Esporte

Uma metamorfose ambulante

Aos 61 anos, o ex-policial Silvino Migliorini resiste às limitações do corpo humano e se reinventa como atleta de triathlon
Silvino Migliorini: um master atleta em Laranjeiras do Sul (Foto: Juliam Nazaré/ Jornal Correio do Povo)

Nascido em Ponta Grossa, Silvino Migliorini fez carreira como policial rodoviário federal em Laranjeiras do Sul: foram quase 40 anos dedicados à profissão. Em 2014, após uma troca de tiros com traficantes, sai baleado na cabeça e perde um olho. O momento de dificuldade fez com que Migliorini se obrigasse a deixar o ofício. Recrutado pelos médicos, ele desafiou aos seus próprios limites, se superou e agora desponta como figura destaque de um esporte não tão praticado, mas muito assistido e admirado: o triathlon – espécie esportiva que unifica maratonas de natação, ciclismo e atletismo. O repórter esportivo Juliam Nazaré acompanhou a rotina de uma manhã já ‘tradicional’ na vida do ex-policial e agora atleta. Confira:

Uma vida rumada por desafios

Aos 61 anos, Silvino Migliorini reside em Laranjeiras do Sul desde 1979. Figura carismática da região, ele ficou conhecido por seu trabalho de combate ao crime, mas a relação com os esportes, que agora desponta, não é breve. “Nos anos 80 cheguei a ser campeão paranaense dos 100 metros rasos, no atletismo. Sempre mantive uma vida saudável, mas a relação com as competições se estreita após eu começar a ter problemas na coluna – onde perdi um disco. Após o tiro que levei em uma ação policial, fui aposentado por invalidez e voltei a praticar esportes, mesmo orientado pelo médico a ter cautela, principalmente com as corridas. Fui me desafiando e em 2015 iniciei com o ciclismo, um ano depois foi a vez de usar técnicas para a natação, visto que eu já nadava”, comenta o ‘master’ atleta.

Participando de competições por hobbie, Migliorini começa a se surpreender ao colher os frutos da dedicação e amor à vida: as medalhas e pódios aos poucos foram tomando espaço nas estantes da casa. “Esses resultados me motivaram ainda mais. Decidi ir para o triathlon e voltei para o karatê, de onde estava afastado há anos. Inclusive, há poucas semanas me tornei faixa preta, que trata-se de um nível conquistado por poucos nessa modalidade”

Rotina

Empenho e dedicação fazem parte do vocabulário de Silvino Migliorini. Em um mês, ele costuma percorrer, em média, 500 quilômetros, unindo os trajetos feitos dentro d´água, sob duas rodas e a pé. E não para por aí, ainda sobra tempo para ir semanalmente à academia e ao pilates. “Procuro não me desgastar tanto, mas sempre faço um trajeto considerável. Têm dias em que pedalo de 50 a 60 quilômetros, mas não baixo dos 25. Quando fui aposentado com invalidez e me vi, com quase 60 anos, senti motivo para superar mais essa etapa da minha vida. Fiz uma preparação, abaixei o peso, fortaleci a musculatura, consultei profissionais, os segui à risca e tenho conseguido ter uma vida regrada a atividades com o objetivo de competição, mas ao mesmo tempo não deixo minha qualidade de vida de lado”, conta.

Os treinos diários só levam a uma justificativa: treinar para competir, e não apenas participar de uma prova. “Tenho uma satisfação pessoal ao estar ativo, praticando atividades físicas e competindo. Minha saúde foi promovida, não tenho mais tantas lesões e inclusive, quero deixar isso como um legado: que as pessoas busquem envelhecer de forma mais saudável, que consigam ter uma harmonia melhor com seu corpo. Evito bebida, cigarro e tenho algumas pessoas que me seguem, que praticam junto comigo, é uma inspiração para mim”.

Sendo sinônimo de superação e inspiração para muitos, Silvino pretende continuar ‘levando a vida’ dessa forma e conta os novos planos: “Agora o foco são as competições de ‘bike’ e ano que vem, na praia Caiobá, em Matinhos, terá uma maratona de triathlon. Quero ver se consigo participar dessa prova”.