Abri a janela: já é 2021

Valéria Caimi – mestre em Letras, professora da rede estadual, poetisa, contista e cronista.

Certamente 2021 é o ano de maior expectativa deste século. Se este ano fosse uma criança, seria aquela de pais inférteis que levaram anos para engravidar, ou aquele filho único em quem se deposita todas as expectativas!
     Todos estamos nessa expectativa, mas existem alguns tipos de pessoas que se destacam nessa espera:
O observador: aquele que não dá nenhuma opinião sobre suas crenças no novo ano, ou que ainda não formulou nenhuma hipótese sobre os próximos acontecimentos. Prefere ficar de olho nas notícias, no andar da carruagem. 
O ansioso: esse é o que mais sofre. Desde julho de 2020 já estava preocupado com os impostos que chegariam em janeiro e os aumentos da água, da luz, dos combustíveis. Quer ser o primeiro na fila da vacina e sofre quando descobre que são duas doses e provavelmente não estará imunizado até julho de 2021. Quando o assunto é máscara, o desespero é total.
O deprimido: não quer sair da cama. Acostumou-se a acordar tarde e passar o dia de pijama, zanzando pela casa, sempre em busca de algo para comer. Para ele tanto faz o que será de 2021, porque acredita estar vivendo o segundo round de 2020.
 O espiritualizado: fez todas as simpatias para que 2021 seja melhor:  semente de romã, semente de uva, lentilha, pulou onda, fez oferendas a Iemanjá, consultou as cartas, os videntes, elevou preces em prol dos médicos, enfermeiros, cientistas, para descobertas da vacina, mas sabe que a pandemia está ligada a entrada na Era de Aquários e tudo conspira de acordo com o Universo.
O otimista: acredita que 2020 não passou de um pesadelo e que em 2021 tudo se transformará: confia que esse ano será de sucesso e que sempre devemos aprender com as dificuldades. Fará o que puder para que seus dias sejam melhores. Faz de tudo para não deixar a peteca cair!
O pessimista: sabe que a vacina não vai chegar a tempo e se chegar vai faltar seringas, agulhas. Como será 2021? Não será! Está tudo acabado! Não sabe como sobreviveu a 2020! 
O incrédulo: não acredita na vacina, porque também não acredita no vírus! Não acredita que os números de casos e mortos aumentarão, nos próximos dias. Também não acredita nas notícias, porque são dados inventados!  Não acredita nem que estamos em 2021. Só acredita que a terra é plana!
O sentimental: Chorou ao ver os fogos, ou por não vê-los, na noite da virada! Chora ao pensar que a vacina não será suficiente! Mareja seus olhos ao receber os impostos no mês de janeiro; desespera-se na frente da TV com o número de mortos e o descaso da população e de algumas autoridades!
O consciente: lê as notícias, sabe diferenciar o que é real de fake news. Não viajou para a praia, nem para a casa dos parentes, nas festas natalinas. Continua lavando as frutas, os legumes, os pacotes de arroz. Utiliza máscara e álcool gel. E, se for necessário, continuará por 2021 afora seguindo todas as regras.
O realista: sabe que 2021 não será tão simples assim, que a pandemia não terminará de um dia para o outro; que os dias serão de um novo normal, bem diferente daquilo que conhecíamos como rotina.
Existem muitos outros, mas já está de bom tamanho para essa crônica. Sei, leitor, que ficou indeciso entre qual deles você se parece! Acredito que sejamos um pouco de cada um. Em certos dias somos mais um e menos outro, ou durante um dia acordamos o consciente e ao final da tarde chegamos ao sentimental! E assim seguimos em 2021 adentro.
 

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