Homenagem à meu avô Ataliba Lopes Padilha

Esta coluna é dedicada ao meu avô Ataliba Lopes Padilha (in memorian). Mesmo sem conhecê-lo pessoalmente resolvi contar um pouco

Esta coluna é dedicada ao meu avô Ataliba Lopes Padilha (in memorian). Mesmo sem conhecê-lo pessoalmente resolvi contar um pouco da sua história nesta página. Sendo aqui descrito, o relato  de seus filhos e netos. Meu avô chegou a Marquinho em 1943, juntamente com sua esposa Carlota Varela Padilha e os seus dois filhos: José e Vitória, ele com dois anos de idade e ela com três. Saíram do Rio do Campo, Santa Catarina. Naquela época, o meio de transporte utilizado foi a cavalo, durante o trajeto meu avô comprou uma vaca holandesa para alimentarem-se na estrada, eles demoraram dezenove dias para chegar a Marquinho.

Após, a longa viagem meu avô foi trabalhar de peão para o seu tio Napoleão Lopes Padilha. Quando conseguiu comprar seu primeiro terreno no Rio da Barra, assim iniciou a lida com a safra de suínos que eram soltos na roça para a engorda e vendidos. Dessa forma, obteu bastante lucro investindo tudo isso, na compra de terras na Colônia Piquiri e colocava tudo no nome de seus filhos. Sendo que, muitos lotes foram comprados diretamente do governo, na época chamado Lupião.

Também comprou muitas terras de segundas pessoas que venderam porque era muito difícil viver aqui. Estas terras encontravam-se em mata fechada, sendo necessário a derrubada e queimada, para plantar o milho com a cavadeira chachou, depois a máquina manual. Faziam de vinte a quarenta alqueires, trabalho braçal. Nessa época do chachou, reuniam-se homens e mulheres para plantar roça.

Os suínos depois de gordos eram entregues em Goioxim tocados a pé, pois aqui não existia acesso para carros. Casaram-se e registraram-se em Goioxim. Em Santa Catarina moravam em terras de posse e foram despejados por ricos que escrituraram as terras em que residiam.

Em 1959, casou-se a primeira filha do casal: Vitória, os convidados vieram a cavalo porque não existia estrada na época. Veio no casamento o candidato Nivaldo Kruguer, que pediu apoio a Ataliba, o qual não pode dar, pois não pertencia ao mesmo partidário, porém garantiu um voto ao referido candidato. Depois de eleito, levou Ataliba e José Lopes Padilha para Curitiba. Com isso, adquiriu mais dinheiro para legitimar suas terras compradas do governo.

Assim, foi conquistando seu espaço na sociedade marquinhense. Nas horas vagas gostava de brincar com os netos: de jogos e contação de histórias, as quais são lembradas até os dias de hoje. Sempre dizia que “comprava muitas terras para deixar para seus netos”. Preocupa-se excessivamente com a educação, apesar de não ter estudo, valorizava muito o conhecimento. Frequentemente, ajudava a construir as escolas com madeira de suas terras  e também disponibilizava seu carro para o transporte na época.

Faleceu em 1982, de uma parada cardíaca, seu legado está presente na família pela pessoa inesquecível que se tornou, geralmente, citado nas reuniões familiares. Mesmo sem conhecê-lo tenho um enorme orgulho da sua vida de batalha, quando ouço o termo: “HEROI” é primeira pessoa que vem a minha cabeça.