Você Sabia? - Luana Terebinto
Mitos e verdades sobre o tratamento de canal

Um dos procedimentos mais temidos pelos pacientes é também um dos mais populares. Quem nunca ouviu falar sobre o tratamento de canal, não é mesmo?

Ainda que uma dor de dente seja um sinal de alerta para a intervenção endodôntica, vale lembrar que ela pode significar diversos outros cenários, portanto, ao sentir o sintoma, procure um dentista. Agora, se você receber a confirmação que vai precisar tratar, fique tranquilo. Muito já mudou com o passar do tempo não é necessário ter medo.

O primeiro benefício do tratamento endodôntico, é justamente proteger a estrutura do dente e, consequentemente, a qualidade de vida do paciente. Assim, prevenimos que aconteça uma infecção mais grave. A segunda vantagem do procedimento, é que o sucesso desse tratamento varia entre 60 a 90% dos casos e como é um dos procedimentos que mais são feitos é um índice bastante animador.

O TRATAMENTO DEIXA O DENTE MAIS FRACO? O tratamento não afeta em nada as estruturas de suporte do dente e nos casos de quebra ou fratura, esses ocorrem independente do dente ou raiz ter ou não tratado o canal, já era um fator pré existente e infelizmente muito difícil de diagnosticar. Concluímos que dentes ou raízes após tratamento de canal não ficam mais fracos.

TRATAMENTO DE CANAL ESCURE O DENTE? As mudanças de cor são mais encontradas nos dentes anteriores. As alterações de cor possuem diferentes tonalidades, que se iniciam no amarelo fraco passando pelo marrom e podendo chegar ao cinza, produzindo um defeito estético desagradável aos olhos. O quadro clínico ocorre geralmente devido a hemorragias internas derivadas da polpa (nervo) ou por falta de cuidado na limpeza final da câmara pulpar antes da restauração.

E SE O DENTE JÁ ESCURECEU O QUE PODE SER FEITO? Há diversas técnicas que podem ser empregadas mas os resultados mais animadores são do clareamento interno do dente escurecido ou mascarar o problema recobrindo a superfície dental por meio de uma faceta de resina ou porcelana.

FUI INFORMADO QUE HÁ UM INSTRUMENTO FRATURADO DENTRO DO CANAL. VOU PERDER MEU DENTE POR ISSO? Muito provavelmente não. Os instrumentais usados nos tratamentos de canal são forjados em aço inox e são esterilizados. Os movimentos feitos ao usar esses instrumentos podem involuntariamente produzir a fratura ou ruptura do instrumental.

E AGORA O QUE EU FAÇO? O TRATAMENTO DE CANAL VAI DAR CERTO? O instrumental atual é seguramente mais resistente e flexível e com isso os acidentes e fraturas ocorrem mais dificilmente. Mas se ocorrerem, hoje um especialista em endodontia provavelmente terá o equipamento necessário para remoção ou transpasse do instrumento. A complexidade de cada caso depende do tipo de instrumento e da altura no comprimento da raiz em que ocorreu o acidente. Mesmo se não for possível remover há meios de concluir o tratamento com sucesso.

VAI DOER OU COMPROMETER MINHA SAUDE? Não vai doer ou interferir com a sua saúde. A presença física de um instrumento no interior do canal assim como sua permanência não causa nenhum mal à saúde geral do paciente. Ele se tornou um obstáculo para a finalização correta do tratamento mas é possível obter bons resultados mesmo se ele não for removido.

SE O DENTISTA FRATUROU O INSTRUMENTO NO CANAL QUER DIZER QUE ELE É RUIM? Não, na carreia de um dentista que faz tratamento de canal isso vai acontecer, só não acontece com quem não faz e isso não tira em nada o mérito dele como profissional. Pode ter certeza que ele tomou as precauções possíveis mas o acidente ocorreu da mesma maneira. Um bom profissional sempre será honesto com você, se foi identificado a fratura você será informado disso e as medidas necessárias para solucionar o problema serão tomadas.

ESTA DOENDO PARA MASTIGAR DEPOIS QUE FIZ O CANAL. DEVO ME PREOCUPAR? Logo após o tratamento de canal, o paciente pode sentir algumas dores e incômodos na hora de mastigar. Nesses casos indicamos analgésicos comuns. Caso a dor persista, o dentista poderá indicar outras medicações mais específicas.

