Editorial
Assunto que precisa ser tratado com responsabilidade e cautela

O suicídio aumentou gradativamente no Brasil entre 2000 e 2016: foi de 6.780 para 11.736, uma alta de 73% nesse período. As maiores taxas de crescimento foram registradas entre jovens e idosos, do acordo com o Ministério da Saúde.
No mundo, o suicídio acomete mais de 800 mil pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). É a segunda causa de morte no planeta entre jovens de 15 a 29 anos — a primeira é a violência.
Apesar dos números, a prevenção do suicídio avança. Na década de 1980, estudos nos EUA afirmavam que essas mortes poderiam ocorrer por imitação. E esse trabalho reforçou a ideia de que "não podemos falar sobre o assunto". Mais de 30 anos depois, a Organização Mundial da Saúde vai na direção contrária, dizendo que, sim, precisamos conversar sobre o suicídio.
"Não é proibido falar, só não podemos falar de forma errada. Não podemos glamourizar, nem ensinar técnicas", diz nota da Associação Psiquiátrica da América Latina (APAL).
Esse assunto ainda divide opiniões entre editores. Toda profissão tem seus tabus. No jornalismo, um dos tabus é a divulgação de notícias de suicídio. Existe, entre os profissionais da área, uma crença de que a divulgação de casos de suicídio serviria como estímulo para que pessoas que estão em depressão façam o mesmo, tirando a própria vida. Com base nessa ideia é que somente são noticiados os suicídios de pessoas famosas, como o do ator americano Robin Willians, apenas para citar um caso de grande repercussão envolvendo celebridades.
Para uma outra corrente, deve-se falar a respeito e que falar é importante. Mas, falar com juízo. Não se trata de se registrar todo e qualquer caso. Mas, sim, de se discutir o assunto numa perspectiva psiquiátrica e sociológica. Informações sobre suicídio devem ser divulgadas, porém, com certo cuidado, de tal forma que não se tornem rotina. 
Outra questão que preocupa é o aumento dos casos de suicídio entre jovens. Afinal, essa é a quarta causa de morte de brasileiros entre 15 a 29 anos. Uma possível causa para o aumento de tentativas de suicídio pode ser o interesse dos jovens por jogos como o baleia azul, por exemplo, como aconteceu há algum tempo atrás, além da depressão ou até mesmo a pressão em ambientes estudantis.
A campanha, Setembro Amarelo é uma forma de conscientização e de prevenção ao suicídio. A ideia é alertar as pessoas a respeito da realidade do suicídio no Brasil e das formas de prevenção. Iniciado no Brasil pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o Setembro Amarelo começou em 2015.