Reflexões de Vida - Elisângela Oliveira
Ser fiel a si mesmo

Conta-se que certo dia, num reino distante um rei teve um sonho, onde havia centenas de raposinhas correndo por entre o reino, provocando confusão, o rei então chamou todos os sábios do reino e mandou que desvendasse o sonho, contudo nenhum deles foi capaz, o rei indignado e intrigado com o sonho pediu que confeccionassem cartazes e espalhasse por toda a cidade com recompensa de um saco de moedas de ouro para quem interpretasse o sonho. Um lenhador muito pobre que morava num pequeno vilarejo, se deparou com o cartaz e sentado num tronco de árvore, começou a se lamentar dizendo, que se tivesse esse dom de interpretar o sonho do rei, todos os seus problemas estariam resolvidos, pois poderia ter uma vida bem melhor com aquela recompensa.

De repente um pássaro que escutava a lamentação do lenhador, começou a falar e foi dizendo que poderia interpretar o sonho se o velho dividisse com ele a recompensa. O lenhador ainda espantado aceitou a proposta e o pássaro disse: “O significado desse sonho é que o reino está tomado de um clima de traição e o rei precisa ter muita cautela”. O velho lenhador imediatamente partiu para o palácio e deu ao rei a interpretação, o rei ficou preocupado, e mandou dar a recompensa  ao velho, que no caminho de volta decidiu que enganaria o passarinho e ficaria com toda a recompensa.

Passado algum tempo o rei teve outro sonho, e dessa vez sonhou com uma grande espada afiada em direção ao seu peito, atordoado com o sonho mandou que seus guardas fossem buscar o lenhador, quando esse se deparou com a guarda real ficou preocupado e pediu um dia de prazo para dar a interpretação.

Voltou ao mesmo lugar onde havia encontrado o pássaro da primeira vez e começou a se lamentar, e então o passarinho aproximou-se do lenhador e este foi logo dizendo: “me perdoe passarinho sei que fui mau com você! Enganei-lhe quando você me ajudou e talvez você não queira mais me ajudar e com razão, pois o trai”, mas o passarinho disse: “eu vou ajudá-lo mais uma vez, mas, por favor, dessa vez não me engane“ e mais uma vez o pássaro deu a interpretação dizendo: “diga ao rei que esse sonho significa que o ambiente do reino está repleto de violência e ele precisa ficar alerta e ter cuidado”, o velho partiu para o palácio e entregou a interpretação ao rei que dessa vez mandou entregar dois sacos de ouro como recompensa. No caminho de volta o lenhador pensa que de nada valeria dividir o ouro com aquele passarinho, pois o mesmo não precisa de ouro e nesse momento o pássaro aparece e pousa ali próximo, o lenhador pega uma pedra e lança em direção ao passarinho que rapidamente alça vôo escapando por muito pouco de ser atingido, o lenhador vai embora para casa com os dois sacos de ouro.

 Passado algum tempo o rei sonha novamente, e manda chamar o lenhador para mais uma interpretação dessa vez havia no reino muitas ovelhas, carneiros bem branquinhos pastando tranquilamente, quando o lenhador se deparou com os guardas reais em sua porta, quase desmaiou, mas como havia feito da última vez pediu um dia para a interpretação. Voltou ao lugar onde se encontrava com o pássaro e começou a se lamentar, não demorou muito e o passarinho apareceu,  e então o lenhador pediu perdão, disse que ele tinha todo o direito de não mais ajudá-lo, mas que estava verdadeiramente arrependido de tê-lo enganado e pior tentado machucá-lo,  e que só mais essa vez ele precisava de ajuda, pois ele não poderia desobedecer uma ordem real ou seria morto, mas que dessa vez o passarinho poderia ficar com toda a recompensa, os três sacos de ouro, e então o passarinho dando mais um voto de confiança ao velho, interpretou o sonho dizendo, que esse sonho significava que o ambiente do reino era de pureza, paz e verdade e que agora o rei poderia ficar tranqüilo, o lenhador foi e deu a interpretação ao rei e recebendo a recompensa saiu em direção ao caminho para encontrar-se com o pássaro e ao encontrá-lo disse:  “está aqui os três sacos de ouro pode ficar com tudo, conforme prometi”, e então o pássaro disse ao velho lenhador : “Não quero ouro nenhum, não preciso de ouro para nada” só precisava que você compreendesse como você tem se tornado produto do meio, como tem sido influenciado pela atmosfera do  ambiente”.