O que precisa saber sobre os cisos?

O dente siso é aquele "amigo atrasado" que chega bem depois de todo mundo na festa, sabe? Quando você não esperava por mais nenhum dente, ele de repente erupciona na sua boca. Daí, por falta de costume ou por puro esquecimento, muita gente não escova bem este espaço, até por ser mais difícil mesmo. Se o dente siso nasceu totalmente, sem incomodar sua boca, não tem problema em mantê-lo e com um pouco de paciência, é possível conseguir realizar a higiene correta do dente, só é preciso um pouco de inclinação para alcançar mais o fundo.

Porem se há algum incômodo na região mesmo depois de erupcionarem ou se perceber o entortamento dos dentes vizinhos, é sinal de que a cirurgia será necessária. Outro fator é dificuldade para higienização, se estiver muito difícil ou dependendo de como o siso esteja posicionado será uma tarefa quase impossível, isso ocasionará problemas maiores futuramente, como surgimento de cáries, doenças gengivais ou Periocoronarite. Se o siso nasce parcialmente e está inclinado sobre o dente da frente, fazendo pressão pode haver reabsorção da raiz do dente vizinho. Para um dente dito do juízo ele não é muito ajuizado.

POR QUE PARA ALGUMAS PESSOAS O PÓS OPERATORIO É MAIS DIFICIL? Aqueles que já passaram pela extração dos sisos se dividem em dois grupos. De um lado estão os que não tiveram problemas depois da cirurgia e, do outro, os que classificam o pós-operatório como uma experiência muito desagradável. Não é exagero, o mesmo procedimento pode ser mais complicado em alguns casos do que em outros. O primeiro possível responsável pelas complicações é a posição do siso, dependendo da situação será necessário mais ou menos intervenção para extrai-lo. Também existem pessoas com uma tendência maior ao inchaço e mais sensibilidade a dor, todavia, quanto menos invasiva for a técnica utilizada, menor as chances de problemas.

Apesar de bem tranquila e sem motivos para temer, a extração dos sisos, como toda cirurgia, exige cuidados especiais no pós-operatório.

MEDICAÇÃO: O primeiro conselho, é tomar a medicação prescrita respeitando os horários e a dosagem certa.

GELO: Faça compressa de gelo nas primeiras 24 horas. Ajuda com o inchaço local e com a dor pós operatória. O recomendado é fazer uma a cada meia hora e para evitar queimar a pele com o gelo use hidratante na região antes da compressa.

DURMA COM UM TRAVESSEIRO EXTRA: nas primeiras 24 horas é bom descansar com a cabeça mais elevada. Sangramentos leves, enquanto o paciente está deitado, são bem comuns e com a cabeça mais elevada, diminui a circulação e com isso o sangramento.

EVITE EXPOSIÇÃO AO SOL: O calor aumenta as chances de sangramentos.

REPOUSO: Não faça esforço ou qualquer tipo de atividade física nas primeiras 72 horas. Atividades físicas vigorosas e esportes, só devem ser reiniciados após 7 dias.

HIGIENE: Não há desculpas. O pós-operatório não impede que você continue os cuidados bucais rotineiros. Escove seus dentes de forma bem suave, tomando cuidado para não bater com a escova na região. Pode ser bem dolorido!

NÃO FUME OU CONSUMA ALCOOL: As substâncias tóxicas do cigarro penetram na mucosa aumentando muito mais os riscos de infecção e o álcool vai atrapalhar a eficiência do antibiótico.

ALIMENTAÇÃO: Dieta leve e saudável. Não passe fome! Todas as sopas estão liberadas. É você quem manda! Só é necessário ter cuidado quanto a temperatura, no primeiro dia alimentos mais frios, no segundo mais mornos. Qualquer coisa muito quente pode causar dor, sangramento e complicar na cicatrização. Sorvete está super indicado, além de ser gostoso, alivia a dor e o inchaço do pós-operatório. Abuse dos sucos e vitaminas além de coloridos e nutritivos, são um sucesso para o seu bem-estar. E após alguns dias está na hora de voltar aos sólidos, uma ótima pedida nesse momento são alimentos amassados, como um purê, pode ser de abóbora, batata ou mandioquinha. Fica uma delícia!

