Vale Refletir - Elisângela Oliveira
O ANTÍDOTO DO MENOSPREZO É A SERENIDADE

Quem já não ouviu frases do tipo: “eu não queria mesmo”, ou “isto nem parece ser tão bom assim”, ou ainda, “vai ser um problema depois”, tudo no intuito de desvalorizar, desmerecer aquilo que não conseguiu conquistar.

Alguns classificam como inveja, que nada mais é que, o menosprezo pela vitória do outro e a falta de reconhecimento de sua própria falha ou fracasso.

No mundo de competições acirradas em todas as áreas da vida, isso tem sido cada vez mais comum, pessoas despeitadas que não se intimidam em manifestar seu menosprezo por aquilo que momentos antes almejava.

É como o conto da raposa e o cacho de uvas onde a pobre raposa ao se deparar com o suculento cacho de uvas, sentiu um desejo imenso de consumi-lo, porém estava alto e fora do seu alcance, saltou algumas vezes tentando agarrá-lo, mas não conseguiu, e depois de algumas tentativas acabou desistindo, mas não sem antes, olhar para o cacho de uvas com desdém e dizer “provavelmente devem estar azedas e secas mesmo”.  

Há pessoas que agem exatamente assim, com desprezo em relação aquilo que não podem ou não conseguiram ter. Essas pessoas dificilmente se alegram com a vitória alheia, raramente torcem pelos objetivos do outro, ou vibram com as conquistas de alguém.

Esse tipo de pessoa teve o seu caráter moldado de acordo com o mundo competitivo de hoje. Onde a premissa de se chegar ao topo a qualquer preço é o que vale. Geralmente essas pessoas não valorizam pessoas, valorizam posições, negócios e status. No mercado de trabalho são as que tornam o mercado esse ringue, onde o mandamento é ter ‘sangue nos olhos’, curiosa, procurei o significado dessa linguagem comum no mundo capitalista e no dicionário informal on line encontrei a seguinte informação: gana, força, coragem.

Essa máxima “sangue nos olhos”, me remete a algo violento e não a coragem, gana ou força, pois se estou disputando algo, tenho sim que ter coragem para enfrentar os desafios, gana e força para não desistir de meus objetivos, mas não nutrir uma vontade de massacrar meu adversário, para vencer não precisa humilhar o outro, ou pior,  denegrir sua imagem ou difamá-lo.

Se no seu ambiente de trabalho há pessoas com essa triste característica, lembre-se que não se paga o mal com o mal, e o melhor a fazer é manter uma distância segura para não se contaminar, ou se deixar levar a uma reação que pode se equiparar com a atitude dela.   

Nesse mundo do trabalho é preciso ter serenidade para aceitar que, não posso ter tudo o que quero, e talvez nem mereça tudo o que quero, mas preciso sim, ter sabedoria para valorizar o que tenho, manter meus objetivos e metas, e não permitir que situações, pessoas ou oportunidades distorçam o meu caráter.

PARA QUE SERVEM OS PROBLEMAS?

“Algumas pessoas tinham o hábito de visitar um homem sábio reclamando sempre dos mesmos problemas. Um dia, ele decidiu lhes contar uma piada e todos caíram em gargalhadas.

Depois de alguns minutos, ele lhes contou a mesma piada e apenas alguns deles sorriram.

Então, ele falou a mesma piada pela terceira vez, mas ninguém riu ou sorriu mais.

O homem sábio sorriu e disse: "Você não pode rir da mesma piada repetidamente. Então, por que você está sempre chorando por causa do mesmo problema?"

 

Essa estória me levou a refletir a preocupação que se insiste em manter pelos mais variados motivos. Por vezes, passa-se dias, semanas, meses e até anos preocupando se com algo, que aconteceu ou que poderá acontecer.

Pessoas que se deixam levar por uma preocupação dessa, acabam desperdiçando sua energia nisso, e essa energia provavelmente fará falta em outras áreas da vida. 

