Editorial
O fogo da discórdia

"Endurecerse sin perder la ternura jamás". Essa frase atribuída ao socialista-comunista Che Guevara, nos remete ao embate travado entre Bolsonaro e Macron. O primeiro não cede às pressões internacionais sobre as queimadas na Amazônia e o segundo aproveita a situação para encobrir a crise social que seu país enfrenta.

No entanto, a discussão virou briga pessoal e envolve até família, uma vez que a esposa de Macron, Brigitte Marie-Claude Macron, foi alvo de piada do presidente brasileiro.

A postura de Bolsonaro em relação à professora Macron é bem peculiar do brasileiro, que perde a razão, mas não perde a piada.

O dito pelo Executivo brasileiro sobre a dama francesa não foi assim tão grave, ele simplesmente a chamou de feia, nada mais que isso.

Porém, como a relação entre os dois presidentes está bem estremecida, qualquer pé de galinha dá uma sopa.

Como a discussão passou a ser uma briga pessoal que envolve não só os dois protagonistas, mas a população de dois países, o pé de galinha se transformou em uma pata de elefante e enquanto isso, a Amazônia queima.

Endureceram demais e perderam a ternura, na contramão do que supostamente pregava Che Guevara e infelizmente o estopim do embate, o fogo, continua sua ação destrutiva na maior reserva florestal do Planeta.

No embalo da tragédia, os oportunistas de plantão invocam teorias e mais teorias, umas mais estapafúrdias que as outras, a respeito da importância da floresta amazônica na manutenção da vida sobre a Terra.

Na verdade são teorias, nada mais que isso. O certo é que alguma coisa precisa ser feita com urgência, uma vez que o fogo não tem sentimentos, nem paixões, nem ideologias. E em meio a tanta eloquência, ele, o fogo, sem nenhuma delicadeza, vorazmente consome sem escrúpulos quilômetros e quilômetros de floresta. O necessário é apagar a fúria dos dois mandatários e o fogo na Amazônia.