Reflexões de Vida - Elisângela Oliveira
O Amor em atitudes

Li em algum lugar algo assim “um menino franzino carregava o seu irmão menor, quase que do seu próprio peso nas costas, e alguém lhe disse “ele é muito pesado para você” e a sua resposta foi: ele não é pesado é meu irmão.”

A Bíblia nos diz que devemos suportar um ao outro em amor em colossenses 3.13 e em efésios 4.2, esse suportar poderia nos dar duas interpretações, dar suporte ao outro em momentos difíceis ou aguentar por amor aquele que de difícil convívio. Diante da ilustração acima vemos que nesse caso o suportar é dar suporte, carregar, compartilhar a dificuldade do outro.

Sabemos que nos dias atuais; Era da informação rápida, da globalização de idéias e culturas, Era da quarta revolução industrial, todos parecem estar muito focados em si mesmos, em suas metas, na competição, no seu objetivo e pouco se nota nessa sociedade características altruístas verdadeiras, até se vê, mas a busca real é pelos likes, comentários e compartilhamentos.

Esses aspectos vivenciados hoje, nos leva a perceber que nos falta amor ao próximo, e nem chega perto da obediência ao segundo maior mandamento Amar ao próximo como a ti mesmo, (Levítico19.18 e Mateus 22.39),  nem chegamos a tanto, bastaria amar, para que as coisas se tornassem um pouco diferentes.

Essa demonstração de mais amor ao próximo seria: abrir mão de um pouco do nosso tempo em favor do outro, deixar de lado por um momento os nossos afazeres para dar atenção a um filho, familiar ou amigo, arrumar um espaço na agenda para aquele café com um amigo, encaixar no seu orçamento que já está apertado a doação ao mais necessitado, adiar ou mesmo cancelar aquele almejado descanso, para receber ou fazer uma visita a alguém que precise de companhia.

Amar é restringir o nosso eu, é limitar as nossas vontades em prol do outro. É domar o nosso ego. É praticar o altruísmo e a solidariedade, tão esquecida em nosso tempo.

O amor não pode ser visto simplesmente como um sentimento que se desenvolve. Amor, são as atitudes atemporais, são as poucas coisas feitas a todo tempo por alguém, li uma frase, mais ou menos assim: “suas atitudes gritam tanto, que não ouço uma palavra do que diz”.

 Assim, se as atitudes demonstram amor, as palavras serão dispensáveis.

 

Setembro amarelo - Valorize as pessoas

A exagerada exposição pública tem gerado cada vez mais o ostracismo, que nada mais é que, pessoas encarceradas dentro de seu próprio eu, como uma ostra só exibindo a couraça dura e firme.

Há muitas pessoas sofrendo caladas, escondidas, encarceradas dentro de um eu que não pode ser revelado, e fica ali por trás de um perfil público que revela alegria, diversão, conquistas e realizações.

Então o ciclo tende a girar sem solução, uma vez que por outro lado há muitos acreditando ou fingindo acreditar no que está no perfil do outro, no que foi publicado, no que foi exposto, supõe-se simplesmente que o outro está bem. Porém, ninguém ousa perguntar se realmente está, pois isso demanda tempo e disponibilidade de ouvir e poucos ou ninguém quer “perder” tempo com isso, contudo ‘perde-se’ tanto quanto ou até mais, vasculhando os perfis das redes sociais.

Há pessoas sofrendo ao nosso lado, e não percebemos. Talvez enxergássemos se tirássemos os olhos do celular.

Há pessoas bem próximas a nós, buscando fugas extremas dessa dor que estão vivendo e não percebemos. Talvez isso fosse possível, se estivéssemos dispostos a ser e ter companhia, ao invés de seguidores.

Há pessoas precisando ouvir, que é importante e amada, mas não ouve isso de nós, porque estamos mais preocupados com likes em nossas publicações, do que realmente gostar e ser gostado.

Há pessoas que precisam ouvir que para tudo nessa vida tem solução, basta acreditar e buscar a ajuda necessária, mas não dizemos, pois estamos entretidos com youtubers mostrando o que supostamente é o seu dia a dia.

Humanização dos humanos agora! Humanização dos relacionamentos agora! É urgente! Precisamos humanizar novamente as relações, fazer acontecer de novo a conversa, a troca de olhares, o pegar na mão, o caminhar junto, o gargalhar alto de piadas, o chorar no ombro, o cafuné, o aconchego de um abraço.

