A DÚVIDA DO VEREADOR VALDIVINO

Dia destes encontrei em estabelecimento comercial o jovem vereador Valdivino de Oliveira de Laranjeiras do Sul, que perguntou: Como lhe

Dia destes encontrei em estabelecimento comercial o jovem vereador Valdivino de Oliveira de Laranjeiras do Sul, que perguntou: Como lhe considero historiador gostaria que me dissesse a origem do nome Laranjeiras do Sul. A dúvida do edil é a mesma que mantive durante décadas, ou seja, aquela história do médico conhecido como Doutor Laranjeiras que aqui trabalhou num passado distante. Confesso que pesquiso a história da região desde que aqui cheguei há 50 anos e nunca encontrei sequer uma linha ou um documento confiável que citasse ou ligasse tal doutor ao nome do município. Por outro lado encontrei e guardo comigo documentos que comprovam que o nome é de origem kaingangue, tais como: No livro História do Paraná, escrito por Faissal El Khatib (Grafipar-1969), lemos na página 258: Os relatos do padre Chagas referiam-se à região de Laranjeiras, como Campos de Nerinhê. Na mesma página: LIMA, Francisco das Chagas. Ofício ao Presidente da Província de São Paulo, 8 de abr. 1826. Departamento de Arquivo do Estado de São Paulo. Ordem 1025. Lata 230. A mesma narrativa encontramos no livro Guarapuava – História de Luta e Trabalho – Gracita Gruber Marcondes – Unicentro – 1998. Consideremos que referido padre foi um dos fundadores de Guarapuava, catequizou centenas de índios de toda a região e como anotava num diário suas andanças e contatos ficou conhecido como o primeiro cronista do Paraná. Ester Hery, enfermeira alemã que morou muitos anos com os índios Kaingangue na Reserva Rio das Cobras a quem os nativos deram o nome Vensog ou seja gema de ovo devido a sua cabeleira loura foi quem me disse: A grafia correta é NERJE e no idioma Kaingangue quer dizer laranja. O advogado Xenofonte de Freitas Lopes (in-memoriam) que aqui chegou à época da Capital do Território Federal do Iguaçu deixou escrito confirmando que na região havia muitas laranjeiras silvestres. O padre Silvano Zennari (in-memoriam), conseguiu documentos que comprovam que em agosto de 1853, foi expedida Carta Paroquial em Castro citando: A fazenda Bugre Morto pertence a Domingos Floriano Machado e a fazenda Laranjeiras a José Nogueira do Amaral. Quero crer que não restam dúvidas sobre os Campos de Nerje, ou Campos de Laranja que deram origem ao nome do município. O padre Silvano ainda conseguiu cópias dos inventários de Domingos Floriano Machado que foi morto pelos índios com mais 8 pessoas da família no ano de 1854 e de José Nogueira do Amaral, falecido em 1884.