Qual estrela é você?

Qual daquelas estrelinhas seria ele? Eram muitas, não tinha como saber! Tinha estrelas de vários tamanhos, umas bem distantes, outras

Qual daquelas estrelinhas seria ele? Eram muitas, não tinha como saber! Tinha estrelas de vários tamanhos, umas bem distantes, outras que pareciam mais próximas, algumas amontoadinhas e outras solitárias no seu canto, na imensidão do infinito. Como localizar alguém no engarrafamento celestial? Porém, iria procurá-lo todas as noites até encontrar, mesmo que isso levasse muito tempo.

Depois de algumas semanas procurando e apontando o dedinho para as mais brilhantes estrelas que conseguia observar da janela de seu  quarto, ficou,  pela primeira vez, indignado: “Como alguém resolve mudar-se para o céu, virar uma estrela e não deixar nenhuma mensagem dizendo o endereço correto? Não era justo ele ter que ficar procurando, procurando, procurando… só tinha uma pista que todos os adultos repetiam, incansavelmente:“Vovô, virou estrelinha e foi morar no Céu, junto com a vovó!” Qual seria a cor da casa da vovó? Como saber dessas coisas? Chorou, abafando o soluço com o travesseiro, para que  a mamãe não ficasse ainda mais triste!

 Não era  justo! Eles eram os melhores amigos, companheiros das travessuras, principalmente de comer doces escondidos da mamãe! Como ele foi morar com outra pessoa e me deixou? Não gostava mais de mim? Porque preferia a vovó? Passou a odiar a ideia que tinha da avó! Só tinha visto-a, num quadro na parede da sala e achava ela com cara de brava! Agora tinha certeza! A vovó era uma bruxa má que aprisionou o vovô, em outra galáxia!

Depois de um tempo voltou a olhar pela fresta da janela do quarto, na tentativa  de vê-lo, no infinito do céu, com um cartaz, escrito: “Oi, meu neto, aqui estou!” Entretanto, o que viu foi a mesma imagem que via todas as noites desde que o avô  dormiu e levaram-no numa caixa de madeira. Era isso! Ele ficou preso naquela caixa, ou não teria acordado ainda…Ficou com medo de adormecer e também desaparecer…

O coração queria ficar buscando na infinitude do céu, todavia os olhos pesavam e nesse dilema infantil embarcou numa viagem pelas galáxias à procura do vovô… onde estaria ele? Logo avistou uma estrada que não tinha nada a ver com a que esperava encontrar no céu. Cadê a escuridão? As milhares de estrelinhas a piscar? Andava por aquele caminho claro, largo, mas não encontrava ninguém! Com certeza, tinha pego o caminho errado! O Vovô Tião não estaria ali, no entanto, a curiosidade  impulsionava-lhe, continuou caminhando sem medo algum, sentindo-se forte e destemido para encontrar pistas do seu super herói desaparecido! Agora ele era o super herói que  o salvaria das garras de quem quer que fosse! Até mesmo da vovó, que a mamãe dizia ser boa, porém não acreditava nisso não! Principalmente, depois do que ela fez! Como alguém que é bom rouba da gente o nosso melhor amigo!? Mamãe não conhecia de verdade essa vovó!

_ Filho, acorda! Você dormiu mais uma vez de janela aberta!

Mal conseguia abrir os olhos, o brilho que entrava pela janela, naquela manhã de primavera, quase cegava-lhe. Sentiu um raio de luz a acariciar seu rosto! Era ele! Finalmente encontrou-o! Sim, vovô era uma estrela! A maior e mais brilhante que já tinha visto!

Abriu um sorriso e pulou da cama:

_Vou fechar essa noite!

Já sabia que não precisava mais buscar na noite aquele que veria todas as manhãs!

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