Já foi provado que o abraço tem poder terapêutico! Mas não se acredita mais nisso! As pessoas estão perdendo a alegria e o prazer de abraçar e serem abraçadas. Há uma retração, uma inquietude ao toque físico.

Olhemos mais para os lados, olhemos mais para as pessoas, há sempre alguma coisa acontecendo a nossa volta, há sempre alguém precisando mais de nós, do que de nossas curtidas.

A porta pode fechar a qualquer momento

Conta a lenda que certa mulher pobre com uma criança no colo, passou diante de uma caverna e escutou uma voz misteriosa que lá dentro lhe dizia:
"Entre e apanhe tudo o que você desejar, mas não se esqueça do principal. Lembre-se, porém, de uma coisa : Depois que você sair, a porta se fechara para sempre. Portanto, aproveite a oportunidade, mas não se esqueça do principal... "
A mulher entrou na caverna e encontrou muitas riquezas. Fascinada pelo ouro e pelas jóias, colocou a criança no chão e começou a juntar, ansiosamente, tudo o que podia no seu avental. A voz misteriosa falou novamente: "Você agora, só tem oito minutos."
Esgotados os oito minutos, a mulher carregada de ouro e pedras preciosas, correu para fora da caverna e a porta se fechou... Lembrou-se, então, que a criança lá ficara e a porta estava fechada para sempre!”

Já é notório a todos nós, pertencentes dessa sociedade, a característica atual de valorizar mais o ter do que o ser, mas refletindo sobre essa lenda, podemos analisar que em algum momento da vida, que é essa caverna cheia de oportunidades e oferecimentos, gastamos muito tempo correndo atrás dos bens materiais e nos esquecendo de bens maiores e mais preciosos, como: família, valores, vida espiritual, amizades e amor. Por vários períodos, nos enfurnamos na “caverna”, correndo sério risco de nos esquecermos e perdemos o que de fato é importante.

A filósofa Lúcia Helena Galvão disse que “os bens só são bem, quando melhoram a nossa qualidade de vida”. Os bens materiais fazem parte da nossa conquista, e nos propiciam melhor qualidade de vida, mas quando eles passam dessa esfera, é que se tornam problemas, por exemplo, “você mora sozinho numa casa de um quarto, é apertada, fica difícil receber um hóspede, então se constrói uma com dois quartos, até aí ok, atende a necessidade, e melhora a qualidade de vida, mas almeja-se e corre atrás de construir uma com três, quatro, cinco, seis quartos, daí já deixou de ser uma melhora da qualidade de vida, pois o número excessivo de quartos não contribui mais na melhora da qualidade da sua vida, e assim é com carros, roupas, sapatos e com o próprio dinheiro, quanto mais se tem, mais se quer, mesmo quando já deixou de ser em prol de uma vida melhor, e passou a ser o poder de tê-lo cada vez mais. E nesse momento, poucos percebem que não é mais ele que tem o dinheiro, mas o dinheiro que o tem, já que ele vive em prol do mesmo.

Uma psicóloga tanatóloga (especialista em morte), depois de uma pesquisa, fez o seguinte relato “quanto mais materialista a pessoa é, menor a possibilidade de clareza diante da morte”, concordo, já que diante da morte essa pessoa percebe ou se depara com a verdade que, tudo que passou a vida inteira conquistando está ficando para trás agora, que tudo que tinha imenso valor, agora é imprestável, pelo menos incapaz de mudar a realidade que é inerente, a chegada da morte, e isso dificulta muito a pessoa ‘aceitar’, essa realidade. Parece sombrio e assustador, mas é a verdade limiar, por mais que tenhamos nada levaremos.

Então a busca por possuir cada vez mais, só se justifica até o ponto em que o objetivo é a melhora da qualidade da sua vida e/ou das pessoas que você ama. Contudo, é importante não perder o foco do que é verdadeiramente importante, pois a porta da ‘caverna’ fecha para todos e o que teremos esquecido ou perdido, pode ser o que de fato importa. E o fechamento da porta nem sempre é a morte, pode ser a simples perda, como relata a lenda e então restará a solidão e o desespero.

