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A bateria do seu celular pode estar deixando pessoas sem água

O lítio, material usado na fabricação de baterias, é motivo para falta de água no Atacama
Salmouras de extração de lítio no deserto (Foto: Reprodução)

Devido ao aumento da demanda de lítio, os mineiros do Chile bombeiam a salmoura até a superfície e deixam evaporar ao Sol, resultando no Carbono de lítio. Esse sal então pode ser transformado em lítio.

O Chile é o segundo maior produtor mundial de lítio depois da Austrália. O país registrou uma produção de 16 mil toneladas no ano de 2018, todas concentradas no Atacama, avaliada em US$ 949 milhões. Um aumento de 38% em relação a 2017. E atualmente, existem apenas duas empresas de mineração de lítio na região, a americana Albermarle e a chilena SQM.

Embaixo do salar, área onde a salmoura fica evaporando, há um enorme reservatório subterrâneo natural de água salgada que contém sais de lítio dissolvidos.

Extração de água doce

Embora as preocupações que as extrações de água salgada causam ao meio ambiente sejam constantes, uma outra preocupação é ainda maior, a da extração de água doce. Os operários necessitam de água doce para limpar as máquinas e tubulações, e fabricar potássio, produto derivado da salmoura que é usado como fertilizante.

Diego Hernandez, presidente da Sonami, sociedade de mineração chilena, afirma que a quantidade usada de água é insignificante. Mas concorda que precisa ser monitorado pelas autoridades.

Alguns moradores de regiões próximas discordam do presidente, Jorge Cruz, que cultiva milho e alfafa a 40 quilômetros de distância, diz que, se as empresas continuarem a usar água doce no ritmo atual, sua aldeia não sobreviverá. “O governo não tem um modelo hidrológico de todo aquífero”, diz ele. "Deve ser capaz de tomar decisões fundamentadas com base em dados técnicos. Mas no Chile temos mais regras e leis do que dinheiro para fazer com que isso aconteça."

Tanto a Albemarle quanto a SQM realizam seu próprio monitoramento da água subterrânea. "Temos as ferramentas mais avançadas do setor para monitorar a saúde do Salar do Atacama", diz Eric Norris, presidente da Albemarle.

Segundo ele, todas as medições realizadas estão disponíveis para análise de autoridades locais. E os engenheiros estão trabalhando cada vez mais para melhorar as suas tecnologias, e produzir uma quantidade maior de lítio usando menos água. "Estamos muito empenhados em proteger esse ecossistema", diz ele.

As empresas do ramo recebem uma cota de água que pode ser explorada. No entanto ambas empresas já sugeriram que a outra tem violado esses limites.

Uso excessivo de água

 

No ano passado, foi constatado que havia mais água doce e salmoura saindo do sistema por meio de bombeamento e evaporação do que entrando por meio da chuva e da neve.

Não foi possível determinar, no entanto, se a mineração de lítio ou cobre era especificamente responsável. As minas de cobre, a mais de 80 quilômetros de distância, estão acessando as mesmas fontes de água doce e canalizando para suas instalações.

Grupos locais gostariam que houvesse uma abordagem conjunta para gerenciar a água do Atacama, e querem que o governo garanta que as comunidades vizinhas tenham água doce suficiente para agricultura e consumo próprio.

O que não vai acontecer, no entanto, é qualquer interrupção na mineração de lítio.

Várias empresas internacionais estão negociando a obtenção de licenças com o governo para se juntar à Albemarle e à SQM na extração.