Espírita - Manoel Ataides
Deus e a morte

Em todas as regiões do mundo, entre todos os filhos racionais da Divindade, emerge das mentes uma pergunta de profundo conteúdo filosófico, dirigida aos ouvidos do Universo: Por que se tem que morrer?

                Mesmo no seio de comunidades ateístas ou materialistas, com reconhecidas exceções, advém a mesma pergunta: Por que a morte?

Quando nos pomos a meditar acerca do que é a morte, não tardamos a encontrar o seu sentido na própria existência da vida.

                O fenômeno morte-vida representa frente e verso de uma mesma questão. Logo, se filosofarmos um pouco, podemos chamar a vida de morte ou a morte de vida.

Cada indivíduo que viaja da Terra para o Mundo dos Espíritos,  ou seja,  cada pessoa que desencarna, em verdade, prossegue vivendo em dimensão invisível à maioria dos olhares, quedando inativo, alterado, esgotado ou morto, tão somente o corpo biológico no qual se agitou até bem pouco tempo.

                Morto, assim, fica o corpo físico, enquanto o ser pensante, intelectual, continua existindo e prossegue vivendo. Cada indivíduo sai do corpo sem que saia da vida.

                Se continuarmos refletindo, observaremos que tudo o que é matéria densa no mundo acaba por se alterar, modificar-se, envelhecer e morrer.

                Teremos, pois, a morte como transformação no rastro da evolução, já que evolui o ser espiritual como também evolui a matéria específica que compõe o corpo biológico, como parte da matéria imutável do mundo.

                É aí que passamos a compreender a razão pela qual Deus legislou estabelecendo a existência da morte.

                Uma vez que cada um de nós se acha no mundo terrestre com o objetivo de rumar para a perfeição, a desencarnação tem que estar a serviço dessa evolução, desse aperfeiçoamento.

                O ser humano, enquanto no mundo, muitas vezes se prende apenas aos dados que os sentidos físicos lhe concedem. Então, vive todo o tempo empreendendo esforços para tentar perpetuar as posses, os gozos e os prazeres, o poder, sem deter-se um pouco que seja para se indagar sobre o significado dessas posições, ou das coisas que acabam por repletar nossas vidas.

                Deus permite a existência da morte, ou desencarnação, afim de que cada um dos seus filhos, por meio de ingentes esforços, de lutas intensas, logre conquistar as bênçãos de progresso e de alegria, que suplantam o presente e se lançam para o grande futuro.

                Ao refletir, cada pessoa se dará conta de que ninguém está renascido no planeta por mero passeio, por diletantismo, ou como um prazeroso lazer sem fim.

                O retorno às dimensões do mundo invisível, por parte de cada um de nós, permite avaliações excelentes do aproveitamento do tempo e das oportunidades no mundo da matéria grosseira. A estada no além, por algum tempo, deixa o desencarnado revisar toda a sua conduta no planeta, na vivência consigo mesmo e na convivência com os demais.

                Esse balanço que cada um realiza, logo que chega aos campos invisíveis, permite que os Guias Nobres ou os Anjos Guardiães possam avaliar o fazer recomendações a seus tutelados relativamente ao porvir.

                Ninguém morre por acaso nos planos de Deus, ressalvados os casos dolorosos de suicídio que costumam causar maiores agonias, mais intensos tormentos sobre quem desejava liberar-se das carências, das torturas íntimas, dos conflitos e dos remorsos, tendo conseguido, então, em função da atitude infeliz, maiores problemas para resolver no futuro.

 

Livro: EM NOME DE DEUS. José Lopes Neto (Espírito), psicografia de José Raul Teixeira. Fráter Livros Espíritoas.  Niteroi – Rio de Janeiro – RJ. 1ª Ed. 2007.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza - Sociedade Espírita Amor e Conhecimento, Guaraniaçu – PR [email protected]