 

A beleza que vai além dos olhos

Ouvi algo que me fez refletir e venho aqui compartilhar. Uma pessoa disse: “é intrínseco ao ser humano se apaixonar e amar, aquilo que vê, pois a aparência o atrai.” Será? Se partirmos dessa premissa os deficientes visuais não se apaixonam? Não amam? Sim, claro que sim, afinal eles ‘enxergam’ a profundidade, se apaixonam e amam a alma do outro.  

A beleza, a aparência sempre foi algo importante para o ser humano, a mitologia grega relata o mito do jovem Narciso, que era tão belo e tão atraente que se apaixonou e amou profundamente a sua própria imagem, quando vista refletida nas águas de um rio, então foi incapaz de se afastar daquela imagem, não se dando a chance de amar mais ninguém, além de si mesmo, por toda vida. Esse mito deu origem ao termo, ‘narcisismo’ explorado pela psicanálise, que é quando a pessoa desenvolve um transtorno de amor exacerbado por sua própria imagem. Passando a ser um problema, uma vez que a pessoa vive em prol dessa aparência, dessa vaidade, que acaba interferindo nas relações interpessoais, passando a ter necessidade de ser admirada, amada por todos, não aceitando o “não ser percebida”, e cobrando que a amem e admirem tanto quanto ela mesma o faz.

Os olhos humanos tendem a procurar o belo, a admirar a beleza, mas é como ir a um museu de artes, há obras maravilhosas para se admirar, porém, consegue ficar ainda mais bela, quando lemos a explicação da mesma, ou seja, buscamos mais profundidade.

Imaginem se conseguíssemos em nossa convivência, buscar mais profundidade, buscar a essência, sair da superficialidade da aparência. Aprenderíamos sobre a construção do verdadeiro sentimento, aprenderíamos que os defeitos fazem parte do conjunto e não deformam a obra, assim como a descoberta das virtudes, consegue embelezar ainda mais, essa obra de arte que é o ser humano.

Então a forma como nos enxergamos, com profundidade ou superficialidade é que define a maneira como queremos ser vistos, se valorizamos a superficialidade é esse olhar que buscamos, de pessoas (superficiais), mas se valorizamos a profundidade do ser, é esse aspecto que vai importar, são dessas pessoas com esse olhar, que queremos a admiração.

É evidente que seguimos admirando o que é belo, faz parte da vida, só não devemos parar nessa superficialidade, devemos nos dar a chance de viver a surpresa da busca pela essência, (que pode ou não ser boa, é verdade), mas que enriquece o conhecimento sobre o outro, (o que pode ou não nos deixar felizes, é verdade), contudo, nos permiti à construção de relacionamentos autênticos.

Portanto, vamos buscar mais a profundidade do ser humano, e saíamos da superficialidade da aparência, pois o rei Salomão, dono de uma sabedoria singular e única, já nos alertou no livro de Eclesiastes, “tudo é vaidade e passa como uma sombra.”

Ser fiel a si mesmo

Conta-se que certo dia, num reino distante um rei teve um sonho, onde havia centenas de raposinhas correndo por entre o reino, provocando confusão, o rei então chamou todos os sábios do reino e mandou que desvendasse o sonho, contudo nenhum deles foi capaz, o rei indignado e intrigado com o sonho pediu que confeccionassem cartazes e espalhasse por toda a cidade com recompensa de um saco de moedas de ouro para quem interpretasse o sonho. Um lenhador muito pobre que morava num pequeno vilarejo, se deparou com o cartaz e sentado num tronco de árvore, começou a se lamentar dizendo, que se tivesse esse dom de interpretar o sonho do rei, todos os seus problemas estariam resolvidos, pois poderia ter uma vida bem melhor com aquela recompensa.

De repente um pássaro que escutava a lamentação do lenhador, começou a falar e foi dizendo que poderia interpretar o sonho se o velho dividisse com ele a recompensa. O lenhador ainda espantado aceitou a proposta e o pássaro disse: “O significado desse sonho é que o reino está tomado de um clima de traição e o rei precisa ter muita cautela”. O velho lenhador imediatamente partiu para o palácio e deu ao rei a interpretação, o rei ficou preocupado, e mandou dar a recompensa  ao velho, que no caminho de volta decidiu que enganaria o passarinho e ficaria com toda a recompensa.

Passado algum tempo o rei teve outro sonho, e dessa vez sonhou com uma grande espada afiada em direção ao seu peito, atordoado com o sonho mandou que seus guardas fossem buscar o lenhador, quando esse se deparou com a guarda real ficou preocupado e pediu um dia de prazo para dar a interpretação.