A preocupação saudável, podemos assim dizer, é aquela que te impulsiona a uma ação, seja uma mudança, uma tomada de decisão, ou a tentativa de fazer melhor e diferente. Ela gera expectativas, mas não traz sofrimento, não suga as forças do corpo e da alma, ela é passageira e dá origem a mudança.

Há pessoas que por anos sofrem pelo mesmo motivo, no fundo fazem disso, uma “muleta”, pois na verdade têm medo da mudança, medo de inovar, e ficam presos ao problema algumas vezes para se vitimizar aos outros.

Há pessoas que todas as vezes que encontramos está sempre preocupada com algo, não consegue contar nada de favorável na sua vida, pois a preocupação com isso, ou com aquilo, tem sempre um peso maior, a pessoa revela que se mantém ocupada somente com as preocupações que têm, sem que haja nenhuma ação a respeito.

Os problemas vêm, as preocupações vêm, as aflições vêm, mas nenhum deles podem ser definitivos na vida, não podem tirar o brilho ou a força da nossa capacidade de mudar a situação. Quando se absorve o aprendizado com um problema, ao acontecer novamente, já não deve causar o mesmo impacto e o mesmo desgaste vivido anteriormente, pois a cada problema vivenciado, temos que nos tornar mais fortes. 

O ENDEREÇO DA FELICIDADE

A rotina que o capitalismo imputou na sociedade atual tem levado todos a uma correria frenética por algo, que independente de ser uma conquista pessoal, material ou profissional, se resume na busca pela felicidade.

Todos querem ser felizes e procuram essa felicidade das mais variadas maneiras e nos mais impensáveis lugares. Porém, há pessoas que passam a vida correndo atrás da tal e sonhada felicidade e não percebem e muito menos valorizam as pequenas alegrias do dia a dia, como diz a música “Pequenas Alegrias” da cantora Marcela Taís:

“Rir até doer a barriga, pão quentinho da padaria;

 Receber carta pelo correio, ouvir o alarme do recreio;

Andar descalço na areia, barraca, lua, uma fogueira;

Lamber colher do bolo, encontrar moeda no bolso;

Correr na rua, banho de chuva, Sorvete no verão, brincadeira de irmão

Mas, se a gente juntasse as pequenas alegrias

Seriamos felizes todos os dias”

É assustador pensar que há dezenas de motivos diários para ser feliz, mas não se é, por que não se enxerga as pequenas alegrias. Na Bíblia o grande sábio Salomão, no capítulo 2 de Eclesiastes, chegou a essa triste conclusão em sua velhice, que tudo o que fez, em busca da felicidade “foi como correr atrás do vento”.

A reflexão de hoje é essa, valorize mais o que se tem, e não o que se quer, não deixe as expectativas de um futuro, tirar a alegria do presente, corra menos na sua busca e valorize a caminhada mais lenta, porém mais reflexiva, onde poderá ter a oportunidade de observar melhor o mundo a sua volta, ou os grandes espetáculos que a natureza nos proporciona incansavelmente todos os dias, como o amanhecer, o entardecer ou o brilho da lua.

Valorize as pessoas hoje, não pelo que fizeram ou pelo que farão, não espere para “uma hora que der” visitar os amigos, vá logo, um “dedo de prosa” com um amigo, alimenta o nosso espírito, não deixe para levar flores ao ente morto, presenteie agora com uma flor, uma planta, não aguarde por um dia “quando estiver menos ocupado” fazer um trabalho voluntário, faça o agora, se voluntarie, nem que seja por uma hora durante a semana, e verá a  diferença que isso fará na sua alma.

A felicidade está naquilo que você quiser que ela esteja, se ela estiver dentro de você!