O lenhador aturdido e envergonhado diz: “Eu lhe enganei, tentei machucá-lo e você está dizendo que estava me ensinando algo?”.  Sim , respondeu o passarinho, veja bem, no primeiro sonho o reino estava impregnado de traição e mentiras, então eu sabia que você faria o mesmo comigo, mentiria e me enganaria, no segundo sonho, o reino estava repleto de violência, então eu sabia que usaria de violência para comigo e no terceiro sonho, o clima é de pureza, então  você  verdadeiramente arrependido tornou-se puro, o meu ensino a você é, que seja fiel a você mesmo, e não se deixe envolver pela atmosfera que o cerca.

Reflexão de vida: Vivemos num mundo cercado de falsidade, corrupção, ganância, maledicências, violência etc. Temos nós, em nossas atitudes diárias, nos mantidos fiéis ao nosso caráter e aos nossos valores, ou temos nos deixado influenciar pela sociedade na qual estamos inseridos?

As tentações de Jesus são as nossas hoje

No capítulo 4 do livro de Mateus, na Bíblia Sagrada, temos ali uma passagem muito conhecida de todos que é a descrição das Tentações sofridas por Jesus Cristo no monte das Oliveiras, depois de ser batizado por João Batista no rio Jordão. É nessa passagem de onze versículos que gostaria de refletir com vocês.

“[...] E, depois de passar quarenta dias e quarenta noites sem comer, Jesus estava com fome. Então o Diabo chegou perto dele e disse: — Se você é o Filho de Deus, mande que estas pedras virem pão. Jesus respondeu: — As Escrituras Sagradas afirmam: “O ser humano não vive só de pão.”

 

A situação de Jesus era difícil, ele estava com fome, sim claro que estava afinal, era ser humano como qualquer um de nós. Então o diabo veio checar a postura que teria diante de uma situação difícil. Se estaria diante de um fraco ou forte, um firme ou vacilante. Mas Jesus tinha a que se assegurar – A Palavra de Deus – e por isso não cedeu à tentação.

Fazendo uma analogia conosco hoje, o que será que o diabo encontra quando vem nos checar sobre a nossa postura numa situação difícil? O que ele encontra em cada um de nós? Uma postura fraca como a de Esaú que não valorizando quem era e o que tinha trocou sua primogenitura com o irmão Jacó por um prato de cozido. (Genesis 25.29-33) ou a postura dos apóstolos Paulo e Silas que mesmo após serem espancados, humilhados e encarcerados tendo os pés atados por correntes deram inicio a um culto de adoração a Deus? (Atos 16.22-25). Não é fácil ter uma postura firme diante de uma situação difícil, mas é possível, pois não podemos ser definidos pela ocasião, mas sim por nosso caráter que deve ser estável diante de qualquer situação.

 

“Em seguida o Diabo levou Jesus até Jerusalém, a Cidade Santa, e o colocou no lugar mais alto do Templo. Então disse: — Se você é o Filho de Deus, jogue-se daqui, pois as Escrituras Sagradas afirmam: “Deus mandará que os seus anjos cuidem de você. “Eles vão segurá-lo com as suas mãos, para que nem mesmo os seus pés sejam feridos nas pedras” Jesus respondeu: Mas as Escrituras Sagradas também dizem: “Não ponha à prova o Senhor, seu Deus.”

Nessa segunda tentação sofrida por Jesus o diabo veio checar a sua confiança e se Jesus tivesse se baseado aqui, num lema muito usado hoje de que, “o fim justifica os meios”, ele teria cedido, pois ele sabia que era a verdade, Deus, o pai, não permitiria sua queda e ali logo de cara no começo de seu ministério todos veriam que ele era o filho amado de Deus, fim glorioso, contudo o meio teria sido desobedecer a Palavra e ceder a tentação do diabo, ai então se configuraria o pecado. Voltando a nós, o que o diabo encontra quando vem checar a nossa confiança em Deus? Pessoas que agem como o rei Saul que desobedecendo a ordem de Deus para destruir todos os bens dos amalequitas, separou os melhores alegando ter poupado para promover um holocausto a Deus (1 Samuel 15.9), o fim pode parecer justo, mas o meio é a desobediência, ou encontrará ‘um Davi’, que mesmo tendo motivos para matar o seu perseguidor  o rei Saul que almejava e já havia tentado matá-lo, não o fez, pois não poderia desobedecer a Deus, matando um ungido do Senhor. (1 Samuel 24.3). Não devemos viver agindo na linha desse lema de que o fim justifica o meio, quando os meios são errados.

