Reflexões de Vida - Elisângela Oliveira
O antídoto do menosprezo é a serenidade

Quem já não ouviu frases do tipo: “eu não queria mesmo”, ou “isto nem parece ser tão bom assim”, ou ainda, “vai ser um problema depois”, tudo no intuito de desvalorizar, desmerecer aquilo que não conseguiu conquistar.

Alguns classificam como inveja, que nada mais é que, o menosprezo pela vitória do outro e a falta de reconhecimento de sua própria falha ou fracasso.

No mundo de competições acirradas em todas as áreas da vida, isso tem sido cada vez mais comum, pessoas despeitadas que não se intimidam em manifestar seu menosprezo por aquilo que momentos antes almejava.

É como o conto da raposa e o cacho de uvas onde a pobre raposa ao se deparar com o suculento cacho de uvas, sentiu um desejo imenso de consumi-lo, porém estava alto e fora do seu alcance, saltou algumas vezes tentando agarrá-lo, mas não conseguiu, e depois de algumas tentativas acabou desistindo, mas não sem antes, olhar para o cacho de uvas com desdém e dizer “provavelmente devem estar azedas e secas mesmo”.  

Há pessoas que agem exatamente assim, com desprezo em relação aquilo que não podem ou não conseguiram ter. Essas pessoas dificilmente se alegram com a vitória alheia, raramente torcem pelos objetivos do outro, ou vibram com as conquistas de alguém.

Esse tipo de pessoa teve o seu caráter moldado de acordo com o mundo competitivo de hoje. Onde a premissa de se chegar ao topo a qualquer preço é o que vale. Geralmente essas pessoas não valorizam pessoas, valorizam posições, negócios e status. No mercado de trabalho são as que tornam o mercado esse ringue, onde o mandamento é ter ‘sangue nos olhos’, curiosa, procurei o significado dessa linguagem comum no mundo capitalista e no dicionário informal on line encontrei a seguinte informação: gana, força, coragem.

Essa máxima “sangue nos olhos”, me remete a algo violento e não a coragem, gana ou força, pois se estou disputando algo, tenho sim que ter coragem para enfrentar os desafios, gana e força para não desistir de meus objetivos, mas não nutrir uma vontade de massacrar meu adversário, para vencer não precisa humilhar o outro, ou pior,  denegrir sua imagem ou difamá-lo.

Se no seu ambiente de trabalho há pessoas com essa triste característica, lembre-se que não se paga o mal com o mal, e o melhor a fazer é manter uma distância segura para não se contaminar, ou se deixar levar a uma reação que pode se equiparar com a atitude dela.   

Nesse mundo do trabalho é preciso ter serenidade para aceitar que, não posso ter tudo o que quero, e talvez nem mereça tudo o que quero, mas preciso sim, ter sabedoria para valorizar o que tenho, manter meus objetivos e metas, e não permitir que situações, pessoas ou oportunidades distorçam o meu caráter.