Setembro amarelo – Valorize as pessoas

A exagerada exposição pública tem gerado cada vez mais o ostracismo, que nada mais é que, pessoas encarceradas dentro de

A exagerada exposição pública tem gerado cada vez mais o ostracismo, que nada mais é que, pessoas encarceradas dentro de seu próprio eu, como uma ostra só exibindo a couraça dura e firme.

Há muitas pessoas sofrendo caladas, escondidas, encarceradas dentro de um eu que não pode ser revelado, e fica ali por trás de um perfil público que revela alegria, diversão, conquistas e realizações.

Então o ciclo tende a girar sem solução, uma vez que por outro lado há muitos acreditando ou fingindo acreditar no que está no perfil do outro, no que foi publicado, no que foi exposto, supõe-se simplesmente que o outro está bem. Porém, ninguém ousa perguntar se realmente está, pois isso demanda tempo e disponibilidade de ouvir e poucos ou ninguém quer perder tempo com isso, contudo ‘perde-se’ tanto quanto ou até mais, vasculhando os perfis das redes sociais.

Há pessoas sofrendo ao nosso lado, e não percebemos. Talvez enxergássemos se tirássemos os olhos do celular.

Há pessoas bem próximas a nós, buscando fugas extremas dessa dor que estão vivendo e não percebemos. Talvez isso fosse possível, se estivéssemos dispostos a ser e ter companhia, ao invés de seguidores.

Há pessoas precisando ouvir, que é importante e amada, mas não ouve isso de nós, porque estamos mais preocupados com likes em nossas publicações, do que realmente gostar e ser gostado.

Há pessoas que precisam ouvir que para tudo nessa vida tem solução, basta acreditar e buscar a ajuda necessária, mas não dizemos, pois estamos entretidos com youtubers mostrando o que supostamente é o seu dia a dia.

Humanização dos humanos agora! Humanização dos relacionamentos agora! É urgente! Precisamos humanizar novamente as relações, fazer acontecer de novo a conversa, a troca de olhares, o pegar na mão, o caminhar junto, o gargalhar alto de piadas, o chorar no ombro, o cafuné, o aconchego de um abraço.

Já foi provado que o abraço tem poder terapêutico! Mas não se acredita mais nisso! As pessoas estão perdendo a alegria e o prazer de abraçar e serem abraçadas. Há uma retração, uma inquietude ao toque físico.

Olhemos mais para os lados, olhemos mais para as pessoas, há sempre alguma coisa acontecendo a nossa volta, há sempre alguém precisando mais de nós, do que de nossas curtidas.