A MELHOR FORMA DE VIVER É VIVENDO

“Lili abriu os olhos, e assim, triste como havia adormecido, despertou. Olhou para o quarto ainda meio escuro resistindo aos raios solares que insistiam em ultrapassar as pesadas cortinas, virou-se para o outro lado se aconchegou novamente aos cobertores e disse para si mesma “vou continuar dormindo”, porém alguns pensamentos começaram a permear sua mente, ao se acomodar na deliciosa cama, pensou de como seria terrível dormir sobre um papelão, ao envolver-se em seu cobertor limpo e quentinho, pensou o quanto deveria ser angustiante cobrir-se com jornal, querendo resistir a esses pensamentos, abriu os olhos e olhou para o teto, e o pensamento que lhe sobreveio foi, o quanto assustador deveria ser, dormir sobre a proteção de uma marquise. Tentou lutar contra esses pensamentos simplesmente dizendo para si mesma que, mesmo as pessoas que passavam por esses infortúnios, ainda deveriam de alguma forma, serem mais felizes que ela e que, portanto, não tinha motivo nenhum para sair daquele quarto naquele dia”.

O que se percebe nesse pequeno trecho dessa estória é que Lili, não permitiu que a gratidão prevalecesse sobre sua tristeza. Muitas pessoas estão fazendo o mesmo consigo.

Não conseguem ver alegria nas pequenas coisas, não encontram prazer nas coisas do cotidiano, não valorizam o que tem e muitas vezes só conseguem focar naquilo que não tem, não veem mais graça em nada, e tudo parece sem cor e sem sentido. Isso pode ser um sinal de que, esta pessoa está deprimida.

A depressão é como grades imaginárias, que retém a pessoa dentro de uma situação, na qual ela não vê saída, outras muitas vezes, nem as entende como sendo um problema, simplesmente dizem “não tem nada de errado em querer ficar assim”, outras ainda, têm noção exata do que está acontecendo, até sabe que não é normal, mas não tem forças, para mudar a situação, não sabe o que fazer, nem com quem falar, não sabe explicar o que está sentindo.

Se você está como Lili, não enxergando nenhum motivo para agradecer, se alegrar ou valorizar a vida, a sua melhor saída é falar, procure alguém em que confie, não busque palavras que façam sentido, não tente manter uma conversa madura ou racional, simplesmente diga: “Eu preciso de ajuda, não sei o que está de errado comigo, só sei que não estou bem”.

Se você foi procurado por uma pessoa que faz uma declaração como essa, ou você percebe que ela não está bem, se aproxime, mostre que se preocupa com ela, se disponha a ouvi-la, e lembre-se não a julgue, essa pessoa precisa de um amigo e não de um juiz.

Podemos sim fazer algo! E não pense que são grandes atitudes que podem mudar o curso de uma vida, mas pequenos gestos que demonstrem compaixão podem trazer a pessoa, o vigor necessário para enfrentar a situação.

Não basta dizer NÃO ao Suicídio, é preciso dizer SIM a Vida que floresce todos os dias, apesar de trazer consigo espinhos.

INTOLERÂNCIA & DESAMOR

A intolerância sempre existiu, desde dos primórdios da humanidade reconhecemos a presença da intolerância, seja ela religiosa, racial, social ou sexual. Então nos perguntamos o que mudou? Por que hoje é tão visível e tão discutida na tentativa de se trazer a consciência?

A resposta é simples, aumentou-se os canais pelos quais os intolerantes podem expressar sua intolerância. E a internet é o canal pelo qual nos deparamos todos os dias com a intolerância já tão “idosa”, mas agora tão notável.

Segundo o dicionário o seu significado é – repugnância ou falta de compreensão – na medicina: é a incapacidade de suportar uma substância o que leva ao desenvolvimento de uma reação alérgica.

Contudo a intolerância em suas várias facetas com as quais convivemos atualmente vem com um “q” a mais, vem embutida de um dos piores sentimentos existentes, o ódio.

Todos nós de alguma forma, somos intolerantes acerca de alguma coisa, ou seja, nos falta a compreensão sobre determinados aspectos que nos leva a não aceitar, até aí tudo bem, mas precisa nutrir isso de ódio? E então transformar a intolerância em barbárie, não só física, mas de sentimentos e desrespeito ao próximo?