“Depois o Diabo levou Jesus para um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e as suas grandezas 9e disse: — Eu lhe darei tudo isso se você se ajoelhar e me adorar. Jesus respondeu: — Vá embora, Satanás! As Escrituras Sagradas afirmam: “Adore o Senhor, seu Deus, e sirva somente a ele.”

 

Essa terceira tentação é a checagem da vaidade de Jesus, da sua possível gana por poder, porém Ele não se deixou levar por essa promessa de riqueza, de status, não se deixou levar pela vaidade. E como tem sido difícil nos dias atuais não se deixar levar pela vaidade, pessoas fazendo qualquer coisa, pagando altos preços pelo desejo de ter ou de ser ainda que seja de forma efêmera.  

Na Bíblia também temos os exemplos do rei Nabucodonosor que se deixou levar pela vaidade ao apreciar de seu palácio a grandeza da Babilônia, declarando ser tudo feito por ele e para ele. (Daniel 4.30), e trouxe sobre si a desgraça de ficar louco e agindo como um animal, ou o exemplo do rei de Nínive que após ser alertado pelo profeta Jonas da ira de Deus sobre o povo, se despiu do manto real, colocou as roupas mais simples da época (de saco) e se humilhou, conclamando todo o povo a fazer o mesmo. (Jonas 3.6) e com essa postura esse rei conseguiu abrandar o coração de Deus, que resolveu não mais destruir essa cidade e seu povo.

Manter-se afastado da vaidade, não é simples em nossos dias, mas é possível se quisermos viver em autenticidade e de forma a agradar a Deus.

Para vencemos as tentações atuais precisamos ser o que de fato somos; ter o que de verdade conquistamos e usufruir o melhor que essa vida tem reservado para cada um de nós. Lembrando que ser tentado não é pecado, errado, é ceder à tentação

Spoiler do filme do Rei Leão

Este mês de julho tivemos a estréia do filme “o rei leão”, um desenho que já tem 25 anos e que com as novas tecnologias desse mundo cinematográfico ganhou essa nova roupagem de filme.

O meu convite é para refletirmos nessa linda estória do rei leão, onde o pequeno Simba, o filho do rei é induzido por seu tio mau a fugir de seu destino,  após um grave acidente que gerou a morte de seu pai. E então o que seria natural dentro do ciclo da vida, que é o filho assumir o lugar do pai, não acontece por causa da ganância e mau caratismo do tio, fazendo com que, o então reizinho fuja desesperado de medo e vergonha.

Ao chegar a um lugar distante no meio da selva encontra aqueles dois personagens queridíssimos, o Timão e o Pumba que ao se depararem com um leão, ainda que filhote, eles sabem que se trata de um leão e conhecem a sua potencialidade, e, portanto se preocupam, tornam – se amigos e maquinam a mudança do perfil desse animal, onde o leão passa a ser vegetariano (comendo somente ervas e pequenos insetos e larvas) e ensinam a ele um novo estilo de vida, o “Hakuna Matata” que significa esqueça seus problemas e viva como se eles não existissem.  

Na vida real, muitas pessoas não tem sido diferente, pessoas que deixam de viver o que de fato são, para viver uma personagem que agrade a todos, pessoas que seguindo opiniões erradas, ao invés de assumir o seu papel, e enfrentarem seus problemas,  vivem um eterno “hakuna matata”, ou seja, vivem fugindo de seus problemas.  Contudo, assim como no filme, o ciclo da vida precisa retornar ao natural,  e isso acontece quando Simba é encontrado pelo macaco Rafiki, que com seu cajado em punho dá uma pancada na cabeça do jovem leão,  apresentando à ele, a necessidade de dar fim aquele personagem que está vivendo e viver o que está reservado para ele no ciclo natural da vida. Ser rei!

Só que na vida real, nem sempre o “Rafiki” aparece e aplica somente um golpe, que no caso do filme não foi para machucar, mas para chamar a atenção do jovem leão, por vezes esse golpe é duro, é traumático, pode ser que no decorrer da vida, vários “Rafiki’s” apareçam, em forma de alguns aspectos como: a morte dos pais, um casamento, o nascimento de um filho, uma mudança de estilo de vida, esses ‘golpes’ podem ser sinalizadores de que é necessário viver a realidade, e não empreender uma fuga para o estilo hakuna matata. A verdade é que a vida nem sempre ensina com amor.