E não esqueça que após uma semana você deve retornar para retirar os pontos.

Você sabe o que é Botox?

Já deve ter ouvido falar ou conhecer alguém que já usou, mas você sabia que o Botox não serve apenas para disfarçar aquela ruguinha ali no cantinho dos olhos?

No final da década de 60, o oftalmologista americano Alan B. Scott, que buscava alternativas para o tratamento não cirúrgico do estrabismo, obteve amostras da toxina botulínica tipo A para testá-la em animais. A experiência foi bem sucedida e Scott em 1973 confirmou que a toxina botulínica tipo A era uma alternativa eficaz para o tratamento não cirúrgico do estrabismo. Anos mais tarde o casal de médicos canadense Jean e Alastair Carruthers, pensaram em um uso mais cosmético para a toxina e após observar os tratamentos que realizaram em pacientes com blefaroespamo, notaram a melhora das rugas e linhas de expressão. Desde então, o uso da toxina botulínica tipo A evoluiu e ganhou o mundo.

Os usos são bastante abrangentes e podem ser aplicados em diversas áreas da saúde. A toxina botulínica hoje é considerada o tratamento de primeira linha para casos de distonias, por exemplo a distonia cervical ou torcicolo espasmódico do pescoço atualmente a toxina botulínica tem sua eficácia e segurança comprovadas por meio de estudos científicos e é considerado o tratamento mais efetivo.

Em pacientes com blefaroespasmo que é quando há contração exagerada e persistente do músculo orbicular do olho, levando ao piscamento excessivo dos olhos. A aplicação de toxina botulínica nesses músculos tem bons resultados e reduz os tiques do olho.

Distonia de pé (postura anormal de um pé) é um sintoma comum no início da doença de Parkinson e também pode ser melhorado pelo uso da toxina. Auxilia em vários sintomas da doença podendo melhorar e muito a qualidade de vida do paciente.

Paciente que sofreram AVC também podem se beneficiar com Botox, ajudando a recuperar os movimentos dos braços, mãos e membros inferiores. Possibilitando movimentos de forma mais próxima do normal, o que pode trazer mais mobilidade e benefícios físicos aos pacientes, mesmo aqueles que já sofrem com estes problemas por anos.

Também utilizada para tratamento em crianças com problemas musculares ou paralisia cerebral, a toxina permite um relaxamento muscular nas áreas aplicadas assim há mais flexibilidade muscular. O relaxamento e a melhora na movimentação são fundamentais em todas as etapas do tratamento, permitindo por exemplo: que o fisioterapeuta maneje os membros afetados e realize as manobras necessárias, que muitas vezes são penosas para as crianças, devido ao quadro de rigidez e dor muscular. Pode ajudar a reduzir o uso de medicação antiespástica e, inclusive, retardar ou evitar intervenções cirúrgicas e proporciona grande apoio para as outras terapias empregadas, consequentemente há um ganho imediato de qualidade de vida e melhores perspectivas de desenvolvimento para as próximas etapas da vida dessa criança.

Em doenças que afetam o sistema urológico como incontinência urinária e bexiga hiperativa. Haverá maior controle da vontade de urinar e, acima de tudo uma melhora na qualidade de vida do paciente, que retorna às suas atividades rotineiras sem vergonha ou medo de que ocorra uma libertação acidental e involuntária de urina.

Na Odontologia vem sendo usado cada vez mais pelos dentistas para o tratamento principalmente do bruxismo e correção do sorriso gengival.

Em casos de enxaqueca crônica (onde o paciente tem mais de 15 crises no período de um mês) o Botox atua no alivio da dor. E ainda é recomendado para tratar estrabismo, hiperatividade muscular involuntária, desordens dolorosas musculoesqueléticas, hiperidrose onde há suor excessivo, a toxina ajuda a controlar sendo aplicada nas mãos, pés ou axilas.

Nos últimos anos, o Botox tem sido usado cada vez mais como tratamento médico por profissionais que exploram sua capacidade de relaxar os músculos e os nervos. Além das indicações terapêuticas, o medicamento é amplamente conhecido no tratamento de linhas faciais de expressão, as famosas rugas.