Galpão crioulo

Ouvindo dia destes a música Canto Alegretense lembrei o seu autor Antônio Augusto Fagundes que apresentou o programa televisivo Galpão

Ouvindo dia destes a música Canto Alegretense lembrei o seu autor Antônio Augusto Fagundes que apresentou o programa televisivo Galpão Crioulo durante três décadas, programa que sempre iniciava com a saudação: Gaúchos e gaúchas de todas as querências!. Advogado, folclorista, historiador e autor de vários livros, Nico Fagundes como era conhecido também foi grande contador de causos de humor, como os que seguem e li não lembro aonde: Um belo dia, um gauchão bem pilchado, chegou numa barbearia juntamente com um menino, os dois para cortar o cabelo. O barbeiro, gente mui buena, fez um belo corte no gaudério, que já aproveitou pra aparar a barba, enfim deu trato geral. Depois de pronto o índio, chegou a vez do guri. Nisso o índio disse pro barbeiro: – Tchê, enquanto tu corta as melena do guri, vou dar um pulo até o bolicho da esquina comprar um cigarrito e já tô de volta. – Tá bueno! disse o barbeiro. Só que o barbeiro terminou de cortar o cabelo do guri e o índio não apareceu. – Senta aí e espera que teu pai já vem te buscar. – Ele não é meu pai! – disse o moleque. – Teu irmão, teu tio, seja lá o que for, senta aí. – Ele não é nada meu! falou o guri. Ai o barbeiro perguntou intrigado: – Mas quem é o animal então? – Não sei! Ele me pegou ali na esquina e perguntou se eu queria cortar o cabelo de graça!

Bom de Mira – O gaúcho prestou grandes favores a um industrial carioca e foi convidado a passar alguns dias na mansão do milionário no Rio. Tanto recusou os convites que o carioca mandou buscá-lo em seu jatinho particular. Aí o índio não resistiu e se mandou pra cidade maravilhosa. Saiu do aeroporto direto para uma Mercedes último tipo, todo automático, com botões pra baixar vidro, subir antena, bar embutido, televisão, telefone, o índio babando no lenço de admiração. Quando reparou no símbolo da Mercedes sobre o capô na frente do carro, perguntou pro motorista para que servia aquilo e o negrão, bom gozador, inventou que era a mira do veículo. Pra mostrar na prática pra que servia, apontou um velhinho que ia atravessando a rua e falou: – Vou acertar ele em cheio olhando pela mira. Acelerou o carrão e quando chegou a centímetros do pedestre, desviou. Já ia dar uma gargalhada do susto que devia estar o gaúcho quando ouviu um baque no lado do carro. Olhando pra trás, viu o pobre velho todo quebrado no meio da rua. E o gauchão explicando: – Mas Báh, tchê, se eu não abro a porta ele nos escapava!

Antônio Augusto Fagundes, nascido em Alegrete no dia 4 de novembro de 1934, faleceu em Porto Alegre no dia 15 de junho de 2015.

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