Voltou ao mesmo lugar onde havia encontrado o pássaro da primeira vez e começou a se lamentar, e então o passarinho aproximou-se do lenhador e este foi logo dizendo: “me perdoe passarinho sei que fui mau com você! Enganei-lhe quando você me ajudou e talvez você não queira mais me ajudar e com razão, pois o trai”, mas o passarinho disse: “eu vou ajudá-lo mais uma vez, mas, por favor, dessa vez não me engane“ e mais uma vez o pássaro deu a interpretação dizendo: “diga ao rei que esse sonho significa que o ambiente do reino está repleto de violência e ele precisa ficar alerta e ter cuidado”, o velho partiu para o palácio e entregou a interpretação ao rei que dessa vez mandou entregar dois sacos de ouro como recompensa. No caminho de volta o lenhador pensa que de nada valeria dividir o ouro com aquele passarinho, pois o mesmo não precisa de ouro e nesse momento o pássaro aparece e pousa ali próximo, o lenhador pega uma pedra e lança em direção ao passarinho que rapidamente alça vôo escapando por muito pouco de ser atingido, o lenhador vai embora para casa com os dois sacos de ouro.

 Passado algum tempo o rei sonha novamente, e manda chamar o lenhador para mais uma interpretação dessa vez havia no reino muitas ovelhas, carneiros bem branquinhos pastando tranquilamente, quando o lenhador se deparou com os guardas reais em sua porta, quase desmaiou, mas como havia feito da última vez pediu um dia para a interpretação. Voltou ao lugar onde se encontrava com o pássaro e começou a se lamentar, não demorou muito e o passarinho apareceu,  e então o lenhador pediu perdão, disse que ele tinha todo o direito de não mais ajudá-lo, mas que estava verdadeiramente arrependido de tê-lo enganado e pior tentado machucá-lo,  e que só mais essa vez ele precisava de ajuda, pois ele não poderia desobedecer uma ordem real ou seria morto, mas que dessa vez o passarinho poderia ficar com toda a recompensa, os três sacos de ouro, e então o passarinho dando mais um voto de confiança ao velho, interpretou o sonho dizendo, que esse sonho significava que o ambiente do reino era de pureza, paz e verdade e que agora o rei poderia ficar tranqüilo, o lenhador foi e deu a interpretação ao rei e recebendo a recompensa saiu em direção ao caminho para encontrar-se com o pássaro e ao encontrá-lo disse:  “está aqui os três sacos de ouro pode ficar com tudo, conforme prometi”, e então o pássaro disse ao velho lenhador : “Não quero ouro nenhum, não preciso de ouro para nada” só precisava que você compreendesse como você tem se tornado produto do meio, como tem sido influenciado pela atmosfera do  ambiente”.

O lenhador aturdido e envergonhado diz: “Eu lhe enganei, tentei machucá-lo e você está dizendo que estava me ensinando algo?”.  Sim , respondeu o passarinho, veja bem, no primeiro sonho o reino estava impregnado de traição e mentiras, então eu sabia que você faria o mesmo comigo, mentiria e me enganaria, no segundo sonho, o reino estava repleto de violência, então eu sabia que usaria de violência para comigo e no terceiro sonho, o clima é de pureza, então  você  verdadeiramente arrependido tornou-se puro, o meu ensino a você é, que seja fiel a você mesmo, e não se deixe envolver pela atmosfera que o cerca.

Reflexão de vida: Vivemos num mundo cercado de falsidade, corrupção, ganância, maledicências, violência etc. Temos nós, em nossas atitudes diárias, nos mantidos fiéis ao nosso caráter e aos nossos valores, ou temos nos deixado influenciar pela sociedade na qual estamos inseridos?

As tentações de Jesus são as nossas hoje

No capítulo 4 do livro de Mateus, na Bíblia Sagrada, temos ali uma passagem muito conhecida de todos que é a descrição das Tentações sofridas por Jesus Cristo no monte das Oliveiras, depois de ser batizado por João Batista no rio Jordão. É nessa passagem de onze versículos que gostaria de refletir com vocês.

“[...] E, depois de passar quarenta dias e quarenta noites sem comer, Jesus estava com fome. Então o Diabo chegou perto dele e disse: — Se você é o Filho de Deus, mande que estas pedras virem pão. Jesus respondeu: — As Escrituras Sagradas afirmam: “O ser humano não vive só de pão.”

