e tristeza recorrente. Apesar de ser mais frequente nas mães, os pais também podem sofrer com esse problema, pois também têm medos e inseguranças com a chegada de um novo membro na família. Embora a tristeza paterna esteja pouco relacionada aos hormônios, há muitos fatores que podem estar envolvidos, como medo e ansiedade diante de tornar-se pai, o aumento das responsabilidades, das preocupações financeiras, a perda da liberdade e conflitos com a esposa ou outros familiares.

Precisamos atentar para o período do puerpério do pai, pois muito se discute sobre os cuidados para com a mãe e seus sentimentos, esquecendo-se que o pai, como participante cada vez mais ativo, também tem suas emoções mais afloradas. É comum o homem sentir dúvidas, se cobrar, se questionar, se culpar por errar e por não saber o que fazer, sentir falta da sua vida sem o filho, sentir medo pela saúde da criança e sofrer por ter de voltar a trabalhar e não poder acompanhar as tantas primeiras vezes do bebê. O puerpério, para além do nascimento do bebê, é o período do nascimento psicológico da mulher como mãe e do homem como pai. É o período em que o homem assim como a mulher tem sua identidade modificada, deixa de ser apenas filho, marido, profissional e torna-se pai de alguém, responsável pela vida de alguém. Deixa de ser dono de seu tempo e suas vontades, de ter sua amada para si o tempo inteiro, precisa aprender a dividi-la com o filho além de se rever, se reconhecer e, muitas vezes, estabelecer novos objetivos de vida.

Tendo sido criados para não demonstrar seus sentimentos ou ainda, para não entrar em contato com eles, muitos homens se fecham em suas emoções, o que tende a agravar a situação e, em alguns casos desencadear uma depressão. Cerca de 10% dos pais relatam passar por um período de depressão, na qual mesmo ocupando-se do bebê sentem como se ele fosse um estranho, não experimentam alegria na presença do filho e não se sentem verdadeiramente como pais, sentindo-se inclusive culpados por isso. Os sintomas habituais de uma depressão podem estar presentes como tristeza, pessimismo, culpa, cansaço, dificuldade de concentração e memória, bem como de tomar decisões, desinteresse pelas atividades do dia-a-dia e antes prazerosas, impaciência, irritabilidade, pensamentos de morte, mudanças bruscas de humor, insônia ou excesso de sono, falta ou excesso de apetite, dores de cabeça e dores crônicas.

Contudo, há alguns sintomas específicos da depressão que atinge os homens no período do puerpério e que podem passar desapercebidos como trabalhar demais ou fazer atividades com a finalidade - consciente ou não - de se afastar da família (por exemplo, uso da televisão ou esporte em excesso), utilizar bebida ou automedicação em demasia, ficar agressivo ou ainda, iniciar um relacionamento extraconjugal ou abandonar a família justamente no pós-parto. Quando os sintomas permanecem por mais de três semanas, deve-se procurar orientação médica ou psicológica.

Tanto a depressão materna como paterna acarretam efeitos negativos para cada um dos genitores como para o bebê e a família como um todo e quanto antes inicia-se o tratamento, mais rápida tende a ser a recuperação. A psicoterapia auxilia a reconhecer e lidar com sentimentos ambíguos desse momento de vida, com as novas funções e relacionamentos familiares que passam a existir após a vinda bebê e, principalmente, com a integração desse novo eu que nasce junto com o filho. 

Além disso, outras atitudes contribuem para um puerpério mais tranquilo e alegre, como conversar sobre os sentimentos com a parceira, que tende a ser reconfortante e auxiliar na proximidade emocional do casal; manter algum hobbie ou atividade física, o que pode ajudar na sensação de bem-estar e melhorar o humor; evitar passar longos períodos fora de casa e procurar fazer alguma atividade simples com o bebê, como dar colo ou passear com ele, faz com que o pai sinta-se mais próximo de seu filho e; por fim, conversar com familiares, amigos e outros homens que passam ou passaram por esse período, seja em conversas presencias ou grupos de pais virtuais, pois dividir as angústias e somar apoio pode tornar esse momento mais confortável e saudável para toda a família.