Educação

“Dê tempo ao tempo”

Professores e alunos da escola Érico Veríssimo, de Laranjeiras do Sul, debatem e desenvolvem trabalhos sobre a gravidez precoce
Mãe aos 16 anos, Emely Estefani recebeu suporte da família e foi acolhida pela comunidade escolar do Érico Verissímo (Foto: Juliam Nazaré)

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil têm a sétima maior taxa de gravidez entre os países latino-americanos. O índice é preocupante! O Brasil tem 68,4 bebês nascidos de mães adolescentes a cada mil meninas de 15 a 19 anos. Os números são superiores ao da média da América Latina, estimada em 65,5. A média mundial é de 46 nascimentos por mil. Para se ter ideia, os Estados Unidos registram 22,3 nascimento a cada mil jovens.

 

Problema social

Motivo de preocupação para especialistas, a gravidez precoce é vista como uma aliada, por exemplo, da evasão escolar. Atentos a isso, a Escola Érico Veríssimo, de Laranjeiras do Sul, tem abordado o tema, previsto no currículo escolar, de forma séria e leve. Os professores trabalham o conteúdo de forma interdisciplinar.

“Temos ciência dos problemas que a gravidez na adolescência acarretam e visando isso resolvemos desenvolver um trabalho educativo com o tema “Gravidez na Adolescência: dê tempo ao tempo...Se não planejar seu futuro, sua vida pode mudar de rumo a qualquer momento”, explica a pedagoga Roselaine da Silva.

Tendo como foco os alunos do 7º, 8º e 9º, o trabalho educativo tem pautado-se na formação integral do acesso às informações sobre sexualidade e em abrir espaços de discussão sobre os desafios que o adolescente enfrenta a gravidez precoce.

O professor de Língua Portuguesa, Jociel Duarte, trabalhou o tema em sala de aula. Segundo ele, alguns casos de alunas grávidas motivaram a instituição a abordar o assunto. “Foi bacana. Primeiramente, pedi para que eles (alunos) pesquisassem sobre a participação da família, da mídia e da escola na gravidez precoce. Estudemos, debatemos a questão e após isso cada um escreveu um artigo de opinião. Nesses casos a escola tem o dever de conscientizá-los, pois as consequências serão sofridas por eles”, conta Jociel.

“Esse é um tema muito importante a ser trabalho aqui na escola. Já tivemos casos de alunas que engravidaram, então a partir de discussões, cartazes, poemas, textos de opinião, os alunos se encorajaram e as aulas fluíram muito bem”, conta a diretora da escola, Roselene Bortoluzzi.

 

Um bom exemplo

Emely Estefani foi mãe recentemente. Aos 16 anos, ela teve o amparo da família, dos colegas e da escola durante e após a gravidez.

“Pra mim foi muito difícil no começo. Não estudava aqui e escolhi vir pra cá pois sabia que a escola era acolhedora. Quando contei para meus colegas de sala, eles me respeitaram e inclusive buscavam me ajudar. Agora troco experiências com meus colegas. Eles perguntam como foi e é. Sou grata, pois tive o apoio da minha família e de toda a escola”, diz Emely.

“Tratamos esses acontecimentos com naturalidade. A mãe da Emely me procurou, explicou que a filha não estava se sentindo confortável em outra instituição e demos a ela todo o apoio que ela precisava”, conta a diretora.

“A gravidez não é algo ‘de outro mundo’, mas a iniciativa da escola foi muito legal, pois pôde ajudar muitas meninas. Elas tem um futuro pela frente e uma gravidez nessa idade atrapalha um pouco, ainda mais se não receberem o apoio necessário”, comenta a mãe de Emely, Elizete Sandrino.

Quando o abordagem do tema começou a ser discutida em sala de aula, Emely estava de licença. “Mesmo ela estando afastada das aulas presenciais, os colegas tomaram ela como uma referência positiva para a realização desses trabalhos. A Emely sempre mantém uma relação harmoniosa com os professores, alunos e funcionários, vindo nos visitar, trazendo a filha...”, diz o professor Jociel.

“Ficar grávida aos 15 anos não é uma situação tão simples de ser enfrentada. Temos muita preocupação para que as alunas não abandonem a escola. Quando ela não pode mais vir à escola, mandamos as atividades, ela faz em casa e recebe todo o acompanhamento pedagógico necessário. Procuramos combater a evasão escolar”, diretora.

 

Exposição

Dentre os trabalhos desenvolvidos durante as aulas e que abordam a temática da gravidez precoce, estão as redações, poemas e cartazes. Alguns deles estão sendo expostos no saguão da escola.

Ser pai e mãe na adolescência: um turbilhão de
preocupações e incertezas (Foto: Juliam Nazaré)