O matão dos pain

Acredito ter lido neste mesmo jornal o desabafo dum colunista que foi visitar a terra natal depois de muitos anos

Acredito ter lido neste mesmo jornal o desabafo dum colunista que foi visitar a terra natal depois de muitos anos e voltou cabisbaixo, pois tudo havia mudado, os amigos de infância e juventude também se mudaram e alguns haviam morrido. Há alguns anos, de tanto ouvir um compadre que está prestes a completar noventa janeiros, eu e a Joana resolvemos levá-lo juntamente com minha mãe, dona Nahir e a irmã Marília, ambas im-memoriam ao lugar que não fica muito longe, mas que não visitávamos há décadas. Levamos voltas de linguiça para assar no fogo de chão, pães, pó de café, cuia e erva-mate para o chimarrão. O objetivo era parar à sombra duma árvore, fazer fogo, coar café, tomar chimarrão e comer linguiça assada. Deixamos à estrada que liga as cidades de Mangueirinha e Palmas e entramos noutra que passa pelo antigo distrito palmense de Retiro, hoje sede do município de Coronel Domingos Soares. Vários quilômetros depois, a certa altura, meu compadre inquieto dizia: Depois daquela subida vamos dar com o Matão dos Pain. Ele recordava a família Pain que possuía fazenda na região e era muito amigo dos irmãos Aurélio e Juarêz. Subimos e quando alcançamos terreno mais plano vi a decepção em seus olhos. Onde um dia houve o tal Matão dos Pain, vimos um grande terreno aplainado, galpões e vários tambores de defensivos agrícolas. Logo ouvimos o motor de um avião agrícola pulverizando o grande milharal a perder de vista. Seguimos mais alguns quilômetros até onde havia uma escola na qual dona Nahir lecionou e uma capela onde rezavam missa todos os meses. Nenhuma das construções existia mais, apenas um capoeirão com árvores de pequeno porte conhecidas como fumo-brabo. Fomos até o rio Iratim, na divisa com o município de Bituruna e voltamos rumo a Palmas onde visitamos conhecidos e pernoitamos. Na barranca do rio Iratim, conseguimos água de vertente, a nosso ver livre de agrotóxicos e então fizemos chimarrão, café e assamos linguiça, ouvindo ainda o ronco do motor do avião pulverizando a enorme lavoura de milho não muito longe de onde estávamos. Foi bom, revimos lugares que não víamos há tanto tempo e nunca mais ouvimos o compadre João Gutoski falar das caçadas no Matão dos Pain que havia virado local de pouso e decolagem de avião agrícola.

 

A PROVA DA (IN) FIDELIDADE – Dartagnan, jornalista da Tribuna do Paraná escreveu sobre o moço que tinha uma namorada e sempre que iam a motéis cada um furtava um sabonete e levava como recordação. Tudo acabou no dia em que resolveram contar os sabonetes. Ele tinha 22, ela 35.