 

A situação de Jesus era difícil, ele estava com fome, sim claro que estava afinal, era ser humano como qualquer um de nós. Então o diabo veio checar a postura que teria diante de uma situação difícil. Se estaria diante de um fraco ou forte, um firme ou vacilante. Mas Jesus tinha a que se assegurar – A Palavra de Deus – e por isso não cedeu à tentação.

Fazendo uma analogia conosco hoje, o que será que o diabo encontra quando vem nos checar sobre a nossa postura numa situação difícil? O que ele encontra em cada um de nós? Uma postura fraca como a de Esaú que não valorizando quem era e o que tinha trocou sua primogenitura com o irmão Jacó por um prato de cozido. (Genesis 25.29-33) ou a postura dos apóstolos Paulo e Silas que mesmo após serem espancados, humilhados e encarcerados tendo os pés atados por correntes deram inicio a um culto de adoração a Deus? (Atos 16.22-25). Não é fácil ter uma postura firme diante de uma situação difícil, mas é possível, pois não podemos ser definidos pela ocasião, mas sim por nosso caráter que deve ser estável diante de qualquer situação.

 

“Em seguida o Diabo levou Jesus até Jerusalém, a Cidade Santa, e o colocou no lugar mais alto do Templo. Então disse: — Se você é o Filho de Deus, jogue-se daqui, pois as Escrituras Sagradas afirmam: “Deus mandará que os seus anjos cuidem de você. “Eles vão segurá-lo com as suas mãos, para que nem mesmo os seus pés sejam feridos nas pedras” Jesus respondeu: Mas as Escrituras Sagradas também dizem: “Não ponha à prova o Senhor, seu Deus.”

Nessa segunda tentação sofrida por Jesus o diabo veio checar a sua confiança e se Jesus tivesse se baseado aqui, num lema muito usado hoje de que, “o fim justifica os meios”, ele teria cedido, pois ele sabia que era a verdade, Deus, o pai, não permitiria sua queda e ali logo de cara no começo de seu ministério todos veriam que ele era o filho amado de Deus, fim glorioso, contudo o meio teria sido desobedecer a Palavra e ceder a tentação do diabo, ai então se configuraria o pecado. Voltando a nós, o que o diabo encontra quando vem checar a nossa confiança em Deus? Pessoas que agem como o rei Saul que desobedecendo a ordem de Deus para destruir todos os bens dos amalequitas, separou os melhores alegando ter poupado para promover um holocausto a Deus (1 Samuel 15.9), o fim pode parecer justo, mas o meio é a desobediência, ou encontrará ‘um Davi’, que mesmo tendo motivos para matar o seu perseguidor  o rei Saul que almejava e já havia tentado matá-lo, não o fez, pois não poderia desobedecer a Deus, matando um ungido do Senhor. (1 Samuel 24.3). Não devemos viver agindo na linha desse lema de que o fim justifica o meio, quando os meios são errados.

“Depois o Diabo levou Jesus para um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e as suas grandezas 9e disse: — Eu lhe darei tudo isso se você se ajoelhar e me adorar. Jesus respondeu: — Vá embora, Satanás! As Escrituras Sagradas afirmam: “Adore o Senhor, seu Deus, e sirva somente a ele.”

 

Essa terceira tentação é a checagem da vaidade de Jesus, da sua possível gana por poder, porém Ele não se deixou levar por essa promessa de riqueza, de status, não se deixou levar pela vaidade. E como tem sido difícil nos dias atuais não se deixar levar pela vaidade, pessoas fazendo qualquer coisa, pagando altos preços pelo desejo de ter ou de ser ainda que seja de forma efêmera.  

Na Bíblia também temos os exemplos do rei Nabucodonosor que se deixou levar pela vaidade ao apreciar de seu palácio a grandeza da Babilônia, declarando ser tudo feito por ele e para ele. (Daniel 4.30), e trouxe sobre si a desgraça de ficar louco e agindo como um animal, ou o exemplo do rei de Nínive que após ser alertado pelo profeta Jonas da ira de Deus sobre o povo, se despiu do manto real, colocou as roupas mais simples da época (de saco) e se humilhou, conclamando todo o povo a fazer o mesmo. (Jonas 3.6) e com essa postura esse rei conseguiu abrandar o coração de Deus, que resolveu não mais destruir essa cidade e seu povo.

