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Quedas: Marlene admite falhas, mas considera "um absurdo" o processo de cassação

Após perder o mandato na Câmara, na terça-feira (6), a prefeita conseguiu uma liminar na Justiça, na sexta-feira (9), retomando o mandato. Em entrevista ao G1, ela negou irregularidades
(Foto: Arquivo Correio do Povo )

Em Quedas do Iguaçu, a polêmica envolvendo o mandato da prefeita Marlene Revers vem rendendo espaço nos principais noticiários do estado e até do país nas últimas semanas. Ela teve o mandato cassado na terça-feira passada (6), após votação na Câmara de Vereadores.

Investigada pela suposta compra de 6,5 toneladas de bolo e 36 mil salgadinhos, Revers conseguiu, na sexta-feira (9), uma liminar na Justiça, retomando suas funções como chefe do Executivo Municipal. A Câmara está recorrendo da decisão. 

Em entrevista para o portal G1, Marlene classificou os últimos acontecimentos como "um absurdo". De acordo com ela, "Foram mandadas para os vereadores umas dez pastas pela Assistência Social, que é bem organizada, com fotos, com assinatura de presença, relatório de todos os programas, a soma das notas. Foi mandado tudo", disse ela. 

Vitória Revers é secretário de Administração de Quedas, além de marido da prefeita. Juntos, eles dizem que a cassação foi uma retaliação política da câmara: "queriam nos prejudicar", justificou. 

Marlene Revers confessou que houveram falhas na emissão de notas e na descrição dos gastas, mas determinou que a partir de agora as notas sejam emitidas respeitando o que é adquirido pela administração. 

Explicações do caso

Segundo a coordenadora do Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), Marcelaine Reguelin, as 6,5 toneladas de bolo foram consumidas em um ano e meio e não em dez meses, como apresentam as notas fiscais. 

O mercado licitado para entrega dos doces e salgados não emitia notas todos os meses, o que culminiou em requisitções acumuladas, que eram apresentadas juntas.  "Algumas vezes eles ligavam e falavam que não iam emitir a nota porque estavam com alguma [certidão] negativa e por isso a prefeitura não conseguiria fazer os pagamentos", explicou

De acordo com a coordenadora, no período houve aumento no número de famílias carentes atendidas. Com isso, os lanches com bolos e salgadinhos seriam oferecidos frequentemente nos aniversários, reuniões ou cursos envolvendo crianças e seus familiares. 

"As mulheres iam lá, faziam o curso, levavam seus filhos junto e a gente tinha uma espécie de creche itinerante, onde as crianças ficavam com oficineiros que cuidavam delas. E, a gente oferecia lanche para as mães e as crianças", explicou.
 

Outro lado

O proprietário do mercado responsável pela emissão das notas disse que as certidões negativas têm data de vencimento e que, portanto, seria normal a acumulação de pedidos para emitir notas ficais após a situação estar regularizada. 

O que diz a Câmara?

A Câmara de Vereadores de Quedas disse que todos os parlamentares foram informados do processo de forma integral, inclusive a defesa da prefeita. De acordo com estas informações, Marlene e sua defesa tiveram 20 dias para a análise dos documentos. 

A Casa negou que houve perseguição política através do processo de cassação.