MICO CAVALAR

Livros de história e dicionários ensinam que o substantivo feminino AMAZONA refere-se às índias guerreiras que teriam sido encontradas por colonizadores da América do Sul que, além de destemidas montavam cavalos com maestria. Vem desta lenda os nomes Amazonas e Amazônia. Feito o preâmbulo lembro que quando adolescente vim de Mandirituba na região metropolitana de Curitiba morar na Fazenda São Pedro, interior de Mangueirinha onde minha mãe era professora numa escola isolada, como se dizia, tendo entre seus alunos filhos e filhas de famílias de duas madeireiras das proximidades e de agregados que prestavam serviço na fazenda. Meninos e meninas vinham a cavalo e deixavam os animais presos na soga onde houvesse água e boa pastagem. Uma destas alunas, a Maria Emiliana, era a verdadeira amazona, montava os animais mais ligeiros e para fazer graça os fazia empinar e as vezes até corcovear. Chamavam a atenção tanto a habilidade da pequena amazona como a beleza de quem já era uma mocinha. Iniciamos um namorico de troca de olhares mais demorados e mais tarde alguns bilhetes melosos. Nós também tínhamos cavalos, entre eles uma égua de pelagem baia extremamente ligeira. Justamente no horário do recreio quando todos estavam em frente à escola fui incumbido de buscar a dita égua que estava na soga há uns duzentos metros da casa. Tive a infeliz idéia de montá-la, tendo o animal apenas o cabresto onde ficava preso à corda ou soga. Tão logo me encarapitei naquele lombo macio a égua iniciou uma tremenda disparada e não consegui contê-la sem o freio na boca, mas apenas o cabresto e pela inexperiência com cavalos. Passamos disparados muito próximo dos alunos e eu berrando acudam a plenos pulmões, gritos que, involuntariamente, animavam a égua a correr ainda mais. Em frente ao portão o animal estacou, apeei tremendo como vara verde e envergonhado pelo desastroso mico que paguei diante da pequena amazona que com cara de penalizada se aproximou e segurou a baia pela corda. Ainda ouvi um sermão da mãe que sempre desaconselhou montar aquele animal. Tempos depois virei peão e cavaleiro razoável e meu animal preferido era a égua baia, ligeira, mas dócil e mansinha.

JOÃO BOIADEIRO – Num começo de noite estávamos com o mano José olhando a estradinha em frente a casa quando passava o vizinho João Boiadeiro cavalgando um burro e puxando outro com bruacas. Súbito o muar que era a montaria corcoveou e vimos o João escorregar pelo seu pescoço e ficar em pé segurando-o pelas rédeas. Meu mano gritou: Caiu do burro Seu João? E ouvimos a resposta: Não caí e você viu moço, o burro é que saiu debaixo de mim!