Quando a vontade é servir

A palestra girava em torno da ação da vontade. A palestrante assinalava que, entre o querer e o fazer, devemos anexar o fermento

A palestra girava em torno da ação da vontade. A palestrante assinalava que, entre o querer e o fazer, devemos anexar o fermento da vontade para a concretização do que se deseja.

Falou de tantos projetos e sonhos que surgem nas mentes criativas, que poderiam melhorar este nosso mundo se a vontade se fizesse presente.

Relatou exemplos de feitos na comunidade, que haviam apresentado resultados maravilhosos.

Falou da costureira que tinha vontade de ver trabalhos coloridos e, cedendo seus retalhos de tecido, reuniu as mulheres da vizinhança para ensiná-las a fazer belas artes coloridas.

Cada casa ficou mais alegre com as cores balançando nas cortinas das janelas, no tapete de entrada, na toalha de mesa e até na colcha bem tecida.

Falou da horta comunitária, que se concretizou, graças à ação conjunta de braços ociosos que, aliando a vontade e o esforço, abastecia os lares e ainda rendia dinheiro com a venda dos produtos excedentes.

A fala precisa acionou nossa memória e lembramos de um amigo que, aos oitenta anos de idade, acalentava um sonho.

Ele sabia trabalhar a madeira com muita técnica, confeccionando brinquedos de toda sorte.

Morava em uma vila, na qual a droga invadia as moradias e lhes roubava os garotos ingênuos.

Dizia o velho Inácio que tinha uma grande vontade de cuidar daqueles meninos, mostrando-lhes outros caminhos.

Poderia, talvez, lhes ofertar a sua arte, ensinar-lhes o ofício de trabalhar a madeira, criando beleza.

Faltavam-lhe, no entanto, as condições para adquirir os materiais, as ferramentas.

Mas, confidenciando a um amigo o seu projeto, teve a sua vontade unida à daquele ouvinte atento.

E se uniram as vontades de ambos.

Foi o amigo quem, depois de alguns dias, estacionou sua caminhonete no terreno da moradia de Inácio e entregou retalhos variados de madeira em grande quantidade.

Trouxe também ferramentas diversas, tintas, pincéis, pregos, dobradiças. Tudo o que seria necessário para que o anseio do amigo se tornasse realidade.

Inácio chamou um primeiro garoto, seu vizinho. Disse que iria construir brinquedos e lhe perguntou se gostaria de ajudar e aprender com ele.

Em breve tempo, o espaço da casa e do terreno, transformado em oficina, se fizera pequeno para abrigar tantos interessados.

E daquelas mãos orientadas surgiram carrinhos, casinhas, balanços, cadeirinhas, mesinhas, bancos e tantos outros brinquedos caprichados.

Com o dinheiro das vendas, mais materiais, mais ideias, mais realidades.

Um sonho, um projeto, uma vontade de fazer algo útil que se tornou realidade.

*   *   *

Se reconhecermos que nossa vontade não se faz suficiente para o que almejamos, devemos ser humildes para buscar a ajuda de terceiros, compartilhando os anseios.

Poderemos nos surpreender com quantos desejam realizar algo útil, como nós mesmos.

Às vezes, a pessoa ou pessoas dispõem dos recursos, bastando apenas que ideias lhes sejam apresentadas.

Nesse sentido, como em tantos outros, a união é a grande força.

Pensemos a respeito.

Que grande diferença haveria se toda boa vontade se tornasse realidade!