As mídias hoje são usadas para expressão de opiniões, o que vem repleta também das mais diversas intolerâncias, e então vão ganhando mais e mais adeptos e se amplificando numa grande onda de total desamor e desrespeito.

A minha sugestão de reflexão hoje é para que repensemos as nossas intolerâncias, se for simplesmente a falta de conhecimento sobre uma determinada causa, busquemos nos informar mais, mas se ainda com todo conhecimento houver dificuldade de aceitar, tudo bem também, sua opinião deve ser respeitada, mas para tanto é preciso que seja uma opinião respeitosa ao outro, não espere respeito quando não se tem respeito primeiramente, não espere aceitação quando sua opinião demonstra aversão.

Vamos reavivar, revalidar a velha máxima de que “a sua liberdade termina, quando começa a do outro”. Parece que isso foi esquecido no uso da internet, onde ataques desrespeitosos crescem vertiginosamente, e com isso temos sido espectadores de atrocidades e total desamor que tem acometidos homens e mulheres de todas as faixas etárias, cenas e expressões de sentimentos jamais encontrados em nenhuma outra espécie.

A Bíblia no livro de Efésios, capítulo 4, verso 2 diz: “Sejam sempre humildes, bem-educados, e pacientes, suportando uns aos outros com amor”.

Parece simples! Se não tivesse faltando hoje na humanidade, o principal – O amor.

TOME A INICIATIVA DE VIVER, E VIVER BEM

É incrível como devemos estar atentos as grandes lições de vida que encontramos na leitura de um livro, ao assistir a um filme, devemos nos manter alertas aos detalhes. Muitas pessoas esperam grandes acontecimentos para serem felizes e perdem com isso a experiência de vivenciar as pequenas alegrias do dia a dia, assim como esperam de um guru ou de uma grande experiência o aprendizado, e perdem as lições diárias que a vida nos apresenta a todo tempo. #fica a dica: Vamos estar mais atentos aos detalhes.

Assistindo a um filme essa semana aprendi algo lindo. “A cena era de uma pessoa que tem um grande encontro, o primeiro grande encontro de sua vida, ele segue com seu carro pela estrada e chove bastante, de repente o pneu estoura, o carro derrapa, e vai parar no acostamento, Depois de recuperar-se do susto, ele pensa: se sair para trocar o pneu vou me molhar todo e chegarei ao encontro com uma terrível aparência, se ficar aqui dentro do carro esperando, perderei o encontro, a minha grande chance; Pensa por um momento e então resolve sair, encarar o problema (trocar o pneu) apesar da chuva. Ao descer do carro e abrir o porta-malas, um carro vê a cena e para, o motorista desce com um enorme guarda-chuvas, e o protege da chuva enquanto com a outra mão o ajuda como pode a realizar a troca do pneu. Assim, ao enfrentar o problema, a ajuda vem, e ele conquista êxito.”

Fiquei pensando que muitas vezes em nossa vida acontece exatamente assim, enquanto ficamos parados, pensando nas mais desastrosas consequências de um problema que já existe, perdemos a oportunidade de nos arriscar e correr o risco de dar certo.

É preciso dar o primeiro passo, ter iniciativa, agir apesar de suas forças, ou de forças contrárias. Está muito comum hoje ouvirmos “o não já temos”, é verdade, o ruim da situação já temos, enfrentar esse constrangimento de ter dado errado, já temos, então qual a dúvida em arriscar?

Aprendi muito cedo que temos que eliminar o “se” de nossa existência, arrepender-se daquilo que não fez é sem sombra de dúvida pior do que arrepender-se de ter tentado e 'dar com burros n'água' (como dizia minha vó ).