Manter-se afastado da vaidade, não é simples em nossos dias, mas é possível se quisermos viver em autenticidade e de forma a agradar a Deus.

Para vencemos as tentações atuais precisamos ser o que de fato somos; ter o que de verdade conquistamos e usufruir o melhor que essa vida tem reservado para cada um de nós. Lembrando que ser tentado não é pecado, errado, é ceder à tentação

Spoiler do filme do Rei Leão

Este mês de julho tivemos a estréia do filme “o rei leão”, um desenho que já tem 25 anos e que com as novas tecnologias desse mundo cinematográfico ganhou essa nova roupagem de filme.

O meu convite é para refletirmos nessa linda estória do rei leão, onde o pequeno Simba, o filho do rei é induzido por seu tio mau a fugir de seu destino,  após um grave acidente que gerou a morte de seu pai. E então o que seria natural dentro do ciclo da vida, que é o filho assumir o lugar do pai, não acontece por causa da ganância e mau caratismo do tio, fazendo com que, o então reizinho fuja desesperado de medo e vergonha.

Ao chegar a um lugar distante no meio da selva encontra aqueles dois personagens queridíssimos, o Timão e o Pumba que ao se depararem com um leão, ainda que filhote, eles sabem que se trata de um leão e conhecem a sua potencialidade, e, portanto se preocupam, tornam – se amigos e maquinam a mudança do perfil desse animal, onde o leão passa a ser vegetariano (comendo somente ervas e pequenos insetos e larvas) e ensinam a ele um novo estilo de vida, o “Hakuna Matata” que significa esqueça seus problemas e viva como se eles não existissem.  

Na vida real, muitas pessoas não tem sido diferente, pessoas que deixam de viver o que de fato são, para viver uma personagem que agrade a todos, pessoas que seguindo opiniões erradas, ao invés de assumir o seu papel, e enfrentarem seus problemas,  vivem um eterno “hakuna matata”, ou seja, vivem fugindo de seus problemas.  Contudo, assim como no filme, o ciclo da vida precisa retornar ao natural,  e isso acontece quando Simba é encontrado pelo macaco Rafiki, que com seu cajado em punho dá uma pancada na cabeça do jovem leão,  apresentando à ele, a necessidade de dar fim aquele personagem que está vivendo e viver o que está reservado para ele no ciclo natural da vida. Ser rei!

Só que na vida real, nem sempre o “Rafiki” aparece e aplica somente um golpe, que no caso do filme não foi para machucar, mas para chamar a atenção do jovem leão, por vezes esse golpe é duro, é traumático, pode ser que no decorrer da vida, vários “Rafiki’s” apareçam, em forma de alguns aspectos como: a morte dos pais, um casamento, o nascimento de um filho, uma mudança de estilo de vida, esses ‘golpes’ podem ser sinalizadores de que é necessário viver a realidade, e não empreender uma fuga para o estilo hakuna matata. A verdade é que a vida nem sempre ensina com amor.

A probabilidade de aparecerem na jornada da vida, pessoas que lhe golpearão com amor para chamar sua atenção para realidade, é menor do que o aparecimento de Timão’s e Pumba’s que possuem o seu valor, pois ajudam o individuo a manter-se vivo, contudo levam a vivenciarem uma forma não natural do ciclo da vida e induzem a viver deixando os problemas longe dos olhos e da mente, porém sabemos que isso não pode perdurar por muito tempo. Aprender o enfrentamento dos problemas pode ser doloroso, mas é necessário. Assim como é indispensável o conhecimento de quem somos nessa jornada, buscando vivenciar cada ciclo dela com autenticidade, fugindo não dos problemas, mas do engodo de querer ser aquilo que não é.

A interpretação é necessária

Há muito tempo que ouvimos que o problema do uso correto da língua portuguesa é a falta de interpretação, as nossas crianças não são treinadas a interpretar, querem tudo pronto, e o pior... Estão sendo atendidas. A geração que deseja que tudo aconteça rapidamente e vê como sendo mais fácil copiar o outro, ou seguir os estereótipos estabelecidos, ou seja, simplesmente imitam tudo em prol de não ter que parar para pensar e/ou exercitar sua criatividade.

