MAIO AMARELO – VELOZES E IRRESPONSÁVEIS

No Brasil temos dia para tudo e todos, uns acham ruim, outros não e outros ainda nem tomam conhecimento de

No Brasil temos dia para tudo e todos, uns acham ruim, outros não e outros ainda nem tomam conhecimento de tantas celebrações. Além dos dias comemorativos, temos também os meses ‘coloridos’, com movimentos que têm como objetivo levar a população a uma reflexão maior sobre determinado assunto, com isso temos o outubro rosa (com enfoque no câncer de mama), o novembro azul (câncer de próstata) e agora temos o MAIO AMARELO um movimento que surgiu a partir do momento em que A Assembleia Geral das Nações Unidas editou, em março de 2010, uma resolução definindo o período de 2011 a 2020 como a Década de Ações para a Segurança no Trânsito. O documento foi elaborado com base em um estudo da OMS (Organização Mundial da Saúde) que contabilizou, em 2009, cerca de 1,3 milhão de mortes por acidente de trânsito em 178 países. Aproximadamente 50 milhões de pessoas sobreviveram com sequelas. ¹

É, portanto, um movimento super válido e que merece a nossa atenção e reflexão sobre o assunto, já que o acidente de trânsito mata mais de três mil pessoas por dia, em ruas e estradas, numa faixa etária de 15 a 29 anos. O Brasil ocupa o ranking de 5º lugar dos países com maior índice de acidentes de trânsito.

Assim, partilharei com vocês algo que me conscientizou sobre a responsabilidade no trânsito, quando ainda nem poderia dirigir, isso há 30 anos atrás, quando em meio a uns livros e revistas usadas, ganhei um caderno de poesia e crônicas, com uma letra impecavelmente caprichada, não fazia ideia a quem havia pertencido, mas guardei com carinho por muitos anos e me deleitava lendo e relendo esse caderno de capa vermelha. Nele havia uma crônica, cujo nome era Tenho 18 anos, quero viver. Foi incrível como a leitura dessa crônica me impactou e eu nunca a esqueci. Graças a internet consegui encontra-la novamente (já que o caderno nunca soube onde foi parar) e vou compartilhá-la com vocês.

Tenho 18 anos… Quero viver
No dia em que morri, o sol brilhava, aberto para plena alegria de viver. Lembro-me que adulei meu pai para emprestar-me o carro. Queria dar umas voltinhas e prometi-lhe que teria todo cuidado do mundo. Quando me deu as chaves só em pensar em dirigir á vontade mal pude conter o impacto, de mesmo nas ruas, botar o carrão a oitenta por hora. Sai logo para a estrada.
Queria correr sentir o vento fustigar-me as, faces, ver os cem por hora do velocímetro. Pisei firme no acelerador, alcancei os noventa, ultrapassei os cem. Um carro na minha frente não andava e quis podá-lo. Estercei para a esquerda e meti o pé. Mas não vi uma jamanta que vinha na mão e nos pegamos em cheio de frente.
Ouvi um estouro, pedaços de ferro, de vidro voarem, senti meu corpo despedaçar-se e percebi que gritava de dor. Um grito só. Depois tudo sumiu na escuridão. Acordei, ao meu lado um médico, guardas. Meu corpo estava estraçalhado, mas, curioso, eu não sentia dor alguma. Tentei erguer-me, mas não consegui sequer mover um dedo.
Afinal cobriram-me com um lençol puseram-me numa ambulância e levaram-me ao necrotério. Ei tirem isso de cima de mim. Tirem me dessa mesa de mármore, esta fria demais. Eu não posso estar morto tenho apenas dezoito anos. Minha namorada me espera. Quero viver, tirem esse lençol que me incomoda, deixa-me sair daqui.
Ninguém me ouvia, não sei porque. Arrumaram o melhor possível os pedaços do meu corpo e parentes vieram identificar-me. Meu pai, com o rosto lavado pelas lagrimas, disse que realmente era o corpo de seu filho. Minha mãe, debruçada sobre o meu peito soluçava com desespero. O meu enterro foi uma experiência estranha. Quando me colocaram na entrada do cemitério, os amigos passavam por mim, fitavam-me com tristeza e as garotas acariciavam minhas mãos e meus cabelos.
Por favor, acordem-me tirem-me deste caixão e deixe-me sair. Tenho apenas 18 anos, com a vida inteira pela frente. Quero viver, quero estudar, quero o amor dos meus pais, quero namorar, competir nos esportes, sou craque no futebol, e neste ano a minha equipe há de ser campeã.
Meus Deus daí-me, uma nova chance, prometo que serei o motorista mais cuidadoso do mundo. Tudo o que desejo é viver esta vida linda já disse:
‘Tenho dezoito anos e quero viver. ²

Que essa reflexão possa mudar a sua concepção, de que velocidade é para corajosos, e repensar, que devagar ou depressa, a dor de um acidente, vem para todos.

Fontes: ¹ http://maioamarelo.com/o-movimento/

² http://mensagensvirtuais.xpg.uol.com.br/Reflexao/Tenho-18-anos-quero-viver.