Editorial

Editorial - Fé de mais!

Escreveu o colunista Dionísio Lins, que o Carnaval carioca, festa que deveria ser marcada pela alegria e pela descontração das pessoas, acaba por vezes tornando-se palco de violentas batalhas envolvendo grupos de bate-bolas.

Esses indivíduos, não todos, mas apenas uma pequena minoria que se utiliza do anonimato escondida atrás de uma máscara, não estão ali para se divertir, e, sim, para praticar atos de violência.

E acabam culminando com a morte de inocentes, como constatamos durante a folia de anos anteriores, onde a vida de adolescentes por vezes é ceifada sem motivo aparente.

E ele tem razão. Mas a violência não fica só no campo da agressão, os roubos feitos por grupos de adolescentes estão cada vez mais comuns.

Os blocos de arrastões têm sido a coqueluche do Carnaval Carioca 2018. Turistas nacionais e estrangeiros estão sendo vítimas da delinquência juvenil, sem limite e controle.

A violência no Rio de Janeiro tirou a alegria dos foliões que escolheram a Cidade Maravilhosa para brincar o carnaval. Com policiamento escasso, apesar da garantia do governador de reforço na segurança, criminosos têm agido livremente, sobretudo na Zona Sul.

Na quinta-feira (8), véspera do início do carnaval, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, do PMDB, tinha prometido um carnaval com policiamento reforçado.

Nós vamos ter um patrulhamento, no carnaval, 17 mil policiais a mais dos 8 mil diários que nós temos, nas ruas, nos 4 dias. Está tudo engrenado, nós vamos ter um grande carnaval, afirmou Pezão.

O detalhe é que o governador e os responsáveis pela segurança pública no estado, esqueceram de avisar os marginais. E eles deitam e rolam em uma terra sem leis.

A falência da segurança pública no Rio de Janeiro reativou o passado nas áreas antes pacificadas – pelo menos em tese. Assaltos a pedestres à luz do dia e em regiões movimentadas, roubos de carros e adolescentes invadindo ônibus para arrancar celulares de passageiros são cenas comuns, e o sentimento de medo tomou conta da cidade.

Em ritmo mais intenso que a escalada da violência, cresceu a sensação de insegurança da população carioca. O sossego que se ensaiou com as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) ficou para trás.

A letra da da música Céu e Fé, gravada pelo Exaltasamba, descreve bem o que foi o clima carioca neste carnaval:

 


Insegurança, medo, alegria, paz e emoção

Tudo ao mesmo tempo num só coração

Eu tô há tanto tempo procurando alguém pra dar a mão

Fica difícil acreditar então,

Que tudo que sonhei, E que pedi em oração

Está ao lado meu e percebeu

É hora de viver

 


Só rezando mesmo!