Essa deficiência é inegável há muito tempo, e hoje vem se tornando cada vez mais visível, mediante as facilidades proporcionadas pela era digital. Onde a despreocupação com o uso correto da língua portuguesa é notória, não se dão mais ao trabalho de escrever corretamente, muito menos de interpretar, o que para eles denota “pura perca de tempo”, o mais fácil é perguntar para o Google, o que quer dizer, ou ainda ver o que, o fulano ou sicrano falou a respeito, e então, dar um ‘like’ e seguir a idéia.

Por isso é que ficamos estarrecidos com publicações da correção da prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e de outros meios de avaliação de outros ciclos da educação. 

Há muitas informações, porém pouquíssimas interpretações, o que desencadeia uma divergência enorme de noticias, um falatório desencontrado e sem fundamentos, de diversos aspectos de uma mesma situação e tantos outros problemas, que gera a uma enorme falha na comunicação, até mesmo nos meios de comunicação.

Vejam um exemplo simples da falta de interpretação do contexto: Se você chega em uma praia brasileira e se depara com uma placa que diz: “proibido o uso de qualquer traje de banho nessa praia”, qual seria sua reação? Retirar sua roupa e ficar totalmente nu? Ou permanecer de roupas e não fazer uso do seu traje de banho? Certamente, você ficaria confuso e procuraria alguém que lhe pudesse orientar no que fazer. Mas se a mesma placa estivesse numa praia de nudismo? Você compreenderia que deveria estar completamente nu, mas se a mesma placa estivesse numa praia mulçumana? A interpretação seria que, você deveria manter-se vestido e não colocar traje de banho.

Veja bem, a placa é a mesma, a frase é a mesma, mas tudo depende do contexto no qual ela está inserida, contexto esse que precisa ser notado, pensado e analisado.

Assim é no cotidiano, não basta a leitura tem que haver interpretação da situação, deve haver análise do contexto, lembra do velho ditado “quem conta um conto, aumenta um ponto”, pois bem, não se pode simplesmente ouvir, ler ou reproduzir deve-se antes de mais nada avaliar o conjunto todo de cada situação.

A Bíblia no livro de Mateus, capítulo 22 verso 29 diz “Errais por não conhecer as Escrituras [...]”. Eu, porém, afirmo que há muitos errando, por não saberem interpretar o português ou analisarem o contexto.

Cada situação nessa vida exige um olhar diferenciado, uma interpretação única do momento e da situação, não existe uma sistematização de reações humanas para circunstâncias que a vida nos impõe. Antes de agir: pare, pense, analise e então interprete.

Chega de blá, blá, blá

Estamos na era digital e o que percebo é uma enormidade de pessoas mentalmente obesas, devido ao excesso de informações que se tem, mas porque se encontram nessa condição de obesidade? Porque não exercitam, não treinam suas mentes com essas informações, ou seja, não pensam... Pensar é um exercício, é um trabalho, como disse o pensador Henry Ford “pensar é o trabalho mais difícil que existe, talvez por isso tão poucos se dediquem a ele”. 

Para todo e qualquer evento existe uma multidão de informações, mas poucos se interessam em filtrar, em ver por outro ângulo, pesquisar fonte, exercitar a empatia, procurar ouvir um especialista, ou ter qualquer outra atitude que configure pensar a respeito. Apenas se enchem delas, se empanturram tornando - se, obesos sem consistência.

Isso tudo me faz lembrar uma estória que dizia mais ou menos assim: “Você está no 4º andar de um prédio em chamas e então uma garotinha de aproximadamente 10 anos, diz para você ‘pula tio é a única maneira de você se salvar, pula vai, você não vai morrer’. Você pularia? Confiaria na garotinha? Mas se na mesma situação um bombeiro com mais de 10 anos de experiência te diz ‘olha amigo, eu já estive em muitas situações como esta, já salvei muitas pessoas, e posso lhe garantir que você vai sair daqui com vida, mas a única maneira disso acontecer é você pular agora, há uma equipe lá embaixo esperando para te acolher, mas você terá que pular. Você pularia ou não?

Parece-me evidentemente que nesse caso, ouve-se o especialista, acreditamos na experiência, confiamos no profissional, contudo no dia a dia há muitos se permitindo levar por qualquer opinião, por mais insensata que ela possa parecer, apenas absorve-se e o pior coopera na divulgação de informações, e noticias incoerentes, escassas de conteúdo fundamentado.