A probabilidade de aparecerem na jornada da vida, pessoas que lhe golpearão com amor para chamar sua atenção para realidade, é menor do que o aparecimento de Timão’s e Pumba’s que possuem o seu valor, pois ajudam o individuo a manter-se vivo, contudo levam a vivenciarem uma forma não natural do ciclo da vida e induzem a viver deixando os problemas longe dos olhos e da mente, porém sabemos que isso não pode perdurar por muito tempo. Aprender o enfrentamento dos problemas pode ser doloroso, mas é necessário. Assim como é indispensável o conhecimento de quem somos nessa jornada, buscando vivenciar cada ciclo dela com autenticidade, fugindo não dos problemas, mas do engodo de querer ser aquilo que não é.

A interpretação é necessária

Há muito tempo que ouvimos que o problema do uso correto da língua portuguesa é a falta de interpretação, as nossas crianças não são treinadas a interpretar, querem tudo pronto, e o pior... Estão sendo atendidas. A geração que deseja que tudo aconteça rapidamente e vê como sendo mais fácil copiar o outro, ou seguir os estereótipos estabelecidos, ou seja, simplesmente imitam tudo em prol de não ter que parar para pensar e/ou exercitar sua criatividade.

Essa deficiência é inegável há muito tempo, e hoje vem se tornando cada vez mais visível, mediante as facilidades proporcionadas pela era digital. Onde a despreocupação com o uso correto da língua portuguesa é notória, não se dão mais ao trabalho de escrever corretamente, muito menos de interpretar, o que para eles denota “pura perca de tempo”, o mais fácil é perguntar para o Google, o que quer dizer, ou ainda ver o que, o fulano ou sicrano falou a respeito, e então, dar um ‘like’ e seguir a idéia.

Por isso é que ficamos estarrecidos com publicações da correção da prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e de outros meios de avaliação de outros ciclos da educação. 

Há muitas informações, porém pouquíssimas interpretações, o que desencadeia uma divergência enorme de noticias, um falatório desencontrado e sem fundamentos, de diversos aspectos de uma mesma situação e tantos outros problemas, que gera a uma enorme falha na comunicação, até mesmo nos meios de comunicação.

Vejam um exemplo simples da falta de interpretação do contexto: Se você chega em uma praia brasileira e se depara com uma placa que diz: “proibido o uso de qualquer traje de banho nessa praia”, qual seria sua reação? Retirar sua roupa e ficar totalmente nu? Ou permanecer de roupas e não fazer uso do seu traje de banho? Certamente, você ficaria confuso e procuraria alguém que lhe pudesse orientar no que fazer. Mas se a mesma placa estivesse numa praia de nudismo? Você compreenderia que deveria estar completamente nu, mas se a mesma placa estivesse numa praia mulçumana? A interpretação seria que, você deveria manter-se vestido e não colocar traje de banho.

Veja bem, a placa é a mesma, a frase é a mesma, mas tudo depende do contexto no qual ela está inserida, contexto esse que precisa ser notado, pensado e analisado.

Assim é no cotidiano, não basta a leitura tem que haver interpretação da situação, deve haver análise do contexto, lembra do velho ditado “quem conta um conto, aumenta um ponto”, pois bem, não se pode simplesmente ouvir, ler ou reproduzir deve-se antes de mais nada avaliar o conjunto todo de cada situação.

A Bíblia no livro de Mateus, capítulo 22 verso 29 diz “Errais por não conhecer as Escrituras [...]”. Eu, porém, afirmo que há muitos errando, por não saberem interpretar o português ou analisarem o contexto.

Cada situação nessa vida exige um olhar diferenciado, uma interpretação única do momento e da situação, não existe uma sistematização de reações humanas para circunstâncias que a vida nos impõe. Antes de agir: pare, pense, analise e então interprete.

Chega de blá, blá, blá

Estamos na era digital e o que percebo é uma enormidade de pessoas mentalmente obesas, devido ao excesso de informações que se tem, mas porque se encontram nessa condição de obesidade? Porque não exercitam, não treinam suas mentes com essas informações, ou seja, não pensam... Pensar é um exercício, é um trabalho, como disse o pensador Henry Ford “pensar é o trabalho mais difícil que existe, talvez por isso tão poucos se dediquem a ele”. 

Para todo e qualquer evento existe uma multidão de informações, mas poucos se interessam em filtrar, em ver por outro ângulo, pesquisar fonte, exercitar a empatia, procurar ouvir um especialista, ou ter qualquer outra atitude que configure pensar a respeito. Apenas se enchem delas, se empanturram tornando - se, obesos sem consistência.