A reflexão que proponho é essa, não deixemos nos paralisar pelo medo, pela indecisão, arriscar-se faz parte da nossa essência, não fomos criados para sermos estáticos, desde do momento do parto é preciso agir, quando é chegado o tempo não tem como ficar mais, ou se direciona rumo ao canal que se apresenta, ou vai ser extraído de sua zona de conforto, não tem jeito, em nossa essência está consumado o principio e o fim de todas as coisas, temos que ter iniciativas.

Assim, a morte vai chegar, mas você tem a escolha de viver e viver bem todas as coisas até que ela venha, ou simplesmente esperar por ela, e perder o surpreendente espetáculo que é a vida, composta de atos dramáticos e alegres.

AVÓS PARA TODA VIDA

Quando era criança pensava que meus avós já tivessem nascido velhos. Acredito que mais crianças também já pensaram da mesma forma, pois era difícil imaginar os nossos vovozinhos, jovens, adolescentes, ou crianças, porque quando nascemos eles já eram velhinhos para nós.

Crescemos habituados a enxergar seu rosto marcado, sua pele enrugada, seus cabelos brancos e todo seu jeito afetuoso de ser e nos tratar. Eu pelo menos, não conseguia imaginar uma avó que brigou, que castigou, que era dura, que não tinha tempo de contar estórias, que trabalhava duro fora e dentro do lar, como meus pais contavam que tinham sido suas mães, não conseguia assimilar aqueles avós, aos pais das histórias dos meus pais.

Hoje mudou muito, os avós são pessoas cada vez mais jovens, e não só na idade, mas no espírito, na vivência, no cotidiano mega atualizado. Vejo avós que são profissionais renomados, avós que são atletas, que dirigem carros modernos, que usam smartfone, que frequentam academias, que saem para as baladas, que vão aos passeios com os netos usando jeans e salto alto, ou vovôs de bermudas e tênis colorido.

Os avós hoje não têm mais a mesma disponibilidade de tempo que os avós de outrora, que sentavam para contar estórias e ouvir as suas, hoje netos e avós discutem suas opiniões sobre as series da Netflix, sobre a eficácia de um ou outro aplicativo, e melhores formas de se fazer uma selfie.

Os avós de hoje, raramente elaboram atividades e programações em casa para a chegada dos netos, eles se encontram nos shoppings, nos parques para atividades físicas ou mesmo em casa, mas já não mais para ficarem juntos na cozinha ou no paiol, e sim assistindo series e esperando a pizza.

Para a atual geração é uma curtição pôde fazer essas coisas juntos com seus avós, pois eles não têm que com isso deixar de fazer as coisas do seu cotidiano, como usar a internet.

Já para as gerações passadas era fantástico ir a casa dos avós, para saírem da rotina, fazerem coisas que em casa não podiam fazer, coisas do tipo: dormir depois do horário de costume, fazer cabana na sala, ajudar a cozinhar, tomar banho no rio ou mesmo de mangueira, brincar de teatro, inventar coisas , comer somente aquilo que gosta e repetir a sobremesa.

Avós, de ‘hoje’ ou de ‘ontem’, velhos ou jovens, são sem sombra de dúvidas, amor sem medida, são pessoas que marcam a vida de todos, e mesmo quando já não estão mais presentes fisicamente, continuam vivos dentro de cada um de nós, alimentando as nossas doces lembranças.

AS TEMPESTADES PASSAM

É preciso enxergar além das circunstâncias, para tanto é preciso estar atento aos grandes exemplos que temos a nossa volta, é preciso ter fé e manter ávida a esperança. Como a criança que está aprendendo a andar, e não desiste depois da primeira queda, nós adultos precisamos encontrar forças para levantar depois de cada tombo.

Assim como o galo não desiste de cantar a cada amanhecer, chova ou faça sol, nós precisamos aprender a acordar gratos para vivenciar mais um dia e realizar aquilo que nos está proposto.

Assim como as formigas que não deixam de trabalhar nos dias quentes e fatigantes, pois reconhecem que são frágeis demais para suportar o rigor de um inverno, nós também devemos reconhecer a nossa força e fraqueza, o nosso potencial e nossas limitações, pois quando sabemos de fato quem somos, nos aceitamos melhor, nos valorizamos mais e ensinamos os outros a nos valorizar.

