O professor do futuro: A escola – templo dos conhecimentos científicos e culturais a serviço da emancipação humana

A Educação sem escola sob o modo de produção comunal A escola é uma instituição que tem o seu tempo

A Educação sem escola sob o modo de produção comunal

A escola é uma instituição que tem o seu tempo histórico. A sua constituição está ligada ao surgimento da sociedade de classes. Antes, sob a vida comunal do modo de produção comunista primitivo, onde não havia propriedade privada e, portanto, não havia classes sociais, a educação era realizada como parte da própria vivência, da interação social e do intercâmbio do homem com a natureza (trabalho), como forma de produzir os bens necessários à sobrevivência. Ao trabalhar o homem produzia a condição humana envolvendo os calos, a estrutura corporal, as experiências, a linguagem e a cultura. É a isso que se define como princípio educativo do trabalho (Gramsci), ou do trabalho como ontologia do ser social (Lukáks), a partir da definição do trabalho em geral sob a dimensão ontocriativa.

A educação e a escola na sociedade de classes: escravismo e feudalismo

Com o advento da sociedade de classes, da classe dos proprietários e a classe dos não proprietários, nasce a educação diferenciada. Para os não proprietários a educação permaneceu sendo o próprio trabalho. Já a educação para a classe dos proprietários foi constituída a escola. A origem da palavra escola vem do grego scholé, significando “ócio”, assim como a palavra ginásio se liga ao lugar onde se praticavam os jogos entre os dispunham do ócio, ou seja, que viviam às custas do trabalho alheio. Essa foi a relação social da escola durante no modo de produção escravista. Sob o modo de produção feudal, que perdurou cerca de mil anos na Europa, a classe dos não proprietários, formada pelos camponeses servis e artesãos que trabalhavam e sustentavam toda a sociedade, tinha a sua educação vinculada ao trabalho; contra a classe dos senhores feudais, com sua nobreza e o alto clero, que tinha a sua educação escolar desvinculada do mundo do trabalho, voltada para reproduzir-se enquanto classe dominante e conservar as estruturas sociais.

A educação e a escola sob o modo de produção capitalista: a contradição entre alienação e emancipação

As revoluções burguesas, dos séculos XVII, XVIII e XIX, culminaram com o fim do Antigo Regime, desmontando as estruturas políticas, econômicas e culturais do sistema feudal. O antigo servo da gleba deu lugar ao “cidadão livre” vivendo numa sociedade contratual baseada em relações formais, trazendo consigo a necessidade da generalização da escola. A ordem burguesa não sobrevive sem a escola e isso exprime uma contradição: como pode a escola “vinculada ao mundo do trabalho e ao exercício da cidadania” reproduzir as injustiças sociais de um regime marcado pela exploração do homem pelo homem?
A chave da questão está em utilizar-se da educação e da escola para reproduzir a ideologia das classes dominantes, naturalizando a lógica da mercadoria como o único dos mundos possíveis, sob o discurso da técnica “neutra”. É esse o lado (“partido”) da alienação posto para a escola do ponto de vista das classes dominantes. O outro lado (“partido”) seria o da socialização dos conhecimentos científicos, tecnológicos, filosóficos e culturais acumulados pela humanidade, a partir da análise crítica e contextualizada, permitindo a leitura de mundo, concebendo a escola como templo do saber acumulado e do esclarecimento. Essa é a concepção de escola do professor do futuro.