Isso tudo me faz lembrar uma estória que dizia mais ou menos assim: “Você está no 4º andar de um prédio em chamas e então uma garotinha de aproximadamente 10 anos, diz para você ‘pula tio é a única maneira de você se salvar, pula vai, você não vai morrer’. Você pularia? Confiaria na garotinha? Mas se na mesma situação um bombeiro com mais de 10 anos de experiência te diz ‘olha amigo, eu já estive em muitas situações como esta, já salvei muitas pessoas, e posso lhe garantir que você vai sair daqui com vida, mas a única maneira disso acontecer é você pular agora, há uma equipe lá embaixo esperando para te acolher, mas você terá que pular. Você pularia ou não?

Parece-me evidentemente que nesse caso, ouve-se o especialista, acreditamos na experiência, confiamos no profissional, contudo no dia a dia há muitos se permitindo levar por qualquer opinião, por mais insensata que ela possa parecer, apenas absorve-se e o pior coopera na divulgação de informações, e noticias incoerentes, escassas de conteúdo fundamentado.

Vivemos num mundo de blá, blá, blá, onde o que importa é falar, não o que se pensa, mas o que se ouve e acha. E as mídias deram voz a esses intelectualmente obesos e inconsistentes, que acreditam que fazer piadas com situações alheias é sinal de inteligência e criatividade. Quanta ignorância, quanta tolice temos visto nas redes sociais, nas mídias e até mesmo na TV. É preciso filtrar! É necessário pensar... Treinar a mente.

O mundo precisa de uma metanóia – uma mudança de mentes, que gerará mudança de atitudes, de comportamentos e não se deve esperar que isso aconteça na grande massa, mas que se inicie em cada um de nós, que nos propusermos a pensar, antes de falar e antes de agir.

Acredito que já é notório que a o velho ditado “a voz do povo é a voz de Deus”, não procede de uma verdade, vivenciamos muitos erros em todas as áreas, erros cometidos pela voz da massa, a voz do povo. O próprio Jesus Cristo foi vítima dessa voz errônea.

Portanto, façamos segundo a Bíblia nos orienta em Romanos 12. 2. “Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a ele.”

É preciso não só fazer a diferença, mas ser a diferença dentro dessa massa de obesos intelectuais de hoje.

O alvo

“Havia uma senhora turista, já muito experiente em suas andanças e deslumbrada com as coisas magníficas que já havia aprendido em suas viagens, dessa vez a senhora caminhava  por um vilarejo simples, quando se deparou com a parede externa de uma casa, onde se encontrava pintado um belo e colorido alvo que tinha fincado no seu centro, três flechas muito próximas uma da outra, isso chamou a atenção e fez com que a senhora se questionasse; quem seria o tão habilidoso e genial arqueiro fizera tal proeza, de acertar três flechas no alvo? Estando ela ali entretida diante da alvo, percebeu que na porta do casebre havia uma menina, meio encabulada, a observando, e então a senhora perguntou a menina se ela conhecia quem havia lançado as flechas no alvo e para sua surpresa a menina respondeu que fora ela mesmo. Então a senhora se espantou e perguntou, como poderia alguém tão jovem como ela ter tamanha destreza? E continuou seu questionando indagando a menina, como havia feito aquilo, no que a menina de pronto respondeu: “primeiro finquei as flechas e depois pintei o alvo.” A senhora pensou que nem uma vez sequer, em suas muitas viagens havia aprendido tanto quanto com aquela pequena menina.”

Convido a você a refletir nesta estória e fazer uma analogia com a vida. É exatamente assim que na maioria das vezes acontece; raramente se acerta o alvo, mais de uma vez então é quase impossível, somos nós que nos adaptamos ao alvo. Faz – se as escolhas (fincamos as flechas) e então começamos a construir nossos alvos a partir delas.

Porém, é lamentável que ainda existam muitos tentando acertar os alvos, e muitas vezes, alvos que não são deles, ou criados por ele, ou almejados por ele, simplesmente são alvos pré- estabelecidos, ou impostos pela sociedade em que se estão inseridos, vamos a alguns exemplos: ser rico é um alvo de muitos, mas pouquíssimos, o estão construindo diariamente, serem famosos, é outro alvo, e as mídias contribui dando a falsa impressão de que a fama pode ocorrer da noite para o dia, ter sucesso, muitos querem, mas não se lembram que deve ser construído, deve ser fundamentado, pois se não tiver alicerce, passará tão rápido quanto uma chuva de verão, etc.

A geração de hoje é imediatista, quer acertar o alvo, mas treinar não! Quer acertar o alvo, mas construí-lo, não! Quer se chegar ao alvo, mas passar pelo processo, não! Quer fazer suas próprias escolhas, mas admitir erros e arcar com as conseqüências, não!

