História

No dia do office-boy, conheça a trajetória de um que virou chefe executivo

Hoje (13) é dia do office boy, e o Jornal Correio do Povo traz para você o que um profissional como esse faz, qual a sua importância e como, mesmo começando por baixo, essa profissão pode abrir várias portas de oportunidades a quem se dedica.

O office-boy é o funcionário responsável por executar serviços de rotina administrativa, envolvendo recepção e distribuição de correspondências e documentos.

Além disso, ele ainda pode atuar como um assistente de secretariado, desempenhando funções como: transmitir mensagens orais ou textuais para os demais funcionários da empresa, fazer depósitos bancários, fazer fotocópias e outras atividades que exigem uma constante movimentação por diversos pontos da cidade, por exemplo.

Por este motivo, principalmente no Brasil, os cargos de office-boy são associados com uso de motocicletas, pois devido ao trânsito das grandes cidades, este tipo de veículo torna-se mais adequado para a fácil locomoção do profissional.

Os principais ramos de atuação dessas pessoas são na área jurídica, de telecomunicações, de alimentos e de contabilidade, e os estados que melhor as remuneram são São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

 

Carreira

O trabalho como office-boy é para muitos jovens a porta de entrada no mercado de trabalho e a primeira oportunidade de mostrar aos outros (e a si mesmos) do que são capazes profissionalmente.

O administrador de empresas Luiz Carlos Calil tinha 16 anos quando se candidatou a uma vaga de office boy dentro da Caterpillar, multinacional especializada na fabricação de máquinas, motores e veículos pesados, na qual viria a se aposentar 46 anos depois na posição de presidente.

Antes da Caterpillar eu já trabalhava há mais de um ano como office boy no centro de São Paulo, num tempo em que a cidade tinha ares europeus, era segura, boa de andar. Foi meu pai, que trabalhava na Caterpillar, quem me avisou das quatro vagas que estavam abertas para trabalhar no escritório da Vila Leopoldina, conta.

 

Disputa acirrada

A disputa, que envolveu 35 candidatos, terminou com Calil em primeiro lugar, sendo alocado para serviços internos. Eu pedi pra ficar com uma das três vagas de office-boy externo, pois gostava de andar na rua, mas não deixaram, pois o melhor candidato seria interno, explica ele, que logo percebeu as vantagens de estar dentro da firma e, em apenas cinco meses, foi promovido a arquivista de documentos confidenciais.

A nova posição, de acordo com ele, surgiu por conta de sua postura no trabalho. Era um trabalho intenso, com muitas correspondências pra distribuir. Mas eu sempre procurei dar o melhor de mim, tanto no aspecto técnico como na conduta pessoal.

Fui muito elogiado pois viam que assim que chegava um documento na minha mão eu entregava, não importava se tinha acabado de dar uma volta longa. Essa atitude pautou minha carreira.

 

22 promoções

Mesmo no cargo máximo da companhia, uma jornada que contou com aproximadamente 22 promoções, Calil não deixou de aconselhar quem quer que pedisse uma opinião – inclusive, é claro, aos office-boys da Caterpillar.

Entre as dicas que o ex-presidente dá aos office-boys estão retribuir a confiança de quem os contratou correspondendo às suas expectativas e ter curiosidade em aprender novas atividades,  arrumando tempo para ajudar colegas em outros serviços.

Faça tudo isso, mas sem pensar no cargo seguinte. Mostre ao gestor que você ficaria feliz em exercer outras atividades, mas sem ambição exacerbada. Deixe que as coisas aconteçam naturalmente.