A beleza que vai além dos olhos

Ouvi algo que me fez refletir e venho aqui compartilhar. Uma pessoa disse: é intrínseco ao ser humano se apaixonar

Ouvi algo que me fez refletir e venho aqui compartilhar. Uma pessoa disse: é intrínseco ao ser humano se apaixonar e amar, aquilo que vê, pois a aparência o atrai. Será? Se partirmos dessa premissa os deficientes visuais não se apaixonam? Não amam? Sim, claro que sim, afinal eles ‘enxergam’ a profundidade, se apaixonam e amam a alma do outro.  

A beleza, a aparência sempre foi algo importante para o ser humano, a mitologia grega relata o mito do jovem Narciso, que era tão belo e tão atraente que se apaixonou e amou profundamente a sua própria imagem, quando vista refletida nas águas de um rio, então foi incapaz de se afastar daquela imagem, não se dando a chance de amar mais ninguém, além de si mesmo, por toda vida. Esse mito deu origem ao termo, ‘narcisismo’ explorado pela psicanálise, que é quando a pessoa desenvolve um transtorno de amor exacerbado por sua própria imagem. Passando a ser um problema, uma vez que a pessoa vive em prol dessa aparência, dessa vaidade, que acaba interferindo nas relações interpessoais, passando a ter necessidade de ser admirada, amada por todos, não aceitando o não ser percebida, e cobrando que a amem e admirem tanto quanto ela mesma o faz.

Os olhos humanos tendem a procurar o belo, a admirar a beleza, mas é como ir a um museu de artes, há obras maravilhosas para se admirar, porém, consegue ficar ainda mais bela, quando lemos a explicação da mesma, ou seja, buscamos mais profundidade.

Imaginem se conseguíssemos em nossa convivência, buscar mais profundidade, buscar a essência, sair da superficialidade da aparência. Aprenderíamos sobre a construção do verdadeiro sentimento, aprenderíamos que os defeitos fazem parte do conjunto e não deformam a obra, assim como a descoberta das virtudes, consegue embelezar ainda mais, essa obra de arte que é o ser humano.

Então a forma como nos enxergamos, com profundidade ou superficialidade é que define a maneira como queremos ser vistos, se valorizamos a superficialidade é esse olhar que buscamos, de pessoas (superficiais), mas se valorizamos a profundidade do ser, é esse aspecto que vai importar, são dessas pessoas com esse olhar, que queremos a admiração.

É evidente que seguimos admirando o que é belo, faz parte da vida, só não devemos parar nessa superficialidade, devemos nos dar a chance de viver a surpresa da busca pela essência, (que pode ou não ser boa, é verdade), mas que enriquece o conhecimento sobre o outro, (o que pode ou não nos deixar felizes, é verdade), contudo, nos permiti à construção de relacionamentos autênticos.

Portanto, vamos buscar mais a profundidade do ser humano, e saíamos da superficialidade da aparência, pois o rei Salomão, dono de uma sabedoria singular e única, já nos alertou no livro de Eclesiastes, tudo é vaidade e passa como uma sombra.