Portanto, fica a minha sugestão: se queres ser mais feliz consigo mesmo e se aceitar melhor da forma que é, treine muito, como um arqueiro, todos os dias, e não afaste seus olhos do alvo, mas se for preciso, finque suas flechas (faça suas escolhas) e pinte o alvo em volta (vá construindo a partir daí suas metas e objetivos). Construa seu próprio alvo e viva com os olhos nele, mas os pés em solo firme e vivenciando todas as experiências de um dia de cada vez, pois a Bíblia em Mateus 6:34, diz que: “Basta cada dia o seu próprio mal”.

A vida é viver um dia de cada vez

Tem uma música do cantor gospel, Sérgio Lopes, que diz assim: Um dia a gente percebe. Que a vida é uma chama acesa ao vento, à mercê de um destino. E a qualquer momento pode se apagar. Ninguém pode ver seu futuro ou tramar sua vida. Sem correr o risco de uma ''despedida''. E ver seu castelo desmoronar [...] do coração são os planos, caminhos traçados. Castelos de areia, sonhos guardados. Num dia qualquer tudo pode acabar [...]

Fico refletindo se cada um conseguisse pensar nisso todos os dias como uma meditação, quão melhor seriam os dias, vivenciá-los de tal maneira a serem o último, buscar fazer o melhor, curtir, valorizar cada pessoa que está a volta, pois pode ser que não a veja mais, aproveitar o momento porquanto pode ser que não tenha outra oportunidade, agradecer por tudo, pois pode não haver outra chance de fazê-lo, manter um coração alegre e grato, porque não há tempo para cultivar tristeza e amargura.

Mas as questões são: Por que não vivemos assim? De fato, quem é que sabe se hoje é ou não, o ultimo dia?  E se for... como você gostaria de ter vivido esse dia?

Tem uma passagem bíblica em Lucas 12, a partir do versículo 16 - 20, onde Jesus conta uma parábola sobre um certo homem rico, que teve uma colheita abundante e se gabava dizendo que derrubaria seus atuais celeiros e construiria celeiros ainda maiores para guardar tudo e dizia: Homem feliz! Você tem tudo de bom que precisa para muitos anos. Agora descanse, coma, beba e alegre-se, porém Deus disse: Seu tolo! Esta noite você vai morrer; aí quem ficará com tudo o que você guardou?

Há pessoas que guardam roupas novas, sapatos, bolsas, lençóis, louças, tapetes, tudo esperando por uma oportunidade de usá-las, a oportunidade é essa, o momento certo é esse que temos agora, pois o amanhã, não sabemos se virá. Tudo que temos é o presente!

A vida é só uma chama frágil e vulnerável, e o vento das circunstâncias não para de soprar, não há tempo a perder esperando para viver um lindo momento, a vida é para ser vivida de forma intensa hoje, o momento lindo pode ser construído agora.

Ame mais, e sinta menos raiva, alegre-se mais e se amargure menos, fale mais sobre seus sentimentos, sem medo das interpretações, dance com música ou sem música, sem receio do que pensarão, viaje mais, para perto ou longe não importa, pode ser que a grande viagem dos sonhos, não venha a acontecer, preencha suas expectativas com pequenas e surpreendentes, coma o que tem vontade, curiosidade ou o que gosta, o prazer está no momento de pôde degustar, abrace mais, curta-se mais do jeito que é, sem se deixar monitorar por padrões e estereótipos, valorize as pessoas a sua volta, ria mais e dê espaço para as lágrimas de alegria, ou aquelas que vem com as gargalhadas. Como é bom chorar de tanto rir!

A vida dos sonhos é construída hoje, e não depende de algo externo, a vida dos seus sonhos está dentro de você, é o seu sonho, e só você pode fazer as escolhas certas para construí-la hoje, aqui e agora.

O trabalho – duas faces da mesma moeda

O único feriado do mês de maio foi o do dia primeiro – Dia do Trabalhador, como comemorar esta data num país que tem hoje 13,1 milhões de pessoas desempregadas? (segundo dados do IBGE, publicado no Estadão em 29/03/19) e o paradoxo é que não é por que, não há o que fazer, há muito o que fazer nesse país, como: estradas, pontes, ferrovias, escolas, hospitais e não somente na infraestrutura do país, mas empresas que precisam ampliar seus quadros de funcionários e não conseguem (devido aos altos custos da contratação) e por consequência mais pessoas sobrecarregadas, estressadas, aumentando ainda mais as estatísticas da depressão, da ansiedade e do esgotamento físico, por outro lado, essas estatísticas também são engrossadas pelos desempregados.    Em resumo, o que vale refletir é que: Existem trabalhos a serem feitos e existem trabalhadores sem trabalho. Existem pessoas deprimidas e estressadas por trabalharem demais e pessoas vivenciando o mesmo quadro, por não terem trabalho. (caberia aqui aquele emoji pensando).