Essa reflexão de não desanimar em dias difíceis me fez lembrar de uma história, ou fábula, não importa, o que de fato interessa é que nos ensina algo.

“Uma jovem dirigia o carro da família, ao lado de seu pai, quando começou uma forte chuva, ela pergunta ao pai o que deveria fazer, e o pai responde: ‘continue dirigindo’, a chuva foi ficando cada vez mais intensa e o tempo ficando escuro e então ela pergunta novamente ao pai o que deve fazer e a resposta é a mesma: ‘continue dirigindo’, passado mais alguns instantes a tempestade é torrencial, os caminhões começam a encostar, bem como outros veículos buscando abrigos, ela assustada faz novamente a pergunta ao pai que prontamente responde: ‘continue dirigindo’, passados alguns minutos e o céu vai ficando cada vez mais claro, a chuva cessa, e o dia abre, aliviada a jovem olha para o pai e este lhe diz: ‘agora pare’, ela sem entender rebate: ‘mas por que agora?’ E então o pai diz “olhe para trás, se tivesse desistido e parado ainda estaria na tempestade, mas a sua perseverança a tirou de lá”.

Na vida há momentos (e não são poucos infelizmente) que a vontade é parar, procurar abrigo, mudar o rumo, ou mesmo desistir, mas devemos nos lembrar que tudo é efêmero, portanto busque fé e alimente a esperança de que vai conseguir, se não desistir.

Vejamos o dia, que insiste em surgir a cada manhã, sinalizando para nós a maior motivação que precisamos para ter renovado o nosso ânimo, a nossa fé e a nossa esperança.

A Bíblia diz no livro de Isaías capítulo 40 e versículo 31, “Mas os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão.

‘Subirão com asas como águias’, as águias voam alto, estão acima das circunstancias, portanto enxergam além, que linda promessa! Isso nos revela que é possível sair para além das situações difíceis, visualizar e focar no porvir.

Se olharmos além das circunstâncias veremos que há mais motivos para continuar do que para desistir.

ATALHOS PERIGOSOS

A fábula do cavalo marinho descrita a seguir, retrata bem uma boa parcela dos brasileiros, pessoas que possuem um objetivo, mas não um planejamento, e em busca daquilo que almejam, acabam pegando atalhos, que podemos comparar ao nosso tão conhecido e pejorativo “jeitinho brasileiro”.

“Era uma vez um cavalo-marinho que juntou suas economias (7 moedas) e saiu em busca da fortuna.

Ainda não havia andado muito quando encontrou uma enguia, que lhe disse:

- Psiu..........Eh, amigo. Onde vai você?

- Estou indo procurar minha fortuna. Respondeu o cavalo marinho orgulhosamente.

- Você está com sorte! – disse a enguia. – Por quatro moedas pode adquirir essas velozes nadadeiras, e assim será capaz de chegar lá mais rápido!

- Oba, isto é ótimo! – disse o cavalo marinho, e pagou as nadadeiras com seu dinheiro, colocou-as e saiu deslizando, numa velocidade duas vezes maior. Em seguida encontrou uma esponja que lhe disse:

- Psiu.........Eh, amigo. Onde vai você?

- Estou indo procurar minha fortuna. Respondeu o cavalo marinho.

- Você está com sorte! Disse a esponja. Por uma pequena recompensa deixarei você ficar com esta tábua de propulsão a jato, para que possa viajar muito mais rápido.

Então o cavalo marinho comprou a tábua com o restante de suas moedas (3), e foi zunindo pelo mar, com uma velocidade cinco vezes maior.

Logo, logo, encontrou um tubarão que disse:

- Psiu...........Eh, amigo. Onde vai você?

- Estou indo procurar minha fortuna. Disse o cavalo marinho.

