Abra as janelas dessa cachola!

 Com o avanço dos estudos da mente humana, a psicologia busca traçar padrões ideais para sermos. Existem padrões ideais? Se

 Com o avanço dos estudos da mente humana, a psicologia busca traçar padrões ideais para sermos. Existem padrões ideais? Se são ideais, não deveriam ficar só no mundo das ideias? “Olha se você for mais assertivo…”,  mas se eu consigo acertar até errando! Às vezes, nossos erros se tornam grandes acertos! Provo: Já pegou uma rua errada e saiu exatamente no endereço que procurava? Pois então, eis a prova contundente de que um erro pode ser um acerto!
Será que não podemos ser do jeito que somos? Penso que todos os que procuram terapia são normais, porque aqueles que realmente precisam, acham que não precisam. Então, por que gastar tempo com gente normal, que pensa que não é normal?
 Só porque, de vez em quando dá uns gritos com as crianças; quase tem uma parada cardíaca no trânsito; se irrita com quem deixa a tampa da privada aberta; reclama do chefe, ou desliga o telefone na cara da operadora de telemarking… Lá vêm os controlados de plantão. Essa gente que pensa que não precisa de terapia: “Você precisa ter mais autocontrole!” QUEM NUNCA teve um chilique, um descontrolezinho atire a primeira pedra de cristal que ajuda a equilibrar! Isso é gente normal, de carne, osso, coração e de saco cheio! 
O mundo é tão complicado e está cheio de gente que precisa de tratamento, de verdade! Mas, não! Lá se vão os normais, para sua terapia semanal. Deitam no divã e alucinam-se com seus problemas catastróficos que, em suas mentes sufocadas pelas janelas emperradas do cotidiano, são capazes de provocar a terceira guerra mundial!
Depois de uma hora, saem de lá de cabeça erguida, respirando compassadamente, sentido seus chakras alinhados e em equilíbrio! Com a sensação de terem se livrado dos problemas.  Pronto. Agora tudo será normal! Todavia (palavra essa, para nossos tempos, tão ausente e anormal, quanto a normalidade) a paz interior durará até a próxima esquina, ao serem fechados por um motorista alucinado, que devia fazer terapia, mas não faz!
Ah, só lembrando o que diz o ditado popular “de médico e louco todo mundo tem um pouco!” E se o ditado diz, está dito! Mas dá para diminuir a intensidade e a quantidade, né! Faz um favorzinho: vai pra terapia!
 (Este texto é ficção, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. E em, tempos de isolamento social e pandemia, até a cronista (que faz terapia) não anda muito normal!)