Para os que acreditam na Bíblia como sendo o manual de fé, regras e condutas, veremos o que ela diz a respeito do trabalho. No primeiro livro da Bíblia – Genesis – vemos Deus trabalhando na criação, ainda no primeiro capítulo Deus cria o homem e então incube o mesmo de continuar trabalhando, nominando cada animal e dominando sobre toda a criação, (Gn. 2. 19-20) e logo depois cria a mulher para ser ‘auxiliadora’ do homem, só se auxilia quem faz alguma coisa, certo? Portanto, a mulher deveria ajudar o homem no seu trabalho. Diferente do restante da criação os seres humanos deveriam ser os criadores de suas histórias, construir suas cidades e ter uma profissão (pastores de ovelhas, caçadores, trabalhadores com madeiras e ferros, agricultores etc.). 

Alguns entendem o trabalho como um castigo de Deus ao homem, depois do pecado, devido ao que diz nos versos 17 a 19 do capitulo 3 de Gênesis, mas entendo que após a queda do homem, o trabalho que já existia, passa a ser fatigante e pesado, esse foi o castigo, e não o trabalho em si, que por causa do pecado passou a ser manchado pelo mal, como tudo na criação, ou seja, deixou de ser benção e alegria, passando a ser usado como instrumento de exploração e opressão e até mesmo objeto de idolatria.

De tal maneira conclui-se que o trabalho não é castigo quando em provérbios encontramos várias passagens falando do triste fim de um preguiçoso, por exemplo, em provérbios 15-19 O preguiçoso encontra dificuldades por toda parte, mas para a pessoa correta a vida não é tão difícil. Ou no capítulo 26, no verso 14 O preguiçoso vira de um lado para outro na cama. Ele é como uma porta que gira nas dobradiças, mas, de fato, não sai do lugar. E também alerta quanto difícil é trabalhar, ou conviver com um preguiçoso, Nunca mande um preguiçoso fazer alguma coisa; ele será tão irritante como vinagre nos dentes ou fumaça nos olhos., no capítulo 10 de provérbios, verso 26. Assim entendemos que a preguiça é um mal, e o antidoto dela é o trabalho. 

O próprio Jesus trabalhou como carpinteiro, o maior pregador de todos os tempos, Paulo de Tarso, era um fazedor de tendas, todos os discípulos de Jesus tinham um trabalho.

E o sábio rei Salomão ainda em Eclesiastes 2.24, disse: Nada há melhor para o homem do que comer, beber e fazer que a sua alma goze o bem do seu trabalho.

Que Deus em sua infinita bondade possa conceder a todos os brasileiros capazes, a condição de usufruírem do seu trabalho, bem como conceder sabedoria aos que estão empregados, para equilibrar essa benção, que é o trabalho, com todo o restante de sua vida. Somente assim, haverá mitigação do paradoxo descrito no início desse texto, e todos poderão comemorar o dia do trabalhador sem fadigação, por terem trabalho, ou frustração, por não terem trabalho. 

O tempo não para

Conta-se que um velho sábio, já prestes a morrer chamou seu discípulo e lhe entregou um livro e lhe orientou, dizendo: ‘- quando as coisas ficarem muito difíceis, uma situação que você acredite não ter saída, pegue o livro e leia a primeira página. Porém, quando as coisas estiverem muito boas, momentos em que a felicidade é constante e que você gostaria de eternizar, pegue o mesmo livro, e leia a segunda página.’ O discípulo pegou o livro com carinho e o guardou. O tempo passou, e um dia diante de uma situação em que o discípulo estava acreditando que somente a morte poderia ser a solução, lembrou-se do livro, o pegou e abriu na primeira página e tudo o que estava escrito na folha branca era ‘TUDO PASSA’. Passado um tempo, as coisas estavam muito boas para o discípulo, ele estava feliz, confiante e com certeza queria eternizar aquela fase da sua vida, então lembrou-se do livro e pegando, o abriu na segunda e última página, e tudo o que estava escrito era ‘TUDO PASSA’.

O livro de Eclesiastes na Bíblia é aceito como escrito pelo sábio rei Salomão já em sua velhice, em seu capítulo 3 dos versos 1 ao 8, o rei Salomão fala sobre a passagem do tempo, e que por mais interminável que ele possa parecer (principalmente quando a situação é difícil), ou mais efêmero (quando a situação é agradável), ele passa.

