Saúde e Bem Estar
A importância do pai na amamentação

Nos primeiros seis meses de vida do bebê, as necessidades nutricionais são totalmente supridas pelo leite materno, sendo a amamentação uma atividade intensa e constante para a mãe e o bebê. Mas nem por isso o papel do pai é menos importante. O homem não pode amamentar, mas sua participação na nova dinâmica familiar é fundamental.

Do momento que a mulher tem o “positivo” da gravidez, ela começa a receber informações relacionadas ao desenvolvimento da gravidez e do bebê, parto, amamentação...  e o pai?

Estudos mostram que quando o companheiro obtém orientações durante o período da gestação há um impacto positivo no início e manutenção da amamentação. É importante que o pai tenha conhecimento sobre aleitamento materno para ter uma influência significativa. Por isso, precisa estar envolvido, participando das consultas de pré-natal, buscando informações e, também que a mulher deixe-o se sentir parte de todo o processo desde a gravidez até o nascimento e desenvolvimento da criança.

Não é segredo que a chegada de um bebê traz, além de um amor incomparável, um cansaço sem igual e, quando as mulheres se sentem amparadas pelos companheiros têm mais chances de manter a amamentação, mesmo quando se sentem exaustas ou inseguras.

 

O que o pai pode fazer?

É comum termos a visão de que, se a mãe está cansada, a ajuda do pai se resume em oferecer a mamadeira para que a mãe possa dormir mais. Não é isso que a mãe precisa e, vale ressaltar que a recomendação da Organização Mundial de Saúde é que o bebê receba exclusivamente leite materno até os seis meses de vida, não sendo necessário dar água e não recomendado ofertar chás, sucos ou outros alimentos. O uso da fórmula deve ser restrito à prescrição de profissional médico ou nutricionista após avaliação criteriosa e identificação de necessidade real.

Há tarefas que qualquer outra pessoa pode assumir e que permitirão à mãe se dedicar a amamentação, mas a conexão emocional é muito mais efetiva quando parte do companheiro. O pai pode pegar o bebê no colo, organizar a casa, fazer compras no supermercado, cuidar dos filhos mais velhos, preparar a comida, colocar a roupa para lavar e, principalmente, estar atento às necessidades da mãe, oferecer um copo de água enquanto amamenta, ficando com o bebê para que possa comer com mais tranquilidade, tomar banho e descansar.

Buscar informações

Quando o pai está incorporado à vivência do período gestacional e recebe orientações sobre a importância, os cuidados e as possíveis dificuldades no aleitamento materno ele se torna consciente disto e poderá apoiar e incentivar a mulher com empoderamento. Além disso, pais bem orientados são os melhores intermediadores entre a mãe e o profissional de saúde, pois quando a mãe estiver com dificuldades ao invés deste ir até a farmácia e comprar a mamadeira e a fórmula, irá buscar apoio profissional.

A amamentação não é um assunto evidenciado corriqueiramente nas consultas de pré-natal, nem pelos profissionais nem muito solicitado pelos pais, pois se tem a ideia de que é um ato instintivo e que acontecerá naturalmente. Entretanto, na grande maioria dos casos para que o aleitamento materno aconteça de forma efetiva e tranquila, precisa ser aprendido e apoiado por profissionais da saúde que tenham domínio na área.

As dificuldades iniciais como fissuras, dor para amamentar, ingurgitamento ou “leite empedrado”, bebê com pouco ganho de peso, insegurança em relação à composição e produção do leite materno, são comuns e, sem o empoderamento da mãe e do pai, há grandes chances de serem realizadas ações que podem interferir favorecendo o desmame precoce como a oferta de chupetas, mamadeiras, chás, outros leites ou fórmulas infantis sem prescrição.

Ser o meio de campo

Na amamentação o que não falta são palpites e conselhos, todo mundo conhece ou viveu uma experiência e, por mais empoderada que a mãe esteja, nem todos são convenientes. Quando estes vêm da família da mulher, ela tem mais intimidade para conseguir alinhar com as orientações recebidas dos profissionais de saúde, entretanto, quando vêm da família do companheiro ou de outras pessoas é que o pai assume o importante papel de ser o meio de campo, impondo limites.

Favorecendo a participação do pai

É importante que a mãe, os avós e os profissionais de saúde também favoreçam essa participação do pai em todo o processo, pois muitas vezes, este se sente excluído tanto pela mãe que tenta dar conta de tudo sozinha, quanto pelos profissionais de saúde que estão com os olhares voltados à mãe e o bebê.

 

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O puerpério do pai

De membro da família excluído das consultas e das salas de parto, os homens passaram a ser não apenas presença constante no acompanhamento do pré-natal e parto, como convidados a uma participação cada vez mais ativa durante todo o processo de gravidez, parto e puerpério, que é o período que compreende os meses seguintes após o parto. Se antes cabia apenas a outras mulheres da família os cuidados para com mãe e bebê após nascimento, hoje, em muitas casas são os pais que assumem não só algumas trocas de fraldas, como a troca de curativos da esposa, auxílio para que a mesma consiga se levantar e caminhar, ajuda na ordenha do leite, no colo durante as cólicas, entre outras tarefas.

