Educação

Colégio Militar em Laranjeiras: trama ganha novos capítulos

Nessa semana, alunos iniciaram movimento contra a instalação no colégio Gildo. Chefe do NRE afirma que, independente de qual instituição for escolhida, ambas sofrerão mudanças em seu modelo de ensino

Desde fevereiro, quando fora anunciado que Laranjeiras do Sul ganharia um Colégio Militar, muito se tem discutido. O assunto tem gerado opiniões distintas. Na semana passada, o professor Lidio dos Santos, chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Laranjeiras do Sul, informou que as duas instituições que avançaram à fase final para ser sede do novo colégio eram a Escola Érico e o Colégio Gildo.

Ainda na semana passada, Lidio concedeu entrevista ao Correio e fez esclarecimentos importantes. Como, o fato de que, independente de qual instituição for escolhida, ambas sofrerão mudanças em seu modelo de ensino. Se uma receber o ensino militar, a outra passará a ofertar uma outra fase do ensino regular. É que Érico e Gildo oferecem apenas, respectivamente, o Ensino Fundamental II e o Ensino Médio.

Ele explicou que ambas as instituições foram selecionadas pela localização, no centro da cidade, fazendo com que nenhuma região fique mais favorecida ou outras desassistidas. Ainda de acordo com o chefe do NRE, os professores e funcionários concursados não perderão o emprego e só trocam de local de trabalho se quiserem.

Pois bem, o assunto já é digno de uma novela. Afinal, de fevereiro a abril se foram dois meses, tempo para um desenrolar de um folhetim. Neste, surpresas e opiniões divergentes ganharam força nas conversas do dia a dia da sociedade local, muito também nas redes sociais.

 

Colégio Gildo possui 12 salas, onde nove são utilizadas de manhã, e apenas cinco e três à tarde e à noite, respectivamente

 

Divergências

Durante esta semana, um grupo de alunos do Colégio Gildo, liderados pelo Grêmio Estudantil, iniciou um movimento contrário a instalação do novo modelo de ensino na instituição. “Sou a favor do Colégio Militar, contra a implantação dele em nosso colégio”, diz o lema do levante.

De acordo com a aluna Milena Hamulak, a instalação do Colégio Militar onde hoje se encontra o Gildo culminará com a extinção de uma das instituições mais antigas de Laranjeiras do Sul – fundada em meados dos anos 1970.

“O Gildo tem uma história aqui em Laranjeiras, além disso, ele tem valores! Fora que os alunos do Gildo teriam que ser remanejados para outros colégios e o Formação de Docentes iria para a Escola Técnica, que seria muito longe para a maioria dos alunos, que acabariam desistindo do curso”, enfatiza Milena, que é aluna do curso de Formação de Docentes.

O Correio entrou em contato com o NRE. De acordo com o órgão, o remanejamento do curso de Docentes para a Escola Técnica independe da chegada do ensino militar. “Na verdade estou adianto essa mudança desde quando a Escola Técnica iniciou suas atividades, mas isso irá acontecer, pois é uma instituição voltada para a formação profissional, diferente dos demais colégios de ensino regular”, explica Lidio dos Santos.

De acordo com dados do NRE, o Gildo possui uma estrutura ampla e com uma capacidade para abrigar muito mais alunos. O prédio possui 12 salas, onde nove são utilizadas de manhã, e apenas cinco e três de tarde e à noite, respectivamente. O Érico tem 10 salas, nove sendo utilizadas de manhã e seis de tarde. O Gildo tem 429 alunos, desses, 172 são de Formação de Docentes, que hora ou outra irão para a Escola Técnica. Sem eles, o Gildo teria apenas três salas ocupadas de manhã.

Conforme já esclarecido na semana passada, a escolha de qual instituição receberá o ensino militar independe do NRE local e sim de visitas da Polícia Militar, responsável por administrar a nova instituição. Tentamos contato com o diretor do Colégio Gildo, Elcio de Bona, mas ele não quis se pronunciar.

 

Sobre as manifestações

Sobre as manifestações dos alunos, Lidio dos Santos diz que tem buscado o diálogo com toda a comunidade escolar e argumenta que vai na contramão da conduta de outras regionais. “Os alunos temem perder o histórico da instituição. Temos de nos preocupar em valorizar a história, mas também em se preparar para o presente e o futuro. Penso que a Escola Militar é uma nova oferta de ensino para a região.  Em Foz do Iguaçu, por exemplo, a chefe do NRE chegou na instituição e simplesmente informou que ela seria a sede do Colégio Militar. Tinham 700 alunos, agora possuem 1100 e tem 900 na lista de espera. Mesmo com todos esses benefícios, eu tenho buscado o diálogo com as direções e com os pais e alunos, com quais devo conversar na próxima semana. Nós respeitamos a comunidade em geral, nos preocupamos com isso, mas entendemos que o Colégio será um ganho para a nossa sociedade”.