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Direitos autorais fazem canal Viva mudar de perfil

Nesta semana, a estreia de "Estrela-Guia" apresentou uma modificação na abertura, motivada por direitos relacionados à trilha sonora
Ana Paula Arósio, Marcelo Antony e Raul Cortez em "Terra Nostra" (1999). Novela está sendo reprisada em versão compacta no Viva (Foto: TV Globo Ltda)

Nesta semana, o canal fechado Viva estreou a reprise da novela “Estrela-Guia”, trama escrita por Ana Maria Moretzsohn e exibida no horários das 18 horas da Globo, em 2001. Tendo como protagonista a cantora Sandy, a novelinha de 83 capítulos tem figurado entre os assuntos mais comentados do internet, sendo boa parte deles positivos.

Porém, um fato chamou a atenção dos espectadores e obrigou o Viva se retratar: a abertura teve a música trocada. Em vez da versão de “Imagine” por Paulo Ricardo, foi ao ar uma trilha instrumental. A primeira cena da novela, que apresatava John Lennon – autor da canção tema – cantando a música, junto à algumas cenas de catástrofes da década de 1980, desapareceu.

Lilía Cabral é Daphne em "Estrela-Guia"/Foto: TV Globo Ltda

 

Em reposta ao portal RD1, a emissora justificou que a mudança visa respeitar os direitos autorais. “A partir da escolha de um título, o Viva faz a checagem de direitos autorais. No caso de ‘Estrela-Guia’, o canal se deparou com impedimentos em relação aos direitos musicais para esta exibição, o que ocasionou na troca do tema de abertura da trama“. A versão original, porém, foi disponibilizada no Viva Play – incluindo um clipe, exibido antes do primeiro capítulo, com imagens de Lennon, acompanhadas da tradução de “Imagine”, diz a nota.

Perdendo a característica

Os problemas com direitos autorias estão fazendo com que o canal fique um tanto “destoado” de sua proposta. Há alguns anos, a Globo baixou uma regra ao Viva, onde este só poderia reprisar novelas exibidas antes dos anos 2000.

Atualmente, apenas “Terra Nostra”, que estreou no horário das 21 horas em 1999, mas terminou no primeiro ano do novo milênio, respeita – em partes – a regra. “O Cravo e a Rosa” (2000) e “Porto dos Milagres “2001”, quando anunciadas, foram alvos de críticas do público por serem recentes. Para se ter ideia, a próxima reprise do Vale a Pena Ver de Novo, na Globo, “Por Amor” (1997), é mais velha que os quatro folhetins exibidos no canal fechado.

Criado com a proposta de reexibir clássicos da Globo na íntegra – diferente do Vale a Pena Ver de Novo, que picota as novelas -, o Viva vem fugindo desse perfil e muito está relacionado à questão dos direitos autorais, conforme explica Duh Seco, do RD1: “Os produtos não podem ser veiculados até que todos os profissionais envolvidos no trabalho recebam, da Globo, o que lhes cabe por conta da reprise na TV fechada. A negociação esbarra em interesses de herdeiros ou de gravadoras, por exemplo. Os contratos estabelecidos recentemente preveem a liberação, quase imediata, de novelas e outros gêneros para o Viva. Já os compromissos assinados com atores, equipe técnica e músicos, em décadas mais distantes, não compreendem a exibição de uma determinada produção na TV fechada – algo inexistente, no Brasil, até os anos 1990”.

A audiência não foi afetada

Betty Faria e Joana Fomm protagonizaram "Tieta" (1989). Um dos maiores sucessos de todos os tempos levou sete anos para ir ao ar na TV fechada/Foto: TV Globo Ltda

 

Com isso, fica mais viável reprisar folhetins recentes. “Tieta” (1989), demorou sete anos para entrar na grade justamente por esse problema. “Terra Nostra” está no ar em uma versão compecta, de 150 capítulos, da Globo Internacional.

Apesar do desgosto por parte do público, as tramas estão garantindo ótimos número de audiência na TV fechada. “O Cravo e a Rosa”, “Porto dos Milagres” e “Terra Nostra” são líderes em seus horários.