 

Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu:

Tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou,

Tempo de matar e tempo de curar, tempo de derrubar e tempo de construir. Tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de dançar. Tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las. Tempo de abraçar e tempo de se conter. Tempo de procurar e tempo de desistir. Tempo de guardar e tempo de jogar fora. Tempo de rasgar e tempo de costurar, Tempo de calar e tempo de falar, Tempo de amar e tempo de odiar, Tempo de lutar e tempo de viver em paz.

 

Sabe-se que o tempo é necessário para que as coisas aconteçam, e há um tempo determinado para cada coisa. Porém, atualmente parece que a humanidade vive com necessidade de mais tempo e nessa busca desenfreada, encurta tempo que não deveria ser encurtado, (como o de uma gestação, ou o de estar com a família, ou mesmo o tempo de sono, de lazer). E tenta alongar outros tempos, como o de trabalhar mais, para ganhar mais, prolonga-se o tempo de uso da internet ou mesmo da TV, adia-se ao máximo as visitas aos amigos e familiares.

Todos têm a convicção de que o tempo passa, porém, é necessário ter consciência da importância de cada tempo, e dar a ele o devido valor, pois o tempo dedicado a cada acontecimento na vida pode ser uma benção ou uma tragédia, só o próprio tempo vai dizer.

Mulher real

Na Bíblia, mais precisamente no livro de Provérbios que foi escrito pelo rei Salomão , o mais sábio de todos os reis, filho do rei Davi, no capítulo 31 desse livro, a mãe de um rei chamado Lemuel lhe dá conselhos de como ser um rei justo e integro, e dentre os conselhos há 20 versículos  (10 a 30) onde é descrita a esposa ideal, a descrição pormenorizada do que seria uma mulher virtuosa, mas não é muito otimista e por isso inicia dizendo que não é fácil de se encontrar e que possui um valor maior que pedras preciosas.

Segundo o dicionário português on line a palavra virtuosa significa (boas características morais); honrado, honesto.  Que expressa boa conduta; em conformidade com o correto. Cheio de ânimo de boa vontade; esforçado.  Que alcança o propósito esperado; eficaz.  Que é excelente, bonito;

A mulher descrita em Provérbios 31.10-30, trata-se de um mulher cautelosa na administração e por isso nunca deixará a família pobre, uma mulher que sempre faz o bem, está sempre ocupada com seus próprios afazeres, que faz bons negócios visando o bem da família, uma mulher que possui cuidado e dedicação a sua família e que se aplica nisso desde das primeiras horas do dia até tarde da noite. [é esforçada, forte e trabalhadora], valoriza tudo o que é e o que possui, é caridosa com os necessitados e prevenida nas provisões de seus filhos, [é forte, respeitada, e não tem medo do futuro], além disso é sábia e delicada, não possui preguiça e não se cansa de cuidar da sua família, é amada, honrada e respeitada, recebe elogios do marido [muitas mulheres são boas, mas você é a melhor de todas].

Essa mulher virtuosa pode ser a descrição de várias mulheres honradas que luta diariamente e enfrenta qualquer situação por suas famílias. Hoje muitas mulheres são as únicas responsáveis pelo sustento de filhos, o que as levam a praticar duplas, triplas jornadas de trabalhos, uma vez que ao retornar para casa o trabalho continua, agora no cuidado prestado aos seus.

Porém, infelizmente nos deparamos com inúmeras homenagens não só no dia internacional da mulher, mas durante todo ano, à mulheres que não representam a maioria, mulheres que priorizam a beleza externa, mulheres preocupadas com o que têm (aparência e bens materiais) não o que são, mulheres que são definidas por um modismo, um estereótipo, mulheres que se deixam coisificar.

Há uma enorme inversão de valores nessa valorização feminina, também não representa a maioria das mulheres, essas que se expõem ao extremo, para mostrar que são donas de si mesmas, a mulher tem consciência de quem é, e do seu potencial e precisa se valorizar por isso, mas não entendo como necessário arrancar a roupa, afinal todos sabem como é o corpo da mulher, não é preciso expô-lo para mostrar que é meu, e faço dele o que quero. Não entendo como isso valoriza a mulher! E não vejo que representa a maioria das mulheres brasileiras.

A mulher tem sido cada vez mais visível e mais valorizada na sociedade, e lamentavelmente acredito que esse seja um dos motivos pelo qual a violência contra ela tem aumentado, pois o homem agride tudo aquilo que o ameaça. Contudo, a mulher não deve retroceder em suas conquistas, e sim, buscar essa virtuosidade, não por que temos que agradar, mas porque isso nos faz bem, ser virtuosa nos identifica.