Política

Começa hoje (25) o julgamento final do impeachment de Dilma Rousseff

Quase nove meses após o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), autorizar a abertura do impeachment, a última etapa do processo contra Dilma Rousseff (PT), começa nesta quinta-feira (25) e deve se encerrar em até seis dias.

Por enquanto, 51 dos 81 senadores declararam publicamente a intenção de votar contra a presidente afastada, segundo levantamento realizado pelo jornal O Globo, nesta semana. Para o afastamento definitivo, são necessários 54 votos. Se o placar não for atingido, Dilma será absolvida e reassumirá a Presidência da República imediatamente.

Nos dois primeiros dias, serão ouvidas testemunhas de acusação e de defesa. Na próxima segunda-feira (29), Dilma vai pessoalmente depor no Senado, para tentar convencer os últimos indecisos. A votação que resultará na decisão do impeachment, é esperada para a madrugada de quarta-feira (31).

 

Senadores do Paraná

 

Em 12 de maio, quando o Senado votou pela admissibilidade do processo de impeachment, 78 dos 81 senadores estiveram presentes, dos quais 55 votaram a favor e 22, contra. Era preciso maioria simples para que o pedido fosse aceito.

Na ocasião, os três parlamentares do Paraná participaram da votação. O único que foi a favor foi Álvaro Dias (PV), enquanto Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB), foram contra a abertura do impeachment. Pelas recentes declarações, a posição dos três senadores paranaenses deve permanecer a mesma para a votação final do processo.

Álvaro Dias declara que o afastamento de Dilma Rousseff é inevitável. Não há hipótese para reversão. O fator foi analisado pelos senadores e a conclusão é que houve sim crime de responsabilidade, declarou, prevendo que pelo menos 60 senadores votarão à favor.

Gleisi Hoffman comenta que a decisão final pode sim ser diferente. Muitos senadores que votaram no primeiro momento, diziam que estavam votando a favor, mas não significaria que votariam da mesma maneira no julgamento final. Diziam que aquilo era de que as coisas pudessem ser melhor apuradas. Isso nos dá um alento de que a gente pode ter os votos que precisamos para evitar o impedimento, fala.

Requião também ainda acredita que Dilma conseguirá reverter a situação. Acho que ela pode não ser impichada. Creio que teremos 28 senadores do nosso lado, recordando que na abertura do processo no Senado, 22 foram contra. A Dilma, então, precisa de mais seis ou sete. Precisa ser muito inábil para não conseguir, diz.

 

Motivos do impeachment

 

 

A petista é acusada de crime de responsabilidade por ter editado três decretos de créditos suplementares sem a autorização do Congresso Nacional e pela prática das chamadas pedaladas fiscais, que são atrasos nos pagamentos da União para o Banco do Brasil nos subsídios concedidos a produtores rurais por meio do Plano Safra.

Para a acusação, esses atrasos configuram operações de crédito da União com instituições financeiras que controla, o que é vedado pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Já a defesa de Dilma diz que não houve dolo (má-fé) da petista na edição dos decretos e que as pedaladas não são empréstimos bancários.