O Ponto do Conto - João Olivir Camargo
Documento assinado há 86 anos

Aproximam-se as comemorações alusivas a Nossa Senhora Sant’Ana, padroeira de Laranjeiras do Sul, uma história de fé que começou no ano de 1906 quando foi construída a primeira capelinha no vilarejo, passando nos anos seguintes por diversas ampliações para comportar o número de famílias que aqui residiam. Alguns anos depois a devota Ana Coutinho encomendou aos tropeiros que trouxessem uma imagem da Santa que veio de Ponta Grossa. O Decreto de criação da Paróquia Sant’Ana foi datilografado e assinado no dia 24 de novembro de 1933, há 86 anos, por decisão do bispo diocesano de Ponta Grossa, Dom Antonio Mazzarotto, documento que a coluna conseguiu junto à Cúria-PG e aqui transcreve respeitando a ortografia da época, o que não deixa de ser curioso em tempos atuais:

“Aos que este nosso Decreto virem saudação, paz e bençam em Jesus Christo, Rei e Salvador Nosso. Fazemos saber que, attendendo á enorme extensão da parochia de Guarapuava que acabamos de percorrer, á sua não pequena população que tende a sempre mais augmentar, á difficuldade e mesmo impossibilidade dos fieis procurarem o Sacerdote por causa das distancias, e sendo empenho nosso multiplicar, quanto possível, as parochias para melhor atender ás necessidades espirituais do povo, depois de termos consultado o Revmo. Padre Provincial da Sociedade dos Padres do Verbo Divino que regem a dita parochia e depois de termos ouvido o Rvdo. Padre Vigário da mesma paróquia, usando da nossa jurisdição ordinária de acordo com os canones 454$ 3 e 1427$1: Havemos por bem separar e desmembrar da dita parochia de Nossa Senhora do Belém de Guarapuava o território que em seguida vae indicado e nelle, pelo presente Decreto, erigimos e canonicamente instituimos uma nova parochia amovível que, tendo por sede o logar denominado Laranjeiras, está comprehendida dentro dos seguintes limites: “O rio Iguassú até a foz do rio Cavernoso; por este acima até a foz do Juquiá; subindo por elle até receber as águas do Cachoeirinha; por este acima até a sua nascente na serra de São João; segue pelo alto desta serra até encontrar a primeira nascente do rio Gambeguassú; por este abaixo até a sua foz no rio Piquiry e descendo por elle até os limites da Prelazia da Foz do Iguassú.” Concedemos á Igreja em que vae funcionar a nova parochia os direitos de Matriz cm plena faculdade para conservar o SSmo. Sacramento, possuir pia batismal, para ter os livros do Tombo, de Baptismos, Matrimônios, Obitos e Chrismas e gozar de todos os outros direitos e privilegios de uma Igreja Parochial. Damos, portanto, por erigida e constituida em nossa Diocese a nova parochia acima descrita, a qual terá por padroeira Nossa Senhora Sant’Ana, cuja festa será annualmente celebrada com muita piedade e verdadeira devoção. Mandamos que este nosso Decreto seja lido em um Domingo á estação da Missa parochial na Igreja destinada a ser Matriz da nova parochia e na Igreja Matriz de Guarapuava e, depois de integralmente transcripto no livro do Tombo de ambas as parochias e no livro competente de nossa Camara Ecclesiastica, será cuidadosamente arquivado.” O Decreto foi datilografado e assinado pelo padre Roberto Gonh, secretário do bispado.