ME CHAMAM DE GROSSO, EU NÃO TIRO A RAZÃO!

Era o início dos anos oitenta, a Rádio Educadora havia transferido seus estúdios da Rua XV de Novembro para a

Era o início dos anos oitenta, a Rádio Educadora havia transferido seus estúdios da Rua XV de Novembro para a Rua Manoel Ribas, hoje Avenida Ivan Ferreira do Amaral Filho, época em que o colunista comandava programa de avisos e tocava músicas escolhidas pelos ouvintes. Como estamos numa região que ainda cultua a tradição gaúcha, o trovador, compositor e cantor Leovegildo José de Freitas (Gildo de Freitas) era muito solicitado. Tinha acabado de gravar um LP no qual em forma de trova com um tal Formiguinha havia a música Homenagem às Mães e a pedido dos ouvintes quase furamos o disco de tanto rodá-lo. Uma tarde a moça da recepção comunicava que dois senhores estavam na portaria e queriam falar com o locutor, no caso, o autor destas mal traçadas linhas. Reconheci Gildo e Formiguinha, ambos pilchados a rigor e, na frente da emissora uma Rural Willys na qual viajavam. Os levei ao estúdio, batemos um longo papo e rodamos alguns dos maiores sucessos do Gildo, que até hoje tocam em nossas rádios. Gildo chamou-me para um particular contando que haviam levado um golpe de certo empresário que os contratara para várias apresentações em cidades da região metropolitana de Curitiba e havia sumido sem pagá-los. Pediu que pelo menos o ajudasse a abastecer o veículo, pois quatro dias depois havia show agendado em Pato Branco. Lembrei de um circo montado na Rua XV e eu já havia feito certa amizade com o proprietário, um gaúcho dos bons e fui até ele expor a situação. Teve a idéia de promover uma noite de trovas, desde que anunciássemos muito bem na Educadora. Acertamos os ponteiros com os músicos de que o cachê seria meio a meio da bilheteria, os hospedei no Hotel Monte Castelo e anunciamos no rádio com muito capricho. Na noite seguinte, o circo ficou superlotado, com gente não só da cidade como de localidades distantes, lotando caminhões para conhecer os trovadores. O sucesso foi tanto que nos encorajou a realizar uma segunda noite de trovas. Resumindo: Os músicos e o circo ganharam um bom dinheiro e após o proprietário me passar o valor para pagar o hotel, Gildo e Formiguinha viajaram rumo a Pato Branco com as guaiacas recheadas. Gildo faleceu em Porto Alegre no dia 4 de dezembro de 1982 com 63 anos de idade. Também no dia 4 de dezembro, três anos depois, morria Victor Matheus Teixeira, o Teixeirinha, por isto a data é considerada o Dia do Poeta e do Trovador Gaúcho. Dedico a coluna aos comunicadores Eliseu Santos (Rádio Educadora) e Milton Oro (Rádio Campo Aberto), o primeiro, todos os dias da semana e o segundo aos domingos, quando a partir das cinco da manhã nos brindam com belas músicas sertanejas e gaúchas, não faltando Gildo de Freitas, Teixeirinha e outros bons cantores que deixaram sua marca. O título da coluna é o mesmo de uma das músicas do GIldo que toca seguidamente em nossas rádios.

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