Dava cadeia, na certa!

Corria o início dos anos noventa, a Joana me chamou para mostrar duas plantinhas até então desconhecidas que haviam brotado

Corria o início dos anos noventa, a Joana me chamou para mostrar duas plantinhas até então desconhecidas que haviam brotado num canteiro de radici (também conhecido como almeirão) que tínhamos logo na entrada do portão da horta na casa onde residíamos. Mantemos até hoje hábitos antigos e um deles é a horta cultivada com os temperos do dia a dia, verduras e legumes diversos. As plantas que despertaram a curiosidade nasceram de forma espontânea e até então eram desconhecidas dela. Entre os pés de radici, as estranhas plantinhas já mediam aproximadamente meio metro de altura e estavam viçosas e com folhas muito verdes. Quem ficou curioso fui eu, pois logo identifiquei dois pés de cannabis sativa, a popular maconha. Lembramos que alguns dias antes havíamos recebido a visita de um casal jovem que conhecemos numa cidade do Sudoeste do Estado, onde moramos durante cinco anos. Eles haviam chegado numa tarde, jantaram conosco, pernoitaram num quarto de visitas e seguiram viagem rumo a Foz do Iguaçu no dia seguinte. Ao arrumar o quarto, a Joana deparou com algumas sementes estranhas no chão, recolheu-as e jogou no canteiro de radici. Eram redondas e um pouco maiores do que as sementes de mostarda. Duas delas, em contato com a terra que era regada diariamente brotaram e já estavam bem maiores que os pés de verdura. Identificada a origem da situação e passado o susto, principalmente dela, arrancamos as duas plantinhas e tive a idéia de replantá-las nos fundos dum pequeno paiol, junto à parede, debaixo do beiral numa cova de terra muito dura e seca onde não caía chuva alguma. Para nossa surpresa, uma delas secou enquanto a outra pegou e continuou crescendo. Admirávamos o vigor da planta que aparentava um pé de mandioca, com suas folhas estreitas e longas serrilhadas nas extremidades. Com quase dois metros era bonita e até certo ponto ornamental. Não era visível da casa e de quem por ali circulasse, mas o fundo do paiol era a divisa com um pequeno potreiro  frequentado por pessoas que ali mantinham alguns cavalos e vacas leiteiras, além de garotos e adolescentes que vinham caçar passarinhos. Resolvemos eliminar o pé de maconha que foi cortado pela raiz e totalmente queimado numa fogueira, pois no caso de alguém identificar a planta e nos denunciar à polícia, quem iria acreditar na nossa mirabolante história?      

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