ONDE HOJE É O BANCO ITAÚ

Conto nesta coluna, publicada desde março de 2000, portanto, há 17 anos, causos bizarros que podem parecer invenção do autor

Conto nesta coluna, publicada desde março de 2000, portanto, há 17 anos, causos bizarros que podem parecer invenção do autor destas mal traçadas, mas a maioria deles são reais e com testemunhas oculares, como o que narro a seguir.

O terreno localizado na Rua XV de Novembro, esquina com a Rua Capitão Antonio Joaquim de Camargo onde se localiza o Banco Itaú e anteriormente o Banestado, apesar de central já foi terreno baldio num passado não muito distante.

Nos anos sessenta e início dos anos setenta ali se instalavam circos e parques de diversão, mas antes disso, servia para os clientes de um grande armazém ali deixarem seus cavalos amarrados. O armazém ao qual me referido era a Comercial Trento e quem me contou esta ocorrência hoje é um sessentão, à época um jovenzinho entrando na adolescência.

Uma senhora proprietária de um sítio próximo à cidade era cliente assídua do armazém onde comprava o que necessitava, mas também vendia produtos de sua chácara, por isso sempre vinha ao comércio puxando uma égua que trazia no lombo dois cestos de taquara.

Como era de costume amarrou o animal no terreno onde já estavam uns seis ou sete cavalos e entrou no armazém do outro lado da Rua XV. Não só ela, mas os demais clientes da casa comercial ouviram um alarido de relinchos e bufos equinos e correram conferir o que acontecia. A égua havia entrado no cio despertando a atenção de um garanhão que estava mal amarrado e se soltara com facilidade.

O problema aconteceu porque, após terminar o serviço o garanhão não conseguia descer da égua, pois havia enfiado as patas nos cestos de taquara firmemente presos a cangalha. Naquela situação começara a bufar enfurecido distribuindo coices e mordidas no pescoço da pobre égua.

Alguns bravos que estavam num boteco das imediações tomando umas e outras ouviram os gritos desesperados da senhora da chácara e foram prestar socorro. As tentativas de desentalar as patas do cavalo dos cestos no muque não deram resultado, até mesmo pela fúria do animal, quando um deles puxou uma faca da cintura e cortou os tentos de couro que prendiam os cestos à cangalha.

Compadres comentando sobre a situação de miséria, quando um deles falou: Lá em casa a situação está tão difícil que os ratos entram na despensa e saem com lágrimas nos olhos!