- Você está com sorte. Se tomar este atalho – e o tubarão apontou para sua bocarra – vai economizar muito tempo.

- Oba, obrigado! – disse o cavalo marinho, e saiu zunindo para dentro da boca do tubarão e nunca mais se ouviu falar dele.”

 

O velho ditado diz que “a pressa é inimiga da perfeição”, vemos muitas pessoas com pressa de chegar, seja num patamar social ou profissional, e para tanto fazem ‘qualquer negócio’ licito ou não, mas que para ela é justificável. E se pudermos classificar do mais simples para o mais complexo esse ‘qualquer negócio’, vai desde de colar na escola até a prostituição de seus corpos e valores.

Parece que aquele outro velho dito popular “devagar também se chega”, não se aplica mais no mundo de hoje, todos têm pressa, há uma competição intrínseca dentro de cada um, vive-se numa corrida desenfreada por algo, que induz aos atalhos.

É preciso ter determinação no foco, saber onde quer chegar, mas também ter um planejamento pautado na ética e na moral, se não, qualquer caminho serve e um desses tomados impensadamente, o leve a deturpação de caráter, a destruição de valores e a um caminho sem volta.

O EFEITO BORBOLETA DO FUTEBOL BRASILEIRO

Quem já ouviu falar do “efeito borboleta”? Pois bem, segundo a Wikipédia, “ [...] Este efeito foi analisado pela primeira vez em 1963 por Edward Lorenz. Segundo a cultura popular, na teoria apresentada, o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo”. Numa explicação bem simplificada, toda “ação gera uma reação”.

Pensando no efeito borboleta, em clima de copa do mundo faremos a seguinte reflexão.

O Brasil é conhecido como o país do futebol, o que leva a um certo favoritismo em copas do mundo, ainda que uma maioria de nós brasileiros, não tenhamos mais a mesma convicção disso, nota-se que depois da fatídica copa de 2014 no Brasil, a empolgação está arrefecida, pois ainda nos ecoa na mente o desastroso resultado de 7x1. Contudo, para o restante do mundo continua sendo a seleção favorita da copa, e nos perguntamos; por quê?

A resposta é simples, o efeito borboleta! O Brasil ainda é visto por uma outrora ação realizada em 1958 seguida de 1962 duas vezes conseguinte – campeão do mundo e depois, a tão saudosa, seleção de 1970, onde eu acredito que tenha sido o ponto culminante do efeito borboleta, vivenciado até os dias de hoje. Ainda se vislumbra a áurea do tricampeonato, apesar de já ser pentacampeão – (1994 tetracampeão e 2002 pentacampeão).

Em suas duas outras participações - 2006 e 2010 - não ficou nem entre os 5 melhores, por conseguinte temos a que todos desejariam esquecer, a copa de 2014. Já caminhamos para dezesseis anos sem título, baseado nesses fatos, já era para ter perdido esta colocação de favorito, porém não perde, devido ao efeito da ação realizada, há mais de 40 anos atrás.

O efeito borboleta nesse caso do futebol brasileiro, gerou uma boa ação, contudo ele pode também gerar ações ruins que repercutam por longo tempo, em qualquer área da vida. Portanto, a reflexão de hoje é para que repensemos nossas ações.

Por estarmos certos de que todas as ações gerarão reações, seja ela boa ou ruim, tanto no seio familiar, no trabalho ou na sociedade, seria prudente que repensássemos as ações pela perspectiva do fim, ou seja, focado no resultado que essa provocará nas pessoas que estão a volta, em como isso as afetará. Podemos pensar nisso, como o legado, a sua marca, aquilo que futuras gerações reconhecerão que foi você.

Portanto, vale a pena pensarmos de que forma queremos ser lembrados, sabendo que bons resultados, pode encobrir inúmeras falhas, isto é, os nossos erros são melhores compreendidos, quando nossas ações produzem bons e duradouros resultados.

Tenhamos como exemplo a nossa seleção brasileira de futebol.