Para muitos homens esse envolvimento na volta ao lar com o bebê não acarreta uma mudança muito significativa na rotina, mas outros podem precisar de um período de adaptação até que possam se sentir confortáveis no desempenho desse novo papel. O nascimento de um filho pode ser um desafio emocional para muitos pais e podem surgir sentimentos de insegurança e incerteza com as funções que eles desejam assumir ou sentem que a família e a sociedade esperam que adotem. Sentimentos de exclusão e ciúme do vínculo intenso entre a mãe e a criança nos primeiros meses também são comuns em virtude da atenção que o bebê despende da esposa; bem como da diminuição do tempo de atenção e carinho que os cônjuges dispunham um para com o outro e diminuição do contato físico, uma vez que a mulher necessita abster-se de relações sexuais até a recuperação do parto e a libido comumente diminuir com a amamentação e o cansaço de cuidar do bebê.

Aproximadamente 70% das mulheres sofrem com o baby blues ou tristeza materna, que está relacionada com as mudanças hormonais após o parto e caracteriza um período de alterações de humor e tristeza recorrente. Apesar de ser mais frequente nas mães, os pais também podem sofrer com esse problema, pois também têm medos e inseguranças com a chegada de um novo membro na família. Embora a tristeza paterna esteja pouco relacionada aos hormônios, há muitos fatores que podem estar envolvidos, como medo e ansiedade diante de tornar-se pai, o aumento das responsabilidades, das preocupações financeiras, a perda da liberdade e conflitos com a esposa ou outros familiares.

Precisamos atentar para o período do puerpério do pai, pois muito se discute sobre os cuidados para com a mãe e seus sentimentos, esquecendo-se que o pai, como participante cada vez mais ativo, também tem suas emoções mais afloradas. É comum o homem sentir dúvidas, se cobrar, se questionar, se culpar por errar e por não saber o que fazer, sentir falta da sua vida sem o filho, sentir medo pela saúde da criança e sofrer por ter de voltar a trabalhar e não poder acompanhar as tantas primeiras vezes do bebê. O puerpério, para além do nascimento do bebê, é o período do nascimento psicológico da mulher como mãe e do homem como pai. É o período em que o homem assim como a mulher tem sua identidade modificada, deixa de ser apenas filho, marido, profissional e torna-se pai de alguém, responsável pela vida de alguém. Deixa de ser dono de seu tempo e suas vontades, de ter sua amada para si o tempo inteiro, precisa aprender a dividi-la com o filho além de se rever, se reconhecer e, muitas vezes, estabelecer novos objetivos de vida.

Tendo sido criados para não demonstrar seus sentimentos ou ainda, para não entrar em contato com eles, muitos homens se fecham em suas emoções, o que tende a agravar a situação e, em alguns casos desencadear uma depressão. Cerca de 10% dos pais relatam passar por um período de depressão, na qual mesmo ocupando-se do bebê sentem como se ele fosse um estranho, não experimentam alegria na presença do filho e não se sentem verdadeiramente como pais, sentindo-se inclusive culpados por isso. Os sintomas habituais de uma depressão podem estar presentes como tristeza, pessimismo, culpa, cansaço, dificuldade de concentração e memória, bem como de tomar decisões, desinteresse pelas atividades do dia-a-dia e antes prazerosas, impaciência, irritabilidade, pensamentos de morte, mudanças bruscas de humor, insônia ou excesso de sono, falta ou excesso de apetite, dores de cabeça e dores crônicas.

Contudo, há alguns sintomas específicos da depressão que atinge os homens no período do puerpério e que podem passar desapercebidos como trabalhar demais ou fazer atividades com a finalidade - consciente ou não - de se afastar da família (por exemplo, uso da televisão ou esporte em excesso), utilizar bebida ou automedicação em demasia, ficar agressivo ou ainda, iniciar um relacionamento extraconjugal ou abandonar a família justamente no pós-parto. Quando os sintomas permanecem por mais de três semanas, deve-se procurar orientação médica ou psicológica.

Tanto a depressão materna como paterna acarretam efeitos negativos para cada um dos genitores como para o bebê e a família como um todo e quanto antes inicia-se o tratamento, mais rápida tende a ser a recuperação. A psicoterapia auxilia a reconhecer e lidar com sentimentos ambíguos desse momento de vida, com as novas funções e relacionamentos familiares que passam a existir após a vinda bebê e, principalmente, com a integração desse novo eu que nasce junto com o filho. 

Além disso, outras atitudes contribuem para um puerpério mais tranquilo e alegre, como conversar sobre os sentimentos com a parceira, que tende a ser reconfortante e auxiliar na proximidade emocional do casal; manter algum hobbie ou atividade física, o que pode ajudar na sensação de bem-estar e melhorar o humor; evitar passar longos períodos fora de casa e procurar fazer alguma atividade simples com o bebê, como dar colo ou passear com ele, faz com que o pai sinta-se mais próximo de seu filho e; por fim, conversar com familiares, amigos e outros homens que passam ou passaram por esse período, seja em conversas presencias ou grupos de pais virtuais, pois dividir as angústias e somar apoio pode tornar esse momento mais confortável e saudável para toda a família.