Entrada na escola: como facilitar a adaptação?

As férias começam a entrar na reta final e, para muitas famílias, a preocupação com o início do ano letivo

As férias começam a entrar na reta final e, para muitas famílias, a preocupação com o início do ano letivo passa a surgir, principalmente naquelas nas quais uma criança pequena vai para a escola pela primeira vez. A preocupação dos pais geralmente inicia pela escolha da escola: matricular na escola próxima da casa ou naquela que, embora seja mais longe, tem os funcionários mais conhecidos? Escola pública ou particular? Escola menor ou aquela que vai até o ensino médio?

            Para além das questões práticas, como proximidade e custos financeiros, sempre que for possível orienta-se que seja escolhida uma escola com valores alinhados aos valores da família, principalmente nas questões referentes a disciplina, alimentação, desfralde, brigas entre crianças, sono, colo, crenças religiosas, entre outros valores que forem importantes para os pais. Isso favorece a adaptação e vínculo não apenas da criança, mas de toda a família com a escola.

            Nem sempre haverá a possibilidade de uma escola considerada ideal pelos pais, o que os leva a necessidade de conversar com a escola possível e entrar num acordo sobre os valores mencionados a fim de que a criança não entre em confusão quanto aos mesmos e uma conduta consensual seja tomada. Além disso, é preciso repensar o conceito de escola ideal, uma vez que a escola ideal para cada criança será aquela a que ela melhor se adapta e, como cada criança é diferente da outra, o que pode ser ideal para uma, pode ser difícil para outra. Porém, há algumas atitudes que podem favorecer esse período delicado:

  • É interessante que a criança possa ir algumas vezes na escola antes do início do ano escolar para que possa se familiarizar com o ambiente e as pessoas. Quando a escola já definiu quais serão os professores e auxiliares de cada turma, é recomendado que a criança já seja apresentada e passe um tempo na companhia dos pais ou responsáveis (pode ser mãe, pai, avós, babá…) e do(a) futuro(a) professor(a) ou auxiliar, para que inicie a formação do vínculo com os mesmos ainda na segurança da presença das pessoas de sua confiança. Mesmo que os professores ainda não tenham sido definidos vale a pena investir em visitas à futura escola e familiarização com o ambiente e as pessoas que lá se encontram, como diretores, coordenadores, pessoal da cozinha, limpeza… Apenas deve-se tomar o cuidado de não falar muito sobre o começo das aulas ou dar muitas explicações não solicitadas, para não gerar ansiedade na criança.

Quando o ano letivo iniciar, se for possível para a família sugere-se que se prepare para realizar a adaptação da criança reservando tempo para isso, ou seja, que se organize em seu trabalho para que esteja disponível para a criança na escola. Quando a escola permite e a família tem disponibilidade pode ser feita uma adaptação gradativa na qual a criança e o responsável permanecem na escola, não necessariamente no mesmo ambiente, por curtos períodos que se prolongam ao longo dos dias, até que a criança se familiarize com o ambiente e as pessoas e não solicite mais o responsável.

Quando a adaptação gradativa não é viável, sugere-se que os pais levem a criança até o colo do professor ou a pessoa que a criança já tenha feito vínculo e explique que vai sair para trabalhar ou fazer algo que seja necessário e comente em poucas palavras como será a rotina da criança e que após a atividade x virá buscá-la. Por exemplo: mamãe vai trabalhar, você vai brincar, lanchar, descansar, ir ao parquinho, e depois de você comer uma frutinha a mamãe volta para te buscar. É importante que os responsáveis não se atrasem para buscar os pequenos, se possível cheguem até um pouco antes e, ao se despedirem comentem após qual atividade devem voltar, pois isso gera a noção de previsibilidade que dá segurança para as crianças pequenas.

É interessante que os pais revisem sua própria história de entrada no ambiente escolar, com a clareza de que novos personagens e uma nova história diferente se inicia com seus filhos. Principalmente pais que tiveram uma transição difícil na entrada na escola, costumam se assegurar que esse momento seja mais fácil para os filhos e precisam ter consciência que seus filhos podem ter experiências diferentes das suas. Quando é muito difícil para um dos pais levar e deixar o filho na escola, orienta-se que o outro assuma essa função, ou ainda outra pessoa de confiança para a criança. Comumente, os pais têm mais facilidade que as mães no início desse processo.

Outra recomendação que se dá é que os pais informem os professores do que costuma acalmar a criança e levem para escola o que na psicologia se chama de objeto transicional da criança, geralmente um bichinho de pano ou de pelúcia, brinquedo ou cobertinha que o pequeno usa para se acalmar. Além disso, deve-se evitar outras mudanças na rotina da criança até que a adaptação à escola tenha se realizado, por exemplo desfralde, retirada da chupeta, mudança do berço para a cama etc.

Por fim, ressalta-se que se a criança apresentar sintomas de elevada ansiedade como choro intenso persistente, vômitos, suor frio, mãos geladas, mudanças de comportamento, apetite ou sono (pesadelos) ou ainda, não se mostrar adaptada após dois meses do início do ano letivo, deve-se procurar um psicólogo para que junto com a escola e a família sejam verificadas as melhores estratégias de readaptação para a criança. A procura por um profissional também deve ocorrer nos casos em que já há um histórico de trauma ou fobia escolar.