A vista do meu ponto - Osnélio Vailati
31 de março: a comemoração da estupidez humana!

Na obra 1984 de George Orwell, há funcionários cujo trabalho é reescrever a história conforme os interesses do Governo. Dessa forma, funcionários, alteram registros históricos e destroem documentos que contrariem a versão oficial proposta pelo ditador de plantão (o Grande Irmão). Regimes totalitários empregam essa tática para dar cores diversas àquilo que se realizou em tons de cinza, ou de vermelho, muito vermelho. Esse tipo de literatura é denominado distopia (o inverso de utopia), ou seja, a realização do pior mundo possível. Com Bolsonaro, o Brasil vive um momento distópico. O governo capitaneado por Bolsonaro se converteu num baluarte em defesa do que há de mais medíocre e repugnante neste país. Não se pode mais pensar que suas falas sejam impensadas devido ao seu despreparo intelectual e do fato de ainda não haver se conscientizado sobre a importância do cargo que ocupa perante os brasileiros e o mundo. É na verdade uma mostra do seu caráter, e sobre o caráter de Bolsonaro basta lembrar que em plena sessão da Câmara dos Deputados transmitida ao vivo por redes de TV para todo o país, ele homenageou o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, um coronel do Exército Brasileiro que costumava enfiar ratos vivos na vagina das mulheres por ele torturadas.

            Juristas¹ afirmam que ao determinar a comemoração do aniversário de 55 anos do golpe militar ocorrido em 31 de março de 1964, Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade, pois, tal ato contraria o artigo 85 da Constituição Federal (1988) em seus incisos II e III. Bolsonaro afirma que o Brasil não teve ditadura militar e que sobre os presos políticos, os torturados, os mortos e desaparecidos, apenas houve alguns probleminhas. Segundo o portal G1² a Comissão Nacional da Verdade chegou até o momento aos seguintes números: 191 mortos; 210 desaparecidos; 33 corpos localizados; 6591 militares foram perseguidos pela própria ditadura por não comungar das decisões tomadas em arrepio aos Direitos Humanos. Houve a identificação de 377 agentes responsáveis pela repressão. Falar sobre as torturas praticadas requer um artigo à parte devido à monstruosidade praticada. No período, 536 sindicatos sofreram intervenção e houve censura aos meios de comunicação, enfim, para falar sobre o caráter do regime levado a efeito, recupero uma fala do saudoso político Leonel Brizola, que tanto quanto pode lutou contra o Estado de Exceção brasileiro quando afirmou: se algo tem rabo de jacaré, couro de jacaré, boca de jacaré, pé de jacaré, olho de jacaré, corpo de jacaré e cabeça de jacaré, como que não é jacaré?.

P.S. Na foto abaixo, um simpático ursinho Panda, pelo menos no entender de Bolsonaro!