Editorial

Editorial - Entre o certo e o errado

O patrimônio da quase totalidade dos presos por corrupção no Brasil, evoluiu numa proporção muito maior do que o empobrecimento do povo brasileiro na mesma época.

 


Está comprovado: a evolução patrimonial das empreiteiras, dos políticos, e de todos os corruptos e corruptores nos últimos dez anos, com seus lucros faraônicos, é muito maior do que nos anos anteriores

 


O patrimônio da quase totalidade dos presos por corrupção no Brasil, evoluiu numa proporção muito maior do que o empobrecimento do povo brasileiro na mesma época.

 


Ora, se o empobrecimento do povo não pode ser compensado com um bom atendimento na saúde pública, com escolas para filhos, com segurança pública, situação agravada ainda com a falta de salário de servidores em quase todos os estados, é porque o dinheiro que esses senhores acumularam roubando é a verdadeira razão da desgraça que assola quase todo o povo brasileiro. Se considerarmos que 30 milhões vivem normalmente, os outros 170 milhões vivem pessimamente, ou não conseguem sequer sobreviver.

 


Qual a razão de não sequestrar os bens desses senhores? Está comprovado: a evolução patrimonial das empreiteiras, dos políticos, e de todos os corruptos e corruptores nos últimos dez anos, com seus lucros faraônicos, é muito maior do que nos anos anteriores. E a coincidência se dá exatamente no momento em que o país estava sendo impiedosamente roubado.

 


É justo deixá-los só nas cadeias, sem tirar seus patrimônios? Não é muito mais justo que não estivessem presos - às custas do povo - e viessem viver nas ruas, como está o povo? É inadmissível um preso ter carros, apartamentos miliardários, no Brasil e no exterior, com privilégios para seus familiares, estudando em colégio de 10 mil dólares no exterior, ou de 2 mil, 3 mil dólares aqui no Brasil, e os pobres, desempregados, e todos os afetados, continuarem a sofrer.

 


O custo diário da bebida que consomem, vendo seus filmes maravilhosos, tragando seus charutos importados e saboreando seus banquetes, é maior do que seus empregados levam um mês para receber. O que pensam esses empregados, quando sabem que seu patrão é ladrão e que o que recebe por mês, trabalhando 12 horas por dia, é o mesmo valor das quatro ou cinco champanhes que seu patrão consome em três dias? Por que não sequestram seus bens para que possam ver o que é ser pobre no Brasil?

 


A consciência dos que dirigem o país permite ter a certeza de que não vai acontecer nada? Esses ladrões que saboreiam caras champanhes não são mais do que 20% do total daqueles que estão desgraçados pelo desemprego, e dos quais alguns preferem até roubar para serem presos, porque assim, na cadeia, pelo menos não morrem de fome.

 


Esse é o Brasil que precisa mudar. Mas não só a cara, principalmente a alma!