Vivemos num mundo de blá, blá, blá, onde o que importa é falar, não o que se pensa, mas o que se ouve e acha. E as mídias deram voz a esses intelectualmente obesos e inconsistentes, que acreditam que fazer piadas com situações alheias é sinal de inteligência e criatividade. Quanta ignorância, quanta tolice temos visto nas redes sociais, nas mídias e até mesmo na TV. É preciso filtrar! É necessário pensar... Treinar a mente.

O mundo precisa de uma metanóia – uma mudança de mentes, que gerará mudança de atitudes, de comportamentos e não se deve esperar que isso aconteça na grande massa, mas que se inicie em cada um de nós, que nos propusermos a pensar, antes de falar e antes de agir.

Acredito que já é notório que a o velho ditado “a voz do povo é a voz de Deus”, não procede de uma verdade, vivenciamos muitos erros em todas as áreas, erros cometidos pela voz da massa, a voz do povo. O próprio Jesus Cristo foi vítima dessa voz errônea.

Portanto, façamos segundo a Bíblia nos orienta em Romanos 12. 2. “Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a ele.”

É preciso não só fazer a diferença, mas ser a diferença dentro dessa massa de obesos intelectuais de hoje.

O alvo

“Havia uma senhora turista, já muito experiente em suas andanças e deslumbrada com as coisas magníficas que já havia aprendido em suas viagens, dessa vez a senhora caminhava  por um vilarejo simples, quando se deparou com a parede externa de uma casa, onde se encontrava pintado um belo e colorido alvo que tinha fincado no seu centro, três flechas muito próximas uma da outra, isso chamou a atenção e fez com que a senhora se questionasse; quem seria o tão habilidoso e genial arqueiro fizera tal proeza, de acertar três flechas no alvo? Estando ela ali entretida diante da alvo, percebeu que na porta do casebre havia uma menina, meio encabulada, a observando, e então a senhora perguntou a menina se ela conhecia quem havia lançado as flechas no alvo e para sua surpresa a menina respondeu que fora ela mesmo. Então a senhora se espantou e perguntou, como poderia alguém tão jovem como ela ter tamanha destreza? E continuou seu questionando indagando a menina, como havia feito aquilo, no que a menina de pronto respondeu: “primeiro finquei as flechas e depois pintei o alvo.” A senhora pensou que nem uma vez sequer, em suas muitas viagens havia aprendido tanto quanto com aquela pequena menina.”

Convido a você a refletir nesta estória e fazer uma analogia com a vida. É exatamente assim que na maioria das vezes acontece; raramente se acerta o alvo, mais de uma vez então é quase impossível, somos nós que nos adaptamos ao alvo. Faz – se as escolhas (fincamos as flechas) e então começamos a construir nossos alvos a partir delas.

Porém, é lamentável que ainda existam muitos tentando acertar os alvos, e muitas vezes, alvos que não são deles, ou criados por ele, ou almejados por ele, simplesmente são alvos pré- estabelecidos, ou impostos pela sociedade em que se estão inseridos, vamos a alguns exemplos: ser rico é um alvo de muitos, mas pouquíssimos, o estão construindo diariamente, serem famosos, é outro alvo, e as mídias contribui dando a falsa impressão de que a fama pode ocorrer da noite para o dia, ter sucesso, muitos querem, mas não se lembram que deve ser construído, deve ser fundamentado, pois se não tiver alicerce, passará tão rápido quanto uma chuva de verão, etc.

A geração de hoje é imediatista, quer acertar o alvo, mas treinar não! Quer acertar o alvo, mas construí-lo, não! Quer se chegar ao alvo, mas passar pelo processo, não! Quer fazer suas próprias escolhas, mas admitir erros e arcar com as conseqüências, não!

Portanto, fica a minha sugestão: se queres ser mais feliz consigo mesmo e se aceitar melhor da forma que é, treine muito, como um arqueiro, todos os dias, e não afaste seus olhos do alvo, mas se for preciso, finque suas flechas (faça suas escolhas) e pinte o alvo em volta (vá construindo a partir daí suas metas e objetivos). Construa seu próprio alvo e viva com os olhos nele, mas os pés em solo firme e vivenciando todas as experiências de um dia de cada vez, pois a Bíblia em Mateus 6:34, diz que: “Basta cada dia o seu próprio mal”.