Acesso à universidade pública para o pobre, o ENEM resolve?

O problema fica maior ainda quando você percebe que nada menos do que 59% dos alunos em universidades públicas brasileiras estão entre os 20% mais ricos

Começaram nesta semana as inscrições para a primeira edição de 2022 do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Os estudantes que fizeram a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2021 já podem concorrer às vagas no ensino superior público.

O Sisu foi instituído em 2010 e esta política não só ampliou o número como também o acesso às vagas na educação superior, mas se tratando de uma política pública voltada para a democratização, é preciso observá-la a partir de uma perspectiva mais ampla.

Infelizmente as universidades públicas brasileiras ainda são em sua maioria privilégio para quem tem mais dinheiro.

De cada 10 jovens de 19 anos hoje, quatro não concluíram os estudos. Em muitos casos por abandonarem a escola para trabalhar.

Dos alunos que concluem o ensino médio, apenas 1,7% tem aprendizado considerado adequado em língua portuguesa.

No ritmo atual, os alunos brasileiros levariam em média 75 anos para chegar ao nível de conhecimento em matemática de alunos de países ricos. Outros 260 anos serão necessários para que se chegue ao nível de leitura – considerando o nível de avanço atual.

Ainda hoje cerca de 95% das escolas brasileiras não possuem infraestrutura adequada, e com nosso envelhecimento populacional, é provável que nunca tenhamos uma geração significativa de alunos estudando em uma escola de qualidade.

Considerando em termos de renda, percebemos que no Brasil, terminar o ensino fundamental significa um aumento de 38% na renda das pessoas, enquanto a conclusão do ensino médio agrega 66%. Concluir o ensino superior agrega 243% de renda.

O problema fica maior ainda quando você percebe que nada menos do que 59% dos alunos em universidades públicas brasileiras estão entre os 20% mais ricos. Em resumo: os 20% mais ricos são boa parte daqueles que irão se beneficiar massivamente deste ganho de renda.

As universidades públicas são caras. Investe-se por volta de US$14 mil em cada aluno do ensino superior, ou 93% do nosso PIB per capita, valor similar ao de países ricos. Enquanto isso, os jovens do ensino médio contam com apenas US$ 3,8 mil, menos de ⅓ da média dos países ricos.

Começamos pelo básico: a probabilidade de um jovem pobre estar entre os 5% de melhores notas é de 1 em 600. A chance de um garoto rico estar na mesma posição, é de 1 em 4.

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