Alcides Fernando Krun, o Coruja

Muitos causos que narro neste espaço são do tempo em que exerci a função de comunicador de rádio, principalmente na

Muitos causos que narro neste espaço são do tempo em que exerci a função de comunicador de rádio, principalmente na Rádio Educadora, atualmente a FM 103.9. Por vários anos atuei no jornalismo, captando, redigindo notícias, editando entrevistas e como apresentador do principal noticiário da emissora, o jornal do meio dia. Durante o período que foi relativamente longo dividi a apresentação diária com Ademir de Oliveira, Luiz Carlos Pereira, Lincoln Coelho de Souza, Luiz Vianei Pereira, Alcides Fernando Krun e Jaime Spazzini, entre outros, este último ainda apresentando noticiários e sendo o radialista com mais tempo no ar aqui em Laranjeiras do Sul. Corria a década de setenta, quando a Educadora transferiu seus estúdios da Rua XV de Novembro para onde hoje é a Av. Deputado Ivan Ferreira do Amaral Filho. Fazia parte da equipe de comunicadores Alcides Fernando Krun, apelidado de Coruja por apresentar programa noturno numa emissora de Cascavel onde trabalhara antes de vir para Laranjeiras do Sul. Quarentão, alto e magro, ostentava bigodes do tipo mexicano e adorava um copo como poucos. Além do noticiário, Coruja, era o responsável por um programa noturno que começava logo após o término da Voz do Brasil até as 22 horas. O sonoplasta era Euclides que trabalhava numa relojoaria de seu cunhado e fazia um bico noturno na Educadora, como operador de som. Quando Coruja anunciava uma música sempre dizia com seu vozeirão: Toca Euclides! Ele era hóspede de um antigo hotel próximo à rádio e numa manhã, como não se levantou no horário costumeiro, a camareira foi até o quarto que não estava chaveado e o encontrou inconsciente. Correram avisar a mim. Foi levado ao hospital e transferido para outra cidade, mas acabou falecendo de problemas cardíacos. No dia do primeiro mês do falecimento, tive a idéia de matar a saudade dos ouvintes e no sentido de homenagear o falecido postumamente, repetir um de seus programas que ficaram gravados em fita de rolo, com boa qualidade de som. Escolhi o programa, providenciei os discos com as músicas, gravei uma abertura explicativa e orientei Euclides, o sonoplasta que ficava sozinho na rádio. No dia seguinte, vi que acabei pondo os pés pelas mãos, pois Euclides só não abandonou a emissora por muito pouco. Ele me disse que cada vez que ouvia a frase Toca Euclides, ia até a porta para escapar para casa, depois voltava suando frio e tremendo de medo. Expliquei que o objetivo foi uma homenagem póstuma ao falecido Coruja e que nunca mais repetiria algo do gênero.